Máquina de ensinar de Skinner – 7
Fragmento de: Skinner, B. F. Tecnologia do Ensino. São Paulo: Herder e Edusp, 1972.
Tradução: Rodolpho Azzi
CapÃtulo IV – A Tecnologia do Ensino. Este capÃtulo foi apresentado em forma de conferência recapituladora no Royal Society de Londres em novembro de 1964 e publicado no Proceedings of the Royal Society, B, 1965, vol 162, pp. 427-443.
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Técnicas operantes foram aplicadas a sujeitos psicóticos no trabalho pioneiro de Lindsley (Characterization of the behavior of chronic psychotics as revealed by free operant conditioning methods. Dis. Nerv. Sys., Mnograph Supplement, 1960, 21, 68/78.). Ayllon, Azrin e outros programaram contingências de reforço para resolver certas dificuldades na gerência de instituições para psicóticos (The Measurement and reinforcement of adaptive behavior of psychotics. J. Exp. Anal. Behav., 1965, 8, 357-383). As técnicas não foram concebidas para curar psicoses, mas para gerar comportamentos livres de perturbações. Num dos experimentos, toda uma enfermaria foi posta em bases econômicas. Os pacientes eram reforçados com fichas quando se comportavam de maneira a facilitar a administração e, por sua vez, pagavam os serviços recebidos, tais como refeições ou consultas psiquiátricas. Um sistema econômico como este, qualquer sistema econômico no mundo em geral, representa um conjunto especial de contingências finais que em nenhum sistema garantem comportamento apropriado. É necessário que programas adequados tornem eficazes as contingências.
OUTRAS ESPÉCIES DE PROGRAMAS
Uma segunda espécie de programas é usada para alterar propriedades temporais ou intensivas do comportamento. Ao reforçar diferencialmente apenas os casos mais vigorosos quando um pombo bica um disco e ao adiantar os requisitos mÃnimos vagarosamente, é possÃvel induzir o pombo a bicar tão energeticamente que a base do bico fica inflamada. Se se tivesse começado com esta contingência final, o comportamento nunca se teria desenvolvido. Não há nada de novo sobre a necessidade de programação. O treinador de atletismo costuma treinar o salto em simplesmente aumentando aos poucos a altura da barra, cada uma das alturas possibilitando a ocorrência de alguns bem sucedidos. Mas muitas contingências temporais e intensivas – como as que se vêem nas artes, nos ofÃcios e na música – são sutis e devem ser cuidadosamente analisadas se tiverem de ser programadas adequadamente.
Muitas vezes, o comportamento só é eficaz se ocorrer no momento oportuno. Diferenças individuais de “senso de oportunidade”, que vão desde o desempenho estouvado até o extremamente hábil, afetam a escolha da profissão e dos interesses artÃsticos e a participação em esportes e ofÃcios. Um certo “sentido de ritmo”, presumivelmente , vale a pena ser ensinado, no entanto, praticamente nada se faz para dispor as contingências necessárias. A hábil datilógrafa, o jogador de tênis, o torneiro mecânico ou o músico estão, naturalmente, sob a influência de mecanismos reforçadores que geram um sutil senso de tempo, mas muita gente nunca alcança o ponto em que estas contingências naturais assumem o controle.
Um artefato relativamente simples supre as contingências necessárias (Fig. 10). O estudante bate um padrão rÃtmico em unÃssono com o aparelho. “UnÃssono” é, no princÃpio, especificado com pouca exatidão (o aluno pode ficar um pouco adiantado ou um pouco atrasado a cada batida), mas as especificações são vagarosamente afinadas. O processo se repete em várias velocidades e padrões. Num outro arranjo, o estudante ecoa os padrões rÃtmicos produzidos pela máquina, embora não em unÃssono, e outra vez as especificações para uma reprodução acurada são progressivamente refinadas. Padrões rÃtmicos podem também ser trazidos ao controle de uma partitura impressa.
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