Autoridade do Professor
De Psicologia da Educação
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Introdução
Podemos pensar que a autoridade do professor se manifesta pelo simples fato de que ele tem mais conhecimentos do que o aluno. Mas hoje podemos perceber que só isso não basta, uma vez que as informações estão muito mais acessíveis do que no passado. A escola deixa de ser o único lugar possível de adquirir a informação e o conhecimento. Seu papel na sociedade hoje para a maioria dos seus alunos, infelizmente, tem se restringido a ser apenas um local que os permitem atingir projetos individuais, e essa visão dificulta tudo, não só a questão de autoridade do professor como também os processos de ensino-aprendizagem. O objetivo do presente trabalho foi levantar algumas informações de autores conceituados na área de educação a respeito de alguns pontos relevantes para se entender a função da autoridade do professor em sala de aula.
Autoridade na Família
Respeitar a autoridade do professor é algo que se aprende em casa. Aliás, o respeito a qualquer pessoa é algo que se aprende em casa. É lugar comum que filhos aprendem, em primeiro lugar, pelo exemplo dos pais. A valorização do professor e o respeito ao mesmo por parte de um aluno começa em sua observação de uma postura de respeito e valorização por parte dos pais.
No entanto, o que vemos nas famílias de nossa sociedade é um descaso dos pais em relação a qualquer tipo de autoridade. Muitos pais não se dão o trabalho de ser autoridade para seus filhos. Alguns pais não dão limites aos seus próprios filhos, não os ensinam a respeitar ninguém, nem a eles próprios como pais. O ser humano que cresce em tal família não aceita ordens de ninguém e muito menos limites à sua liberdade. O que leva pais a negligenciarem a educação de seus filhos? Segundo o psiquiatra Içami Tiba, vários podem ser os motivos que impedem pais a serem reais educadores de seus filhos. Entre eles estão o medo de traumatizar os filhos com cobranças de suas obrigações, incapacidade de lidar com reações violentas dos filhos, falta de limites, comodismo, ou o que é ainda pior, incapacidade dos próprios pais de respeitar outras pessoas (TIBA, 2005, p.208s).
É também lugar comum que a escola não é o primeiro espaço de educação, e sim o segundo. Há pais que preferem delegar à escola a educação de seus filhos. No outro extremo, há aqueles que não reconhecem a autoridade da escola, e acabam se aliando aos seus filhos na delinquência (TIBA, 2005, p.209). Até mesmo o descaso dos pais em relação ao boletim dos filhos é uma demonstração disso. Pais que não levam a sério os indicadores do rendimento escolar de seus filhos não estão preparando seus filhos para suas futuras carreiras profissionais. Pais que não se importam com o que acontece na escola não ajudam seus filhos a se preparar para a vida, não ensinam seus filhos a prestar contas, a dar o melhor de si, a respeitar e obedecer aqueles que ocupam uma posição superior, ou seja, não ajudam seus filhos a se preparar para lidar com futuros chefes e maiores responsabilidades (TIBA, 2005, p.211s).
É assustador o que se vê em noticiários, em vídeos do YouTube e outros canais de mídia sobre o comportamento de alunos em relação aos professores. Vai da violência física à violência moral. Dificilmente pais de filhos que praticam tais ações tomam alguma providência em relação a elas. Normalmente dão desculpas para se isentar de qualquer responsabilidade. No entanto, a educação dos filhos é responsabilidade dos pais. A justiça de Cacoal (RO), em setembro do ano passado, condenou pais de 19 alunos a pagar uma indenização de R$ 15.000 a um professor que foi ridicularizado em uma comunidade criada por esses alunos no site de relacionamentos Orkut. Em resposta ao apelo dos pais, a justiça decretou que “o dever da vigilância é uma incumbência legal dos pais, enquanto responsáveis pelos filhos. Trata-se de um dever legal objetivo do qual não pode o responsável se escusar, com o argumento de ser ‘impossível’ a vigilância dos filhos vinte e quatro horas por dia. Noutras palavras, o argumento trazido pelos apelantes é por demais frágil e não afasta os consectários do descumprimento do dever legal” (g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL766038-6174,00.html).
A família pode ser um auxílio ou um obstáculo para a boa inserção do indivíduo no espaço escolar. O indivíduo só aprenderá a levar a sério as regras instituídas na escola se ele tiver sido preparado para isso pela família. É claro que há que se considerar que a família de hoje não é a de antigamente, em que o pai era o provedor e a mãe uma presença educadora constante. Nos dias de hoje, talvez os pais não tenham tanto tempo para os filhos quanto eles gostariam, e talvez o cansaço e a luta do dia-a-dia os impeçam de se inserir de forma mais sistemática e prática na vida de seus filhos. No entanto, a família ainda é a primeira célula da sociedade, e cabe à família preparar as crianças para relacionamentos de todos os tipos, sejam eles de autoridade ou não. Antes de tudo é necessário que a família prepare o filho ou a filha para relacionamentos de respeito.
O respeito acontece quando o ser humano se sente respeitado. Mais do que relacionamentos hierárquicos, os relacionamentos de respeito acontecem quando ambos os lados estão dispostos a valorizar e a aprender com o conhecimento do outro. Pais e professores têm muito a ensinar, mas também têm muito a aprender. O adulto que se dispõe a aprender com o jovem valoriza-o e o faz perceber que têm uma posição importante no relacionamento. Vivemos numa era em que o aprendizado é constante, não acaba na vida adulta. É a era da educação continuada, e nessa era o jovem tem muito a ensinar. Com certeza o adulto que valoriza o conhecimento do jovem também abre portas para ser valorizado ao compartilhar a sua experiência (TIBA, 2005, p.204ss).
O professor e a autoridade
Autoridade é tudo que faz com que as pessoas obedeçam. Assim, uma pessoa na função de professor, adquire o poder de determinar as ações dos alunos, que legitimam esse poder, pois é passado de geração a geração, ou adquirem rapidamente na própria escola, a imagem do professor como uma figura que tem o direito de exercer a autoridade. As regras adotadas pelo docente advento da autoridade que é adquirida devem ser aceitas pelo discente e não imposta, estando vinculada ao papel do líder que as expõem com o direito de ser dialogada com os participantes do processo para sim, ser aceita (MORAIS, 2001).
A relação estabelecida entre o professor e seus alunos passa a ser construída por ambos, em comum acordo, que conduz os educandos a aceitar e entender as regras como posturas a serem tomadas e com as possibilidades de mudanças. Desta forma se cria uma disciplina onde o aluno participa ativamente das atividades escolares, envolvendo-se nas tomadas de decisões e estabelecimentos de regras, questionando o professor, relacionando-se com seus colegas, discutindo e opinando sobre as questões colocadas na sala de aula. A autoridade não pode ser vista como um bloqueio da liberdade discente, nem tão pouco pelo cessar de uma autonomia discente. Não se deve confundi-la com autoritarismo, ou seja, uma autoridade sem limite, com exagero, tornando uma “máquina”, que não possa expressar a sua individualidade e nem externa a sua insatisfação ou angústia de um determinado assunto ou regra estabelecida. Um dos problemas que aflige o alunado e preocupa também os professores é proveniente da própria natureza das suas relações, o “excesso” da autoridade, o autoritarismo. Isto acontece porque no dia-a-dia no contexto educacional Professor-Aluno, pressupõe uma relação assimétrica de poder, na qual, aquele que ensina, o professor, exerce uma autoridade sobre aquele que aprende, o aluno (De La Taille, 1999). A autoridade sendo um produto da relação professor-aluno não é de toda errada e sim necessária, porém realizada de forma eficaz, conduz o discente a se disciplinar, sendo esse então capaz de adequar seu comportamento a determinadas regras, definidas por ele ou não (FREIRE, 1989). Sendo a didática “um procedimento pelo qual o mundo da experiência e da cultura é transmitido pelo educador ao educando, nas escolas ou obras especializadas” (LAROUSSE, 2004, p.288), e a forma que o educador exige a disciplina em sala, interfere na relação com o educando, nada mais justo que esta didática ajude de forma a solucionar ou minimizar estas “rachaduras” no processo educativo, que no futuro influenciará no convívio em sala de aula. É uma ingenuidade bastante perigosa imaginar que podemos educar sem autoridade. Talvez este modo de pensar proceda de uma certa confusão entre o que significa autoridade e o que significa autoritarismo. O autoritarismo é um abuso da autoridade. É usar a autoridade não para educar, mas para impor-se aos outros sem respeitar a sua legítima liberdade. É não entender que educar significa, antes de qualquer outra coisa, ensinar a usar bem a liberdade. É pensar que só existe a liberdade daquele que educa e não a daquele que é educado.
O entendimento da didática como possível solução de conflitos na relação professor-aluno, é centrado no conceito de que “ao estudarmos os passos didáticos, é importante assinar que a estruturação da aula é um processo que implica criatividade e flexibilidade do professor” (LIBÂNEO, 1994, p.179), logo regras impostas pelos professores impossíveis de serem questionadas por seus alunos, prejudicam não só a relação dentro da sala de aula, mas o processo educativo como todo. A valorização na relação das partes envolvidas no processo educativo, professor-aluno, transforma o trabalho pedagógico em uma ação conjunta, onde as regras criadas em sala são negociadas e cumpridas por todos os participantes do contexto. O discente encara seus alunos como colaboradores deste processo, portanto o aluno é aceito como membro da construção do conhecimento. A didática também é responsável pela materialização de uma nova consciência docente, centrada na divisão de responsabilidades dentro de uma sala de aula. A disciplina ou a falta dela é de responsabilidades de todos envolvidos no processo, pois somente juntos, o professor e o aluno, terão possibilidades de dialogar, negociar, compartilhar e construir um conhecimento em conjunto.
Autoridade x Autoritarismo
A história da relação entre professor/aluno nos conta muito sobre a possível associação que se faz do termo autoridade com autoritarismo. Escolas religiosas e colégios militares, devido a suas posturas rígidas de educação, foram os principais responsáveis por esse processo de generalização dos termos. Em Linguagem & Ensino, de Elaine Lopes Novais, três conceitos de autoridade são definidos: por Furter (1979: 172), “longe de ser um mal que cause vergonha aos adultos, a autoridade é uma garantia de estabilidade do mundo que os cerca, já que essa mantém um ambiente que tranquiliza a criança (ou adolescente) e garante o objetivo da ação pedagógica”; Ferreira, por sua vez, define autoridade como: “1. direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões, de agir; (...) 5. poder atribuído a alguém; domínio. 6. influência, prestígio, crédito”; já Lobrot, na sua visão negativa sobre autoridade, define-a como um sistema que permite a alteração da vontade do outro, conduzindo-o ao ponto que se deseja.
A partir de tais definições pode-se perceber que o conceito de autoridade muitas vezes se confunde com o de autoritarismo, embora esse termo tenha uma definição diferenciada. O que acontecia frequentemente nas escolas (e ainda acontece) é encontrar professores autoritários que usam de métodos punitivos como uma medida para se impor, numa tentativa de disciplinar os alunos, muitas vezes mal sucedida, pois muitos, os que não eram completamente passivos, tornavam-se rebeldes com o sistema, numa tentativa de burlá-lo. O autoritarismo é característico de escolas de sistema rígido, onde o professor representa poder inquestionável e conhecimento incontestável e é o detentor das normas e regras, que devem ser seguidas indiscutivelmente.
Não há espaço para discussão de novas posturas, tudo já está estipulado e definido, cabe aos alunos apenas a obediência. Questionar esse sistema poderia ser motivo de punição. Esse estilo caracteriza-se por sua unilateralidade, o professor é a única voz ativa da sala de aula.
Muitas concepções atuais de educação defendem outra abordagem para métodos educativos. O sistema rígido de escolarização não é mais considerado como ideal por muitos teóricos. A atual questão em relação a esse processo é como obter autoridade sem ser autoritário. A questão parece trazer bastante divergência entre teóricos da educação. Novais defende que existem métodos através dos quais professores podem conquistar o respeito e a sucessiva autoridade, definida como autoridade liberal. A questão do diálogo parece ser um dos principais tópicos mencionados. Para que os alunos se sintam agentes ativos na esfera social, ouvir e conversar com eles e deixar que eles façam parte do processo de decisão dentro da sala de aula podem ser medidas válidas. Através disso, os alunos entendem a utilidade das regras e como elas colaboram com a apreensão do conteúdo. Esse raciocínio cria nos alunos um espírito de autodisciplina e autonomia. O professor poderia, por meio desse processo, conquistar a admiração dos alunos, desde que, obviamente, tenha conhecimento do conteúdo, associado a sua metodologia de interação.
A diferença entre autoridade e autoritarismo pode parecer sutil para muitos professores na hora de ensinar, mas é importante que o professor tenha em mente essa diferença, para ajudar o aluno a construir sua autonomia, objetivo maior do processo educativo.
Autoridade e violência
Quando pensamos em autoridade na escola, em algum momento da reflexão pensaremos nas reações a essa autoridade, em como o ambiente escolar e, mais especificamente, os alunos respondem a essa autoridade. Relembramos, inevitavelmente, os inúmeros relatos de professores e alunos participando direta ou indiretamente de situações violentas na escola e em sala de aula: agressões verbais, desrespeito ao próximo, ameaças ou mesmo atitudes indiferentes em relação conhecimento que se deve apreender são exemplos dessas reações violentas à autoridade. No entanto, essas situações de violência são muito parecidas às de qualquer outra esfera social, e não são restritas à escola, fazendo com que muitos digam que são apenas um reflexo da macroestrutura da sociedade, na qual a relação social escolar se espelharia. Aquino questiona até que ponto a violência escolar é reflexo da violência social ou gerada na própria instituição. Mais além, questiona o quanto a violência em si é de fato ruim ao questionar os conceitos de violência e autoridade.
Para defender que a escola não somente reproduz situações de violência do meio externo, o autor se vale do conceito de instituição. Uma relação institucional é aquela que se legitima pela repetição e que existe em nome de algo abstrato. No caso da escola, a relação que se repete existe em nome do conhecimento, e se dá, basicamente, entre professores e alunos. Dada a especificidade dessa relação, vinculada a agentes e objeto específicos, o autor afirma ser evidente que as relações institucionais escolares não espelham as demais relações institucionais da sociedade, mas possuem um mecanismo próprio, com uma violência própria de seu caráter normativo.
A definição de violência é necessária à reflexão sobre o caráter normativo da escola, criada com o fim de padronizar os indivíduos para que se adequem à vida em sociedade. Entre as definições de violência dadas por Aquino, de acordo com Caldas Aulete, está o “(jur.) constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer ou a deixar de fazer um ato qualquer; coação”. O autor também define autoridade, como “direito, poder de comandar, de obrigar a fazer alguma coisa”. Com base nessas definições, a ação da escola pode ser considerada violenta, sob o ponto de vista de “obrigar a fazer”, o que requer o “direito” e o “poder” da autoridade. Ainda nessa lógica, a autoridade de obrigar fazer não é necessariamente atrelada a um significado negativo, o que nos leva a concluir que a violência por si também não é.
Por fim, o autor afirma que a violência “saudável” do ambiente escolar extrapola os limites quando há crise da autoridade docente. Essa crise consiste na ambiguidade do escopo da relação institucional escolar. Como dito antes, o objeto dessa relação é o conhecimento. O conhecimento é ligado, via de regra, ao passado e à tradição, uma vez que é preciso conservar para transformar. O que parece ocorrer é que a escola não está preocupada com o conhecimento de como o mundo é (tradição), mas em instruir os alunos sobre como viver nele. O problema é que a própria autoridade do professor deve ser pautada na tradição para que se legitime institucionalmente, caso contrário precisará usar de mais violência do que o necessário para ocorrer, violência essa que se espalhará por todo o ambiente escolar, causando indisciplina.
Autoridade e (in) disciplina
Existe uma relação direta entre autoridade e (in) disciplina? Até que ponto uma postura autoritária por parte do professor garante a disciplina dos alunos? E o contrário, um professor que não tenha em si ou que não faça questão de expor sua autoridade tem mais chances de ter alunos indisciplinados?Não se tem como responder de forma exata essas questões; o que é possível ser feito, todavia, é, em cada sala de aula, o professor expor a seus alunos, a cada início de semestre ou período letivo, uma espécie de código ético para a manutenção das relações em sala de aula, tanto entre alunos entre si quanto entre alunos e professor. Nesse pacto, os estudantes devem se sentir incluídos, até mesmo propondo maneiras para o bom convívio coletivo. Dessa união de pontos de vista, com ambos os protagonistas do ensino se reconhecendo nas leis elaboradas, talvez surja uma alternativa para enfrentar os problemas de indisciplina em sala de aula. Dito de outra forma, ao abrir mão do seu tradicional monopólio sobre as leis em sala de aula, ao abrir espaço para a inclusão do outro na esfera da autoridade, o professor pode acabar preservando a sua própria autoridade.
Pesquisa
Realizamos uma pesquisa com uma turma de 1º ano e de 3º ano do Ensino Médio de uma Escola Estadual do município de São Leopoldo. Nossa intenção era de verificar se havia alguma relação entre determinadas matérias e um professor caracteristicamente mais autoritário. Também queríamos verificar se era com o professor que eles mais gostavam que eles mais aprendessem.
O método utilizado foi um questionário, aplicado por um dos professores da escola, contendo as questões a seguir:
ENTREVISTA COM O PROFESSOR
1.Como você enxerga a questão da autoridade do professor em sala de aula?
2.Cite alguma situação mais crítica já vivenciada por ti em sala de aula.
ENTREVISTA COM O ALUNO
1.Qual o professor e a matéria na qual tu mais aprendes? Por quê?
2.Qual o professor que tu mais gosta? Por quê?
3.De que matéria é o professor mais autoritário?
4.O que tem de bom e ruim num professor autoritário?
5.Qual o professor ideal para ti?
A seguir, seguem algumas frases dos alunos a respeito da pergunta: O que tem de bom e ruim num professor autoritário?
- Aprendemos mais a matéria;
- Se preocupa com a gente;
- Não tem bagunça;
- Os alunos respeitam mais;
- A aula funciona;
- Quer o melhor de nós;
- De bom, nada!
- Respeitado pela turma;
- É muito chato;
- Bravo e exigente;
- Deixa a gente nervoso;
- Muita cobrança;
- Não podemos conversar;
- É rígido;
- Cara amarrada;
- De ruim, tudo!
- Pode afastar os alunos dele
- Somos obrigados a não abrir a boca pra falar;
- Dá bronca e não ensina nada;
- Só vale a opinião dele;
- Intimidação
A seguir, seguem algumas frases dos alunos a respeito da pergunta: Qual o professor ideal para ti?
“Aquele que respeita para ser respeitado”. – 1º ano
“Que conversa e aconselha nós”. – 1º ano
“Que sabe explicar bem e explica quantas vezes for preciso”. – 1º ano
“É aquele que deixa o aluno mandar na vida dele e na escola, pois não tem regras”. – 1º ano
“Não existe” – 3º ano
“Um professor que saiba ser autoritário nos momentos certos, divertido e que explique bem”. – 3º ano
“Que tenha o conhecimento do que está passando para a turma, e que tenha calma com os alunos” – 3º ano
“Aquele que nos entende e nos ajuda”. – 3º ano
“Que se relacione bem com os alunos e principalmente explique bem”. – 3º ano
Quanto aos professores...
Como você enxerga a questão da autoridade do professor em sala de aula?
De dois professores entrevistados, um deles falou que “O professor deve exercer sua autoridade com bom senso e diplomacia. Já se vai longe o tempo em que o professor tinha autoridade absoluta e inquestionável em sala de aula.”
Também notamos que há uma relação muita fraca entre aquele professor que eles mais gostavam e o que eles mais aprendessem. Também é muito fraca a relação entre a matéria e o professor autoritário, desmistificando um pouco da relação que fazemos de que o professor mais autoritário é sempre o da área das exatas.
Podemos perceber a partir da pesquisa que os alunos não têm claro a diferença entre a autoridade e autoritarismo, o que costuma ser bem normal, pois é uma confusão presente tanto na cabeça dos alunos quanto na dos professores. Essa falta de definição também contribui para o não estabelecimento da autoridade do professor.
Ao analisar as respostas dos alunos, também podemos perceber que é necessário silêncio, ordem e regras para que o aprendizado seja verdadeiro, embora isso muitas vezes seja chato para ele. Mas só isso não basta, é necessário também que as relações na sala de aula sejam orientadas pelo respeito bidirecional, pelo diálogo, pelo carinho com que o professor trata seus alunos, demonstrando interesse pelo seu aprendizado e também segurança no conhecimento a ser transmitido.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sala de aula é um lugar onde os envolvidos do contexto educacional, professor-aluno são agentes com suas devidas importâncias como afirma Freire “não há docência sem discência”. O professor não deve se colocar como único detentor do conhecimento e do poder, ou como opressor da voz de seus alunos, mas sim buscar negociar com eles regras claras as quais embasarão o seu trabalho em sala de aula, tratando sempre os seus alunos como parceiros na construção do conhecimento.
“A autoridade do professor deve derivar de sua postura profissional, da firmeza com que esclarece conceitos, dos planos de aula bem pensados e produzidos, de sua capacidade de ouvir, de seus estudos e atualização constantes e da clara consciência de que, naquele espaço sagrado chamado de sala de aula, ele deve exercer um comando que demonstre sua paciência, persistência, capacidade de argumentação e diálogo e, principalmente, experiência e inteligência...” João Luís de Almeida Machado
Referências Bibliográficas
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8.LIBÂNÊO, José Carlos. Didática.São Paulo: Cortez, 1994.
9.MORAIS, R. (org.). Sala de aula: que espaço é este?14a ed. São Paulo: Papirus, 2001.
10.NOVAIS, Elaine Lopes. É possível ter autoridade em sala de aula sem ser autoritário? Linguagem e ensino, vol.7, no. 1, 2004 (15-51).
11.AQUINO, Júlio Groppa. A violência escolar e crise da autoridade docente. Cadernos Cedes, ano XIX, no. 47, dezembro/98 (7-18).
12.http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=526 – acesso em 07.06.2009
13.AQUINO, Júlio Groppa (org). Autoridade e Autonomia na Escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1999.
14.AQUINO, J.G. Confrontos na sala de aula: Uma leitura institucional da relação professor-aluno. São Paulo: Summus, 1996 a.

