Teses 2000-2002

 

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Nível: Mestrado

Título: Discurso como Exercício de Poder, O.

Autor:PEREIRA, Rosane da Conceição

P.Ch.: Discurso,  Poder,  Análise do Discurso .

Ano:2000 .

Universidade:UFF .

Orientador:RIBEIRO, Fernando José Fagundes .

Resumo: Partindo-se do princípio de que o discurso é bem mais que um simples instrumento da Comunicação Social, mero substituto da força física segundo o senso comum, pode-se compreendê-lo como um exercício do poder. Algo que é, de acordo com Michel Foucault, um "poder de coerção" do qual nos queremos apoderar, aquilo pelo que se luta. Jamais a inequívoca tradução das querelas ou dos sistemas dominantes, servindo tão somente para comunicar. Tampouco o discurso conforme Hegel, na forma de superação da violência através do diálogo, em vista de um consenso. Ao contrário, a questão proposta incide na consideração das práticas discursivas como uma espécie mesma de violência. Trata-se, pois, de pensar o discurso como um ato que determina sentidos historicamente datados, não como o singelo tradutor de uma realidade dada a priori, por ele imediatamente representada. O presente estudo consiste na análise do estatuto do discurso-ato, a partir do regime da ambigüidade da palavra na Grécia arcaica. É o exame do suposto apagamento platônico desse discurso, como ato no mundo ou exercício do poder, força não física, violência da palavra. A instauração estratégica do discurso-instrumento da comunicação, como representação, é assim exposta a partir da não contradição da palavra na Grécia clássica. Contra ela aponta-se a perspectiva de Foucault acerca do discurso como poder efetivo. Em meio ao rompimento deste com relação à Análise do Discurso francesa, apegada ao par ciência-ideologia, e à aliança foucaultiana com o pragmatismo quanto às práticas discursivas, a concepção do discurso-ato, exercício do poder, é então expressa e confrontada com aquela do discurso representacional. O não apagamento do discurso como ato ilocutório, produtor de realidades, é mostrado ainda em alguns exemplos de Foucault sobre o discurso como exercício do poder e por um certo retorno à ambigüidade, mediante os dois programas éticos de verdade, para Paul Veyne. Para concluir, considera-se que o discurso como exercício do poder é a capacidade de instaurar, manter ou modificar estados de coisas através do uso da palavra. Como imposição de sentidos, o discurso mesmo é uma espécie de coerção verbal, e não a mera superação desse tipo de violência. Nesse aspecto, não se trata de haver apenas um discurso válido, como o racional, nem outros a serem ultrapassados, como os discursos poético, jurídico e religioso. Há discursos, que são sempre formas de produção e imposição do que se julga verdadeiro, legítimo.


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