Educação Ambiental: Por quê? Pra quê? Pra quem?
De Psicologia da Educação
INTRODUÇÃO
No final do século passado, em 1866, surgiu a área do conhecimento que se chamou Ecologia (do grego oikos=morada e logos=estudo), sendo o termo proposto pelo biólogo e filósofo alemão Ernst Haeckel. A Ecologia começa como um novo ramo das Ciências Naturais e seu estudo passa a sugerir novos campos do conhecimento, como, por exemplo, a ecologia humana e a economia ecológica. Mas só na década de 1970 o termo “ecologia” passa a ser conhecido do grande público.
Frequentemente, o termo meio ambiente é visto como um sinônimo de ecologia, de forma que a educação ambiental passa a ser tratada como um assunto que envolve exclusivamente a área da Ecologia. No entanto, tal idéia é equivocada. A Ecologia é o estudo das interações dos seres vivos entre si e com o meio ambiente. No caso do tema educação ambiental, pode-se trabalhar com a problematização do lixo, por exemplo, que se insere numa área de questão social.
A Educação Ambiental (EA) é definida, segundo BRANCO (1998), como todo processo cultural que objetiva a formação de indivíduos capacitados a coexistir em equilíbrio com o meio.
A questão ambiental vem sendo considerada como cada vez mais urgente e importante para a sociedade, uma vez que o futuro da humanidade depende da relação estabelecida entre a natureza e o uso, pelo homem, dos recursos naturais disponíveis.
Muitas iniciativas têm sido desenvolvidas em torno desta questão, por educadores de todo o País. Por estas razões, vê-se a importância de se incluir a temática do Meio Ambiente como tema transversal dos currículos escolares, permeando toda prática educacional. No entanto, a construção de uma consciência ambiental a partir da educação ambiental não se faz presente em todas as instituições escolares, como seria o ideal, persistindo apenas em algumas poucas.
Partindo de uma análise acerca da questão ambiental e dando destaque à necessidade de se reconhecer a importância que envolve o exercício da educação ambiental, tem-se como proposta expor qual seria o papel da escola, da sociedade, da família e do próprio aluno, em meio à formação dessa consciência ambiental tão emergente nos dias de hoje, e qual seria a real conseqüência resultante do percurso que envolve a construção dessa consciência.
A QUESTÃO AMBIENTAL
Antes de dar início ao tema educação ambiental, seria interessante abordar a questão ambiental a partir de um breve histórico, apresentando o modelo de desenvolvimento econômico e social que persiste na sociedade moderna.
A sociedade atual é caracterizada como consumista, sendo regida pelo capitalismo, em que a competitividade é o motor do mundo globalizado. Em decorrência do desenvolvimento tecnológico e do consumismo, o meio ambiente tem passado por intensas transformações, induzidas pelo próprio homem. E tudo isso deu início a um debate mundial acerca das questões ambientais, crescendo, também a preocupação coletiva com o futuro comum da humanidade, criando assim, a necessidade de um contraponto, capaz de frear o processo de destruição. A primeira conferência internacional promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) de forma a tratar o assunto Meio Ambiente foi a de Estocolmo, em 1972.
A Educação Ambiental (EA) surge em virtude da preocupação humana com a qualidade de vida, no entanto, seu contexto é muito amplo e abrange aspectos sociais, econômicos, políticos, éticos e culturais. No Brasil, ocorreu a Conferência Rio 92, em que houve uma verdadeira globalização das questões ambientais, despertando uma preocupação sem precedentes em relação à degradação causada pelo desenvolvimento tecnológico/industrial. Tal Conferência foi responsável também, pela propagação da idéia que desenvolvimento e meio ambiente constituem um binômio e são lados de uma mesma moeda devendo, portanto, ter valores e prioridades equivalentes, ou seja, é essencial desenvolver economicamente, mas é vital que os recursos naturais sejam poupados para que não faltem.
Tem-se, a partir daí, uma série de ações em que há o reconhecimento, por parte de organizações governamentais e lideranças nacionais e internacionais, da importância da educação ambiental, enfatizando as noções comumente associadas ao tema.
A EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Como foi citado anteriormente, ocorreu a Conferência de Estocolmo, em 1972 e, no Brasil, ocorreu a Rio/92. Nesta última, reconheceu-se o papel central da educação para a “construção de um mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado”, o que requer “responsabilidade individual e coletiva em níveis local, nacional e planetário”.
A oficialização da Educação Ambiental no Brasil ocorreu com a criação da Lei federal de nº 6.938, sancionada a 31 de agosto de 1981, que criou a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), e a Lei federal n° 9.795 – Lei da Educação Ambiental, de 27 de abril de 1999, que criou a Política Nacional da Educação Ambiental (PNEA). Isso 27 anos após a Conferência de Estocolmo, revelando um grande atraso em relação às recomendações desta. Segundo a Lei n° 9.795 – Lei da Educação Ambiental, tem-se:
Art. 2° - A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.
Na Constituição Federal de 1988, tem-se um capítulo especial sobre a proteção integral do meio ambiente (Capítulo VI - do Meio Ambiente), em que consta especificamente no artigo 225, parágrafo 1º, parte VI:
“promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente.”
A educação é vista como um elemento indispensável para a transformação da consciência ambiental. É evidente que a educação sozinha não é suficiente para provocar grandes mudanças, mas certamente é uma condição necessária para tanto.
Alguns obstáculos são enfrentados na implementação e/ou continuidade das práticas de EA, como a visão compartimentada da EA, a pouca integração entre outras ciências e a própria disciplina curricular nas escolas, que faz com que o aluno não desperte para o seu papel de cidadão.
Os conteúdos de Meio Ambiente devem ser integrados ao currículo através da transversalidade, sendo trabalhados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a abranger toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global e abrangente da questão ambiental. Valores e compreensão só não bastam. É preciso que as pessoas saibam como atuar, como adequar sua prática a esses valores. Expõe-se, então, a idéia da transversalidade. A educação ambiental não está unicamente vinculada à Biologia, como muitos pensam, sendo que muitas outras áreas do conhecimento estão ligadas ao tema EA. Pode-se debater esse tema em outras áreas, por exemplo: na área da Química, o tema EA pode ser trabalhado na forma da ação química de poluentes sobre a fauna e a flora; na Matemática, na forma de problemas, quantificando, usando toneladas de lixo; na Geografia, ao explicar a evolução da terra, as mudanças climáticas, o efeito da globalização; na História, ao abordar a história da humanidade e o que o crescimento das indústrias acarretou em termos de meio ambiente. Cada professor, dentro da especificidade de sua área, deve adequar o tratamento dos conteúdos para contemplar o tema Meio Ambiente (BRASIL, 1998).
É importante que o professor consiga desenvolver capacidades nos alunos de observação e compreensão da realidade de modo integrado, superando e indo mais além da abordagem analítica tradicional. Do ponto de vista de atitudes e comportamentos, o professor e a escola como um todo devem proporcionar ocasiões e ensinar procedimentos de modo que os alunos possam tomar decisões, atuar de fato e exercer posturas que demonstrem a aquisição e o exercício de valores relativos à proteção ambiental e à garantia da qualidade de vida para todos. Logo, na seleção de conteúdos a serem trabalhados em aula, os educadores deverão considerar sua natureza interligada às outras áreas do currículo e a necessidade de serem tratados de modo integrado, não só entre si, mas entre eles e o contexto histórico e social em que as escolas estão inseridas.
As atividades a serem desenvolvidas pela escola demandam aspectos interdisciplinares. Levar os alunos a um lixão, ao tratamento de esgoto, ao zoológico, fazer uma horta escolar, trilhas, plantar uma árvore, assistir documentários, tudo isso contribuirá para que a compreensão dos alunos ocorra de maneira mais fácil, favorecendo o seu entrosamento e atuação junto aos temas ambientais.
Cabe à escola garantir meios para que os alunos possam colocar em prática sua capacidade de contribuição. Para isso, pode-se partir da realidade local e outras realidades como suportes para o trabalho pedagógico. Tem-se aí um universo acessível e conhecido, sendo um possível campo de aplicação do conhecimento. É necessário que a criança conheça primeiro a sua realidade para que possa depois compreender o que está além dela. Nesse sentido, a escola deve se organizar de forma a proporcionar oportunidades para que o aluno possa utilizar o conhecimento sobre Meio Ambiente para compreender a sua realidade e atuar sobre ela. O exercício da participação em diferentes instâncias (desde atividades dentro da própria escola, até movimentos mais amplos referentes a problemas da comunidade) é também fundamental para que os alunos possam contextualizar o que foi aprendido.
É comum o trabalho de alguns conceitos dentro de uma sala de aula. Um deles diz respeito ao desenvolvimento sustentável, que corresponde ao desenvolvimento que satisfaça as necessidades presentes e que garanta as das gerações futuras. Outro exemplo é o questionamento que se faz sobre o por quê de se preservar uma espécie. Essa última questão envolve o fato de que a diversidade biológica deve ser conservada não só pela sua importância conhecida para a humanidade, mas por uma questão de princípio: todas as espécies merecem respeito.
É importante lembrar que muitas das questões políticas, econômicas e sociais são permeadas por elementos diretamente ligados à questão ambiental e que uma sociedade difere da outra pela sua política, economia e questões sociais. O trabalho com o tema Meio Ambiente deve ser desenvolvido visando proporcionar aos alunos uma grande diversidade de experiências e ensinar-lhes formas de participação, para que possam ampliar a consciência sobre as questões relativas ao meio ambiente e assumir de forma independente e autônoma atitudes e valores voltados à sua proteção e melhoria. As especificidades são muitas para cada grupo, cada região e essas diferentes realidades devem ser consideradas em cada escola, pelo professor, para que se possam selecionar os melhores conteúdos, as melhores formas de se trabalhar a questão ambiental. Para tanto, é necessário levar em conta o contexto social, econômico, cultural e ambiental no qual se insere a escola. Também os elementos da cultura local, sua história e seus costumes irão determinar diferenças no trabalho com o tema Meio Ambiente em cada escola.
A opção pelo trabalho com o tema Meio Ambiente traz a necessidade de aquisição de conhecimento e informação por parte da escola para que se possa desenvolver um trabalho adequado junto dos alunos. Pela própria natureza da questão ambiental, a aquisição de informações sobre o tema é uma necessidade constante para todos. Isso não significa dizer que os professores deverão “saber tudo” para que possam desenvolver um trabalho junto dos alunos, mas sim que deverão se dispor a aprender sobre o assunto e, mais do que isso, transmitir aos seus alunos a noção de que o processo de construção e de produção do conhecimento é constante. Expõe-se, dessa forma, a importância da figura docente em se esforçar a fim de construir uma formação permanente e constante.
A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso é necessário que, mais do que informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e a aprendizagem de habilidades. E esse é um grande desafio para a educação.
O papel da escola também envolve proporcionar um ambiente escolar saudável e coerente com aquilo que ela pretende que seus alunos aprendam, para que possa, de fato, contribuir para a formação de cidadãos conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente e capazes de atitudes de proteção e melhoria em relação a ele.
As transformações são necessárias e a escola, acredita-se, deve exercer o seu papel, o que não significa eximir outras esferas da sociedade de cumpri-lo também. Comportamentos “ambientalmente corretos” são aprendidos na prática do dia-a-dia escolar. No entanto, há outros componentes que vêm se juntar à escola nessa tarefa. A sociedade é responsável pelo processo como um todo, mas os padrões de comportamento da família e as informações veiculadas pela mídia também exercem especial influência sobre as crianças. Em relação à participação da família, tem-se o papel que esta exerce seja conscientizando, seja incentivando e absorvendo as novas idéias que os filhos trazem da escola. Já no caso da mídia, o rádio, a TV e a imprensa constituem a grande fonte de informações que a maioria dos alunos e das famílias possui sobre o meio ambiente, introduzindo informações diversas sobre outras realidades. Embora muitas vezes aborde o assunto de forma superficial ou equivocada, a mídia vem tratando de questões ambientais. Notícias de TV e de rádio, de jornais e revistas, programas especiais tratando de questões relacionadas ao meio ambiente têm sido cada vez mais freqüentes. Entretanto, há um dilema em relação ao papel da mídia. Paralelamente, existe o discurso veiculado pelos meios de comunicação que propõe uma idéia de desenvolvimento que não raro conflita com a idéia de respeito ao meio ambiente. São propostos e estimulados valores insustentáveis de consumismo, desperdício, violência, egoísmo, desrespeito, preconceito, irresponsabilidade e tantos outros.
Podem-se estabelecer algumas orientações didáticas, a fim de auxiliar o trabalho da escola acerca do tema EA. Uma delas inclui uma revisão da prática pedagógica adotada (temas tratados, métodos/materiais utilizados, estratégias de abordagem, de mobilização, de envolvimento da escola e da comunidade, etc.) diante dos resultados obtidos (motivação geral, alcance dos objetivos, mudanças observadas nas pessoas e/ou nos ambientes, produtos obtidos, prazer no desenvolvimento das atividades e/ou na obtenção dos resultados, etc.). Tendo em vista principalmente o reconhecimento dos pontos fortes e dos problemas e dificuldades encontradas, para dar seqüência aos trabalhos revendo o que for necessário, ampliando, recomeçando, mudando, mantendo elementos, enfim, aprendendo com a experiência. Por fim, faz-se um reconhecimento dos pontos positivos e negativos do dia. Tal parecer final deve contar com a participação não só da figura docente, como também dos próprios alunos. Seria interessante, mesmo reconhecendo a dificuldade que essa ação apresenta, uma observação cuidadosa de cada aluno por parte do professor, de forma a buscar identificar áreas de interesse dos alunos, de maior facilidade ou dificuldade, o que motiva ou mobiliza cada um, as formas de expressão mais próprias de cada um (oral, narrativa, poesia, música, dança, teatro, desenho, escultura e montagens, etc.), seu reconhecimento e vivência das próprias origens étnicas, culturais e sociais, para ajudá-los em seu autoconhecimento, na afirmação de sua identidade pessoal, familiar e social, na noção de suas maiores potencialidades, de modo a direcionar os esforços para a construção da própria identidade, desenvolvendo-se integralmente. E claro, a criação de oportunidades de vivência e reforço que permitam evidenciar, explicitar e estimular exemplos de tomadas de atitude e comportamentos que denotem os valores enfatizados, com especial ênfase para demonstrações de solidariedade, participação e respeito à vida em todas as suas formas. Toda essa orientação tem como base ressaltar as atividades práticas e as experiências pessoais além de promover o desenvolvimento do sentido crítico de cada aluno.
Considerando a importância da temática ambiental e a visão integrada de mundo, a escola deve, ao longo da vida escolar do aluno, oferecer meios efetivos para que cada aluno compreenda os fatos naturais e humanos a esse respeito. E para que desenvolva suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais que lhe permitam viver numa relação construtiva consigo mesmo e com seu meio, colaborando para que a sociedade seja ambientalmente sustentável e socialmente justa.
A importância do trabalho com a educação ambiental revela alguns critérios favoráveis, como: a importância dos conteúdos para uma visão integrada da realidade, especialmente sob o ponto de vista socioambiental; a capacidade de apreensão e necessidade de introdução de hábitos e atitudes; a possibilidade de desenvolvimento de procedimentos e valores básicos para o exercício pleno da cidadania.
Para que a idéia de incorporar a abordagem das questões ambientais e a valorização da vida na prática educacional se transformasse numa realidade, várias iniciativas foram tomadas por organizações governamentais e não-governamentais sensibilizadas pelo tema, como já foi citado anteriormente. A UNESCO, em 1968, realizou um estudo comparativo, respondido por 79 países, sobre o trabalho desenvolvido pelas escolas com relação ao meio ambiente. Nesse trabalho, formularam-se proposições que depois seriam aceitas internacionalmente, tais como: a EA não deve constituir uma disciplina; por “ambiente” entende-se não apenas o entorno físico, mas também os aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos inter-relacionados.
Em Tbilisi, na Geórgia, foi realizada a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental em 1977, em que foram definidos os princípios da Educação Ambiental a ser desenvolvida nas escolas. Entre esses princípios, constam:
- a construção de um processo permanente, desde o início da educação infantil e contínuo durante todas as fases do ensino formal;
- aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada área, de modo que se consiga uma perspectiva global da questão ambiental;
- examinar as principais questões ambientais do ponto de vista local, regional, nacional e internacional;
- concentrar-se nas questões ambientais atuais e naquelas que podem surgir, levando em conta uma perspectiva histórica;
- insistir no valor e na necessidade da cooperação local, nacional e internacional para prevenir os problemas ambientais;
- considerar de maneira explícita os problemas ambientais nos planos de desenvolvimento e crescimento;
- promover a participação dos alunos na organização de suas experiências de aprendizagem, dando-lhes a oportunidade de tomar decisões e aceitar suas conseqüências;
- estabelecer, para os alunos de todas as idades, uma relação entre a sensibilização ao meio ambiente, a aquisição de conhecimentos, a atitude para resolver os problemas e a clarificação de valores, procurando, principalmente, sensibilizar os mais jovens para os problemas ambientais existentes na sua própria comunidade;
- ajudar os alunos a descobrirem os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais;
- ressaltar a complexidade dos problemas ambientais e, em conseqüência, a necessidade de desenvolver o sentido crítico e as atitudes necessárias para resolvê-los;
- utilizar diversos ambientes com a finalidade educativa e uma ampla gama de métodos para transmitir e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente, ressaltando principalmente as atividades práticas e as experiências pessoais.
Muitos dos aspectos citados acima já foram abordados ao longo do texto como fundamentais no exercício da prática do tema Meio Ambiente.
TRABALHO DE CAMPO
Para termos noção de como a educação ambiental pode ser posta em prática em uma escola pública visitamos uma escola municipal. Nesta escola uma professora de geografia tem realizado um projeto de educação ambiental que recebeu o nome de Amigos do Planeta Verde.
Segundo a professora, os objetivos do projeto são:
- Cooperar com a preservação da natureza;
- Participar dos movimentos de preservação do meio ambiente;
- Esclarecer a comunidade sobre as questões ambientais;
- Tornar a escola um centro de saber local;
- Promover oficinas e atividades integradoras;
- Construir e vivenciar valores como solidariedade, amor, respeito e honestidade;
- Atuar na comunidade para a melhora da qualidade de vida.
Usando como base o Atlas Ambiental de Porto Alegre, os alunos fazem reuniões no turno inverso ao das aulas para atuar na escola e junto à comunidade nas questões referentes ao meio ambiente.
Este projeto tem grande repercussão no entorno da escola e já foi premiado internacionalmente. Um ótimo exemplo de como a Educação Ambiental pode ser desenvolvida nas escolas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora recomendada por todas as conferências internacionais, exigida pela Constituição e declarada como prioritária por todas as instâncias de poder, a Educação Ambiental está longe de ser uma atividade tranquilamente aceita e desenvolvida pelas instituições escolares, uma vez que ela implica significativas mudanças. Porém, quando bem realizada, leva a mudanças de comportamento pessoal e a atitudes e valores de cidadania que podem resultar em conseqüências sociais favoráveis.
A perspectiva ambiental consiste num modo de ver o mundo em que se evidenciam as interrelações e a interdependência dos diversos elementos na constituição e manutenção da vida. Em termos de educação, essa perspectiva contribui para evidenciar a necessidade de um trabalho vinculado aos princípios da dignidade do ser humano, da participação, da co-responsabilidade, da solidariedade e da eqüidade.
A EA como uma exigência da pós-modernidade, está baseada na busca de metodologias de trabalho que privilegiem a construção de conhecimento com base na solidariedade, na tolerância, na paz e em um conhecimento prudente de si, para si, e que tenha como horizonte a construção de um mundo social e ecologicamente mais justo (BARCELOS, 2008).
Com isso, vê-se a importância da participação de cada setor da sociedade: a escola, que tem como papel principal propiciar meios para a formação de futuros cidadãos; o professor, que deve trabalhar objetivando desenvolver, nos alunos, uma postura crítica diante da realidade, de informações e valores veiculados pela mídia e daqueles trazidos de casa; a família, que transmite conhecimentos e, ao mesmo tempo, adquire novos conhecimentos; a comunidade, que evidencia os problemas reais e permite a atuação da prática pelos alunos, tendo como base tudo o que foi ensinado dentro de sala aula.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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SILVA, Ana G. Educação Ambiental: Por quê?Pra quê? Pra quem? Disponível em: <http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=735& class=02> Acessado em: 22 Nov. 2009.
http://www.revistaea.org/index.php
BRASIL, Lei N° 9.795, de 27 de abril de 1999.
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Parâmetros Curriculares Nacionais – Meio Ambiente. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro091.pdf> Acessado em: 3 Dez. 2009

