Teses 2000-2002
Nível: Mestrado
Título: Oralidade e Riso na Primeira Página do Jornal Pessoal: um recorte cultural da Amazônia.
Autor:AMORIM, Célia Regina Trindade Chagas
P.Ch.: Comunicação Alternativa, Cultura, Linguagem, Oralidade, Jornal Pessoal (jornal), Região Amazônica .
Ano:2002 .
Universidade:PUC/SP .
Orientador:PINHEIRO, A. .
Resumo: Estudo da linguagem do Jornal Pessoal e sua relação com os materiais da cultura amazônica por meio de dois códigos bem definidos nas suas capas: o verbal (manchete) e o visual (caricatura), estabelecendo inter-relações entre tais elementos que compõem a mensagem jornalística. Das 291 edições do periódico até setembro de 2002, foram selecionadas 20 capas que apresentam esses dois códigos em permanente diálogo não só entre si como também com a própria região. Uma das estratégias do alternativo, na construção de suas manchetes de primeira página, é a utilização do universo da oralidade com a finalidade de assegurar a assimilação e a memorização da sua mensagem jornalística. Por isso vários recursos da oralidade se fazem presentes nas capas do Jornal Pessoal, como a brevidade, o ritmo, a repetição de palavras, as letras e sílabas, a eroticidade sonora e as aliterações, originando frases prontas, ditos populares que, com sua fluidez e ritmo, atraem o olho e o ouvido do leitor, facilitando assim o seu entendimento. Estas frases são curtas, agressivas, compostas de alta carga figurativa que dilacera a lógica da língua, da escritura, impondo uma releitura da manchete. Já as caricaturas provocam o riso satírico, irônico, revestido de um caráter crítico e deliberadamente oposicionista. Nas suas retas e curvas, no exagero dos traços alimentados pelo ambiente amazônico, observa-se o prazer do riso como arma de destruição contra personalidades que se sentem intocadas e fechadas no seu próprio centro. O intercruzamento do mundo da oralidade nas manchetes e o do riso nas caricaturas não poderia ser outro: um mosaico hiperbolicamente crítico na primeira página, promovendo um efeito significativo no ato da comunicação jornalística: a mensagem facilmente identificada, memorizada, fixada. Essa estratégia na primeira página ativa a curiosidade do leitor para reportagens que revelam a complexidade das relações políticas, econômicas, sociais, denunciando, por exemplo, alianças políticas corrompidas, violação da biodiversidade da Amazônia e temas similares. Além da análise da linguagem do Jornal Pessoal, esta pesquisa também dá ênfase à história da imprensa alternativa durante a Ditadura Militar (1964-1980), citando alguns periódicos que viraram símbolo de resistência dessa época, como O Pasquim, do Rio de Janeiro. Na Amazônia, destacam-se o Varadouro, no Acre; em Belém do Pará, o Resistência, o Bandeira 3 e o Nanico. Esse percurso canalizará para a própria história do Jornal Pessoal, criado em setembro de 1987, portanto, pós-ditadura militar.
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