(Des) Interesse dos Alunos

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

INTRODUÇÃO

Nesse presente trabalho problematizaremos o desinteresse dos alunos em relação à escola e traremos algumas alternativas, que estão surgindo e outras que estão funcionando, para gerar o interesse do aluno na sala de aula e mudar sua visão sobre a escola.


O Desinteresse do Aluno

O desinteresse é o principal motivo do afastamento de jovens de 15 a 17 anos das salas de aula, de acordo com pesquisa sobre evasão escolar divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas. O estudo mostra que 40,3% dos alunos nessa faixa etária que abandonaram a escola o fizeram por falta de interesse, 27,1% por razões de trabalho ou renda, 10,9% por falta de oferta e 21,73% por motivos diversos.

O coordenador da pesquisa, o economista Marcelo Neri, ressalta a necessidade de aprofundar os estudos sobre as razões da falta de interesse dos jovens em ficar na escola. Para isso ele destaca as questões: Como combater a evasão? Devemos mudar o conteúdo, fortalecer o ensino técnico, a inclusão digital?

Essa pesquisa aponte as seguintes causas como as principais no problema de desinteresse:


  • Falta de conhecimentos básicos em matemática e interpretação de textos
  • Aulas tradicionais pouco motivadoras
  • Ausência de perspectiva de melhora na qualidade de vida como conseqüência da Educação
  • Suplantação da escola por outros “espaços” de interação social, como a Internet
  • Desestruturação / falta de apoio da família
  • Currículos inadequados


Assim, tentamos pensar como resolver essa questão. O que fazer para atrair o aluno para a escola? A escola que deve se adaptar ao aluno, se informatizando, mudando currículos e modelos de aula? Ou o aluno deve mudar sua visão em relação à escola? Existem, então, projetos e métodos criados para que esse desinteresse não ocorra nos alunos. As iniciativas de geração do interesse, por nós analisadas, são o projeto AMORA, a nova proposta do ensino médio feita pelo MEC, um colégio da capital e o método de Paulo Freire (temas geradores).


Projeto Amora

O Projeto Amora é um programa do colégio Aplicação da UFRGS que através de reestruturações curriculares tem por objetivo fazer da escola um ambiente motivador do aprendizado. Realizado por alunos de 5ª e 6ª série (6º e 7º ano do ensino fundamental), chamados respectivamente de Amora I e de Amora II, consiste principalmente na elaboração de um Projeto de Aprendizagem que venha responder a inquietações dos próprios alunos. Os alunos elaboram os próprios projetos e são organizados, por área de interesse, em pequenos grupos. Cada grupo terá um professor orientador para auxiliar na construção de páginas na internet que divulgaram os resultados das pesquisas. Em função da elaboração deste Projeto de Aprendizagem decorrem outras atividades curriculares:

- Atividades Integradas: os professores, em reuniões semanais, planejam atividades que articulariam os conteúdos e envolveriam as disciplinas.

- Oficinas: os alunos se inscrevem em oficinas, pelo seu próprio interesse, e nas quartas-feiras, no último período, dois ou mais professores especialistas desenvolvem as atividades com os alunos.

- Assessorias especializadas: por causa do Projeto de Aprendizagem podem surgir eventuais dúvidas nos alunos sobre assuntos específicos, as assessorias podem ser convocadas para auxiliar os alunos.

O projeto amora pretende desenvolver a aprendizagem do aluno de forma integrada e motivadora e com isso os alunos do Amora II devem auxiliar os colegas do Amora I na elaboração dos seus projetos. Ao final da elaboração dos Projetos de Aprendizagem os alunos publicam suas pesquisas em uma wiki da internet, onde são por fim avaliados. Eles ainda fazem uma apresentação dos projetos para a comunidade escolar.


Proposta do MEC para um Ensino Médio Inovador

Tendo em vista as deficiências do atual programa do ensino médio quanto a matriculas e permanências dos alunos nas escolas, frente à Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o MEC trouxe aos estados uma proposta a fim de tornar interessante o aprendizado dos jovens e adolescentes durante o Ensino Médio.

As principais alterações estariam em:

a) Aumento da carga horária para 3.000 horas, com 200 horas a mais em cada ano, não ultrapassando os 200 dias letivos;

b) Todas as disciplinas utilizando a leitura como base.

c) Utilização de laboratórios de ciências, matemática e outros.

d) Incentivo às artes para ampliar o universo cultural do aluno;

e) 20% da carga horária total do curso como atividades optativas e disciplinas eletivas a serem escolhidas pelos estudantes;

f) Professores com dedicação exclusiva a escola;

g) Participação efetiva da Comunidade Escola na elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) e organização curricular baseado no Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Médio.

Entretanto, poder concretizar estas propostas dentro da realidade escolar de cada comunidade para que realmente exista um incentivo à educação do aluno é preciso que a própria comunidade escolar elabore um currículo que abranja o aluno como um todo. No documento em que estabelece o Programa do Ensino Médio Inovador o MEC deixa claro que ele tem papel apenas de dar subsídios como apoio técnico e pedagógico, ou seja, recursos financeiros e disponibilizando o apoio Técnico para elaboração do PPP.

Existem ainda considerações que dizem respeito à estrutura físico-financeira do Projeto: disponibilizar um computador portátil para cada aluno e professor; proporcionar passagens, diárias, serviços jurídicos, materiais didáticos, Computador /Software/ Impressora para formação continuada de professores e gestores do projeto; bolsas de incentivo a pesquisas científicas do Ensino Médio para os alunos e para professores cursistas; recursos para aquisição e manutenção de equipamentos tecnológicos nas escolas.

Essa proposta do MEC visa conseguir integrar a diversidade de interesses, anseios e projetos de vida dos alunos. Ela não pretende apenas colocar mais “disciplinas” no currículo escolar e sim “componentes com escopo, formatos e tratamentos os mais variados, em espaços intra e extra-escolares, que sejam significativos para os participantes, e agrupando, por interesse, alunos de classes e anos diversos que possibilitem iniciativa, autonomia e protagonismo” (MEC).


Temas Geradores

A proposta pedagógica “Tema Gerador”, criada por Paulo Freire, é, também, outra forma de gerar o interesse do aluno. Paulo Freire visa uma educação problematizadora, sendo assim, propõe que não exista uma polarização entre professor e aluno e sim, um par, educador e educando. Nesse par há a predominância do diálogo, e este, problematizando o conteúdo que os mediatiza através do tema gerador.

O tema gerador é compreendido como o assunto que centraliza o processo de ensino-aprendizagem. A escolha desses temas geradores é fruto de uma mediação entre as responsabilidades dos professores e os interesses dos alunos. Eles são os temas colhidos do universo vocabular dos grupos a partir das informações e saberes preliminares oriundos da realidade do aluno e de suas interações. Dessa maneira, ocorre uma maior interação interdisciplinar e uma maior contextualização do que está sendo aprendido.

A fim de uma educação construtiva, libertadora e de um aprendizado eficaz, esse método de Freire contribui para motivar e gerar o interesse do aluno. Pois, uma abordagem dessa natureza, constrói o aprendizado tendo por eixo os interesses e as necessidades da maioria da população. Assim, os alunos vêem a escola como um lugar que contribui para sua vida e é culturalmente significativo e não como um espaço onde apenas passam o tempo sem saber o porquê.


Experiência em um Colégio da Capital

Tive a oportunidade de observar a escola e ter acesso aos relatórios da escola. Conversei também com a coordenadora da escola e fui muito bem recebida. A escola é de Ensino Fundamental e Estadual.

Há mais de cinco anos atrás, a escola passava por um grande problema de evasão (no EJA) e de reprovação em todas as séries. Foi então que os professores e a coordenação começaram a fazer reuniões constantes para tentar resolver o problema. Foi um trabalho grande também de tentar envolver toda a comunidade para ajudar a escola, principalmente os pais e familiares.

Foi implantado na escola o sistema de salas temas, onde em cada sala acontece uma aula de cada matéria (matemática, geografia...), a sala é toda decorada conforme a matéria, e quem se movimenta de sala a sala são os alunos e não o professor. Isso facilitou muito aos professores para fazerem uma aula mais dinâmica, pois todo o material que precisam já está em suas devidas salas.

Junto a essa mudança, a comunidade se envolveu muito nos projetos da escola e também os professores fazem, desde então, ao menos três trabalhos envolvendo a interdisciplinaridade a cada ano. Resultado: A escola diminui em 75% o número de evasão e também diminuiu drasticamente o número de reprovação em todas as séries. Eu realmente fiquei encantada com essa iniciativa e como isso, à curto prazo, teve uma resposta tão grande e satisfatória.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é método Paulo Freire. Coleção primeiros passos, Vol. 38. Editora Brasiliense, SP, 1981.


Linkografia

http://amora.cap.ufrgs.br/ acesso em 28 de maio de 2009, às 10h30min.

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13439%3Aensino-medio-inovador&catid=195%3Aseb-educacao-basica&Itemid=811 acesso em 23 de maio de 2009, às 19h41min.

http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/ensino_medio_inovador.pdf acesso em 23 de maio de 2009, às 20h.

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