A Violência na Escola

De Psicologia da Educação

A VIOLÊNCIA NA ESCOLA


Um assunto vasto, com bibliografia extensa e tema de diversos documentários e mesmo filmes romanceados, a violência escolar surge de maneiras as mais diversas quanto possa em nosso país, abrangendo as diferenças socio-históricas e culturais de cada cidade e de cada localidade estudada.


Os livros “A dinâmica da Violência Escolar – Conflito e Ambigüidade” de Áurea Guimarães e ainda “O olhar de alunos e professores em relação à violência em uma escola privada do interior do estado do RS” de Dalila Inês Maldaner Backes abordam de forma distinta a violência, separando o foco entre escola publica e privada no Brasil. Áurea Guimarães embasada em textos de Maffesoli que a violência é “natural” (conceito durkheimeano) , e o que deve ser combatido no espaço intraescolar é a violência anômica, que foge ao comportamento social daquele grupo escolar. Demonstra a especificidade de Campinas no estudo, onde a violência tornara-se banalizada socialmente, trazendo conseqüências para o convívio escolar.


Dentro da análise de Guimarães, cabe também citar o conceito de “Bullying” como forma comum de violência, tendo suas aplicações físicas ou psicológicas. Os “bullies” (agente causadores do bullying, que em tradução livre significa “valentões”) usam principalmente uma combinação de intimidação e humilhação para atormentar a vítima. Abaixo, alguns exemplos de técnicas do bully:

  • Insultar e acusar sistematicamente a vítima.
  • Atacar fisicamente repetidas vezes uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.
  • Interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa: livros, material escolar, roupas, etc. Danificando-os.
  • Espalhar rumores negativos sobre a vítima.
  • Depreciar a vítima sem qualquer motivo.
  • Fazer com que a vítima faça o que não quer, ferindo a liberdade de escolha, ameaçando a vítima a seguir ordens.
  • Colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully.
  • Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidadeou qualquer outra inferioridade depreendida do qual o bully tenha tomado ciência.
  • Isolamento social da vitima.
  • Utilização de tecnologias de informação, como sites de relacionamento para portar fotos depreciativos, boatos cibernéticos (mais utilizada em escolas particulares). Chantagear via internet, marcar brigas.
  • Expressar-se ameaçadoramente.
  • Grafitar depreciativamente.
  • Usar-se de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isso ocorre logo após o bully avaliar que a pessoa é a “vítima perfeita”).


No filme norte-americano “Escritores da Liberdade” aborda-se ainda as diferenças culturais em uma escola de Los Angeles, colocando como causa principal da violência, a intolerância étnica que é abordada positivamente pela professora de uma das turmas de repetentes, colocando-os frente a frente com problemas que todos os alunos (sejam, afro-americanos, hispânicos ou asiáticos) em comum como: dificuldade de conseguir emprego, violência generalizada dentro e fora das famílias, perda de amigos próximos pelo tráfico de drogas, etc.


A respeito da especificidade da escola publica e privada, podemos colocar que via de regra a publica aborda uma violência muito mais física e direta, visando espancamentos, lichamentos ou demonstrações de força bruta mais óbvias do que em escolas particulares. A violência das escolas particulares coloca-se na subjetividade das relações de poder, cabendo aqui os conceitos de Bourdieu sobre violência institucional que age sobre as vítimas.


Os estudos do bullying nos Estados Unidos da América levaram a conclusões como as altas taxas de suicídio em colégios, ligados diretamente ao bulliyng dos alunos que cometeram suicídio. É também neste país que ocorreram casos extremos de violência escolar comoo caso notório do massacre de Columbine (retradado no documentário “tiros em Columbine” do cineasta Michael Moore).


Dos documentários brasileiras sobre a violência podemos citar o de João Jardim “Pro Dia nascer feliz”, onde a realidade da escola publica brasileira se demonstra em uma frase de uma das jovens entrevistadas que cometeu homicídio: “Não tem lá muito problemas roubar ou matar se for pra livrar a cara, pois o máximo que vou pegar é três anos na Febem”. Realidade característica de uma juventude que observa a educação que morre na mídia e na politicagem que resume a ação política brasileira com o dizer “o crime compensa”, já que em sua maioria, os políticos estão em seus cargos por crimes e trocas de favores, e não por ações positivas socialmente.


LINKS:


  • Escritores da Liberdade:

(não tem legenda, mas é um dos trailers oficiais).


  • A trilha do filme “i have a dream” é embasada em uma frase de um pronunciamento de Marthin Luther King. Pronunciamento que está em:
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