O Poro é formado por artistas de Belo
Horizonte, atuando desde 2002 tendo como alvo preferido o espaço
público. Nós tentamos problematizar através
de ações poéticas a relação
das pessoas com a arte, a relação delas com a cidade
e a relação da arte com a vida. Realizamos nossos
trabalhos incorporando as poéticas pessoais dos seus membros.
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Espaços virtuais (desde 2002)
Iconografia do chão das cidades, "Espaços virtuais"
é uma série e fotografias de bueiros impressas em
adesivo e coladas em ambientes internos como chão de casas
ou de galerias. Ao colarmos os adesivos do "Espaços
virtuais" nos espaços internos, fazemos com que as
pessoas percebam os bueiros, pelo estranhamento. Um bueiro de
esgoto dentro de uma galeria de arte? Um bueiro sobre a cerâmica
do piso do banheiro? É interessante que, a partir do "Espaços
virtuais" as pessoas passam a reparar no chão por
onde andam. Como se os bueiros das calçadas e ruas perdessem
sua invisibilidade. Embaixo dos nossos pés há um
grande emaranhado de fios e encanamentos.
Enxurrada de letras (2004)
Santa Tereza, no Rio de Janeiro, é um bairro de casas antigas
e cheio de ladeiras. É também um bairro onde moram
vários poetas e artistas. Percorremos as ruas de Santa
Tereza colando letras coloridas como se estivessem escorrendo
de dentro dos canos e dos escoadouros de água que existem
nos muros e calçadas daquele bairro. Criando a imagem de
que uma enxurrada de letras estivesse começando. Realizamos
esse trabalho em trinta pontos diferentes, tanto em ruas movimentadas
quanto nas mais tranquilas. Somente os olhares muito atentos perceberam
a interferência.
Mais tarde, circulando pelo bairro, vimos que, várias das
letras que deixamos, tinham sido apropriadas pelos moradores que
escreveram pequenos textos nas paredes e postes espalhando palavras
soltas pelo bairro. Uma menina colou a inicial de seu nome no
peito.
Jardim (2004)
As cidades têm muitos canteiros onde o tempo e o descuido
fizeram com que se tornasse espaços secos e sem vida. Daí
vem o desejo de se criar manchas de cor no cinza indistinto da
cidade. Salpicar um pouco de poesia para quem passa. Para esse
trabalho, produzimos centenas de flores de papel celofane vermelho
e as plantamos em canteiro abandonado, em uma das principais avenidas
de Belo Horizonte. Para quem passa de carro, em alta velocidade,
é uma grande mancha de cor. Para quem passa caminhando,
são flores de papel. É uma intervenção
singela, ao mesmo tempo é sutil e gritante. Mas que resgata
um espírito ativo e poético de tornar a cidade um
lugar melhor.
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Em nossas ações buscamos:
1. Apontar sutilezas
2. Criar imagens poéticas
3. Trazer à tona aspectos da cidade que se tornam invisíveis
pela vida acelerada nos grandes centros urbanos
4. Estabelecer discussões sobre problemas da cidade (falta
de cor, crescimento não sustentável, concreto/vegetação
etc)
5. Refletir sobre as possibilidades de relação entre
os trabalhos em espaço público e os espaços
expositivos "institucionais" como galerias, museus etc.
6. Reivindicar a cidade como espaço para a arte
Grupo Poro - www.poro.redezero.org