Educação Ambiental **
De Psicologia da Educação
INTRODUÇÃO
Nos últimos séculos a humanidade desenvolveu grandes avanços na área das ciências e tecnologias, tendo o sistema capitalista como seu principal condutor nas transformações alcançadas. Dessa forma, proporcionaram-se as condições necessárias para que houvesse uma explosão demográfica, urbanização e industrialização em ritmo acelerado, aumentando a utilização de recursos naturais e produção de resíduos.
Todo esse processo acabou por gerar profundas modificações na cultura, alterando as relações do homem com o meio, fazendo com que os seres humanos gerissem a natureza como um mero objeto para satisfazer suas vontades, sem nenhuma imposição de limites e critérios de uso. A natureza passou a ser vista como uma fonte inesgotável dentro deste novo modo de agir e pensar, um assunto que não preocupava.
No entanto, com o passar do tempo, o homem deparou-se com os efeitos da modernidade, com o surgimento de problemas ambientais que afetam a qualidade de vida. Além disso, pode perceber a limitação do espaço territorial no qual se encontra, ou seja, a finitude do planeta Terra. Desta situação pode se tirar uma conclusão que é a necessidade de se contrapor ou minimizar a continuidade desse processo predatório, antes que os problemas se tornem irreversíveis.
Desta forma, surgiu como um dos elementos principais dessa resposta a “Educação Ambiental”, demonstrando a preocupação da sociedade com o futuro da vida. Como seu principal objetivo, encontra-se a formação de sujeitos conscientes, capazes de compreender o mundo em que se inserem e agirem nele de forma crítica, constituindo-se em sujeitos ecológicos.
Visando a dar uma perspectiva introdutória desse assunto, o presente trabalho se aterá em esclarecer os passos gerais que constituíram a concepção e o desenvolvimento dessa parte integrante da educação. Assim, para realizar esse compromisso, trabalharemos a história da educação ambiental no mundo e também no Brasil, além de definirmos com mais clareza sua importância.
Procuramos tratar também o tema em conexão com a escola, tentando mostrar os métodos e as práticas usados para abordá-lo, além de pensar a possibilidade de sua abordagem interdisciplinar, sem que seja exclusividade de uma única disciplina. Junto a isso, apresentaremos a relação entre a escola e a comunidade por meio de alguns projetos realizados que buscam dar uma maior efetividade a educação ambiental.
Tabela de conteúdo |
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A HISTÓRIA DO AMBIENTALISMO E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO MUNDO
A PRÉ-HISTÓRIA DO MOVIMENTO AMBIENTALISTA
A partir do momento do desenvolvimento da ciência com Galileu, Da Vinci, Copérnico e outros, se concebeu um período de transformações em todos os níveis para a humanidade. Uma etapa científica se constitui, destruindo as bases do pensamento religioso judaico-cristão que dominava até então, pondo todos os aspectos da vida em discussão.
Servindo como processo de superação de paradigmas ultrapassados, a construção da modernidade, em que um novo ser humano se delineava, passou pela retomada das geografias. Concomitantemente a esse desenvolvimento científico, surgia o modo de produção industrial, em substituição ao modo de produção artesanal, em que o produtor conhecia todas as fases de elaboração do produto, podendo interferir em todas elas, ou seja, em que o produtor conhecia a integralização do processo, reconhecendo processo e produto como resultado de um só ver e um só pensar.
Fim da Idade Média, falência dos poderes feudais, surgimento das revoltas políticas burguesas, renascimento do pensamento, descobertas de novos territórios, crescimento urbano, crescimento demográfico, descobertas científicas, substituição do modo de produzir produtos, de produzir a vida. É tempo de revoluções. Revoluciona-se o modo de andar, de ver, de produzir, de pensar. Do feudo, com seus servos e vassalos, dos burgos isolados, apartados do poder, surgiam as cidades, fundadas em novas estruturas, novas hierarquias, novas leituras e práticas de poderes.
Portanto, ao mesmo tempo em que o ser humano se via compelido a organizar-se em novas estruturas, concentrando-se em áreas menores e tendo de conviver com um volume muitas vezes maior de outros seres humanos, os espaços naturais começavam a receber uma atenção especial. A natureza passava a ser vista não apenas como um lugar a ser conquistado, mas como um lugar de relação humana, onde o ser humano pode descansar, distanciando-se da nascente neurose urbana.
Esta mudança na maneira pela qual homens e mulheres se relacionavam com o espaço natural, implicaria mudanças na compreensão dos efeitos da civilização sobre as mudanças ambientais. A partir de então, mais precisamente a partir do final do século XVIII, surgiria uma preocupação entre escritores e poetas voltados a apreciar e retratar as maravilhas do mundo natural: articular uma leitura viva e engajada com a preservação dessas mesmas maravilhas.
No entanto, as preocupações ambientais só vêm a se impor realmente nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial. Após a explosão da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, a humanidade conheceu outra era. A organização dos Estados-nação, as culturas e a tecnologia sofreram profundas modificações. Essa conjuntura definiria o novo cenário mundial; a mudança de mentalidade, sofrida por todos em todos os territórios, abriria campo para outras revoluções, 1945 foi um prenúncio da década de 60.
ANOS 60, O ÍNICIO DA REVOLUÇÃO
Traçando esse primeiro painel da história geral e da questão da transformação das mentalidades, a partir do crepúsculo da modernidade, gostaríamos de afirmar que o movimento ambientalista, da qual a educação ambiental faz parte, nasce na década de 60. Nesse período ocorreram grandes movimentos, como o do movimento hippie, o rock-and-roll, a liberação sexual e as drogas, o feminismo, os movimentos dos negros e homossexuais. É nesse caldo de cultura que surge o ambientalismo.
Assim, em 1962 surge o livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Carson, que alertava sobre os efeitos danosos de inúmeras ações humanas sobre o ambiente, como por exemplo, os pesticidas. Já em 1968, nasce o Conselho para Educação Ambiental no Reino Unido, além do Clube de Roma, que em 1972 produziu o relatório “Os Limites do Crescimento Econômico”, onde se estudou ações para se obter no mundo um equilíbrio global como a redução do consumo tendo em vista determinadas prioridades sociais.
Em 1970, uma entidade relacionada à revista britânica “The Ecologist” elabora o “Manifesto para a Sobrevivência” onde insistiam que um aumento indefinido da demanda não pode ser sustentado por recursos finitos. Dois anos mais tarde, em Estocolmo, na Suécia, realizou-se a Primeira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, que adotou, mediante a Declaração de Estocolmo, um conjunto de princípios para o manejo ecologicamente racional do meio ambiente. Além de incorporar as questões ambientais na agenda internacional, esta Declaração representou o início de um diálogo entre países industrializados e países em desenvolvimento, a respeito da vinculação que existe entre o crescimento econômico, a poluição dos bens globais (ar, água e oceanos) e o bem-estar dos povos de todo o mundo.
Como conseqüência da conferência, neste mesmo ano de 1972, a ONU criou um organismo denominado de Programa das Nações Unidas pra o Meio Ambiente – PNUMA, sediado em Nairóbi, Quênia. Além disso, em resposta às recomendações da conferência, a UNESCO promoveu em 1975 em Belgrado (antiga Iugoslávia e atual Sérvia) um encontro Internacional em Educação Ambiental onde criou o Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA que formulou os seguintes princípios orientadores: a Educação Ambiental deve ser continuada, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais; finalizando com uma proposta para um programa mundial de Educação Ambiental.
Em 1977, realizou-se a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em Tblisi (ex-URSS) organizada pela UNESCO com a colaboração do PNUMA. Foi o ponto culminante da primeira fase do Programa Internacional de Educação Ambiental, iniciado em 1975. Definiram-se os objetivos, as características da Educação Ambiental, assim como as estratégias pertinentes no plano nacional e internacional. Dentro ainda da década de 70, podemos citar a realização do Seminário de Educação Ambiental para América Latina realizado pela UNESCO e PNUMA na Costa Rica.
Na década de 80, formula-se a Estratégia Internacional de Ação em Matéria de Educação e Formação Ambiental para o decênio de 90 – documento final do Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio-ambiente, realizado em Moscou, URSS, em 1987, promovida pela UNESCO. Ressalta a importância da formação de recursos humanos nas áreas formais e não formais da educação ambiental e na inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis. Além disso, realizou em 1989, a 3º Conferência Internacional sobre Educação Ambiental para as Escolas de 2º Grau com o tema “Tecnologia e Meio Ambiente”, em Illinois, EUA.
No início da década de 90, saiu a Declaração Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, aprovada na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jontien, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990, na qual reitera: “confere aos membros de uma sociedade a possibilidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de respeitar e desenvolver a sua herança cultural, lingüística e espiritual, de promover a educação de outros, de defender a causa da justiça social, de proteger o meio ambiente....” Já em 1992, temos a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, RIO – 92.
Por fim, cabe ressaltar ainda a Conferência Internacional sobre o Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade – Thessalônica (Grécia), 1997 onde houve o reconhecimento que, passados cinco anos da conferência do Rio, o desenvolvimento da educação ambiental foi insuficiente. Entretanto, esse encontro foi beneficiado pelos numerosos encontros internacionais realizados em 1997, na Índia, Tailândia, México, Cuba, Brasil, Grécia, entre outros.
O AMBIENTALISMO E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL
No âmbito da história oficial do ambientalismo e da educação ambiental podemos destacar inúmeros passos de seu desenvolvimento. Antes temos que esclarecer que ele também se iniciou na década de 60, acompanhando a perspectiva global. Assim, primeiramente, podemos citar a criação do primeiro curso de pós-graduação em Ecologia do país em 1972 pela UFRGS. Já em 1976, criou-se cursos de pós-graduação em Ecologia nas Universidades do Amazonas, Brasília, Campinas, São Carlos e o Instituto Nacional de Pesquisas Aéreas - INPA em São José dos Campos.
Em 1977, o Conselho Federal de Educação tornou obrigatória a disciplina Ciências Ambientais em cursos universitários de Engenharia. Depois, no ano seguinte, se insere nos cursos de Engenharia Sanitária as matérias de Saneamento Básico e Saneamento Ambiental. No final da década de 70, o Departamento do Ensino Médio/MEC e a CETESB publicam o documento “Ecologia: uma proposta para o Ensino de 1º e 2º graus”.
Em 1985, publica-se o Parecer 819/85 do MEC que reforça a necessidade da inclusão de conteúdos ecológicos ao longo do processo de formação do ensino de 1º e 2º graus, integrados a todas as áreas do conhecimento de forma sistematizada e progressiva, possibilitando a “formação da consciência ecológica do futuro cidadão”. Já em 1987, o Plenário do Conselho Federal de Educação aprovou por unanimidade, a conclusão da Câmara de Ensino a respeito do Parecer 226/87 que considerava necessária a inclusão da Educação Ambiental dentre os conteúdos a serem explorados nas propostas curriculares das escolas de 1º e 2º graus, bem como sugeria a criação de Centros de Educação Ambiental.
No fim da década de 80, surgia a nova constituição federal de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil dedicou o Capítulo VI ao Meio Ambiente e no Art. 225, Inciso VI, determina ao “... Poder Público, promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino”. Além disso, realizou-se o Primeiro Congresso Brasileiro de Educação Ambiental no Rio Grande do Sul e o Primeiro Fórum de Educação Ambiental promovido pela CECAE/USP, que mais tarde foi assumido pela Rede Brasileira de Educação Ambiental.
Em 1991, a Portaria 678/91 do MEC, determinou que a educação escolar deveria contemplar a Educação Ambiental permeando todo o currículo dos diferentes níveis e modalidades de ensino. Foi enfatizada a necessidade de investir na capacitação de professores. Ainda em 91, saiu a Portaria 2421/91 do MEC, instituindo em caráter permanente um Grupo de Trabalho de EA com o objetivo de definir com as Secretarias Estaduais de Educação, as metas e estratégias para a implantação da EA no país e elaborar a proposta de atuação do MEC na área da educação formal e não-formal para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento de 92. Houve também o Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para a Educação Ambiental, promovido pelo MEC e SEMA com apoio da UNESCO/Embaixada do Canadá em Brasília, com a finalidade de discutir diretrizes para definição da Política da EA.
Em 1992, o MEC promoveu em Jacarepaguá um workshop com o objetivo de socializar os resultados das experiências nacionais e internacionais de EA, discutir metodologias e currículos. Do encontro resultou a Carta Brasileira para a Educação Ambiental. No ano seguinte, a Portaria 773/93 do MEC, instituiu em caráter permanente um Grupo de Trabalho para EA com objetivo de coordenar, apoiar, acompanhar, avaliar e orientar as ações, metas e estratégias para a implementação da EA nos sistemas de ensino em todos os níveis e modalidades - concretizando as recomendações aprovadas na RIO -92.
Já no ano de 1994, formula-se a Proposta do Programa Nacional de Educação Ambiental - PRONEA, elaborada pelo MEC/MMA/MINC/MCT com o objetivo de “capacitar o sistema de educação formal e não-formal, supletivo e profissionalizante, em seus diversos níveis e modalidades”. E em 1995, foi criada a Câmara Técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, determinante para o fortalecimento da Educação Ambiental.
Em 1996, foi aprovada a Lei nº 9.276/96 que estabelece o Plano Plurianual do Governo 1996/1999 que define como principais objetivos da área de Meio Ambiente a “promoção da Educação Ambiental, através da divulgação e uso de conhecimentos sobre tecnologias de gestão sustentável dos recursos naturais”, procurando garantir a implementação do PRONEA. Ainda neste ano, a Coordenação de Educação Ambiental promoveu três cursos de Capacitação de Multiplicadores em Educação Ambiental - apoio do Acordo BRASIL/UNESCO, a fim de preparar técnicos das Secretarias Estaduais de Educação, Delegacias Regionais de Educação do MEC e algumas Universidades Federais, para atuarem no processo de inserção da Educação Ambiental no currículo escolar. Outros cursos de Capacitação de Multiplicadores e Teleconferências foram realizados em 1997 e 1998 pela mesma Coordenação de Educação Ambiental do MEC. Ao final de 1988, a Coordenação de Educação Ambiental é inserida na Secretaria de Ensino Fundamental - SEF no MEC, após reforma administrativa.
Em 1999, foi promulgada a Lei nº. 9.795 de 27 de abril de 1999 que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, que foi regulamentada após as discussões na Câmara Técnica Temporária de Educação Ambiental no CONAMA. Este trabalho de regulamentação foi realizado após a promulgação da Portaria 1648/99 do MEC que criou o Grupo de Trabalho com representantes de todas as suas Secretarias para isso e propôs o Programa PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) em Ação atendendo às solicitações dos Estados.
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Vivemos em meio a uma crise, a qual se originou da nossa relação com o mundo e com a nossa visão de mundo, que advêm de pressupostos cartesianos que impregnaram ações e pensamentos. Por isso, em um mundo que procura insistentemente alcançar os objetivos de desenvolvimento, garantindo a melhoria da qualidade de vida da humanidade, é fundamental que se procure repensar a relação do homem com a natureza, que compõe o ambiente em que vivemos. Partindo da premissa de que não haverá desenvolvimento sem um ambiente que ofereça boas condições de vida a todos, a educação ambiental aparece como um instrumento de grande valor para se pensar e agir em busca desses objetivos.
Desta forma, a educação ambiental torna-se uma proposta real de combate a degradação da natureza, substituindo ou reforçando os elementos coercivos da legislação. Tal papel é justificado pelo fato de que as pessoas, sendo inseridas na cidadania pelo processo educativo, que incorpora este aspecto de pensar a natureza, mas sem limitar-se a isso, possam ser mobilizadas como juízes de si mesmas e do outros, ou seja, transformando-se em agentes de uma conduta ecológica.
Deste modo, se possibilitará por meio dela uma das condições necessárias para a realização efetiva de mudanças no âmbito cultural, que será subsídio para a efetivação de ações locais e gerais, grandes projetos e atividades cotidianas. Entre os pontos que ela se propõe em abordar, podemos posicionar a título de exemplo dois deles, que podem ser considerados inclusive os mais importantes dela: a racionalidade ambiental e a ética ambiental. Assim, endossa-se que aprender e iniciar-se na educação ambiental significa começar a buscar soluções para os problemas reais, sendo ela mesma uma dessas soluções.
Entende-se que a educação ambiental trata em seu conteúdo uma nova maneira de ver a realidade, incorporando uma percepção mais humana e sensível da relação íntima e inseparável que existe entre o meio ambiente e a qualidade de vida, além de ser necessário para garantir a própria sobrevivência humana. Demonstra-se assim sua importância em conferir uma participação ativa das pessoas por meio da construção do consentimento e do compromisso com o meio ambiente.
Por fim, há de se salientar a urgência de melhor se trabalhar a educação ambiental no espaço escolar, apesar de não ser a educação ambiental exclusiva de ser aprendida nessa instituição, ela ainda constitui o principal espaço para isso. Sua realização pode ser feita por diferentes métodos e práticas, assunto que trataremos em nosso próximo tópico.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA SALA DE AULA
MÉTODOS E PRÁTICAS
Existe uma dificuldade de encontrar métodos de aplicação da educação ambiental pois poucas escolas se preocupam com o tema; normalmente são professores de Biologia e Ciências que tomam a iniciativa de falar com os alunos sobre essa questão importante.
Alguns livros pesquisados referentes à questão da educação ambiental relatam algumas formas de mostrar aos alunos o quanto o meio ambiente é importante para eles e para todos nós.
Muitos professores abordam as questões ambientais de maneira pouco interessante, fazendo com que o aluno perca o interesse. Abordam a questão ambiental de uma maneira difícil, ou seja, aplicam a famosa “decoreba” em que o aluno pensa somente na aprovação, não se sensibilizado com essas questões, esquecendo-se de tudo nas férias, por exemplo.
Apesar de muitas vezes os professores não possuírem tempo para aplicar a educação ambiental, existem propostas de atividades para os docentes poderem abordar a questão ambiental de uma maneira simples que faz com que o aluno se interesse.
A primeira proposta é a aplicação de um questionário para a sensibilização do aluno, para saber o que ele entende por meio ambiente, ou seja, para que os professores saibam das perspectivas dos alunos em relação ao assunto de interesse. Esse questionário pode ser mudado de acordo com a realidade dos alunos, ou seja, pode ser aprimorado de acordo com a situação deles.
Após esse questionário pode-se aplicar diversas atividades para os alunos desenvolverem com relação às perguntas respondidas como, por exemplo, aplicação de jogos, de gincanas, de passeios de campo ou pela própria comunidade, entre outros. Uma questão interessante é a participação de outras disciplinas, como português (elaboração de uma redação) e matemática (análise da produção de lixo na família ou no bairro onde o aluno mora), por exemplo.
Esses métodos podem ser aplicados em diferentes séries visto que a educação ambiental deve ser aplicada de uma maneira contínua para que o aluno possa aprimorar as idéias, ou seja, para que o aluno entenda o quanto ele está relacionado com a natureza e o quanto ele pode ser atingido com a destruição da mesma. Uma das maneiras é incluir a comunidade escolar, incluindo a família, onde todos aprendam juntos a como lidar com o meio ambiente. O professor não deve ser aquele que contém todo o conhecimento e sim mostrar que está aprendendo junto, trocando idéias e opiniões.
Como visto acima a educação ambiental pode ser aplicada de modo que não prejudique o conteúdo do ano letivo, com propostas simples que podem ser tranquilamente trabalhadas tanto com crianças quanto com adolescentes.
POSSIBILIDADES INTERDISCIPLINARES
Conforme Gaudiano (Sato, 2005), “interdisciplinaridade é um conceito polissêmico, que em geral costuma ser entendido como uma proposta epistemológica que tende a superar a excessiva especialização disciplinar surgida da racionalidade científica moderna”. O conceito de Interdisciplinaridade surgiu na França, por volta da década de 60, com os movimentos estudantis que reivindicavam um ensino mais sintonizado com as grandes questões de ordem social, política e econômica da época. No Seminário Interdisciplinar de 1970 - realizado em Niece e organizado pelo Centro para Investigação e Inovação do Ensino (CERI) – definiu-se a idéia de interdisciplina como a integração recíproca de métodos e conceitos de diversas disciplinas. No Brasil, a idéia de interdisciplinaridade chegou no final da década de 60 e logo exerceu influência na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases nº. 5.692/71 e intensificou-se com a LDB nº. 9.394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). A implantação da Educação Ambiental no sistema de educação brasileiro ocorre ainda de forma lenta. Apesar da Constituição Federal de 1988 determinar ao Poder Público a promoção da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino, somente com a Lei 9.795, de 27/4/99, que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental, a questão tomou efetividade, pois a implantação e aplicação da Educação Ambiental como disciplina passou a ser obrigatória . Em diversos eventos que ocorreram sobre o tema, desde que começou a ser abordado, fez-se presente a recomendação de que se tome a interdisciplinaridade como prática de ensino de Educação Ambiental. Como exemplo, o prefácio do informe da Conferência Intergovernamental de Educação de Educação Ambiental realizada em Tbilisi, em 1977, afirma que “... o Meio Ambiente como a educação ambiental não é uma matéria suplementar que se soma aos programas existentes, exige a interdisciplinaridade, ou seja, uma cooperação entre as disciplinas tradicionais, indispensável para poder se perceber a complexidade dos problemas do meio ambiente e formular sua solução” (Sato, 2005). Apesar dessas e de outras recomendações para adoção da interdisciplinaridade na educação ambiental, no Brasil, sua incorporação no sistema educacional deu-se de principalmente de forma disciplinar.
Frequentemente, quando a temática ambiental é incorporada pela escola, acaba por ficar a cargo exclusivamente da disciplina de Biologia. Em outras situações, é abordada como uma matéria à parte, desvinculada de qualquer outra. Desse modo, a “educação para o ambiente” acaba adquirindo um caráter fragmentário, não se relacionando com os problemas reais do ambiente na sociedade do qual faz parte. Para conquistar uma abordagem interdisciplinar da educação ambiental, um tanto de esforço e trabalho em conjunto são necessários; devemos começar vendo-a como perspectiva educativa, que pode estar presente em todas as disciplinas, quando analisa temas que permitem enfocar as relações entre a humanidade e o meio natural, e as relações sociais. A interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação ou um plano de intervenção. Considerando que o ensino é mais eficaz se incorporar às formas em que estão relacionados logicamente os elementos do conhecimento e que se aprendeu será retido por mais tempo se for incorporado a uma estrutura cognitiva significante, segundo Smith (Sato, 2005), um dos métodos mais indicados para se conseguir uma educação ambiental interdisciplinar é a técnica do projeto - uma das propostas apresentadas na Conferência Intergovernamental de Tbilisi, de 1977 – que consiste em buscar diferentes soluções para problemas de higiene, alimentação, contaminação e organização do ambiente no qual está inserida a comunidade. Assim, cada disciplina não impõe sua linguagem própria, mas contribui para a melhor compreensão dos problemas, e os professores das diferentes disciplinas auxiliam a pedido dos alunos, apoiando-se em assessores externos, voltando-se para problemas específicos de sua comunidade e criando grupos de trabalho dedicados à análise e à ação (Sato, 2005). A análise de um tema comum, extraído do cotidiano, integra e promove a interação de pessoas, áreas, disciplinas, produzindo um conhecimento mais amplo e coletivizado. As leituras, descrições, interpretações e análises diferentes do mesmo objeto de trabalho permitem a elaboração de um outro saber, que busca um entendimento e uma compreensão do ambiente por inteiro, segundo Coimbra. A necessidade da abordagem do Meio Ambiente de forma interdisciplinar é tão eminente, quanto possível. Vincular a Educação ambiental somente com uma disciplina ou abordá-la como uma disciplina em separado é criar uma fragmentação que a afastará dos fatos da vida pessoal, social e cultural, do trabalho e da cidadania. A perspectiva de desenvolvê-la como um projeto no qual toda a escola esteja engajada com igual intensidade, mas de forma diferente de acordo com cada campo de conhecimento (já que cada profissional faz uma leitura do ambiente de acordo com o seu saber específico, contribuindo para desvendar o real e apontando para outras leituras) permite que se obtenha um conhecimento mais completo dos acontecimentos ambientais locais e globais. A técnica da adoção de um projeto pode ser complementada com cursos teóricos de ecologia, que apresentem aos educandos conceitos de acordo com seu grau de compreensão. Dessa forma, pode se alcançar a interdisciplinaridade, que deve ir além da simples justaposição de disciplinas e sim ir em busca de objetivos comuns.
RELAÇÃO ESCOLA/COMUNIDADE: PROJETOS
Algumas ações que vêm ganhando destaque para a conscientização das comunidades em geral são projetos desenvolvidos com o intuito de mostrar a importância que o meio ambiente tem e o quanto a comunidade é importante para a conservação deste meio. É preciso, para isto, considerar a percepção que as populações envolvidas têm do ambiente natural, para melhor compreender a inter-relação entre o homem e o ambiente, suas expectativas, anseios, satisfações, julgamentos e condutas. Whyte (1978) ressalta que projetos de percepção ambiental contribuem para a utilização mais racional dos recursos naturais, pois possibilitam a participação da comunidade no desenvolvimento e planejamento regional; e que o registro e a preservação das percepções e dos sistemas de conhecimento do ambiente, proporcionam uma interação harmônica do conhecimento local (do ponto de vista do indivíduo, da população e da comunidade) com o conhecimento do exterior (abordagem científica tradicional) enquanto instrumento educativo e de transformação. Investigando a percepção ambiental dos grupos sócio-culturais, através de projetos de pesquisa que tratam do gerenciamento de ecossistemas e da relação homem-ambiente, propõe-se a reflexão sobre essa relação, fazendo com que as pessoas questionem sobre seu lugar na paisagem percebida, tornando possível a avaliação de suas ações no ambiente (Marin et al. 2003).
Muitos desses projetos são desenvolvidos dentro das universidades, por professores e alunos, na forma de extensão. Os grupos Viveiros Comunitários, Grupo UVAIA e GARRA (Grupo de Apoio a Reforma Agrária), formados e desenvolvidos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, são alguns exemplos. Eles desenvolvem projetos de extensão universitária junto a escolas, agricultores, assentamentos rurais, movimentos sociais e sociedade em geral contribuindo para a sustentabilidade sócio-ambiental das comunidades envolvidas através de processos práticos de educação ambiental. Realizam, por exemplo, produção de mudas florestais, alimentícias, medicinais, entre outras para recuperação de áreas degradadas, sistemas agroflorestais (SAF´s) e plantios comunitários. As propostas envolvem processos educativos e comunicativos, fortalecendo o elo entre o conhecimento acadêmico e das culturas locais.
Outro trabalho de cunho científico é o Projeto Quelônios do Delta do Jacuí (PQDJ), que visa conhecer a biologia e status das populações de cágados do Delta do Jacuí. Este projeto tem, como uma de suas propostas, o programa intitulado “As tartarugas vão á escola”, e tem como público-alvo alunos do ensino fundamental de escolas estaduais existentes no Parque Estadual Delta do Jacuí e em seu entorno. Nos encontros são abordados conceitos de ecologia e conservação e temas como flora, fauna e ecossistemas naturais da região. Durante o programa, as crianças assistem e participam de procedimentos de medição, pesagem e soltura das tartarugas em seu hábitat. Como resultado, após alguns meses de trabalho, notou-se uma mudança de atitude nos alunos que, ao encontrarem filhotes de cágados, entregaram-nos ao centro de triagem do PQDJ. Em Porto Alegre, outros projetos visam a educação ambiental:
“Naturecos: Educação Ambiental para Todos”: A Cartilha Naturecos em Braille está voltada para a inclusão das pessoas com deficiência visual nos trabalhos de educação ambiental desenvolvidos pelo Centro de Educação e Informação Ambiental da SMAM (CEIA), atingindo escolas públicas municipais e estaduais, estabelecimentos da rede privada e também outras instituições interessadas. Assim como o trabalho com trilhas que permite a exploração de outros sentidos.
“Programa Reviver das Águas”: O Programa Reviver das Águas é um trabalho realizado em escolas de Porto Alegre, no qual se destaca a importância dos arroios e seu papel como um ecossistema que possui fauna e flora específicos, introduzindo alguns conceitos como vegetação ciliar, nascente e foz, resgatando a visão dos arroios como elementos da natureza. São debatidos com os alunos os ciclos natural e urbano da água, ressaltando as diferenças entre os mesmos.
“LIAU - Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano”: A partir dos Cursos do Atlas Ambiental de Porto Alegre, este laboratório busca capacitar a comunidade escolar a se constituir em centro de saberes para a sustentabilidade local, interpretando e representando o território, a paisagem do bairro onde está inserida, o manuseio de técnicas que levem o aluno a uma descoberta de sua territorialidade, objetivando a produção de materiais didáticos para serem incorporados na sala de exposição do laboratório. Com a interação entre universidade e escola busca-se contribuir com os professores para a utilização do Atlas Ambiental tentando inserir temas sobre o ambiente no ensino de forma multi-transdisciplinar.
“Trilhas ecológicas nos parques de Porto Alegre”: Projeto realizado nos oito parques urbanos da cidade realizando trilhas ecológicas e apresentando uma proposta de Educação Ambiental diferenciada. Através da vivência prática que ocorre durante as trilhas, busca-se sensibilizar e conscientizar a população sobre a importância destas áreas verdes e formar multiplicadores desta idéia.
CONCLUSÃO
O relacionamento da humanidade com a natureza, que teve início com um mínimo de interferência nos ecossistemas, tem hoje culminado numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais.
Atualmente, são comuns a contaminação dos cursos de água, a poluição atmosférica, a devastação das florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição dos habitats, além de muitas outras formas de agressão ao meio ambiente. Dentro deste contexto, ficou clara a necessidade de mudar o comportamento do homem em relação à natureza, no sentido de promover um modelo de desenvolvimento sustentável - processo que assegura uma gestão responsável dos recursos do planeta de forma a preservar os interesses das gerações futuras e, ao mesmo tempo, atender às necessidades das gerações atuais - e compatibilizar as práticas econômicas e conservacionistas, o que traz reflexos positivos evidentes junto à qualidade de vida de todos.
Este trabalho teve o intuito de analisar a Educação Ambiental em suas diversas faces como uma prática contínua a ser desenvolvida, verificando quais os seus objetivos, suas conquistas e suas falhas, tanto na sociedade quanto no ambiente escolar, pois, uma das funções mais importantes da escola é seu poder de influência e transformação da comunidade em que está inserida.
Ao realizarmos essa pesquisa, observamos que houve um grande progresso no que diz respeito à inserção da Educação Ambiental no ambiente escolar nos últimos anos, e que isso está relacionado, principalmente, à criação de políticas governamentais a favor da Educação Ambiental. A partir disso, a Educação Ambiental tornou-se um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.
Sendo assim, por meio desse trabalho, conseguimos ter uma visão mais ampla de como a Educação Ambiental vem sendo desenvolvida no país a partir de políticas que são primordiais para que haja uma maior conscientização pública quanto à necessidade da preservação do meio ambiente, já que esse influencia o modo de vida de toda sociedade e, portanto, temos o dever e a responsabilidade de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
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SITES:
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[2] UVAIA, Viveiros Comunitários, DAIB & GARRA - www.ufrgs.br/viveirismo/arquivos/Mostra_Interativa_9sal%E3o_UVAIA_GARRA_VIVEIROS.pdf
[3] O que é Educação Ambiental? http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_ambiental Acesso em: 23 de maio de2009.
[4] http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/que-e-ea/o-que-e-educacao-ambiental Acesso em: 23 de maio de 2009.
[5] http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/historia.pdf Acesso em: 30 de maio de 2009.

