Diversidade e Diferenças na Escola
De Psicologia da Educação
Ao escolher este tema, o objetivo do grupo foi de apontar as principais diferenças/ diversidade encontradas na escola hoje em dia e focar situações e soluções bem sucedidas para tais. Os temas escolhidos foram: Religião, Diferença de Gênero e Deficiência Física.
Sabemos que a diversidade sempre estará presente no ambiente escolar e fora dele e entendemos que a solução não deve procurar por extinguir essas diferenças, mas fazer com que estas convivam juntas de forma que as pessoas aprendam uma com as outras e percebam que não somos todos iguais e nem por isso alguém é melhor ou pior. Isso significa exercitar a alteridade, que afinal, significa perceber o outro como ele é e as suas diferenças em relação a nós mesmos.
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Diversidade e Religião
Dentro desse contexto temos as diferentes religiões, que muitas vezes são um ponto existencial para muitas pessoas e que guiam muitas sociedades, regendo seus princípios, valores e ações. O trabalho com a diversidade religiosa torna-se elemento central em favor de atitudes de tolerância e respeito às diferenças e compreensão da alteridade.
Uma solução, proposta por um grupo de São Paulo, foi a implementação do ensino religioso em escolas públicas defendendo ainda o ensino laico, a diversidade, o multiculturalismo e o pluralismo. A separação entre Igreja e Estado é um direito absoluto, defendendo dessa forma a liberdade de crença, o que inclui também a liberdade de não-crença. A proposta trata se do estudo de fenômenos religiosos como patrimônio histórico e cultural, entendendo como uma determinada cultura construiu/ constrói a situação histórica que gerou crenças, ações, instituições, livros, condutas, ritos, etc. sempre visando a compreensão do outro e o respeito às diferentes crenças defendendo dessa forma o estudo de várias religiões, e não somente uma, discutindo seus princípios, valores e diferenças.
O objetivo é que a partir da valorização do pluralismo, do acesso ao conhecimento de diferentes teorias, experiências e ponto de vista, se rompam barreiras de preconceito e exclusivismo. E a idéia é que as pessoas aprendam a ser tolerantes, lembrando que tolerância não é indiferença! Tolerância exige ação e participação para aceitar os seguidores de certa religião levando em conta que estes consideram sua crença como verdadeira e, talvez, a única verdade que admitam e garantindo a livre prática religiosa não discriminando emprego,alojamento, respeitando calendário festivo, etc. Além disso, inclui também ser crítico ao não aceitar líderes ou seguidores que promovem o ódio e a discriminação e que descriminam seguidores de outra religião, minorias sexuais e étnicas, mulheres, crianças e deficientes ou que se utilizem de abusos físicos , psicológicos ou materiais.
Escola e Diversidade de Gênero
Outra forma presente de diversidade é a de gênero, envolvendo, além das questões sobre as diferenças homem/mulher, as opções sexuais. Muitas vezes é extremamente difícil para um adolescente assumir sua opção sexual durante a fase escolar, pois o preconceito, embora muito presente, é ainda um assunto pouco trabalhado dentro da sala de aula, pois são poucos os professores que falam sobre o assunto, deixando-o a mercê dos preconceitos. Uma solução razoavelmente simples para a questão seria não evitá-la, pois como diz o termo, pré conceito é algo que surge sobre o que não temos conhecimento. Falar sobre o assunto, trazer exemplos rotineiros, conversas e debates são sempre bem vindos.
Existem ainda muitas outras formas de diversidade, como os deficientes físicos, as diversidades sociais, etc. Algumas acabam surtindo um preconceito,outras levam a uma exclusão social e todas, se não trabalhadas da melhor forma possível acarretaram em dificuldades. Por isso a melhor forma de encarar as diversidade é, primeiramente, não as ignorando, trazendo elas para dentro das salas de aula, para a realidade dos alunos, para assim dar o primeiro passo, pois diferentes, todos são.
Escola e Deficiência Física
A educação inclusiva se caracteriza como processo de incluir os portadores de necessidades especiais ou com distúrbios de aprendizagem na rede regular de ensino, em todos os seus graus, pois nem sempre a criança que é portadora de necessidades especiais (deficiente), apresenta distúrbio de aprendizagem, ou vice versa, então todos esses alunos são considerados portadores de necessidades educativas especiais.
Para essas crianças é necessário que se desenvolva uma prática educacional mais específica no sentido de ampliar as suas capacidades. Para cada deficiência é enfatizado um tipo de cuidado no trabalho educativo. As crianças com deficiências receptivas ou sensoriais que é o caso dos deficientes auditivos e visuais, devem ser educados com mais atenção, para que não haja alteração na sua aprendizagem, é importante distinguir nesta deficiência até que ponto ela irá interferir na aprendizagem ou não. Já a portadora de deficiência integrativa ou intelectual, que é o caso da deficiência mental, que é uma lesão cerebral e pode ser dividida em mínima, ligeira ou severa; a dificuldade de aprendizagem, são problemas que irão levar essas crianças a terem um desajuste na aprendizagem. A deficiência expressiva é aquela que se limita às áreas motoras e verbal, enquanto a área motora afeta as praxias globais e fina, na área verbal há uma falta de conduta motora quanto ao aparelho fonador, esta multideficiência resulta da paralisia e descoordenação dos centros motores cerebrais, causando assim problemas de comportamento e aprendizagem.
Discutir educação no século XXI supõem uma atitude crítica frente aos exageros da sociedade do conhecimento, é preciso situar a importância da educação na totalidade dos desafios e incertezas de nosso tempo, portanto, pensar em educação inclusiva é um dos nossos desafios, mas contudo, não podemos e nem devemos desprezar, as questões pertinentes a sua prática no seio da nossa sociedade escolar. “A Declaração de Salamanca”, retomou a discussão sobre educação especial na perspectiva de minimizar os abismos entre os humanos, partindo do pressuposto de “Educação para Todos“, que vem sendo defendido mundialmente pela UNESCO.
Com efeito o contato que passamos a Ter com outras formas de pensar e agir, nos colocam frente a mudanças e alterações na constituição da sociedade, implicando em mudanças também na constituição psíquica do homem. A educação inclusiva levará a transformação da representação da criança e do jovem sobre a deficiência, pois educando e crescendo junto aos “diferentes”, compreenderá a heterogeneidade, já que o trabalho é sempre voltado para a homogeneidade. Para nada se leva em conta a diversidade humana, esta é o eixo ético do ser humano, é difícil falar de ética com alguém totalmente diferente de você. E esta vivência acredita-se que a escola tem que propiciar ao cidadão, senão não é escola.
A inclusão é conseqüência de uma escola de qualidade, isto é uma escola capaz de perceber cada aluno como um enigma a ser desvendado. O que percebe é que a criança com deficiência, na escola inclusiva hoje denuncia a falência do sistema escolar, e a má gestão escolar. O que se verifica é que os professores não sabem o que fazer, o que denuncia uma formação continuada inadequada ou inexistente do professor; outro ponto de dificuldade é a falta de relacionamento da escola com a família, a escola ainda encontra-se muitas vezes fechada à comunidade para discussão da perspectiva inclusiva. Essas entre tantas outras situações inadequadas no sistema brasileiro escolar, tem representado apenas a abertura das portas das escolas para educação inclusiva. Acreditamos que isto é muito pouco embora signifique uma nova atitude.
Dentro deste contexto observa-se que muitos portadores de deficiência vivem em forma de isolamento social, pois vivem dentro da estrutura familiar e estas costumam segregá-los, fazendo com que eles fiquem esquecidos, ao invés de incluí-los. A crítica ao sistema de ensino brasileiro, é que o princípio da integração é utilizado, mas para constituir classes especiais em escolas regulares, ou seja, apóia-se a educação inclusiva, mas as crianças portadoras de deficiência e as ditas normais continuam excluídas das oportunidades de integração, convivência e inclusive de afeto.
Cabe então a escola criar estratégias para incluir esses alunos com necessidades especiais no ensino regular, reconhecendo as necessidades individuais de cada um. È importante que a mesma junto aos seus profissionais aceite as novas estratégias de ensino. Diferente de muitos outros países a inclusão no Brasil ainda está engatinhando, o sucesso escolar é não só um mérito dos alunos, mas também dos professores, que de uma maneira ou de outra deverão criar metodologias e estratégias de ensino para as crianças com necessidades especiais, mas em alguns casos para que esses professores consigam atingir os seus objetivos é necessário que se tenha um serviço de apoio funcionando.
Será que os professores estão sendo apoiados, para que de fato possam trabalhar na perspectiva da educação inclusiva sem prejudicar o desenvolvimento dos alunos? Até que ponto o atraso e a lentidão na aprendizagem podem gerar uma insatisfação, um fracasso e até mesmo uma evasão de alunos da escola. Dar -se aí o papel das escolas e dos professores, de levar os aluno a aprender a viver socialmente, pois a escola é um espaço de transformação social, seja ela para crianças portadoras de necessidades especiais ou não.
A educação física escolar, até décadas atrás apresentava um modelo em que o físico (corpo), a aptidão física e desempenho era o mais importante, desprezando muitas vezes os aspectos sociais, cognitivos e afetivos. O relevante dentro das aulas de educação física escolar era o Esporte-Rendimento, ou seja, o aluno deveria apresentar um bom desempenho e habilidades não só nas aulas, mas também nos jogos e em determinadas modalidades esportivas, levando o aluno a ser quase um atleta. Desta forma a educação física escolar apresentava um modelo excludente, por apresentar aulas com métodos de ensino por repetição, o que tornava essas mais monótonas, sem uma preocupação com a participação de todos os alunos.
Com os avanços teóricos na Educação, e também na Educação Física, novas abordagens vêm surgindo, e a LDB e os Parâmetros Curriculares Nacionais, vêm contribuindo para levar a disciplina a um lugar de destaque na “ formação de cidadãos críticos, participativos e com responsabilidades sociais”. Porém, com todos estes avanços na Educação física escolar ainda está enraizado um modelo Biológico de homem, e muitos profissionais ainda estão preocupados com o corpo e suas capacidades fisiológicas, mantendo-se assim educação física ainda muito seletiva.
A LDB em seu artigo 26 no parágrafo 3º diz que a Educação física está integrada a proposta pedagógica da escola, é componente curricular da educação básica, ajustando -se às condições da população escolar. Então como pode a Educação física partir de um modelo seletivo? Seria ela capaz de ter um comportamento excludente potencializado?
Segundo os PCNs, que é um documento que traz subsídios para os profissionais da área de educação física, onde a proposta curricular é incluir os temas transversais nas aulas, que são Ética, Saúde, Meio Ambiente, Orientação Sexual, Pluralidade Cultural e Orientação para Trabalho e Consumo, o professor deve estimular uma reflexão, e assim contribuir para uma visão crítica da disciplina dentro do meio social, assim sendo a educação física reflete uma mudança no seu objetivo onde um deles é formar cidadãos e não formar atletas.
O professor de Educação física deve desenvolver as potencialidades de seus alunos, portadores de necessidades educativas especiais e não excluir das aulas, muitas vezes, sob o pretexto de preservá-los. A escola opta por dispensá-los da educação física, por considerar professor despreparado para dar aula para esses alunos. Este por receio, por pouca remuneração achando que para dar aula dentro da educação inclusiva tem que ter uma melhor remuneração, e que ele está sendo pago para dar aula para “alunos normais” e não para pessoas portadoras de deficiência com traços fisionômicos, com alterações morfológicas, problemas psíquicos, ou com problemas de coordenação que acabam se destacando das demais.
Assim sendo, a solução para o professor ou para a escola, nem sempre é o melhor para o aluno, antes de tomar uma atitude achando que irá expor o seu aluno a uma situação de vergonha perante aos outros, deve-se descobrir se o aluno gostaria de participar das atividades junto com os colegas. Essas atitudes acabam sendo complexas, no que diz respeito em aceitar as modificações, que irão partir de experiências vivenciadas ao longo do tempo.
A Educação física escolar como diz Seybold, partindo do princípio de adequação à criança, deve favorecer a mesma, um pleno desenvolvimento, de acordo com a sua necessidade e a sua capacidade de aquisição de movimentos, pois parte do princípio que elas tem necessidade natural de movimento. Então o professor não pode dispensar a oportunidade destes alunos em participar da aula, pois mesmo o aluno sendo deficiente físico, mental, auditivo, visual, múltiplas e até mesmo apresentando condutas típicas (que são os portadores de síndromes, quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos) eles têm necessidades de fazer atividades que desenvolva a sua relação social, motora e afetiva.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Silva, E., 2004. Religião, Diversidade e Valores Culturais: conceitos teóricos e a educação para a cidadania. Rever – revista de estudos da religião, 2, 1-14.

