Bullying
De Psicologia da Educação
Universidade Federal Do Rio Grande Do Sul
Faculdade de Educação-FACED
Departamento De Estudos Básicos-DEPAS
EDU01011 Psicologia Da Educação I
Exclusão Escolar (Bullying)
A escola é a primeira etapa da vida onde o indivíduo começa a ter relações sociais. Estas relações se formam no dia-dia escolar com amizades, trabalhos em grupo, tarefas, jogos, brincadeiras e muitas outras. É onde começa a formação de grupos, geralmente por afinidades. Justamente neste momento é que começam também algumas exclusões, alunos que não se enquadram nos grupos, ficam deixados de lado pelos colegas.
Estes alunos começam a sofrer o que chamamos de bullying, termo que compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente e executadas dentro de uma relação desigual de poder.
O bullying é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a fatores locais e diferenças socioeconômicas.
Algumas ações de bullying como: colocar apelidos, fazer sofrer, agredir, ofender, discriminar bater, zoar, excluir, chutar, gozar, empurrar, sacanear, humilhar, roubar entre outras é que tornam os alunos alvos (só sofrem), alvos/autores (sofrem/praticam), autores (praticam) e testemunhas (não sofrem nem praticam, mas presenciam).
Os alvos são pessoas que são prejudicados ou que sofrem as conseqüências dos comportamentos de outros e que não dispõem de recursos, status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os atos danosos contra si e geralmente pouco sociáveis. Tem poucos amigos, são passivos, quietos e não reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos. Muitos passam a ter baixo rendimento escolar, resistem ou recusam-se a ir para a escola.
Os autores são indivíduos que tem pouca empatia, freqüentemente pertencem a famílias desestruturadas, nas quais há pouco relacionamento afetivo entre seus membros. Seus pais exercem uma supervisão pobre sobre eles, toleram e oferecem como modelo para solucionar conflitos o comportamento agressivo ou explosivo.
As testemunhas representam a grande maioria dos alunos, convivem com a violência e se calam em razão do temor de se tornarem alvos. Apesar de não sofrerem as agressões diretamente, muitas delas podem se sentir incomodas com o que vêem e inseguras sobre o que fazer.
Foi realizada uma pesquisa em uma escola publica de Porto Alegre com alunos do ultimo ano do ensino médio com as seguintes perguntas e as principais respostas:
1 -Quais as formas/tipos de violência dentro da sua escola (contra algo ou alguém)?
31% violência física
24% violência verbal
13%violência moral
2- Você já viu algum colega sendo xingado, agredido ou humilhado por outro aluno?
92% sim
Qual a reação?
37% não reage/interfere
O que sentiu?
18% ódio / raiva
16% compaixão / pena
03 -Você já foi xingado, agredido ou humilhado por outro aluno?
54% sim
Qual a reação?
24% ignora/não retribui
O que sentiu?
32% raiva
04 - Você já xingou, agrediu ou humilhou outro aluno?
56% não
O que faz?
47% agressão verbal
O que sentiu?
24% raiva
05 - Você já conversou com os professores sobre esses acontecimentos?
68% não
Reação dos professores
18% surpresa
06 - Qual foi o seu pior momento na vida escolar (pior lembrança)?
29% violência
07 - E o melhor?
29% amigos
08 - Cite motivos para que exista violência na escola:
21% diferenças/precenceito
15% popularidade
09 - Como pode-se combater estas formas/tipos de violência na escola?
13% conscientização
9% educação
9% interação colegas/turmas
9% não sabe
10 - A escola toma alguma atitude para diminuir a violência na sua escola?
51% nenhuma
11 – Se você repetiu alguma série, cite qual foi e se foi mais de uma vez. Cite também o motivo.
71% não
Qual série?
26% 1°ano ensino médio
22% 8° serie ensino fundamental
18% 2° ano ensino médio
Porque?
34% matar aula / desinteresse
Não existe uma solução propriamente dita. Uma regra totalmente estabelecida ou esquematizada. A primeira coisa a se fazer é: orientar. Talvez, neste momento, pergunte-mo-nos: como orientar?
Normalmente, utiliza-se o método da pesquisa para identificar onde está o problema. De que forma ele surgiu, como está sendo encarado. Não é tão imprescindível saber quem é o autor, ou quem são os autores da agressão, pois geralmente estes atos englobam toda uma consciência do grupo e não uma pessoa que represente o problema em si. Dessa forma, o melhor é tratar a turma como um geral.
A metodologia segue a que apresentamos no questionário: faz-se as perguntas sem informar o que é o bullying, depois dá-se a informação do que é, e pede que continuem a responder. Feito isto, analisam-se as respostas, e o grupo discutirá com os professores o que deve ser feito.

