Educação Ambiental-

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

INTRODUÇÃO

Os últimos três séculos vêm acompanhados de um grande avanço e crescimento do conhecimento humano, ocasionando um amplo desenvolvimento das ciências e tecnologia. Simultaneamente, mudanças graduais ocorreram nos valores e modo de vida da sociedade, com o surgimento do processo industrial e o conseqüente crescimento das cidades. Essa urbanização e este novo estilo de vida ao qual a sociedade se propõe leva a um excessivo aumento da utilização dos recursos naturais e produção de resíduos. Enfim o ambiente passou a ser um objeto de uso para atender as vontades da população, sem a mínima preocupação com o estabelecimento de limites e critérios.

A desenfreada interferência humana nos diferentes ecossistemas tem causado continuamente desequilíbrios no meio ambiente, comprometendo a qualidade de vida no planeta. A poluição atmosférica, a contaminação dos cursos d’água, a devastação das florestas, a caça indiscriminada, a redução e destruição dos habitats faunísticos e o tão discutido aquecimento global são algumas das conseqüências do total descaso com o meio ambiente.

Diante da evidência de tantos problemas ambientais, tem surgido uma crise de relações entre a sociedade e o meio ambiente.


É cada vez mais notória a complexidade desse processo de transformação de uma sociedade cada vez mais não só ameaçada, mas diretamente afetada por riscos e agravos socioambientais. Os riscos contemporâneos explicitam os limites e as conseqüências das práticas sociais, trazendo consigo um novo elemento, a "reflexividade". A sociedade, produtora de riscos, torna-se crescentemente reflexiva, o que significa dizer que ela se torna um tema e um problema para si própria. O conceito de risco passa a ocupar um papel estratégico para o entendimento das características, dos limites e das transformações do projeto histórico da modernidade e para reorientar estilos de vida coletivos e individuais. Pedro Roberto Jacobi- Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo


Quando se chega ao ponto em que a sociedade se encontra tão adaptada ao seu novo modo de vida e ao mesmo tempo é inegável a necessidade de mudanças, há um grande conflito a ser resolvido. Como continuar utilizando os recursos naturais a modo de manter o padrão de vida atual sem prejudicar ainda mais o meio ambiente?

É a partir dessa reflexão, dessa preocupação que começa a surgir uma mobilização da sociedade, exigindo soluções e mudanças. E é neste contexto que ocorre a difusão da educação ambiental como ferramenta de mudanças nas relações do homem com o ambiente.

Educação ambiental é um ramo da educação que tem por objetivo disseminar o conhecimento sobre o ambiente, a fim de promover sua preservação e utilização sustentável de seus recursos. Consiste em formar uma atitude ecológica nas pessoas, tornando-as capazes de compreender o planeta e agir de forma crítica e consciente. De acordo com Ana Gizelle da Silva, no artigo Educação ambiental: Por quê? Para quê? Para quem?, a educação ambiental surge em virtude da preocupação humana com a qualidade de vida, no entanto, seu contexto é muito amplo e abrange aspectos sociais, econômicos, políticos, éticos e culturais.

GRANDES POLUIDORES DO PLANETA

Muitas coisas mudaram após a Revolução Industrial do século 18. Entre as mudanças que mais podem influir no futuro da humanidade no planeta está o quadro da poluição ambiental, grande parte pode ser atribuída aos países desenvolvidos, isso é indiscutível, mas o que torna esse quadro ainda mais alarmante é o fato de muitos países estarem em desenvolvimento, aumentando a demanda global por energia. Em 2005, através de muitos estudos estipularam um aumento de 50% no consumo de energia até 2030. Valor que até o momento está se cumprindo fielmente. Enquanto a redução estipulada pelo Protocolo de Kyoto em fevereiro do mesmo ano fica com o objetivo cada vez mais distante.

A China já ultrapassou os EUA e se tornou o maior poluidor global, porém é um país ainda em desenvolvimento e se tornou o maior emissor do mundo em função do crescimento econômico e da matriz energética baseada em carvão. A China adota um critério próprio classificando as emissões per capita, caindo, assim para a oitava posição graças à gigante população, a China alega que, pelo fato de o país ainda estar em desenvolvimento ele tenha direito à, literalmente, queimar todo o seu carvão em prol do desenvolvimento. Enquanto defende a idéia de um país como os Estados Unidos, que já tenha se desenvolvido e se solidificado economicamente, sim, precise diminuir o consumo de energia. Os Estados Unidos ratificou a Convenção do Clima da ONU em 1992, porém rejeitou o Protocolo de Kyoto. Atualmente os Estados Unidos adota um padrão visando combustíveis renováveis, com a meta de produzir 15 bilhões de galões de biocombustíveis até 2015 e 36 bilhões até 2022.

A União Européia recebeu reconhecimento internacional por anunciar metas climáticas "ambiciosas", como reduzir pela metade as emissões até 2050. Os países do grupo possuem padrão para eficiência energética e fontes renováveis, se aperfeiçoou e está ganhando dimensões mais rígidas de 2008 à 2012. Até agora nenhum Estado membro acionou algum tipo de política mais rígida. A Rússia apresenta um cenário um pouco melhor graças ao declínio absoluto das emissões no início da década de 1990. Porém o quadro mudou muito à partir de 2009, em que o país aumentou constantemente a emissão e não há quase nenhum tipo de política estabelecido que possa controlar isso.

Na Índia as emissões per capita estão bem abaixo da média de um país em desenvolvimento, porém o País também apresenta o perfil de aumentar em emissões absolutas. Há forte dependência de carvão, embora alguns esforços surjam no sentido de melhorar a eficiência energética do País, bem como a participação de energias renováveis. O Japão também tem índices de emissão relativamente baixos comparados à média de países industrializados, em virtude da alta eficiência energética e do uso de energia nuclear. Mas as emissões absolutas estão aumentando e não há nenhum projeto obrigatório em reduzi-las além do Protocolo de Kyoto e da Convenção do Clima, ratificados pelo País.

No Brasil a maior parte de emissões vem das mudanças e queimadas do solo que correspondem por 75% dos gases-estufa emitidos. O desmatamento mostra tendência decrescente, mas é muito sensível aos preços internacionais das commodities agrícolas. O Brasil ratificou a Convenção do Clima da ONU e também o Protocolo de Kyoto. Criou o Proálcool para apoiar o uso do etanol como substituto do petróleo. No País, a gasolina regular contém 25% de etanol.

GESTÃO AMBIENTAL

A novíssima área de conhecimento e trabalho intitulada "Gestão Ambiental" vem causando muita confusão entre os especialistas em meio ambiente. A dúvida se inicia com a pergunta, mas afinal o que é Gestão Ambiental?

Para responder esta difícil pergunta, antes de tudo deve ser esclarecido que a Gestão Ambiental possui caráter multidisciplinar, profissionais dos mais diversos campos podem atuar na área, desde que devidamente habilitados.

Antigamente existia uma divisão nítida entre os defensores da natureza (ditos ecologistas) e os que pregavam a exploração irrestrita dos recursos naturais. Com o advento do termo "desenvolvimento sustentável" tornou-se necessária a formação de pessoas com um diferente perfil, profissionais que agregassem a visão ambientalista à exploração "racional" dos recursos naturais, aí surgiram os gestores ambientais.

A Gestão Ambiental visa ordenar as atividades humanas para que estas originem o menor impacto possível sobre o meio. Esta organização vai desde a escolha das melhores técnicas até o cumprimento da legislação e a alocação correta de recursos humanos e financeiros.

O que deve ficar claro é que "gerir" ou "gerenciar" significa saber manejar as ferramentas existentes da melhor forma possível e não necessariamente desenvolver a técnica ou a pesquisa ambiental em si. Pode estar aí o foco da confusão de conceitos entre a enorme gama de profissionais em meio ambiente. Pois, muitos são parte das ferramentas de Gestão (ciências naturais, pesquisas ambientais, sistemas e outros), mas não desenvolvem esta como um todo, esta função pertence aos gestores ou gerentes ambientais que devem ter uma visão holística apurada.

Existe também uma outra discussão sobre o que é "Gestão Ambiental" e o que é "Gerenciamento Ambiental", alguns defendem que a "gestão" é inerente à assuntos públicos (gestão de cidades, bacias, zonas costeiras, parques) e que gerenciamento refere-se ao meio privado (empresas, indústrias, fazendas e outros). Esta diferença de significados, na verdade, não é importante, o que é realmente importante é promover a Gestão Ambiental em todos os seus aspectos.

Pode-se então concluir que a Gestão Ambiental é conseqüência natural da evolução do pensamento da humanidade em relação à utilização dos recursos naturais de um modo mais sábio, onde se deve retirar apenas o que pode ser reposto ou caso isto não seja possível, deve-se, no mínimo, recuperar a degradação ambiental causada.


EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA

A educação ambiental deve ser implementada na vida das pessoas o mais cedo possível. O ideal seria que um indivíduo começasse a entender o meio ambiente logo no inicio do seu processo educativo, compreender sua importância para as atividades humanas e, principalmente, para a manutenção da vida no planeta. Os pais têm um papel fundamental na formação da personalidade de seus filhos, porém, muitas vezes, os mesmos não têm o embasamento necessário para transmitir conhecimentos que são de extrema importância.

A escola é responsável pela educação do indivíduo e conseqüentemente da sociedade. Ela repassa informações que geram um sistema dinâmico e abrangente. Teoricamente, todas as crianças e adolescentes devem estar na escola em pelo menos um turno do seu dia durante os cinco dias úteis, o que torna a escola o órgão mais eficaz no acesso à educação ambiental.

Um fator importante é a seleção de profissionais reflexivos em relação à questão ambiental, com capacidade de estimular a mudança de hábitos, atitudes e práticas sociais. De acordo com Jacobi (2005), os educadores devem estar cada vez mais preparados para reelaborar as informações que recebem, e, dentre elas, as ambientais, para poder transmitir e decodificar para os alunos a expressão dos significados em torno do meio ambiente e da ecologia nas suas múltiplas determinações e intersecções.

A educação ambiental acrescentada ao projeto pedagógico escolar é um método eficaz de tornar o assunto presente no cotidiano do aluno por todo o tempo em que ele freqüentar a escola. O que geralmente se observa é que a educação ambiental é abordada em apenas uma determinada fase do processo educativo escolar, cujo tempo não é suficiente para a formação de um pensamento crítico e elaboração de critérios. O ideal seria que a educação ambiental fosse difundida no currículo escolar como outra disciplina qualquer, visto que a continuidade é uma questão fundamental neste processo educativo.

A continuidade e a repetição de um determinado assunto possibilitam um aumento na compreensão e no campo de abordagem, ao mesmo tempo em que permitem avançar a linha do raciocínio gradativamente, buscando atingir níveis mais complexos. Esses fatores estão diretamente ligados ao fator tempo. A disponibilidade de tempo para se trabalhar questões relacionadas ao meio ambiente possibilita desenvolver critérios no momento certo, acompanhar a evolução intelectual dos envolvidos e trabalhar cada aspecto necessário, inclusive o envolvimento da escola com sua comunidade.

Outro aspecto que faz da escola um sistema eficiente no processo de educação ambiental é a sua capacidade de atingir a comunidade local. Participação é a palavra-chave para o sucesso de tal processo educativo. É fundamental a participação não apenas da escola, mas da comunidade e da sociedade como um todo.


A participação efetiva do sujeito diretamente envolvido é fundamental na produção dos conhecimentos sobre sua realidade, uma vez que sua própria observação sobre o ambiente vivido e os problemas que direta e indiretamente o afetam criam conhecimentos que, pela natureza do ambiente produtor desses conhecimentos, devem culminar em ação. Desta maneira, produz novos conhecimentos para os grupos envolvidos, construindo a noção de cidadania de forma consciente e elaborada, possibilitando a ampla estruturação dos princípios da educação ambiental: participação efetiva de toda a comunidade na melhoria do ambiente; articulação entre o conhecimento científico e o senso comum; estruturação da práxis, isto é, busca pela complementaridade entre reflexão e ação; consciência da intencionalidade política da ação ambiental; e garantia da continuidade do processo educativo.

Nadja JankeI; Marília Freitas de Campos Tozoni-ReisII - Produção coletiva de conhecimentos sobre qualidade de vida: por uma educação ambiental participativa e emancipatória.


Para estimular o processo participativo inicialmente dentro da escola, é essencial a adoção de uma metodologia acessível e interessante a nível dos alunos. Um programa de educação ambiental efetivo consiste em desenvolver, simultaneamente, conhecimento, atitudes e habilidades necessárias para a preservação e melhoria da qualidade ambiental. A aprendizagem será mais efetiva se a atividade abordada estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem as pessoas envolvidas.

Obviamente, as atividades selecionadas vão depender da idade e capacidade dos participantes, mas de uma maneira geral alguns métodos tendem a ser eficazes:

  • abordagem do tema no grande grupo: debate de idéias, opiniões, participação ativa dos alunos, oportunidade de reflexão.
  • abordagem do tema em pequenos grupos: possibilidade de se trabalhar mais itens e desenvolver melhor cada um deles. Cada grupo fica responsável por trabalhar e ensinar um item.
  • questionários: aplicação para alunos, professores e até mesmo para a comunidade. Permite fazer um levantamento do conhecimento geral dos participantes através das respostas e a partir disso elaborar idéias diversas.
  • projetos: oferecidos em horário extracurricular como opção para quem realmente apresentar interesse. Possibilidade de um trabalho mais amplo e abrangente.
  • saídas de campo: obter um contato real com os cenários de impacto ambiental, conhecer empresas, participar de mutirões de limpeza, conhecer trabalhos importantes como o de reciclagem do lixo, participar de programas de conscientização.
  • inclusão da comunidade: levar à comunidade tudo o que se produz, incluí-la como membro ativo do processo educativo.

Embora a escola seja um grande passo inicial na abordagem da educação ambiental, o sucesso seria mais efetivo se este processo tivesse continuidade em outros setores da sociedade. Ao ritmo em que o meio ambiente caminha para a destruição, levando ao prejuízo da sociedade como um todo, é função de todos os setores cumprirem com sua parte.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como visto, mesmo que brevemente, este trabalho teve como objetivo mostrar as causas do por que ter tanto cuidado com o nosso ecossistema já que graças ao chamado progresso e avanço de tecnologias e de sistemas interligados, feitos através de revoluções industriais acabamos prejudicando nosso ambiente natural contaminando nossos cursos d’água, poluindo a atmosfera contribuindo assim para o aquecimento global, reduzindo ou destruindo habitats faunísticos e acabando com florestas. A educação ambiental, portanto, pode ser responsável por uma melhora e busca de uma consciência ecológica sendo que deve ser implementada como projetos nas escolas e empresas de forma contínua, visando sempre uma melhor forma de gestão de nossos ambientes naturais através do empenho dos órgãos públicos e com participação da sociedade.

REFERÊNCIAS

ANDREOLI, Cleverson V. Gestão Ambiental. Coleção Gestão Empresarial.

BARATA, Martha de Lima; KLIGERMAN, Débora Cynamon; MINAYO-GOMEZ, Carlos. A gestão ambiental no setor público: uma questão de relevância social e econômica.

FELLEMBERG,G. Introdução aos Problemas de Poluição Ambiental – São Paulo, Editora da USP, 1980.

FIESP - DMA. Melhore a competividade com o sistema de gestão ambiental - SGA.

JACOBI, P.R.. Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. Educação e Pesquisa. v.31 n.2 São Paulo maio/ago. 2005. Universidade de São Paulo.

JANKE, N.& Tozoni-Reis, M. F.C. Produção coletiva de conhecimentos sobre qualidade de vida: por uma educação ambiental participativa e emancipatória. Ciência & educação (Bauru) v.14 n.1 Bauru 2008.

ODUM, E. Ecologia – São Paulo, Editora Pioneira, 1977.

SILVA, A.G. Educação ambiental: por quê? Para quê? Para quem?. 2009

www.ambientebrasil.com.br

Ferramentas pessoais