Behaviorismo: Mitos, discordâncias, conceitos e preconceitos.
Autor: Maria Ester Rodrigues
TÃtulo: Behaviorismo: Mitos, discordâncias, conceitos e preconceitos.
Fonte: Educare et educare – Revista de educação. Vol. 1, num 2, jul/dez de 2006. Pág. 141-164.
DisponÃvel em: http://e-revista.unioeste.br/index.php/educereeteducare/article/download/262/190
RESUMO: O “behaviorismo†é alvo freqüente de crÃticas. Embora vários fatores estejam relacionados à origem de tais crÃticas, a literatura especializada as considera, predominantemente, como produto de equÃvocos. A nossa experiência profissional imediata também dá suporte à constatação da existência de equÃvocos acerca da abordagem, em grande quantidade. Embora o trato com crÃticas pouco fundamentadas e equÃvocos não deva ser prioridade, o nosso compromisso com a formação de professores nos incita a tecer alguns comentários sobre o assunto. Também apresentamos uma breve revisão de literatura acerca de trabalhos que tratam de equÃvocos sobre a abordagem produzidos em um locus especificamente educacional.
PALAVRAS-CHAVE: Formação de professores, Análise do comportamento, Behaviorismo radical, Psicologia da educação, Mitos/discordâncias e preconceitos.
Mitos e equÃvocos na literatura
O nosso interesse pelos mitos que cercam a palavra behaviorismo é razoavelmente antigo e já foi objeto de trabalhos empÃricos anteriores, com pesquisas publicadas e confecção de dissertação de mestrado no assunto. Na ocasião, não tivemos interesse em rebater crÃticas infundadas (ou pouco fundadas), e sim em dialogar com crÃticos conhecedores do objeto criticado, com a finalidade de investigar pontos de discordância. Para haver discordância é necessário supor que haja conhecimento sobre o objeto criticado. Para tanto fomos em busca de informações advindas de ex-analistas do comportamento com produção anterior reconhecida pela área. A necessidade de conhecer o assunto criticado é asserção não mais que morna e parece ser óbvia, no entanto, a palavra behaviorismo é maciçamente criticada na área educacional, na maior parte das vezes baseando-se na leitura de terceiros ou, ainda, por uma leitura bastante enviesada da obra de especialistas. O nosso interesse primordial não é dialogar com crÃticos menos embasados ou com a literatura estereotipada. Apresentar a abordagem e suas contribuições é um caminho mais atraente e prazeroso do que responder a crÃticas, em muitos casos, não mais que agressivas e preconceituosas; porém, o estado generalizado de equÃvocos que cercam a área e com o qual nos deparamos no cotidiano profissional, mais o compromisso com a formação docente, nos incita a falar sobre o tema proposto neste artigo.
Especificamente em relação aos equÃvocos, os autores da área tendem a relacioná-los a diferentes termos, semelhantes, porém não iguais. Tais termos são utilizados pelos autores para se dirigir a qualquer crÃtica relacionada com problemas de conhecimento (ausência de conhecimento, insuficiência, imprecisão, deturpação, equÃvoco etc.), seja em relação ao autor da crÃtica ou aos meios de divulgação do conhecimento da abordagem, conforme revisão de literatura efetuada em trabalhos anteriores (RODRIGUES, 2000 e 2002). Em relação aos equÃvocos – considerando como equÃvocos a crÃtica desprovida de maior sustentação, ou seja, as crÃticas que não resistiriam a um exame mais aprofundado da teoria – os autores consideram serem possivelmente relacionados a três fatores: 1) ao conhecimento inacurado/ parcial, ou ao desconhecimento da abordagem, fato constatado nos repertórios dos sujeitos pesquisados, em textos didáticos, em cursos ministrados, em comunicados da mÃdia; 2) à própria terminologia utilizada (termos técnicos) pela abordagem; e 3) a fatores relacionados ao desenvolvimento histórico do Behaviorismo Radical (BR) e Análise do Comportamento (AC) e complexidade crescente da obra de Skinner.
Podem ser incluÃdos nessa classe – equÃvocos – os trabalhos que focalizam percepções negativas e enviesadas sobre a abordagem (OTTA et al., 1983; WOOLFOLK, WOOLFOLK e WILSON, 1977); conhecimento inacurado/datado ou, ainda, incorreto (MORRIS, 1985; YOUSEF, 1992); desconhecimento ou falta de informação (MORRIS, 1985; YOUSEF, 1992); deturpações (NAKAMURA, 1997; FRANÇA, 1997); concepções equivocadas (MORRIS, 1985; CARRARA, 1998); texto didático e curso (YOUSEF, 1992; TODD E MORRIS, 1983; MORRIS, 1985; MIRALDO, 1985; GIOIA, 2001) e mÃdia divulgando imagem negativa (MORRIS, 1985).
Também estão nessa categoria os trabalhos que analisam peculiaridades da linguagem da teoria em questão e suas diferenças em relação ao comportamento verbal dos pares (de outras abordagens) e da população em geral (DEITZ e ARRINGTON, 1983; HICKEY, 1994; FOXX, 1996 e BANACO, 1997).
A história de desenvolvimento da abordagem (MIRALDO, 1985 e CARRARA, 1998) e a complexidade crescente da obra de Skinner (CARRARA, 1998 e MOXLEY, 1998) também são considerados fatores produtores de equÃvocos, bem como, datação de crÃticas.
Existem outros fatores relacionados à oposição ao behaviorismo? Certamente sim, especialmente os relacionados a discordâncias filosóficas, epistemológicas, metodológicas e fatores ligados aos analistas do comportamento, também relacionados em trabalhos que realizamos anteriormente (RODRIGUES, 2000 e 2002). É na categoria “equÃvocosâ€, porém, que se concentra a maior parte das crÃticas dirigidas ao behaviorismo, crÃticas com as quais nos deparamos no nosso cotidiano atualmente, seja como estudantes, seja como professores e profissionais da área de educação e mesmo psicologia.
O que é ensinado aos professores sobre behaviorismo?
Embora não devamos nos concentrar primordialmente em rebater crÃticas tradicionalmente dirigidas à abordagem, é necessário esclarecer algumas meias verdades (por vezes piores que mentiras completas) ensinadas a respeito da abordagem e que se fundam em aspectos bastante distantes do conhecimento sobre a mesma. Aconselha-se ao leitor especialmente interessado em trabalhos que tratam de crÃticas decorrentes de equÃvocos sobre a abordagem que consultem a literatura apresentada no tópico anterior, uma vez que não nos deter em seu escrutÃnio. Mas os estudos de WOOLFOLK, WOOLFOLK e WILSON (1977), de FRANÇA (1997) e GIOIA (2001) parecem-nos particularmente pertinentes para introduzir a problemática no campo especificamente educacional.
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O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.
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