Educação Ambiental --
De Psicologia da Educação
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
Este trabalho tem como proposta analisar a Educação Ambiental em suas diversas faces como uma prática contínua a ser desenvolvida. Verificar quais os seus objetivos, suas conquistas e suas falhas, tanto na sociedade quanto no ambiente escolar, pois, uma das funções mais importantes da escola é seu poder de influência e transformação da comunidade em que está inserida. Por outro lado, é na temática ambiental que a escola poderia apresentar um impacto significativo na sociedade, mediante a criação de canais de comunicação com a população que possibilitem a discussão e reflexão sobre o papel dos cidadãos quanto ao meio ambiente. http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/oquefazem.pdf 5/6 9:48
Em busca de um resultado, fizemos duas pesquisas de campo em escolas e uma pesquisa com uma ONG, verificando assim quais são os enfoques dos trabalhos e quais seus impactos reais sobre o meio. Além disso, trabalhamos com alguns textos e dissertações para constatar o que mais pode ou está sendo feito em relação ao tema.
CONCEITO E HISTÓRIA
De acordo com a Lei nº 9795 de 27 de abril de 1999, entende-se por educação ambiental os rocessos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.
As finalidades desta educação para o ambiente foram determinadas pela UNESCO, logo após a Conferência de Belgrado (1975) e são as seguintes: "Formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas com ele relacionados, uma população que tenha conhecimento, competências, estado de espírito, motivações e sentido de empenhamento que lhe permitam trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais, e para impedir que eles se repitam”.
A preocupação com a Educação Ambiental surgiu com a emergência de movimentos ambientalistas e de movimentos de contra-cultura. Muitos fatos contribuíram para o fortalecimento da Educação Ambiental, dentre eles podemos citar:
1962
Lançamento do livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Carson - alertava sobre os efeitos da utilização de produtos químicos sobre os recursos ambientais.
1975
A UNESCO promoveu em Belgrado (Iugoslávia) um Encontro Internacional em Educação Ambiental onde criou o Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA. Carta de Belgrado – tem como proposta um programa mundial de Educação Ambiental.
1977
Realizada a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em Tbilisi (ex- URSS) organizada pela UNESCO com a colaboração do PNUMA. Definiu-se os objetivos, as características da EA, assim como as estratégias pertinentes no plano nacional e internacional.
1987
Congresso Internacional sobre Educação e Formação Relativas ao Meio-ambiente, realizado em 1987 em Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO. Ressalta a importância da formação de recursos humanos nas áreas formais e não formais da EA e na inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis.
Também é importante levar em conta a contribuição no Brasil da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, além da promulgação da Lei nº 9795 de 27 de abril de 1999, que instituiu a Política Nacional de Educação ambiental cuja coordenação ficará a cargo de um Órgão Gestor dirigido pelos Ministros de Estado do Meio Ambiente e da Educação.
Como se pode notar, a problemática da Educação Ambiental (EA) não se constitui um tema recente nas agendas públicas dos governos, no entanto pouco se tem realizado na implementação concreta de programas, diretrizes e políticas com o propósito de incentivá-la e promovê-la, tanto no âmbito da educação formal quanto no da educação informal.
MEIO AMBIENTE E PRÁTICAS EDUCATIVAS
Dentro da Educação Ambiental estão contidos vários conceitos, envolvendo um conjunto de atores do universo educativo, o engajamento de diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunicação numa perspectiva interdisciplinar.
Ao estudarmos a crise ambiental, temos que refletir sobre os desafios na forma de pensar e agir em torno da questão ambiental numa perspectiva contemporânea. A complexidade do estudo ambiental estimula oportunidades, a compreensão da criação de novos atores sociais que se mobilizam para a apropriação da natureza em processo educativo articulado e apoiado numa lógica e em um diálogo, além da interdisciplinaridade de diferentes áreas do saber.
A Educação Ambiental tem cada vez mais uma função transformadora procurando fazer com que os indivíduos tornem-se co-responsáveis pelo desenvolvimento sustentável. Esta responsabilidade é condição necessária para modificar um quadro crescente de degradação sócioambiental, isto é, o impacto dos humanos sobre o ambiente e sobre eles mesmos.
A Educação Ambiental aponta, segundo Reigota, propostas pedagógicas para conscientização, mudanças de comportamento, desenvolvimento de competências, capacidade de avaliação e participação dos educandos.
Segundo Vigotski o Meio Ambiente na escola é um processo de reconstrução interna (indivíduos) que ocorre a partir da interação com a ação externa (natureza) como reciclagem, efeito estufa, ecossistema, recursos hídricos, desmatamentos, na qual os indivíduos se constituem sujeitos pela internalização de significações construídas e reelaboradas no desenvolvimento de suas relações sociais.
O entendimento sobre os problemas ambientais perpassa pela diversidade cultural, pela ideologia e pelos conflitos de interesses. É neste universo complexo que o aluno está situado e os professores devem estar cada vez mais preparados para reelaborar as informações que recebem, a fim de poderem transmitir e decodificar para os alunos a expressão dos significados sobre o meio ambiente e a ecologia nas suas multiplicidades.
O que se tem feito em termos de Educação Ambiental?
Em sua maioria, as atividades são feitas dentro de uma modalidade formal, os temas predominantes são: lixo e proteção do verde.
A presença de orgãos governamentais na Educação Ambiental é muito restrita como articuladores coordenadores e promotores de ações.
São as ONGs e as organizações comunitárias que têm desenvolvido grandes ações não formais centradas principalmente nas crianças e jovens, educando-as para a cidadania.
SUSTENTABILIDADE, MOVIMENTOS SOCIAIS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A diversidade é uma forte característica do movimento ambientalista, isto é, práticas diversificadas, diversos atores, inúmeras tendências, e propostas orientando suas ações, considerando equidade, justiça, cidadania, democracia e conservação ambiental.
Dentro deste universo algumas ONGs fazem trabalho base, outras voltam-se para a militância, outras tem caráter político e outras implementam projetos demonstrativos.
Os pontos fortes das ONGs estão na sua credibilidade, no seu capital ético, na sua eficiência dentro das comunidades e grupos formulando aspirações e propondo estratégicas com objetivo de atingi-las. Outra característica é a eficiência quanto a aplicação dos recursos e a agilidade na implementação de projetos inovadores com equidade social.
As questões do ambientalismo estão muito associadas a uma cidadania para os desiguais: a ênfase de dos direitos sociais, ao impacto da degradação das condições de vida decorrentes da degradação sócioambiental, principalmente nas grandes cidades. É necessário ampliar a conscientização da sociedade com reforço e práticas focadas na sustentabilidade por meio de educação ambiental.
O ambientalismo no séc. XXI tem uma complexa agenda pela frente. O desafio de uma participação cada vez maior e mais ativa na governabilidade dos problemas e nas buscas de respostas articuladas por arranjos inovadores possibilitando ambientalizações sociais. Dando sentido a agenda 21 (“O Desenvolvimento Sustentável não refere especificamente a um problema de adequações ecológicas de um processo social, mas a uma estratégia para a sociedade que deve levar em conta a viabilidade econômica como ecológica”).
De outro lado também o desafio da necessidade de ampliar o objetivo de sua atuação mediante consórcios, parcerias no sentido de ampliar seu reconhecimento na sociedade e também estimular novos atores.
O desafio político da sustentabilidade está apoiado no potencial transformador das relações sociais, do fortalecimento da democracia e da construção da cidadania.
A sustentabilidade traz uma visão de desenvolvimento, um pensar e fazer sobre o meio ambiente diretamente vinculado ao diálogo entre os saberes, a participação, aos valores éticos como valores fundamentais para fortalecer a interação sociedade/ambiente. Nesse sentido os professores têm um papel essencial para impulsionar as transformações de uma educação que assume um compromisso com a formação de valores de sustentabilidade como parte de um processo coletivo.
Também através da transmissão de conhecimentos necessários para que os alunos adquiram uma base adequada de compreensão essencial do meio ambiente local e global mais eqüitativa e ambientalmente sustentável.
VISITA ÀS ESCOLAS E À ONG
Escola Estadual
A escola está localizada na rua João Alfredo no bairro Cidade Baixa em Porto Alegre. Esse estabelecimento conta com 32 professores para atender 418 alunos. Fomos atendidas pela supervisora da escola, que se mostrou muito solícita. Perguntamos a ela se a escola desenvolve projetos na área ambiental e ela nos respondeu que a escola tinha um projeto cujo tema gerador era: A vida quer viver. Esse projeto consiste de três etapas que seriam realizadas ao longo dos três semestres do ano. O tema do primeiro trimestre é “A vida e a família”, neste período a escola desenvolveu uma abordagem sobre a família e a comunidade em que vivem esses alunos, trazendo para a sala de aula esses temas. O tema do segundo trimestre é “A escolha pois a vida” no qual vão ser discutidos temas como violência, e problemas enfrentados pelos alunos no ambiente escolar. No terceiro semestre será abordado novamente o primeiro tema, porém com um novo enfoque, sendo o tema central de debate neste período o homem e o meio ambiente. Esse projeto tem caráter multidisciplinar e seu foco é, principalmente, mobilizar os alunos até 4ª série.
A supervisora explicou que são realizadas reuniões com os professores para decidir as temáticas e após vários desses encontros os alunos são também consultados, participando, portanto, efetivamente nas decisões do rumo dos projetos.
As principais dificuldades encontradas pelos professores que desenvolvem projetos na escola são financeiras, a falta de espaço para que seja criada uma sala temática para trabalhar com os alunos e também a dificuldade de conseguir um maior envolvimento das famílias. A questão da participação das famílias é muito importante porque o aluno precisa vivenciar no ambiente familiar àquilo que já vem vivenciando na comunidade escolar.
Em relação ao problema financeiro a supervisora relatou que a escola tinha horta, onde eram desenvolvidas atividades com as crianças, mas a Secretaria de Educação cortou o professor que desenvolvia essas atividades, o que fez com que a horta fosse desativada. Quanto à utilização do espaço físico da escola, os professores utilizam as árvores do pátio para ajudar na explicação de alguns conteúdos, principalmente nas séries iniciais. A supervisora deu como exemplo o uso que faz em suas aulas de um Plátano que fica na janela de sua sala para explicar aos alunos as estações ao longo do ano.
A escola também vem tentando implantar a separação do lixo. Alguns avanços já foram feitos, como a separação na sala de aula, porém estão tentando continuar esse projeto promovendo a separação do lixo na cozinha e no pátio da escola. Um problema que ainda não foi resolvido é que destino dar a este lixo que foi separado, mas a supervisora explicou que os professores estão tentando encontrar uma maneira de reverter o pequeno lucro gerado desse processo pra própria comunidade.
Foi falado também sobre o trabalho que o DMAE realizou na escola sobre educação ambiental. De acordo com a supervisora, esse convênio foi muito produtivo pois proporcionou aos alunos a obtenção de várias informações importantes sobre o meio ambiente bem como debates entre os alunos e os funcionários do DMAE. Ela falou que os alunos questionaram os funcionários do DMAE sobre a pequena porcentagem (5%) de esgoto tratado na cidade de Porto Alegre, por exemplo. Por fim, perguntamos a ela se questões como a poluição das grandes indústrias e outros grandes poluidores eram tratadas durante as aulas e ela me respondeu que esse conteúdo não foi abordado na escola. Apenas alguns temas como: “quais produtos podem gerar mais impacto?”, que foi abordado pelos funcionários do DMAE.
Escola Particular
A escola está localizada na avenida Cristóvão Colombo, 3437, zona norte de Porto Alegre. Fomos recepcionadas por um professor, responsável pela aula de agroecologia. Segundo ele, a escola tem como propósito proporcionar aprendizado integral do aluno. Proporcionar práticas ecológicas possibilitando a consciência crítica do aluno, e assim contribuindo para o desenvolvimento de um indivíduo mais reflexivo e atuante.
Os projetos de estudos desenvolvidos na escola são construídos a partir do interesse dos alunos, contribuindo para um aprendizado mais prazeroso.
Além das atividades curriculares normais desenvolvidas na escola, também se inclui no mesmo as atividades descritas abaixo:
- Agroecologia, que através de práticas busca ampliar o conhecimento de natureza e sociedade.
Educação Física, fazendo o aluno ter conhecimento do próprio corpo, proporcionando auto-confiança e segurança.
- Inglês, que tem como objetivo conscientizar o aluno da importância da língua através de atividades lúdicas.
- “Hora do Conto”, tendo como propósito o habito de leituras.
A escola tem ampla área verde com estufa, composteira, lagos com peixes, cisterna, horta e quadra de esporte. Também tem animais como porco da índia e galinhas.
A composteira é feita com o próprio lixo orgânico da escola. O lixo seco da escola é recolhido pela coleta seletiva do município.
Na escola não existe bar. A merenda dos alunos é feita por nutricionistas e baseada em alimentos integrais, frutas e verduras.
O professor fez questão de ressaltar a importância da conscientização de ecologia como saber complexo, sendo o estudo das interações dos seres vivos entre si e/com o ambiente, e também falou da importância da educação ambiental para além da separação do lixo e da preservação do verde, ou seja, fazer com que o aluno aprenda mais profundamente os impactos que suas ações irão causar, bem como os efeitos que ocorrerão caso esses resíduos gerados pela sociedade não sejam adequadamente tratados, a fim de que estes alunos saibam o que é ter uma postura pró-ativa.
ONG
A Organização Não Governamental atua há 11 anos com educação ambiental, entre tantas outras abordagens da ONG pela conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável na Mata Atlântica. Atualmente estão trabalhando com cerca de 20 escolas públicas dos municípios de Torres, Arroio do Sal, Dom Pedro de Alcântara, Morrinhos do Sul e Mampituba, envolvendo de maneira continuada cerca de 400 crianças e 40 professores.
Além do trabalho diretamente com as crianças realizam formação de educadores ambientais no âmbito desses municípios.
Sua equipe de educação ambiental e patrimonial é multidisciplinar, envolvendo hoje 10 pessoas entre técnicos, estagiários e voluntários.
A ONG possui um projeto chamado Ação Cultural de Criação que vem sendo utilizada como a principal metodologia de educação ambiental e patrimonial da Curicaca nos últimos anos. Isso ocorre porque esta é uma maneira de criar o conhecimento, não apenas transferi-lo, e de promover a sensibilização através de métodos mais interativos e dinâmicos. Uma ação cultural de criação sempre irá acreditar na capacidade das pessoas, aceitando as diferentes visões da realidade, apostando no diálogo e nas iniciativas que surgem no processo.
Desde 1997, essa proposta é adotada como uma metodologia de ação coletiva.
METODOLOGIAS
“A escola é o espaço social e o local onde o aluno dará seqüência ao seu processo de socialização. O que nela se faz se diz e se valoriza representa um exemplo daquilo que a sociedade deseja e aprova. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis.” (http://www.apromac.org.br/ea005.htm)
Ao realizarmos a pesquisa, encontramos muito material relacionado a metodologias que poderiam ser utilizadas para abordar a educação ambiental em sala de aula. A maioria desses exemplos tem como objetivo a sensibilização do aluno para os problemas ambientais da sua comunidade e, a partir desse ponto, abordar os problemas ambientais de forma mais abrangente.
Porém, notamos que o tipo de abordagem utilizada tanto no material encontrado, como nas visitas feitas em escolas valoriza muito a questão do papel de cada pessoa, tendo como lema: “Faça a sua parte”. A questão do papel de cada um é muito importante, contudo consideramos que falta na educação formal um esclarecimento sobre o papel dos grandes poluidores, como grandes indústrias, na destruição do meio ambiente. Além das grandes indústrias, o papel do Estado também é pouco abordado. O governo é responsável pelas leis relacionadas ao meio ambiente e pelo saneamento básico, incluindo o tratamento de esgoto, e pelo destino do lixo recolhido. Se é função da escola formar cidadãos conscientes, é função dela esclarecer esses pontos fundamentais para que estes possam exercer sua cidadania.
A mídia em geral aborda muitos temas relacionados ao movimento ambientalista e, com isso, traz para o cotidiano palavras como ecologia, meio ambiente, efeito estufa, biodiversidade, entre outros. Cabe à escola fazer uma análise crítica do contexto em que aparecem essas expressões, pois muitas vezes são usadas de forma equivocada. A partir do esclarecimento desses conceitos, o aluno pode decidir qual informação é mais adequada, excedendo seu senso crítico. Uma forma de abordar o assunto seria a partir de um primeiro contato com esses conceitos, analisar reportagens sobre meio ambiente, tanto da televisão como de jornais ou revistas.
PAPEL DO EDUCADOR NA EA
Desenvolver atividades socioambientais práticas no âmbito formal da sala de aula é um desafio para todos os professores.
A educação ambiental deveria tentar articular, o educando ao conhecimento, bem como suas formas de produção, a desenvolver, mais que o pensamento crítico, um pensamento reflexivo e prospectivo.
No entanto, trabalhar com EA nem sempre é fácil de conseguir, pois um profissional como o professor, marcado pela desvalorização, pelos baixos salários, pelo descaso com a sua formação, está muito mais preocupado em sobreviver do que em transformar. (Gouvêa, 2006).
Carvalho (2002) diz que toda educação é ambiental, pois se assim não se proceder, perde-se o sentido de educar. Seguindo este posicionamento, percebesse que, a formação de professores deve orientar-se para contextos diferenciados e interligados: social, político e pedagógico.Há necessidade de direcionar a formação de professores para estes assumirem a função de intelectuais transformadores (GIROUX, 2003) destinados a construir um saber ambiental (LEFF, 2001) sob o entendimento de que educar constitui um processo histórico e crítico. (Gouvêa, 2006).
Reigota (1995) diz que não podemos nos basear apenas na transmissão de conhecimentos acadêmicos e de técnicas. Devemos ir além dos conteúdos e conceitos científicos tradicionais. As palavras comuns, freqüentemente utilizadas nos discursos sobre a EA, começam a soar falsas e vazias. As linguagens vagas que impregnam os campos do sentido da Educação Ambiental tornam o cotidiano estressante e (des)potencializam as práticas dos sujeitos sociais. Ao observar professores e professoras, educadores e educadoras ambientais, notas-se que tal fator pode ser o elemento desencadeador da sensação de frustração e angústia que sentem, às vezes, pelo grande ideal de reverter o quadro de destruição dos bens naturais e resgatar a relação cultura/ natureza, sociedade/ meio ambiente. A grande questão não é o sentimento por essa grande cor-responsabilidade, mas, sim, a sensação de um peso insuportável em que responsabilidade e impotência se confrontam, quando o resultado do processo educativo não se reverte em práticas cotidianas significativas. (Tristão, 2005).
Fonseca (1995, p. 13-17) utiliza o conceito dispedagogia para designar os problemas de aprendizagem que são gerados pelas condições de ensino, ligadas ao professor e ao próprio ensino. Dispedagogia ambiental pode ser entendida como a carência de um projeto educacional que enfatize a importância dos aspectos político, social, cultural, teórico e prático da educação na construção da complexidade ambiental. A dispedagogia ambiental faz com que a educação ambiental perca suas finalidades, descaracterizando-se enquanto processo educativo permanente e contínuo, uma vez que se torna acrítica e apenas reprodutora.
A conseqüência da dispedagogia ambiental é a deseducação ambiental. Waldman (PINSKY; PINSKY, 2003, p. 548) enfatiza que a deseducação ambiental é evidente em vários aspectos do nosso cotidiano. Como exemplo cita o modelo de natureza do imaginário infantil, baseado em ecossistemas e seres vivos que não existem em nosso país, conseqüência da colonização oriunda de países desenvolvidos.
O fato mencionado de que professores trabalhem a educação ambiental preferencialmente com o viés ecológico, pode advir de dois fatores: o primeiro, diz respeito à questão da formação do professor, uma vez que esta se desenvolve, no contexto atual, com um forte componente fragmentador, o que direciona uma prática também fragmentada, gerando a não valorização da educação como processo integral; o segundo, um resquício histórico, para o qual a questão da educação ambiental se configura com o mesmo tratamento dado pelos movimentos ambientalistas – de forma puramente preservacionista. (Gouvêa, 2006).
CONCLUSÃO
Durante certo tempo, a educação ambiental restringiu-se a cumprir seu papel na perspectiva preservacionista. No entanto, instada a transitar na complexa tessitura de conhecimentos políticos, éticos, econômicos, culturais e outros, impôs-se transcender ao reducionismo das práticas esporádicas, relacionadas a datas comemorativas, a desenvolvimento de miniprojetos específicos, a cuidados com hortas e jardins, ao cultivo de plantas medicinais, à reciclagem de lixo e materiais, ou a anúncios e denúncias das conseqüências das “ecocatástrofes”. Tais práticas não produziram, efetivamente, alterações nos padrões de consumo e na maneira de viver da sociedade globalizada.
A necessidade de compreender educação ambiental como um processo educativo amplo e permanente, necessário à formação do cidadão, torna-se um fator essencial tanto para a qualidade da educação, como para o direcionamento da formação do docente, pois o professor apresenta-se como figura chave, desde que se reconheça como agente de transformação. (Gouvêa, 2006).
A Educação Ambiental está ligada a dois desafios vitais: a questão da perturbação dos equilíbrios ecológicos, dos desgastes da natureza, e a questão da educação. Os desequilíbrios e a educação são heranças de um modelo de desenvolvimento socioeconômico que se caracteriza pela redução da realidade a seu nível material econômico, pela divisão do conhecimento em disciplinas que fragmentam a realidade, pela redução do ser humano a um sujeito racional, pela divisão das culturas, enfim. (Tristão, 2005).
Cabe ao educador, principalmente, articular e através de práticas contínuas, iniciar seus alunos em uma Educação Ambiental, tendo esse um conceito de ambiente não como sinônimo de natureza intocada, mas como um campo de interações entre a cultura, a sociedade e a base física e biológica dos processos vitais, no qual todos os termos dessa relação se modificam dinâmica e mutualmente. (Carvalho, 2004, p.37)
REFERẼNCIAS:
- http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./educacao/index.php3&contudo=./educacao/educacao.html; 03-06-08; 16:24
- http://200.181.15.9/CCIVIL_03/LEIS/L9795.htm; 03-06-08; 16:29
- http://www.apromac.org.br/ea005.htm; 03-06-08; 16:34
- http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/eduambiental.html; 03-06-08; 16:39
- http://www.remea.furg.br/mea/remea/vol4c/daniel.htm; 03-06-08; 16:42
- http://www.scielo.br/scielo.php Caderno de pesquisa, n. 118, março/2003 – JACOBI, Pedro
- http://www.curicaca.org.br/ 01-06-08; 23:30
- BARCELOS, Valdo. O Mundo como um texto: – Uma Alternativa Pedagógica em Educação Ambiental
- CARVALHO, C.M. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, 2004.
- KINDEL, E. A. I., SILVA, F. W., SAMMARCO, Y. M. Educação ambietal: vários olhares e várias práticas. Porto Alegre: Mediação, 2004
- REIGOTA, M. Meio Ambiente e Representação Social. São Paulo. Cortez,1995.
- TRISTÃO, M. Tecendo os fios da educação ambiental: o subjetivo e o coletivo, o pensado e o vivido

