Educação Ambiental -

De Psicologia da Educação

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO I – A



Educação Ambiental


Porto Alegre 2007


INTRODUÇÃO


Em uma sociedade capitalista em que a busca pela multiplicação dos investimentos resultou no aniquilamento de bens naturais, a Educação Ambiental surge com o intuito de oferecer ao educando maneiras de utilizar os recursos de forma sustentável e não prejudicial. Este trabalho tem o objetivo de estudar a Educação Ambiental, resgatando seu conceito, e apresentar o projeto Martin Pescador como uma forma de trabalhar a Educação Ambiental com os jovens estudantes.


EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Conceitos


Conforme cita Carneiro (2006), a educação ambiental vem sendo discutida há mais de quatro décadas, porém, apenas a partir de eventos como a Rio 92 que o tema passou a ser amplamente discutido e sua aplicação mais eficaz.

Para ilustrar essa afirmação, encontramos definições para a Educação Ambiental já na década de 70, dentre elas a do Congresso de Bogotá (1976)


Citado por Ruscheinsky (2002)., que via a EA

“como o instrumento de tomada de consciência do fenômeno do subdesenvolvimento e de suas implicações ambientais, que tem a responsabilidade de promover estudos e de criar condições para enfrentar esta problemática eficazmente”.


Na década de 80, Lima (1984) expande a definição, dizendo que a Educação ambiental é “uma abordagem multidisciplinar para nova área de conhecimento, abrangendo todos os níveis de ensino, incluindo o nível não formal, com a finalidade de sensibilizar a população para os cuidados ambientais”, e Gonçalves (1990) complementa dizendo que:

“A educação ambiental não deve ser entendida como um tipo especial. Trata-se de um processo longo e contínuo de aprendizagem de uma filosofia de trabalho participativo em que todos, família, escola e comunidade, devem estar envolvidos”.

Coroando esses pensamentos, na Rio 92, o Tratado de EA para Sociedades Sustentáveis de Responsabilidade Global conceitua o assunto da seguinte forma:

“Consideramos que a educação ambiental para uma sustentabilidade eqüitativa de um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relação de interdependência e diversidade. Isto requer responsabilidade individual e coletiva em níveis local, nacional e planetário”.

A mudança ocorrida com o passar dos anos é quase imperceptível, porém, aos olhos atentos de quem comparar a evolução dos conceitos, não escaparão as diferenças. Mudanças essas que possibilitaram a criação de projetos como o que segue descrito.


EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Aplicações


Após compreender os conceitos que envolvem a Educação Ambiental, buscou-se aplicações da mesma no meio escolar. O que se encontrou foi o Projeto Martim Pescador, desenvolvido da região metropolitana de Porto Alegre, ao longo do Rio dos Sinos.

O Projeto recebe escolas em um barco e realiza passeios guiados ao longo do rio, desenvolvendo diversas atividades educacionais. Anexos a este trabalho estão: Diário de bordo, feito ao se acompanhar uma das escolas, entrevista feita com um dos biólogos responsáveis pelas explicações na embarcação e fotos tiradas durante o passeio ecológico.



CONCLUSÃO


Ao desenvolver este trabalho, estudando os conceitos abordados pelos autores pesquisados e dialogando com a equipe do projeto Martim Pescador, chegamos às conclusões que seguem no texto abaixo:

A natureza ou meio-ambiente é o conjunto de todos os elementos e vivos e não-vivos correlacionados e interdependentes formando um equilíbrio dinâmico.

Devido a uma fragmentação do saber, representada pela especialização do conhecimento, o homem com o passar do tempo cada vez mais deixou de se sentir integrado com o todo e incapaz de perceber sua relação de equilíbrio da natureza.

Criou-se com isso uma sociedade consumista de recursos, capitais e bens onde apenas uma pequena parcela da população planetária usufrui destes benefícios e não há como se pretender dentro desta estrutura que todas as nações atinjam o mesmo nível de desenvolvimento sem que isto resulte em graves conseqüências ambientais.

Pela gravidade da situação, tornou-se indispensável a implementação de educação ambiental não só para as novas gerações em idade de formação de valores e atitudes como também para a população em geral.

A educação ambiental desde a década de 90, quando se popularizou, tem se mostrado um tema importante na educação de crianças e adultos. Apesar de ser um tema bem inserido nas escolas, ainda tem que ser muito trabalhado e divulgado.

Nós, futuros professores, temos o dever de encontrar uma forma de inserir o “meio ambiente” na nossa disciplina, independente dela ter uma ligação direta ou não com o assunto. Precisamos ensinar nossos alunos o papel importante que temos na transformação do atual quadro ambiental do nosso planeta.


ANEXO I


“Diário de Bordo”


Durante a navegação aprendemos onde fica a nascente (Caraá) e a foz do Rio do Sinos (Canoas – Jacuí ), vimos a importância da mata siliar e o banhado, observamos a erosão e o assoreamento provocados pelo desmatamento e a poluição. Conhecemos os pássaros da região através de miniaturas, o Martin Pescador foi um deles, aprendemos ainda que ele é um pássaro indicador, pois onde ele fica significa que há peixes.

No pequeno percurso que fizemos encontramos dois esgotos que desembocam no rio, um deles é o Arroio João Corrêa, que recebe todo esgoto de São Leopoldo e percebe-se o encontro dele com o rio apenas observando a cor da água.

Nas árvores da mata siliar há muitos sacos plásticos pendurados e alguns lixos retidos nos galhos. Não observamos poluição provacada pela população ribeirinha o que não descarte a hipótese deles serem também os grandes responsáveis pela poluição.

Ficamos sabendo ainda que o projeto não pára, prova disso, é a reportagem que apareceu no jornal da região sobre a idéia de fazer alguns passeios para comunidade durante as férias de verão das escolas que segue abaixo.


ANEXO II


Questionário Martim Pescador


Quando começou o projeto?

O Instituto foi criado em Dezembro de 2002 e realizou sua primeira navegação em dezembro de 2003.


Qual a média de pessoas por mês que fazem a navegação e o perfil destas pessoas?

Atendemos 4 navegações por dia, em média 50 alunos por navegação.

Pessoas de todas as idades, normalmente estudantes, crianças especiais com problemas de audição ou cadeirantes, melhor idade entre outras...


Quais as mudanças observadas ocasionadas pelo projeto?

O Instituto Martim Pescador proporciona aos seus navegantes a oportunidade de conhecer as belezas do rio e detectar seus maiores problemas. Esclarecendo estas curiosidades dentre as pessoas estamos oportunizando momentos de conscientizarão e fazendo com que elas reflitam sobre suas atitudes e queiram fazer a diferença.

Mudança de atitudes.


Quais as cidades que participam do projeto?

Todas estão convidadas, nosso objetivo é atingir os 32 Municípios da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos e alguns municípios da bacia do Caí e do Gravataí


Quem patrocina as navegações?

SPH, Itaú, Caixa RS, Aracruz, Comusa, Semae, entre outras, lembrando que estes patrocínios são eventuais.


Como colaborar com o projeto?

Toda doação e bem vinda tanto em materiais como livros, mão de obra ou até mesmo dinheiro.


Quantas pessoas trabalham no projeto?

+ - 13 pessoas entre funcionários e estagiários.


Como influenciar as pessoas?

Mostrando as belezas do rio e identificando quais são seus maiores problemas.


Como convencê-las da importância do Rio?

Mostrando como somos dependentes do equilíbrio do meio ambiente.


Dados do entrevistado:


ANEXO III


ANEXO IV


Referências Bibliográficas


CARNEIRO, Sônia Maria Marchiorato. Fundamentos epistemo-metodológicos da educação ambiental. Educar em Revista, número 27. Curitiba, 2006, retirado do site www.scielo.org, em 11/11/2007.

DAUBOIS, Jeanne. A Ecologia na Escola. Casterman: Editorial Estampa, 1974

GUIMARÃES, Mauro. A Dimensão Ambiental na Educação. Campinas: Papirus, 1995.

LIMA,

RUSCHEINKY, Aloísio. Educação Ambiental, Abordagens Múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Site www.martimpescador.com.br, acessado em 10/11/2007.

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