Discurso da Sustentabilidade e a Educação

De Psicologia da Educação

O texto de Gustavo da Costa Lima, mostra como o termo “sustentabilidade” foi ganhando tanta notoriedade nas últimas décadas e de onde ele surgiu. Foi muito abordado e difundido por diversas áreas de pesquisa e diversos ramos do saber e é considerado pelo autor como um “discurso”, entendendo como discurso uma pratica geradora de significados. Esse “discurso” – como qualquer outro – procura ser reconhecido como a verdade absoluta, em busca de uma legitimação na sociedade. E isso gera tanta discussão, como um assunto ligado a tantas áreas de pesquisa pode ter apenas uma verdade?

O principio desse discurso foi nos anos 70 com o movimento hippie, mais especificamente com Ignacy Sachs e no relatório da comissão Brundtland. Apesar dos enfoques diferentes traziam o mesmo conceito: responder às necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem suas próprias necessidades, articulando pela primeira vez desenvolvimento e ecologia. Antes disso nenhum projeto industrial pensava nas possibilidades ambientais.

Era visto que os povos do sul não poderiam manter o mesmo modelo norte-americano de industrialização, pois gerariam catástrofes e uma sobrecarga nos recursos naturais. Sabendo de tudo isso, o discurso foi muito inovador, conseguindo um bom aspecto diplomático não sendo extremista para nenhum lado.

É possível visualizar duas grandes matrizes interpretativas do discurso da sustentabilidade:

  • O discurso oficial (relatório de Brundtland), onde a economia de mercado lidera o processo de transição para o desenvolvimento sustentável através das tecnologias limpas. Um discurso pragmático que tende a deixar de lado as considerações éticas e políticas.
  • E o “contra-discurso”, onde a proposta é integrar as idéias da vida social e individual, o estado como sendo o principal agente de uma democracia participativa em que a sociedade organizada luta pelas mudanças para uma “sociedade sustentável”.
  • A educação ambiental já não é suficiente para as pretensões das gerações futuras. É necessária uma educação critica debatedora e não apenas uma educação para a informação. Que tenha a capacidade de aprender, criar e exercitar as concepções práticas da vida e substituir velhos modelos. Usar as experiências existentes para responder os problemas discutidos. “Nenhum problema pode ser resolvido a partir da mesma consciência que o criou. Precisamos aprender a ver o mundo renovado” (EINSTEN apud STERLING,2001)

Tabela de conteúdo

A construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo sobre a Educação Ambiental

Os educadores têm um papel decisivo na inserção da educação ambiental no âmbito escolar, capacitando os alunos para um pensamento e posicionamento crítico e reflexivo com relação à questão ambiental.

Com os estudos científicos demonstrando cada vez mais os impactos de um desenvolvimento insustentável, provocando um aumento da insegurança ambiental, econômica e social, é importante ressaltar a importância da sustentabilidade e do engajamento de diversas áreas da comunidade científica, a fim de propor uma discussão crítica frente aos problemas sócio-ambientais produzidos por políticas voltadas para o desenvolvimento econômico, utilizando de forma insustentável os recursos naturais do planeta.

Como é notória a complexidade do processo de transformação a que passa a sociedade atual, afetada diretamente pelos problemas ambientais, é de fundamental importância a discussão ambiental em todas as áreas do conhecimento e da sociedade. Faz-se necessário a implementação de trabalhos educacionais e informativos para que de uma forma ou outra possa ser revertida a degradação sócio-ambiental atual. A falta de consciência da população com relação aos problemas sócio-ambientais decorre principalmente da falta de informação e consciência ambiental e, para alterar esta realidade é importante que os educadores e a comunidade em geral desenvolva práticas baseadas na participação e envolvimento dos cidadãos, propondo uma nova cultura e práticas ambientais.

Nesta proposta, novas práticas pedagógicas propõem uma mudança de hábitos, práticas sociais voltadas à preservação e discussão com relação ao meio ambiente, além de nova atitude com a participação dos educandos. Conforme Morin (2003), isto desafia a sociedade a elaborar novas epistemologias que possibilitem uma reforma no pensamento. Para isto, faz-se necessário um processo educativo compromissado com a sustentabilidade e a participação de diversas áreas do conhecimento, um estudo interdisciplinar, voltado a uma mudança na forma de pensar, transformando o conhecimento e reforçando práticas educativas refletindo a problemática ambiental.

Este processo educativo deve ser voltado à formação de um pensamento crítico, que seja capaz de analisar as diversas relações entre os processos naturais e sociais que envolvem o mundo todo. Neste sentido, o papel dos professores é essencial na formação de futuras gerações comprometidas com o desenvolvimento sustentável. Para isto é importante a formação de profissionais reflexivos e que tenham um posicionamento crítico em torno da questão sócio-ambiental. Conforme Jacobi (2005), o professor assumindo uma postura reflexiva potencializa entender a educação ambiental como uma prática político-pedagógica, sensibilizando as pessoas de uma ampliação da responsabilidade sócio-ambiental.

O estudo interdisciplinar é fundamental, pois os problemas que afetam a vida de nosso planeta são de natureza global e que envolvem fatores biológicos, políticos, econômicos, institucionais, sociais e culturais. Neste contexto percebe-se a necessidade de práticas pedagógicas que tenham por finalidade o desenvolvimento de conhecimento e a participação dos educandos como parte essencial para práticas sociais centradas na elaboração de uma nova consciência frente aos problemas ambientais atuais.

O mais importante é que haja a reflexão envolvendo todos os níveis da sociedade em torno de temas como o desenvolvimento sustentável, políticas ambientais, impactos da economia no meio ambiente global, riscos socio-ambientais, enfim assuntos que envolvem toda a sociedade e, nisso o educador tem papel fundamental para contribuir na compreensão desta nova realidade global.

Propostas Pedagógicas

Sabe-se que para analisar a relação existente entre educação e meio ambiente deve-se estudar múltiplas propostas, pois não há apenas uma educação para o ambiente. É necessário propor diversas práticas que atendem às tantas concepções de mundo, de sociedade e de questão ambiental existentes.

Conforme a análise de Sorrentino (1997), há como classificar as principais correntes da educação ambiental, definidas abaixo:

  • 'Conservacionista': se organiza em torno da preocupação de preservar os recursos naturais intocados, protegendo a flora e a fauna do contato humano e da degradação;
  • 'Educação ao ar livre': com participação recente de grupos ligados ao ecoturismo e às trilhas ecológicas. Inspiram-se em propostas científicas e/ou filosóficas de conhecimento da natureza e de sensibilização ao autoconhecimento;
  • 'Gestão ambiental': de marcado interesse político. Desenvolve uma crítica ao sistema capitalista e de sua lógica predatória em defesa dos recursos naturais e da participação democrática da sociedade civil na resolução dos problemas socioambientais que vivencia;
  • 'Economia ecológica': inspira-se no conceito de ecodesenvolvimento, com o formato do desenvolvimento sustentável. Esta corrente se desdobra em duas tendências. A primeira que defende a proposta do desenvolvimento sustentável e que reúne empresários, agentes governamentais e membros de ONG's e uma segunda tendência que advoga a idéia de “sociedade sustentável”, que se opões ao grupo anteriormente citado. Defendem uma sociedade mais justa, igualitária e ecologicamente preservada.

Ainda segundo ao autor citado anteriormente, é possível identificar quatro objetivos com os quais se identificam os projetos de educação ambiental:

  • 'Biológicos': referem-se a proteger, conservar e preservar espécies, o ecossistema e o planeta como um todo, incluindo a espécie humana como parte da natureza;
  • 'Espirituais/culturais': dedicam-se a promover o autoconhecimento e o conhecimento do universo, segundo uma nova ética;
  • 'Políticos': buscam desenvolver a democracia, a cidadania, a participação popular, o diálogo e a autogestão;
  • 'Econômicos': defendem a geração de empregos em atividades ambientais não-alienantes e não-exploradoras e também a autogestão e participação de grupos e indivíduos nas decisões políticas.

É preciso notar que há um predomínio de uma perspectiva biológica nas propostas de educação para o ambiente e que isto é um reducionismo. Grum (1996) pondera que:

“ ao confinar a educação ambiental quase exclusivamente ao ensino de biologia,acaba por reduzir a abordagem necessariamente complexa, multifacetada, ética e política das questões ambientais aos seus aspectos biológicos” (GRÜN, 1996:105)

Assim, existe uma inclinação a reduzir o problema ambiental a um problema técnico, desvinculando de outras articulações. Esse tecnicismo, que além de simplificador é deformador, reduz a complexa multidimensionalidade da temática ambiental à unidimensionalidade técnica. Tratar um problema resultante de fatores econômicos, políticos, culturais, sociais e ecológicos como um problema estritamente técnico é no mínimo limitante. A questão ambiental é produto de um modelo de organização geral da sociedade. Não se pode negar que a questão ambiental tem, entre outras, uma dimensão técnica, mas, esta é precedida e, condicionada por razões políticas e sociais e não o contrário, como pretende a redução tecnicista.

Análoga a anterior é a tendência a reduzir a questão ambiental a um problema estritamente ecológico. Tal tendência limitante retira da questão ambiental uma de suas características significativas que é a de unir realidades, articular e relacionar dimensões complementares que constituem uma complexidade maior. Menosprezar esse potencial articulador implica em perder a visão sistêmica da realidade que compreende a vida e a questão ambiental como um campo relacional, um todo integrado, onde todas aspartes se comunicam entre si e com a totalidade. Significa, por outro lado, interpretar a realidade socioambiental de uma perspectiva monodimensional das ciências biológicas.

Destaca-se a leitura individualista e comportamentalista da questão e educação ambiental. Esta interpretação diagnostica o problema socioambiental como um problema de comportamentos individuais, e vê sua solução através da mudança de comportamento dos indivíduos em sua relação com o ambiente. Outro aspecto que identifica uma compreensão parcial da educação para o ambiente aparece onde há uma excessiva atenção aos efeitos aparentes dos problemas ambientais sem questionar suas causas prodfundas, e que dão origem à crise atual. Como exemplo, podemos citar o modo freqüente de se chamar muita atenção para o caso de espécies em extinção sem questionar os modelos de ocupação e exploração dos recursos naturais, verdadeiros responsáveis pela destruição de ecossistemas inteiros. Em geral, isso acontece para satisfazer interesses econômicos e políticos de grupos, completamente alheios à degradação que produzem.

Assim, temos duas constatações. A primeira ressalta a visão unilateral e fragmentada do problema que insiste em separar a realidade e em explicar a totalidade através de uma de suas partes. Portanto, as explicações tendem a separar: a explicação técnica da explicação política; a visão ecológica da visão social, a percepção dos efeitos da percepção das causas. A segunda constatação é de que a explicação dúbia e fragmentada da realidade favorece uma compreensão despolitizada, alienada e redutora do problema na medida em que oculta seus motivos políticos e a inevitável conexão de suas múltiplas conexões. Outro ponto vulnerável é a tendência a ressaltar os problemas relacionados ao consumo, como o destino do lixo, reciclagem, poupar energia, em detrimento dos problemas ligados à esfera da produção, ponto de origem de todo processo industrial, onde se decide o que, o quanto e como produzir. É o caso, por exemplo, da escolha entre embalagens renováveis ou descartáveis, entre produzir mais bens essenciais ou mais supérfluos, entre produtos com maior vida útil e produtos que se tornam obsoletos. Parece-nos que educar para o ambiente exige uma compreensão mais integrada do sistema de produção/consumo e um enfoque que privilegia a esfera de produção (causa), que engendra e condiciona todo a dinâmica produtiva, em lugar da esfera do consumo (efeito), do contrário, estaremos invertendo e novamente parcializando a realidade.

Também há um equívoco de atribuir as responsabilidades pela destruição ambiental ao homem enquanto espécie genérica. Os homens ocupam posições sociais e econômicas diferentes e se relacionam com seu ambiente diversamente. Assim, a afirmação referida deve ser melhor qualificada para evitar conclusão apressadas e enganoas, como no caso de transferir para toda a coletividade as responsabilidades por agressões ambientais cometidas por um determinado grupo empresarial ou iniciativa governamental.

Concluindo com base no exposto acima, é necessária a prática de um novo projeto de educação de caráter multidimensional. Embora reconheça-se a importância da educação na mudança social, convém tratá-la como uma entre outras práticas sociais, capazes de compor uma estratégia integrada de mudança social e não como prática isolada ou determinante no processo de transformação das relações de poder na sociedade.

Logo, consideramos importante na construção de uma proposta para a educação relacionada ao ambiente alguns elementos citados abaixo:

  • Democrática: que respeite e se desenvolva segundo o interesse da maioria dos cidadãos;
  • Participativa: que estimule a participação social dos cidadãos no planejamento, execução e avaliação das respostas formuladas para atender aos problemas vividos pela comunidade;
  • Crítica: que exercite a capacidade de questionar e avaliar a realidade socioambiental, desenvolvendo a autonomia para refletir e decidir os próprios rumos;
  • Transformadora: que busque a politização e mudança das relações sociais, dos valores e práticas contrária ao bem-estar público;
  • Dialógica: fundada no diálogo entre todos os participantes do processo educativo e da sociedade circundante;
  • Multidimensionalidade: que paute sua compreensão dos fatos na integrações dos diversos aspectos da realidade;
  • Ética: que persiga o resgate ou construção de uma nova ética que priorize a defesa da vida, da solidariedade e da sustentabilidade socioambiental.

Embora esquemática essa definição procura estabelecer alguns princípios éticos, políticos e epistemológicos, básicos para a realização de uma educação que se pretenda transformadora, comprometida com a vida, a liberdade e o interesse da maioria da população. Assim, é necessário afirmar a necessidade de politizar a questão ambiental, por onde entendemos, passam as possíveis respostas à crise socioambiental. O importante é desenvolver a relação entre o meio ambiente e a cidadania, fortalecendo a consciência de que o ambiente é um patrimônio público comum e sua defesa um direito político de todos cidadãos. Ou seja, todos têm o direito e o dever de reinvindicar e de participar da luta por um ambiente limpo e por uma vida digna e com qualidade


Psicologia e o Ambiente

Os cientistas na área da psicologia atualmente acreditam que muitos dos transtornos mentais resultam tanto da maneira pelo qual o emaranhado de circuitos cerebrais é tecido (natureza) como da maneira pelo qual a pessoa é tratada (ambiente). Rápidos avanços no entendimento das bases biológicas dos transtornos mentais possibilitam tratamentos efetivos que permitem às pessoas levar uma vida normal. Por exemplo: tanto a esquizofrenia como o transtorno bipolar são prováveis em certos ambientes, o que sugere que pode ser desencadeado pela situação. Muitos transtornos mentais resultam de eventos que acontecem na vida da pessoa, como combatentes de guerra que desenvolveram o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), em que os sujeitos tem lembranças intrusivas e indesejadas de suas experiências traumáticas. Todavia, pesquisas também mostram a predisposição genética para esse transtorno e que o ambiente ativa a natureza genética. Portanto natureza e ambiente estão intimamente interligados e inseparáveis.

A ciência psicológica depende do entendimento da base genética da natureza humana e do ambiente que lhe da forma.

Os primeiros teóricos da psicologia formularam, através de seus experimentos e observações, como ocorriam a interação do sujeito no ambiente. Alguns teóricos defendiam que o comportamento é determinado exclusivamente por aprendizagens e modelagens (fatores externos), outros acreditavam que também os fatores internos contribuíam na constituição comportamental e psicológica dos sujeitos.

De acordo com o behaviorismo desenvolvido por Jonh B. Watson (1878-1958) a maioria dos comportamentos pode ser modificada por recompensa e punição, enfatizando o papel das forças ambientais na produção do comportamento. Para Watson se o cientista quisesse entender o homem, deveria parar de estudar os eventos mentais que não poderiam ser diretamente observados e conseqüentemente desprezava métodos de introspecção e associação livre. A questão intelectual e mais central para Watson e seus seguidores era a questão natureza-ambiente. Para os behavioristas tudo era ambiente.

Fortemente influenciado pelo trabalho de Pavlov, Watson acreditava que todo comportamento era causado por fatores ambientais, compreender os estímulos ambientais ou desencadeantes era tudo que precisávamos para predizer uma reposta comportamental. Já para Skinner (1904-1990) a aprendizagem diferia um pouco de Watson e era mais consciente e com propriedades funcionalistas do comportamento. Para ele os comportamentos repetidos eram moldados ou influenciados pelos eventos ou pelas conseqüências que se seguiam a ele. Por exemplo, um animal repetia um determinado comportamento se a experiência anterior tivesse levado a conseqüências positivas. Em 1957 George A.Miller e seus colegas lançaram a revolução da psicologia cognitiva que mostrou que o modo de pensar influencia o comportamento. Os princípios da teoria cognitivista são baseados em sistemas de crenças centrais que moldam comportamentos e sentimentos. Por exemplo: um acontecimento causa um pensamento que leva a um comportamento de acordo com o sistema de crenças que o sujeito.

A psicologia social, fundada por Kurt Lewin, defendia que o poder de uma situação e como as pessoas são moldadas por meio de suas interações com os outros é que vai definir o comportamento. Em 1962, Adolf Eichmann, um dos principais oficias de Hitler, foi enforcado por “causar a morte de milhões de judeus”. Um pouco antes de sua morte Eichmann declarou: “eu não sou um monstro que fazem de mim, eu sou a vítima de uma falácia. As atrocidades cometidas na Alemanha nazista levaram psicólogos a investigar se o mal é uma parte integral da natureza humana. Pesquisadores influenciados pela teoria social, mostraram que quase todas as pessoas são fortemente influenciadas pelas situações sociais.

Já para pesquisadores influenciados pela psicanálise freudiana, concluíram que certos tipos de sujeitos, especialmente aqueles criados por pais incomumente rígidos, realmente apresentavam uma disposição um pouco maior para seguir ordem.

Para Freud (1856-1939) grande parte do comportamento é oriundo de processos mentais que operam abaixo do nível da consciência, portanto são inconscientes. De acordo com essa teoria as forças mentais muitas vezes entravam em conflito, o que produzia desconforto psicológico e, em alguns caos, inclusive transtornos psicológicos aparentes. A psicanálise traz que a personalidade do sujeito se constitui a partir de experiências primitivas nos primeiros anos de vida e vai se constituindo ao longo das fases evolutivas do sujeito. O resultado dessa constituição dependerá de como foram registradas essas experiências (internas e externas) pelo aparelho psíquico do sujeito, que inicialmente é bastante rudimentar e precisa do ambiente, mãe, pai (cuidadores) para ajudar a nomear as experiências infantis. Assim é que se dará a constituição de uma personalidade.

Winnicott, também enfatiza o papel do ambiente como fundamental na estruturação da personalidade do sujeito. Para esse teórico é a mãe a fundamental participante desse processo que deverá ser suficientemente boa. Isto é fornecer cuidados para que seu bebê possa interpretar o que ocorre em seu ambiente. Bíon, diz que é na infância, através dos fatores internos e externos (ambiente) que o aparelho de pensar pensamentos se desenvolverá. E é a mãe ambiente que transformará os elementos que ainda não foram pensados em elementos nomeados.

Depoimento

Como professora de biologia em uma escola municipal de ensino fundamental, na cidade de Garibaldi, Vera Lia Agostini nos deu uma breve descrição de como o ensino ambiental ocorre de fato. Situada no Vale dos Vinhedos, uma regiões agrícolas mais importantes do estado, a cidade de Garibaldi é rodeada por grandes vinícolas, que recebem a uva das pequenas propriedades produtoras dos arredores. Sendo assim, muitos dos alunos são filhos de agricultores, e tem contato direto com temas importantes da educação ambiental, como o uso correto e controlado de agrotóxicos, plantio de cultivos geneticamente modificados, desmatamento, a redução do habitat de espécies nativas, entre outros.

Ela nos diz que, infelizmente, apesar de algumas iniciativas terem criado curiosidade entre os alunos, as atividades relacionadas com educação ambiental se resumem a reciclagem, com a instalação de lixeiras apropriadas e poucas aulas sobre o assunto; e a preservação de espécies vegetais nativas, em uma área verde cedida pela prefeitura. Os problemas estão na falta de continuidade dessas iniciativas, que esbarram na falta de recursos do município para a manutenção da área verde, e no desinteresse de certos alunos e professores. Ela ainda relatou que essas iniciativas são de responsabilidade única dos professores da área de ciências, ignorando completamente a importância e interdisciplinaridade do assunto. Com um currículo que não oferece um tempo maior para desenvolver atividades nesse assunto, fica difícil desenvolver uma consciência ambiental nos alunos, que logo perdem o interesse e abandonam essas atividades.

Bibliografia

GRÜN, M. 'Ética e educação ambiental: a conexão necessária'. Campinas, SP: Papirus, 1996

LIMA, Gustavo da Costa. 'O Discurso da Sustenatabilidade e suas Implicações para a Educação'. Ambiente & Sociedade, vol. VI, Nº 02: 99-118. Campinas: UNICAMP, 2003

LIMA, Gustavo da Costa. 'Questão ambiental e educação: contribuições para o debate'. Ambiente & Sociedade, Ano II, Nº 05: 135-153. Campinas: UNICAMP, 1999

SORRENTINO, M.”Vinte anos de Tbilisi, cinco da Rio 92: 'A Educação Ambiental no Brasil'. Debates socioambientais. São Paulo, CEDEC, ano II, n° 7:3-5, jun/jul/ago/set 1997.

Ferramentas pessoais