Adolescência na Escola
De Psicologia da Educação
A adolescência é uma das etapas do desenvolvimento humano, na qual o corpo e a mente dos seres humanos passam por transformações, que refletem não só no íntimo, como também em manifestações sociais. Pessoas entre os 12 e 21 anos de idade são consideradas adolescentes. Porém, essa etapa pode iniciar um pouco antes em alguns casos, com cerca de nove anos, e se prolongar até faixas etárias maiores, chegando aos 30 anos.
A maioria dos adolescentes em idade escolar está entre os 12 e 18 anos, ou seja, situados a partir da 6ª série do Ensino Fundamental até a 3ª etapa do Ensino Médio. A proposta do trabalho era analisar a dinâmica dos docentes para com os discentes que estão passando por essa fase. Em vista da amplitude do tema escolhido, os componentes do grupo buscaram “temáticas-chaves” que ilustrassem a adolescência na escola, como a abordagem da sexualidade em ambiente escolar, o tabagismo e a violência na escola. Para isso, foram consultados artigos científicos que nortearam a pesquisa e explanação sobre o assunto.
A Abordagem da sexualidade na Escola
A puberdade causa uma intensa transformação física e eventos psicológicos que criam a identidade sexual dos adolescentes. Nesta idade, os seres se tornam aptos para a reprodução, mas não dispõe de habilidades emocionais para lidar com este novo contexto. Assim, mudanças comportamentais expõem o adolescente a muitos riscos físicos, psíquicos e sociais.
O desenvolvimento da sexualidade faz parte de todo ser humano e seu ápice talvez se dê na adolescência onde são vivenciadas grandes transformações no corpo e mente de cada indivíduo. Estas mudanças precisam ser acompanhadas de perto para que através da prevenção se ofereça proteção. (JARDIM e BRÊTAS, 2006, p. 161)
A escola exerce papel importante na orientação sexual durante a adolescência. Programas de treinamento e capacitação sobre sexualidade na adolescência são necessários para guiar e apoiar os alunos desta faixa etária. Apesar disso, resultados atestam que a maioria dos professores não dispõe de conhecimentos suficientes para orientar os adolescentes sobre o assunto.
Em acordo com o artigo Orientação sexual na escola: a concepção dos professores de Jandira-SP, pesquisa resultante da monografia de conclusão de curso de Especialização em Saúde Pública da UNIFESP, escrito por Dulcilene Pereira Jardim e José Roberto da Silva Brêtas, entende-se que Educação Sexual é todo o processo informal pelo qual aprendemos sobre a sexualidade ao longo da vida, seja através da família, da religião, da comunidade, dos livros ou da mídia. A Orientação Sexual seria o processo de intervenção sistemática na área da sexualidade, realizado principalmente em escolas.
Assim, as instituições familiares e escolares, bem como a sociedade, se colocam como as responsáveis pelo desenvolvimento de ações educativas. Os meios de comunicação bombardeiam a audiência com informações distorcidas sobre sexualidade. É preciso que as instituições sociais passem a exercer um papel educativo para com o desenvolvimento das pessoas.
À família deve-se a formação da identidade e desempenho dos papéis sexuais dos filhos. Ela tem o papel de direcionar sobre prática adequadas ou não por meio de gestos, expressões e proibições.
Em paralelo ao incentivo familiar, a escola é o cenário apropriado para programas de educação sexual, pois conta com elementos de contatos interpessoais. A orientação sexual é sugerida nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do ministério da Educação (MEC). Apesar disso, há dificuldades de inserir novas práticas por falta de recursos materiais e pessoal capacitado.
Dessa forma, o professor seria o principal agente da integração da orientação sexual na vida escolar. São necessários docentes capacitados, com condições de ampliar e reciclar seu conhecimento, para não misturarem suas convicções pessoais com a educação dos adolescentes, bem como incluir a discussão da sexualidade na grade curricular em parceria com organizações de interesse comum. Além disso, é preciso discutir não apenas questões biológicas, mas também moral, ética e valores.
Só assim, teremos professores capazes de criar e manter um vínculo de confiança com o adolescente e cumprir os objetivos da orientação sexual na escola de levá-los a reflexão e aplicação do conhecimento para a construção da sua cidadania. (JARDIM e BRÊTAS, 2006, p. 161)
Tabagismo na Adolescência
A partir da curiosidade e necessidade de experimentação típica da faixa etária, muitos adolescentes fumam pela primeira vez. As relações sociais com fumantes na família e círculo de amizades facilitam o contato inicial com o cigarro. Além disso, a necessidade de identificação e as imagens reproduzidas nos meios de comunicação são consideradas as principais influências da iniciação do tabagismo na adolescência.
No estudo realizado por Denise da Silva Pinto e Sandra Aparecida Ribeiro, intitulado Variáveis relacionadas à iniciação do tabagismo entre estudantes do ensino médio de escola pública e particular na cidade de Belém – PA, foi possível mensurar o tabagismo entre estudantes de 12 a 19 anos. Segundo o artigo, a experimentação e o uso habitual do cigarro são mais freqüentes na escola pública; a experimentação é igual em ambos os sexos, assim como a manutenção do hábito; a grande parte dos experimentadores consegue cigarros com amigos.
Através da pesquisa, foi possível identificar variáveis que influenciam na manutenção do hábito. A compra de cigarros é feita pessoalmente por aqueles que mantêm padrão de consumo diário. O acesso facilitado funciona como incentivo à manutenção do hábito, ou seja, aqueles estudantes que têm a possibilidade de obter cigarros próximo ao local de estudo ou moradia acabam por fumar mais de uma vez. Dessa forma, verifica-se a inoperância da legislação brasileira, que proíbe a venda de tabaco a menores de 18 anos.
Uma das principais substâncias do cigarro é a nicotina, considerada altamente viciante quando consumida algumas vezes, o que gera mais consumo e aumento da regularidade deste, construindo um caminho sem fim.
O seu efeito [nicotina] quando consumida como tabaco manifesta-se de duas maneiras distintas: tem um efeito estimulante e, após algumas tragadas profundas, tem efeito tranquilizante, bloqueando o stress. Seu uso causa dependência psíquica e física, provocando sensações desconfortáveis na abstinência. (Fonte: Wikipédia)
O baixo custo e grande participação do mercado ilegal facilitam o acesso e manutenção do vício. Estudos observam que aumento no preço reduz significativamente o tabagismo entre jovens, sendo estes mais sensíveis às variações de preço que a população adulta tabagista, constatando que uma das maneiras de barrar o consumo entre jovens é tornar o vício caro.
O estudo ainda encontrou resultados interessantes, como o fato de estudantes que nunca foram elogiados por não fumar apresentam taxa de experimentação maior do que os que afirmam já terem sido elogiados. A pesquisa leva a concluir que a maneira mais eficiente de controlar o aumento do tabagismo entre adolescentes é fomentar ações educativas que incentivem a não experimentação, que leva ao vício.
Estes achados [a pesquisa] podem instrumentar ações regionalizadas de prevenção e combate ao tabagismo, direcionadas à comunidade, à escola e à família, tenho como alvo os adolescentes. (PINTO e RIBEIRO, 2007, p. 563)
A Violência na Escola
A adolescência é um processo dinâmico de metamorfose que transforma o ser criança em um ser adulto. O adolescente violento, muitas vezes, é uma pessoa desamparada. Essa violência precisa ser contida, canalizada e dominada, via recursos próprios e apoio dos adultos.
O pubertário é violento por aquilo que traz de novidade, a princípio insana e ameaçadora, às vezes capaz de provocar tamanho desequilíbrio, uma ruptura tão grande na estabilidade da organização da vida psíquica, que o sujeito luta por sua sobrevivência e reage a isso com violência. (MARTY, 2006, p. 122)
É preciso que o adolescente confronte-se com adultos que não fraquejem e resistam à sua destrutividade, servindo de referência para ele. Na falta disso, o adolescente não conseguirá orientar sua violência interna em sua busca de sentido, sua busca identitária. O tratamento da violência passa, portanto, pela tomada de consciência, por parte dos adultos, quanto ao papel que devem exercer na constituição do self, em particular no momento da adolescência.
Como propostas para um possível tratamento da violência na adolescência, manifestada entre adolescentes ou com outras pessoas, coloca-se a consideração das alternativas à resposta de “tolerância zero” e “chega de repressão”. O sentimento de injustiça muitas vezes encontra reforço na atitude dos adultos ante os adolescentes, que os tratam com desrespeito ou de maneira a não considerar a fase de transformações pelas quais estes passam. A falta de respeito dos adultos em relação aos adolescentes torna-se um argumento para legitimar a violência que então será uma resposta àquilo que é percebido como um ataque.
O apoio dos pais constitui-se o melhor recurso para permitir que os adolescentes lutem de maneira eficaz contra sua própria tendência à destruição. Ainda é possível estabelecer métodos escolares que possibilitem ao adolescente se compreender melhor, entendendo a fase de mudanças na qual vive e fazendo-o extravasar sua angústia de outras maneiras.
Através do estudo, é possível concluir que a violência seria bem mais um apelo à confrontação e ao encontro, à criação de objeto, de relação e de sentido - embora seja claro que é também pedido de limite - do que um apelo à lei do pai. A violência do adolescente é fundamentalmente expressão de uma ameaça tanto interna (emanando em especial do ataque da parte dos objetos internos, ataque do qual o adolescente se sente vítima) quanto proveniente dos objetos externos (do ambiente, mas às vezes também de seu próprio corpo púbere). Assim, se a violência, em suas formas destrutivas, constitui um ataque à cultura e à humanidade como um todo, as respostas que precisamos propor devem ajudar a juventude a transformar essa violência ao mesmo tempo protegendo o corpo social contra o risco que a violência faz pesar sobre ele.

