Dificuldades de Aprendizado
De Psicologia da Educação
INTRODUÇÃO
Todos nós, alunos de licenciatura da UFGRS, temos uma vasta experiência em sala de aula, como alunos. Agora queremos construir um futuro no papel do professor. Muitas questões ainda estão em aberto na nossa formação, seja ela em qual curso for, mas uma coisa todos nós temos em comum: o desejo de ser um bom professor. Para isso é preciso ter que saber lidar com qualquer situação que possa surgir em sala de aula.
Os alunos esperam sempre que o professor saiba tudo e lhes diga o que é certo, ensine a matéria e lhes apresente um mundo com horizontes ainda maiores do que eles conhecem. Muitos desafios serão enfrentados, e sobre esses desafios muitas dúvidas surgem na cabeça de nós, futuros professores. Um desses desafios é o caso de alunos com dificuldades de aprendizado, como lidar com eles? Como reconhecer esses alunos? Como ajudá-los?
Dentro dessa abordagem então, cada um dos integrantes de nosso grupo escolheu o assunto que mais lhe interessa para aprofundar seu conhecimento. Entre eles então, nosso grupo abordará os fatores emocionais que ocasionam a falta de atenção em sala de aula, a influência do contexto sócio-cultural sobre a aprendizagem, dislexia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
OS FATORES EMOCIONAIS QUE OCASIONAM A FALTA DE ATENÇÃO EM SALA DE AULA
Não só os fatores como déficit de atenção, dislexia ou hiperatividade causam problemas nos alunos em sala de aula. Há fatores emocionais que devem ser levados em consideração e que nada têm de patológico. Algumas conseqüências podem vir a ser tornar patológicas, mas as causas são totalmente externas.
Alunos que vão mal em provas; possuem atenção alterada em relação ao seu normal (observado pelo professor em sala de aula); e/ou demonstram desinteresse em sala de aula podem estar sofrendo por algo que ocorreu no meio em que eles vivem. Este meio ao qual nos referimos é o ambiente familiar. A família tem influência direta sobre os alunos, portanto, tudo o que acontece dentro de casa influencia de maneira positiva e também de maneira negativa os alunos/filhos.
A separação de pais é o caso mais freqüente, dentre estes fatores não-patológicos. Os alunos ficam dispersos, as notas baixam, o rendimento diminui e, como conseqüência disso, podem até repetir o ano. Outro caso comum é o falecimento de pais ou pessoas próximas. As crianças sentem muito mais do que a separação, mas é um fator muito mais incomum.
Fatores positivos, como por exemplo, o nascimento de um irmão ou a promoção e transferência de um dos pais para outra cidade, podem gerar o mesmo tipo de problema para o aluno na escola.
Segundo TREVISAN, “essas situações sugam a energia da criança e impedem que ela concentre seu foco em qualquer outra coisa.” E BOSSA (2000) complementa “Ela (a criança) fica preocupada com o assunto ou fantasiando para não entrar em contato com a realidade. E o conteúdo escolar é a realidade. Acontecimentos novos como os citados podem gerar ansiedade e consequentemente muita agitação, o que muitas vezes é até confundido com hiperatividade”.
Para “solucionar” os fatores emocionais, não podemos colocar a criança em um tratamento com remédios. E também não podemos impedi-las de vivenciarem estas situações. O melhor que os profissionais da educação têm a fazer é procurar descobrir se estas são realmente as causas da deficiência da aprendizagem. Pode-se chamar os pais para uma conversa e, dependendo da idade, falar com o próprio aluno. BOSSA (2000) chega a ser radical: “A recomendação é que a escola se adapte ao aluno, que haja uma parceria e flexibilidade para rever posturas e metodologia. (...) É interessante, inclusive, que as escolas tenham em seu quadro psicólogas e psicopedagogas.” Concordamos que a escola deva ter estes profissionais, mas não deve se adaptar ao aluno. Se cada escola fosse se adaptar a todos os seus alunos com alguma dificuldade, não haveria uma escola apenas. Neste caso, deveria haver uma escola para cada aluno, e este não é o objetivo. As escolas não podem abrir exceções na avaliação, nem no método.
O melhor a fazer é sempre a conversa. Os resultados podem demorar um pouco, mas o aluno deve ser trazido de volta à sua realidade escolar e perceber a importância isso terá, com reflexos no seu futuro.
DIFICULDADES DE APRENDIZADO: CONTEXTO SOCIOCULTURAL
Existente entre o aluno carente e o aprendizado que foi construído historicamente, as dificuldades econômicas e a realidade sociocultural exercem uma forte influência no que tange a permanência em sala de aula. Ao se estudar o fracasso escolar, fruto da dificuldade de aprendizado, podemos entendê–lo como sendo o resultado de fatores externos e internos à escola. Como fatores internos, encontra-se em evidência toda a estrutura escolar na qual a criança está inserida. E externo, todas as relações estabelecidas entre as crianças e o meio sociocultural que a circunda.
Remetendo-nos a realidade brasileira, podemos averiguar que tanto fatores extra-escolares como intra-escolares corroboram para a evasão escolar. No entanto, aqui nos deteremos aos fatores extra-escolares como base argumentativa para podermos entender que a dificuldade de aprendizado está intimamente relacionada com fatores sociais.
Ao longo de décadas, a educação no Brasil vem sendo construída, ou melhor, consolidada (Boris, Fauto; História concisa do Brasil). Isso significa dizer que passamos durante um grande período, de nossa história, tentando acertar naquilo que o senso comum dita como fundamental para ascensão de uma nação. Porém, notamos que houve mais erros do que acertos.
Uma educação que já começou excludente não poderia deixar de sê-la de modo consistente, pois há muitas barreiras que ainda não foram suplantadas. Entre essas barreiras a construção e a instituição da dicotomia.
É fato que as condições de vida de uma criança vão determinar seu rendimento na escola. Imaginemos um aluno que tem que trabalhar durante sua manhã e freqüentar os bancos escolares à tarde. Ou outro que exerce a função de chefe de família. Esses casos exemplificam que conforme a realidade social, na qual a criança está imbricada, podemos identificar uma das causas da dificuldade de aprendizado.
Segundo Adorno, a educação tem a função de emancipar o indivíduo. Mas como fazê-la se aquela é excludente? Devemos pensar a educação de maneira a contemplar todas as realidades. Trabalhar em sala de aula conteúdos que ajudem os alunos a pensar no contexto a sua volta e não encarar a hipossuficiência como impeditivo para o aprendizado.
DISLEXIA
A dislexia é um transtorno de origem neurológica que dificulta a aquisição da leitura, e conseqüentemente da escrita, trazendo prejuízos para o desempenho escolar, social, profissional e afetivo do sujeito disléxico. Acomete cerca de 10% da população (Shaywitz, 1998; apud Santos & Navas, 2002), mas quando identificada e tratada desde cedo, é possível dar condições ao disléxico de criar estratégias para lidar com esta dificuldade, superando alguns obstáculos e minimizando suas conseqüências.
A dislexia é um transtorno ESPECÍFICO de leitura, uma falta de habilidade no nível fonológico, uma dificuldade específica para aprendizagem da leitura bem como para reconhecer, soletrar e decodificar palavras. Pode-se excluir a presença de dificuldades visuais, auditivas, problemas emocionais, distúrbios neurológicos ou dificuldades socioeconômicas como origem do transtorno.
Vários estudos (Santos & Navas, 2002; Snowling & Stackhouse, 2004) apontam uma correlação significativa entre a dislexia e crianças que apresentaram atraso na aquisição da fala, sendo este, então, apontado como um fator de risco para a primeira. Isto não se dá por acaso. Um dos componentes fundamentais para o desenvolvimento da fala é também apontado, atualmente, como o componente mais afetado na dislexia: a consciência fonológica
A consciência fonológica pode ser definida como a capacidade de se perceber que a fala pode ser decomposta em unidades menores (frases, palavras, sílabas e letras) e que estas unidades podem ser manipuladas para se formarem novas palavras e para se criarem novos sentidos. Esta noção é fundamental para o domínio da enunciação das palavras, bem como para estabelecer o sentido desta enunciação. É preciso não só identificar a presença de um som, mas ordená-lo corretamente, ou seja, perceber o valor sonoro que ele adquire naquela palavra. Esta tarefa põe em jogo diversas funções, como atenção, percepção e memória.
Com o sistema fonológico deficiente, a correlação letra-som não consegue ser fixada e armazenada de forma eficiente. Decorre daí uma série de sintomas típicos da dislexia: leitura lenta, silabada, fazendo confusão entre palavras similares, parecendo adivinhar palavras ao invés de ler, sem entonação adequada nem respeito à pontuação. O resultado deste fato é o prejuízo na compreensão do material lido, nas tarefas de interpretação de texto, na leitura de enunciados.
INDICADORES
- Possibilidade de atraso de linguagem.
- Dificuldade em nomeação.
- Dificuldade na aprendizagem de música com rimas.
- Palavras pronunciadas incorretamente; persistência de fala infantilizada.
- Dificuldade em aprender e se lembrar dos nomes das letras.
- Falha em entender que palavras podem ser divididas (sílabas e sons).
- Dificuldade de alfabetização.
DIFICULDADES BÁSICAS
- Dificuldade de alfabetização.
- Leitura sob esforço.
- Leitura oral entrecortada, com pouca entonação.
- Tropeços na leitura de palavras longas e não familiares.
- Adivinhações de palavras.
- Necessidade do uso do contexto para entender o que está sendo lido.
DESOBRAMENTOS COM O AVANÇAR DA ESCOLARIDADE
- Leitura lenta, não automatizada.
- Dificuldade em ler legendas.
- Falta de compreensão do enunciado prejudicando outras disciplinas.
- Substituição de palavras no mesmo campo semântico (Ex: mosca/abelha).
- Substituição de palavras por aproximação lexical atrapalhando a interpretação geral (Ex: na solicitação de trabalho de geografia sobre os ESLAVOS, o adolescente faz um sobre os ESCRAVOS).
- Dificuldade para aprender outros idiomas.
ALTERAÇÕES NA ESCRITA
- Omissões, trocas, inversões de grafemas – (surdo/sonoro: p/b,t/d, K/g, f/v,
s/z, x/j; em sílabas complexas: paria ao invés de praia, trita ao invés de trinta) e outros desvios fonológicos.
- Dificuldade na expressão através da escrita.
- Dificuldades na concordância (sem que apresente oralmente)
- Dificuldade na organização e elaboração de textos escritos.
- Dificuldades em escrever palavras irregulares (sem correspondência direta entre grafema e fonema – “dificuldades ortográficas”).
HABILIDADES
- Excelente compreensão para histórias contadas.
- Habilidade para gravar por imagens.
- Criatividade; Imaginação.
- Facilidade com raciocínio.
- Boa performance em outras áreas, quando não dependem da leitura, tais como: matemática, computação, artes, biologia. (MOUSINHO, Renata)
Ou seja, O domínio da escrita é o resultado de um longo processo de organização da capacidade de simbolizar, é o resultado do desenvolvimento da linguagem/fala, que permeia a construção de (VYGOTSKY, 1984):
- gestos significativos
- brincadeira de faz-de-conta
- desenho
- escrita
No trabalho com disléxicos em particular e não disléxicos em geral devemos ter em mente que é necessário aprimorar a linguagem oral, desenvolver as capacidades prévias específicas para a linguagem e estimular as funções cognitivas associadas.
São estas atividades que permitem ao disléxico melhorar o desempenho na linguagem e buscar o sucesso através de adaptações compensatórias.
Dominar a narrativa oral é condição essencial para ler, compreender e escrever. É assim que a criança aprende a falar. Inicialmente escuta atentamente para depois reproduzir os sons da fala.
SUGESTÕES DE PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS PELO PROFESSOR
- A escola tem importância fundamental no trabalho com crianças com dificuldades de aprendizagem. Destacamos algumas sugestões que consideramos importantes para que ela se sinta segura, querida e aceita pelo professor e pelos seus colegas.
- Não insista para que o aluno leia em voz alta perante a turma, pois ele tem consciência de seus erros. A maioria dos textos de seu nível escolar são difíceis para ele.
- Incentive o aluno a restaurar a confiança em si próprio
- Ressalte os acertos, ainda que pequenos, e não enfatize os erros
- Valorize o esforço e interesse do aluno
- Incentive-o nas coisas de que ele gosta e faz bem feito
- Dê explicações, sempre que possível, sobre “como fazer”, posicionando-se ao seu lado
- Atribua-lhe tarefas que possam fazê-lo sentir-se útil
- Certifique-se de que o aluno anotou corretamente as tarefas de casa e as compreendeu
- Repasse e repense as instruções que você planeja dar para que sejam sempre claras, precisas e objetivas
- Certifique-se de que seu aluno pode ler todas as palavras de modo a compreender o que lhe é pedido. Caso contrário, leia as instruções para ele.
- Leve em conta as dificuldades específicas do aluno e as dificuldades da nossa língua quando corrigir os deveres
- Estimule a expressão verbal do aluno
- Dê instruções e orientações curtas e simples que evitem confusões
- Dê “dicas” específicas de como o aluno pode aprender ou estudar a sua matéria
- Oriente o aluno sobre como organizar-se no tempo e no espaço
- Não insista em exercícios de fixação, repetitivos e numerosos, pois isso não diminui a sua
dificuldade
- Evite usar a expressão “tente esforçar-se” ou outras semelhantes, pois o que ele faz é o que ele é capaz de fazer no momento
- Fale francamente sobre suas dificuldades sem, porém, fazê-lo sentir-se incapaz. Auxilie-o a superá-las, dê-lhe esperanças
- Respeite o seu ritmo, pois a criança com dificuldade de aprendizagem tem problemas de processamento da informação. Ela precisa de mais tempo para pensar, para dar sentido ao que ela viu e ouviu
- Permita o uso de gravador
- Minimize o medo de cometer erros
- Discuta a possibilidade de cometer erros como meio de aprendizagem: “só erra quem faz, só aprende quem erra e pode comparar os erros com os acertos”.
- Esquematize o conteúdo das aulas quando o assunto for muito difícil para o aluno. Assim, a professora terá a garantia de que ele está adquirindo os principais conceitos da matéria através de esquemas claros e didáticos. (ETILL, Clélia)
A dislexia não é causada por fatores ambientais, o seu futuro depende de forma imprescindível do meio. Portanto, uma educação que reconheça as dificuldades específicas destes alunos muito poderá contribuir para o seu desenvolvimento.
TDAH (TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE)
O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é caracterizado por uma série de sintomas relacionados à falta de atenção, hiperatividade e impulsividade. Tais sintomas podem aparecer isoladamente ou conjuntamente em pessoas sem o transtorno. Mas, para que possamos falar em TDAH, é necessário que a falta de atenção e hiperatividade interfiram significativamente na vida da criança, adolescente ou adulto. De acordo com Roman (2002), é um dos transtornos mais comuns da infância e adolescência, afetando entre 3% a 6% das crianças em idade escolar.
Segundo Rohde & Halpern (2004), O DSM-IV (Manual Diagnóstico de Desordens Mentais – Quarta Edição) subdivide o TDAH em três tipos, de acordo com a predominância dos sintomas de desatenção ou hiperatividade. A subdivisão é a seguinte: a) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; b) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade; c) TDAH do tipo combinado, com presença de sintomas de desatenção e hiperatividade, simultaneamente.
Ainda não se sabe exatamente as causas desse transtorno. Segundo Roman, há estudos que apontam a influência da alteração de certos neurotransmissores, em especial a dopamina, serotonina e noradrenalina, assim como de genes do sistema dopaminérgico, noradrenérgico e serotoninérgico, mas, sobretudo, os genes do sistema dopaminérgico têm sido objeto de maior atenção por parte dos pesquisadores. Essa influência genética aponta para uma herdabilidade do transtorno. Podemos dizer que os fatores citados acima criam uma espécie de predisposição (orgânica) no indivíduo para desenvolver o TDAH, que pode vir a se manifestar quando o indivíduo sofre a ação de eventos psicológicos estressantes, como uma perturbação no equilíbrio familiar ou quaisquer outros fatores geradores de ansiedade.
O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, envolvendo critérios específicos. Os sintomas centrais do TDAH são: graus inadequados no desenvolvimento da atenção, da atividade motora e da impulsividade, resultando em comprometimento clinicamente significativo das funções sociais, acadêmicas ou profissionais. Os sintomas surgem antes dos 7 anos de idade e persistem por pelo menos 6 meses, em dois ou mais ambientes (como casa, escola, locais de lazer). Os critérios para determinação da idade de início dos sintomas têm sido questionados. Embora a hiperatividade, geralmente, seja notada antes dos sete anos, pode não acontecer o mesmo com a falta de atenção. É fundamental para o diagnóstico que os sintomas persistam por, pelo menos seis meses, em dois ou mais ambientes (casa, escola, locais de lazer).
O déficit de atenção tem sido definido pela presença de, pelo menos, seis de nove características descritas abaixo:
- DESATENÇÃO
- Freqüentemente, falha em dar atenção a detalhes ou comete erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou em outras atividades.
- Freqüentemente, tem dificuldades em manter a atenção nas tarefas ou nas brincadeiras.
- Freqüentemente parece não escutar, quando não falam diretamente com ele.
- Freqüentemente, não consegue seguir instruções, deixando de terminar as tarefas escolares, domésticas ou deveres no trabalho (não devido a comportamento de oposição ou por não conseguir entender as instruções).
- Freqüentemente, tem dificuldade na organização de tarefas e atividades.
- Freqüentemente, evita, não gosta ou fica relutante em se envolver em tarefas que exijam esforço mental contínuo (como as lições em classe e em casa).
- Freqüentemente, perde objetos necessários às tarefas ou atividades (brinquedos, solicitações da escola, lápis, livros ou apetrechos pessoais).
- Freqüentemente é facilmente distraído por estímulos externos.
- Freqüentemente se esquece de suas atividades diárias.
A hiperatividade-impulsividade é definida pela presença de seis de nove comportamentos, seis dos quais se relacionam com hiperatividade e três com impulsividade.
- HIPERATIVIDADE
- Freqüentemente, mexe as mãos ou os pés, ou se mexe muito quando sentado.
- Freqüentemente sai da carteira em sala de aula, ou em outras situações em que se espera que permaneça sentado.
- Freqüentemente, corre ao redor ou trepa nas coisas em situações em que essa atitude não é apropriada (em adolescentes ou adultos, isso pode ser limitado a sensações subjetivas de inquietação).
- Freqüentemente, tem dificuldades em brincar ou de se envolver em atividades de lazer de forma tranqüila.
- Freqüentemente, está “pronto para decolar” ou age como se estivesse “movido por um motor”.
- Freqüentemente, fala excessivamente.
- IMPULSIVIDADE
- Freqüentemente, responde de forma intempestiva antes que as perguntas sejam terminadas.
- Freqüentemente, tem dificuldade em esperar a vez.
- Freqüentemente, se intromete ou interrompe os outros (conversas ou jogos).
Os critérios diagnósticos são divididos em dois grupos:
1.desatenção
2.hiperatividade/impulsividade.
Sendo assim podemos ter três sub tipos de TDAH:
a) TDAH com predomínio de sinais de Desatenção
b) TDAH com predomínio de sinais de Hiperatividade/impulsividade
c) TDAH do tipo combinado
O tratamento envolve o uso de medicamentos estimulantes do sistema nervoso central e a psicoterapia. A psicoterapia tem um papel importante ao reduzir a ansiedade do paciente e ajudá-lo a criar uma estrutura para sua vida e reduzir a exigência de ser perfeito. A terapia ajuda na compreensão e aceitação do uso de medicamentos. A orientação dos pais é muito importante para que eles compreendam que a permissividade não é benéfica a seu filho, aceitem suas limitações e exijam aquilo que se exige de outras crianças.
Os sintomas do TDAH, na escola, evidenciam a dificuldade em terminar os trabalhos na sala de aula ou de participar tranqüilamente de uma equipe de esportes. A criança se envolve em atividades improdutivas, tanto durante a aula, como no recreio, se comparada aos seus colegas. O professor pode observar uma discrepância entre o potencial intelectual e o desempenho escolar do aluno, mesmo em crianças com inteligência acima da média.
O professor é, com freqüência, quem primeiro percebe quando um aluno apresenta problemas de atenção, aprendizagem, comportamento, ou emocional/afetivo e social. O primeiro passo a ser dado é verificar o que realmente está ocorrendo. (GENES, Milton- Rev. Sinpro-Rio)
AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E A ESCOLA
Indagar, questionar, problematizar… São palavras sempre presentes na vida do educador. Estamos sempre indagando e questionando sobre as coisas que acontecem no cotidiano escolar. E, na Escola Pública, muitas dessas indagações parecem que ficam no ar: Por que o aluno não aprende apesar de todo esforço do professor? Como explicar o fracasso escolar? Como ajudar aquele aluno que já repetiu a 1ª série várias vezes e ainda não aprendeu a ler?
Se por um lado temos alunos e suas possíveis dificuldades, por outro temos um contexto escolar que precisa ser alterado, ou seja, a escola precisa oferecer uma proposta mais estimulante para que a aprendizagem aconteça, favorecendo o avanço desses alunos.
Mas, como transformar esses alunos ditos fracassados em alunos motivados, ativos, produtivos, com um bom rendimento escolar? É um desafio para a escola e de modo especial para os educadores.
O aluno precisa ver sentido no que aprende na escola. Os conteúdos devem fazer parte da sua vivência, do seu cotidiano, da sua realidade. Deve haver uma ligação entre o que a escola "dita" e a realidade do aluno, caso contrário não terá significado algum.
Segundo Paulo Freire (1990, p.8) "aprender a ler e escrever é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade.
Como uma criança pode ser alfabetizada num contexto escolar que exclui a realidade que ela vive? Da mesma forma: como aprender a matemática da escola sem que ela seja contextualizada, de modo que faça sentido para o aluno ou que ele entenda que é a mesma matemática que ele usa no seu cotidiano?
Antes de chegar à escola, os conhecimentos são assimilados de modo espontâneo, a partir da experiência direta da criança. Quando ela chega à escola, existe uma intenção prévia de organizar situações que propiciem o aprimoramento dos processos de pensamento e da própria capacidade de aprender. O papel do educador nesse processo é fundamental. Por isso é importante que ele conheça as teorias de aprendizagem e tenha uma posição clara e definida sobre sua prática pedagógica. No dia-a-dia de sala de aula ele planeja, direciona e avalia a sua ação. Comete alguns erros, reflete sobre eles e enfrenta a possibilidade de corrigi-los. E ao longo desse processo não só o aluno aprende e avança, mas o próprio professor tem a oportunidade de melhorar sua prática pedagógica.
Não existem fórmulas prontas para vencermos as dificuldades de aprendizagem dos nossos alunos. Até porque essas dificuldades muitas vezes são um sintoma de que algo não vai bem e é tarefa do educador identificar o que não vai bem e ajudar o aluno a superar o problema. Mas, quando o educador pára no tempo, não se prepara, não busca uma melhor formação, quando ano após ano usa o mesmo planejamento para todas as suas turmas, não se envolve com o aluno e só se preocupa em "jogar" os conteúdos da sua disciplina, ele está empurrando seus alunos para o fracasso escolar. Mesmo o educador mais experiente precisa planejar e avaliar constantemente o seu trabalho, mas acima de tudo, ele deve ter consciência do seu papel, da sua importância como formador de opiniões e que seu trabalho não é somente um "ganha pão", mas é uma verdadeira vocação. E ele estará no caminho para descobrir suas próprias estratégias para vencer as dificuldades de aprendizagem de seus alunos. Mas quando todas as estratégias falham, ele pode contar com o apoio do psicopedagogo que vai investigar as causas dessas dificuldades e trabalhar com o aluno com o objetivo de vencê-las.
ANEXO 1
Questionário Psicologia da Educação
1)Em que instituição você trabalha? (escola municipal, estadual, etc) 2)Há quanto tempo? 3)Com quais séries você trabalha? 4)Que disciplina você ministra? 5)São perceptíveis os casos de dificuldade de aprendizagem? 6)Você distingue alunos com hiperatividade, déficit de atenção, dislexia ou desatenção momentânea por motivos adversos? Como? 7)Como a escola/professores lidam com estes assuntos? Há alguma política na escola para auxiliar estes alunos? 8)Os pais são chamados em que caso(s)? 9)Como você, particularmente, trata do assunto? 10)A escola possui psicóloga para orientação dos alunos? Em que situações ela interfere para auxiliar os professores? 11)Se o(a) seu filho(a) tivesse alguma dificuldade deste tipo, como você gostaria que a escola atuasse?
RESPOSTAS:
- Primeira:
1-Trabalho numa escola de ensino fundamental na rede municipal de ensino ( POA) 2-Na rede eu trabalho há 17 anos, todavia leciono em escolas públicas há 27 anos. 3- Já trabalhei com 1ª, 2ª, 3ª, 5ª,6ª ,7ª, 1º ano do ensino médio e na supervisão pedagógica; depois fui para a biblioteca onde trabalhei com contação e com contadores de histórias e hoje tenho o audiovisual também . 4-Já alfabetizei, trabalhei com o Currículo por Atividades, com Artes, com Psicologia. 5-Muitas vezes são, sim. 6-Ao ser observado algo que mereça maior atenção o professor encaminha ao SOE, que tem a competência de chamar a família e encaminhar ao profissional adequado ao caso. 7-Nos mais diversos: conselho de classe, entrega de avaliação, votações de calendário, apresentações e exposições artísticas, infrequência, demandas do conselho de classe... 8-Não consigo fazê-lo, pois sou professora, e não neurologista ou fonoaudióloga. Claro que quando se trata de uma desatenção momentânea até é possível, mas ainda prefiro cotar com a ajuda do SOE e do Laboratório de Aprendizagem. 9-Acho que já respondi na questão nº6. 10-Não. O que temos é a Sala de Integração e Recursos ( psicopedagogas ) que atendem alguns casos de alunos com dificuldades neurológicas. 11-Atendendo as suas necessidades e me colocando à par de tudo, pois como mãe posso fazer minha parte no seu processo educativo.
- Segunda:
1) Escola Estadual. 2) 6 anos. 3) Ensino Fundamental e Médio. 4) Português. 5) Sim. 6) Sim. Pelas atitudes, pela indisciplina e pela dispersão. 7) Com muita dificuldade, pois ale de trabalharmos com as questões diretamente envolvidas com a educação, tipo conhecimentos, atitudes, etc, ainda temos que ter um olhar clínico, medico para o qual não somos preparadas, principalmente em turmas grandes, com mais ou menos 40 alunos. 8) Sim. 9) Aviso ao SOE (setor de orientação escolar) 10) Não. 11) Com o mínimo de interesse, mas é preciso ter profissionais preparados.
CONCLUSÃO
Uma vez em sala de aula o professor deve enfrentar qualquer obstáculo apresentado por seus alunos, seja ele mau comportamento, problemas na interação professor-aluno, dificuldades de aprendizado e até mesmo dificuldades de ensino.
Não somente o aluno pode apresentar resistência em aprender os conteúdos, mas também o professor pode enfrentar dificuldade em transmitir seu conhecimento aos estudantes.
Entre os aspectos mais amplamente estudados por nós, podemos concluir que as dificuldades dos alunos em construir conhecimentos podem tem diversas causas, sendo elas patológicas ou não.
A sociedade dita o comportamento das pessoas e, essa mesma sociedade cria muitas barreiras para o ensino. Assim as concepções da sociedade e os problemas sociais de um país podem ser incluídos como uma das causas da dificuldade de aprendizado, uma vez que ao invés de o ensino ser um bem de todos eles é apenas um direito aproveitado por poucos que têm condições de se manter o tempo necessário em sala de aula.
Além disso, podemos ainda incluir nessa lista os fatores emocionais. Tudo que acontece na vida da criança e do adolescente, principalmente dentro de casa, com a família, influi no comportamento desses indivíduos como alunos.
Alterações na estrutura básica da família, bem como mudança de endereços, problemas financeiros entre outros ocupam os pensamentos da criança, tomando sua atenção. Nesse estágio a atenção então fica toda desviada para os acontecimentos familiares podendo provocar diversos distúrbios em sala de aula.
Por fim, os últimos aspectos abordados são a dislexia e a hiperatividade. A primeira é um distúrbio presente já nos primeiros anos de vida de algumas crianças, e que só é notando nas primeiras fases de alfabetização. Crianças com essa característica têm dificuldades para ler, principalmente, o que provoca um extremo desinteresse pelos estudos, uma vez que estudar se torna muito difícil. A hiperatividade exige os mesmo cuidados, sendo ainda considerada um distúrbio com maior característica patológica, necessitando do auxilio de um profissional especializado. Sendo também uma adversidade que uma criança pode vir a enfrentar em sala de aula.
Em todos os casos cabe ao professor se manter atento e tentar sempre intervir para o melhor aproveitamento do aluno em sala de aula. Muita atenção, dedicação, e carinho para com os alunos com dificuldades são fundamentais para que os estudantes possam superar as dificuldades e se manterem na escola. Sendo ainda muito importante que o professor mantenha-se atento à eficiência de sua metodologia de ensino, procurando sempre se fazer entender da melhor forma possível, adaptando-se às diferentes realidades encontradas em sala de aula.
REFERÊNCIAS
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BORIS, Fauto; História concisa do Brasil
BOSSA, Nádia. Dificuldades de aprendizagem. O que são? Como tratá-las? Porto Alegre: Artmed, 2000.
TREVISAN, Julia C.E.A.P. - Centro de Estudo e Atendimento Psicopedagógico. Dificuldades de aprendizagem: de onde vem o problema?
VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1984.
SANTOS, M. T. M. & Navas, A. L. G. P. Distúrbios de Leitura e Escrita: Teoria e Prática. São Paulo: Editora Manole, 2002.
SNOWLING, M. & Stackhouse, J. Dislexia, Fala e Linguagem. Porto Alegre: Editora Artmed, 2004.
V Pavão - IGT na Rede, 2005
MOUSINHO, Renata; GENES, Milton; ESTILL, Clélia. Revista Sinpro-Rio, Nº 6, Escola do Professor e do Departamento de Comunicação do Sinpro-Rio.
MATTOS, Paulo et al . Painel brasileiro de especialistas sobre diagnóstico do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul , Porto Alegre, v. 28, n. 1, 2006 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082006000100007&lng=pt&nrm=iso.
PASTURA, Giuseppe Mário C.; MATTOS, Paulo; ARAUJO, Alexandra P. Q. Campos. Desempenho escolar e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Rev. psiquiatr. clín. , São Paulo, v. 32, n. 6, 2005 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832005000600003&lng=pt&nrm=iso.
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