Teses 2000-2002

 

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Nível: Doutorado

Título: Sistema Pictórico Expandido: plástica, proxêmica e interação.

Autor:BARRIOS, Vicente Carlos Martinez

P.Ch.: Artes,  Pintura,  Semiótica .

Ano:2002 .

Universidade:PUC/SP .

Orientador:OLIVEIRA, Ana Claudia Mei Alves de .

Resumo: No período pós-guerra, ao final dos anos cinqüenta e a ao longo dos anos sessenta, acontecem modificações tanto no estatuto do objeto de arte quanto no de sua fruição. O próprio papel desempenhado pelo espectador passa a ser questionado, como também os constituintes que dão sustentação e estruturam a linguagem plástica. Entre eles o corpo, o espaço, o tempo, a matéria, a linha, e a cor passam a desempenhar novos papéis. São retomadas nessa pesquisa sobre as estratégias de produção de sentido na arte contemporânea, algumas das questões levantadas pelas vanguardas históricas do início do século, agora sob novas perspectivas. A problemática é de ordem pictórica, abordando a pintura, que deixa de ser formulada como uma estrutura estabelecedora de relações de ordem planar para ser pensada e construída como um sistema de relações que se expandem para fora da superfície pictórica no espaço tridimensional. A pesquisa nucleia-se na análise da obra de três artistas: Robert Ryman, Lygia Clark e Hélio Oiticica que são suficientes e pertinentes para sustentar a reflexão. As obras analisadas provocam uma mudança no dispositivo que sustenta a relação sujeito-objeto. É nessa incorporado o próprio corpo, o tempo de seu processar o sentido e assim a sua duração. Ainda tem relevante atuação a materialidade empregada na constituição da obra. Não mais um atuar como representação de uma outra coisa mas sim a presença mesma da matéria enquanto matéria, que passa a ser valorizada como elemento significante. Do mesmo modo o corpo não está mais separado do objeto, todavia, inserido num sistema que o engloba e que o torna constituinte da obra e não mais exterior a ela. Assim o corpo e sua proxêmica estão para o trabalho artístico como a tinta está para a tela. Tinta, corpo, tela, espaço passam a ser elementos componentes da estrutura de sentido da obra. As mudanças ocorridas na dimensão matérica passam a ser também consideradas nas relações com as demais dimensões constituintes da obra: a eidética, a cromática, a topológica. Com esse desenvolvimento a pesquisa contribui para a sistematização de uma semiótica da matéria. A teoria semiótica de A. J. Greimas com a descrição do processar do plano do conteúdo e as postulações sobre os formantes da plástica de Jean-Marie Floch e Felix Thülermann para descrever a constituição das articulações estruturantes do plano da expressão, em relação de pressuposição entre os dois planos da linguagem, permitiram desmontar para remontar à estruturação das obras enquanto textos que são. Com esse entendimento do processar do sentido adotou-se as contribuições de Eric Landowski sobre "o sentido em ato" ou seja, aquele que se processa a partir de um sentir o sentido. Esse regime de "sentido sentido" é; como se pode concluir da semiotização do corpus, o regime de significação da arte contemporânea, no qual destacou-se o fazer da interação, da sinestesia e da proxêmica.


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