Teses 2000-2002
Nível: Doutorado
Título: Personagem Afro-Descendente no Espelho Publicitário de Imagem Fixa, A.
Autor:MARTINS, Maria Cristina da Silva
P.Ch.: Grupos Étnicos, Anúncios, Propaganda .
Ano:2000 .
Universidade:PUC/SP .
Orientador:PINHEIRO, A. .
Resumo: O Brasil apresenta-se como um local onde confluem múltiplas etnias, tendo obtido uma efetiva contribuição do povo africano. Entretanto, é incomum o afro-desdendente negro participar de modo significativo do registro visual dos nossos anúncios publicitários - em que prevalece o fenótipo da raça branca. Aqui ele se viu primeiro em classificados divulgados na imprensa do século XIX como "mercadoria" à vida ou à captura. Segundo Lilia Moritz Schwarcz em "Retrato em Branco e Negro - jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no final do século XIX", as representações do negro nos jornais eram fabricados e manipuladas conforme os interesses da elite. Nas seções de ocorrência policial e nos classificados anunciando fugas, ele era violento, desdentado e abobalhado. Para divulgar a venda, era obediente e bem apessoado. A sua imagem negativa, há muito tempo construída, transpôs séculos. Sedimentou-se no período de produção mercantilista, quando o princípio da diferença se engajou na concepção hegemônica de um eu/superior europeu em detrimento do outro/inferior não-europeu. Para entender essa relação desamônica, convêm remeter a algumas considerações psicanalíticas de Carl Jung e Jacques Lacan, que considerara também o outro/primitivo. Mesmo liberto, aqui o negro se manteve enferiorizado numa sociedade estratificada, que o desqualificou segundo um critério fundado nos traços fenotípicos. Ao figurar no anúncio brasileiro, não sendo plano de fundo. Representava profissões desvalorizadas. Quanto à imagem hoje apresentada na publicidade, é possível percebê-lo como uma personagem emergente e (re)qualificada. Como sua presença tem se diversificado e adensado nos anúncios de imagem fixa principalmente nos anos 90, cabe analisá-los para saber quais estratégias se empregam e como o espelham.
56
|
|