Educação Ambiental ---
De Psicologia da Educação
ÍNDICE
- Introdução
- Histórico
- Educação ambiental
- Pesquisa: educação ambiental
- Programa Macacos Urbanos
- Conversando com quem trabalha em educação ambiental
- ANEXOS
- Bibliografia
1. INTRODUÇÃO
Os seres humanos são parte integrante da natureza e, por tanto, não são capazes de criá-la. Podem, no entanto, efetuar ações que a transformem ou alterarem. Estas alterações ocorrem, em geral, para satisfazer necessidades humanas: construção de estradas que facilitam o deslocamento e o abastecimento, a derrubada de florestas para o aproveitamento da madeira e dos solos para a agricultura ou pecuária, a criação de barragens em rios para a geração de energia, irrigação ou abastecimento de água. Com o mesmo objetivo, determinadas espécies vegetais são cultivadas e determinadas espécies de animais são criadas e aperfeiçoadas para fins específicos como o abate, a produção de leite e etc. Os homens alteram, inclusive, sua própria espécie: através da medicina, tornam-se mais resistentes às doenças, aumentam sua expectativa de vida e diminuem as taxas de mortalidade. Todas essas ações do homem sobre a natureza têm resultados no meio ambiente, que são chamados de efeitos ou impactos ambientais. Quando esses impactos suplantam a capacidade de suporte do meio ambiente, ou ainda, quando desestruturam a vida das populações que tradicionalmente habitam os locais atingidos, podemos chamá-los de efeitos negativos. Esses efeitos negativos, se não são controlados, acabam por deteriorar a qualidade de vida dos seres humanos. Os diversos tipos de poluição e degradação ambiental passam a ameaçar a sobrevivência dos homens e de outros seres vivos no planeta. À medida que a preocupação com o meio ambiente se expandia na sociedade civil, os governos de diversos países foram progressivamente incorporando essa questão, dando origem a uma série de iniciativas (Vianna, Aurélio et al. 1992).
2. HISTÓRICO
O desenvolvimento da educação ambiental como é feita hoje em dia começou a partir da década de 70, que foi a época em que se apresentaram as questões ambientais. Nessa época estava ocorrendo um processo de desenvolvimento fortemente neoliberal, que tinha como norma o maior lucro possível no menor espaço de tempo. Com a industrialização acelerada apropriava-se cada vez mais dos recursos naturais.
Antecedentes
Para as pessoas começarem a se preocupar com as questões ambientais, alguns problemas tiveram que acontecer (década de 50 e 60). Entre esses se destacam: a contaminação do ar em Nova York e Londres, entre 1952 e 1960; casos de intoxicação com mercúrio em Minamata e Niigata, entre 1953 e 1965; a diminuição da vida aquática em alguns dos Grandes Lagos norte-americanos; a morte de aves, provocada pelos efeitos secundários imprevistos do DDT e outros pesticidas; e a contaminação do mar em grande escala, pelo naufrágio do petroleiro Torrey Canyon, em 1967 (Villarouco, F.M.O.).
Conferências (Perini, A.G. 1998)
Conferência de Estocolmo (1972): É um marco histórico internacional na emergência de políticas ambientais em muitos países, inclusive no Brasil. Pela primeira vez, a educação ambiental foi reconhecida como essencial para solucionar a crise ambiental internacional, enfatizando a priorização em reordenar suas necessidades básicas de sobrevivência na Terra.
Conferência de Belgrado (1975): Sugeriu a criação de um Programa Mundial em Educação Ambiental. A UNESCO criou, então, o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA) que tem continuamente atuado na educação ambiental em nível internacional e regional.
Conferência de Tbilisi (1977): Revolucionou a educação ambiental. Foram formuladas 41 recomendações que primam pela união internacional dos esforços para o bem comum, tendo a educação ambiental como fator primordial para que a riqueza e o desenvolvimento dos países sejam atingidos mais igualitariamente.
Conferência de Moscou (1987): Visou fazer uma avaliação sobre o desenvolvimento da educação ambiental desde a Conferência de Tbilisi. Reforçou os conceitos da conferência anterior. Tentativa de organizar e desenvolver um modelo curricular e de novos recursos instrucionais.
Conferência do Rio de Janeiro (1992): Reuniu 103 chefes de estado e um total de 182 países. Principal implementação foi a Agenda 21, que estabelece uma base para a ação dos governos.
3. EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A EA também esta relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade de vida. Conferência Intergovernamental de Tbilisi (1977).
Objetivo da educação ambiental de acordo com Smyth (1995, apud Sato, 2004)
- Sensibilização Ambiental: processo de alerta, considerado como primeiro objetivo para alcançar o pensamento sistêmico da Educação Ambiental.
- Compreensão Ambiental: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem o sistema natural.
- Responsabilidade Ambiental: reconhecimento do ser humano como principal protagonista para determinar e garantir a manutenção do planeta.
- Competência Ambiental: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema ambiental.
- Cidadania Ambiental: Capacidade de participar ativamente, resgatando os direitos e promovendo uma nova ética capaz de conciliar a natureza e a sociedade.
A EA (educação ambiental) muitas vezes se traduzia por meras aulas de ciências ou biologia no seu conteúdo naturalista, reforçando o que se presumia no seio dos educadores ambientais (Dias, 1993). Portanto, a confusão conceitual da EA pode ser atribuída, em parte, a ela estar sendo praticada por ambientalistas incapacitados e pelo fato de os professores, inadvertidamente, estarem se valendo de livros inadequados (Morais, 1991). Por outro lado, Castro e Pedrosa (1991) conduziram ampla pesquisa entre docentes universitários de Pedagogia e Ciências Biológicas que ensinam EA no currículo formal na cidade do Rio de Janeiro. Investigaram a percepção do conceito de EA destes educadores ambientais, e, por princípio, capacitados formalmente. Concluíram que todos percebem a EA na sua dimensão ecológica e, portanto, restrita, excluindo outros campos do conhecimento humano, como a política e a ciência social. Layrargues (1996) provou que também no meio empresarial há um discurso confuso. Neste caso, não por causa de conceituação equivocada, mas por incoerência de reais propósitos. Concluindo, há confusão conceitual no meio dos educadores ambientais oficiais ou não, nos pesquisadores ambientais formadores de opinião. Há, também, uma dificuldade de compreensão no meio empresarial.
EA significa apenas explicar como funcionam os ciclos naturais e incentivar que as pessoas amem e respeitem as plantas e os animais? Ora, de uma forma ou de outra, isso já é feito nas escolas há muito tempo; é prática corrente das escolas ensinar a fotossíntese e comemorar o Dia da Árvore. Discutir o meio ambiente hoje não se limita a ensinar os mecanismos de equilíbrio da natureza. Fazer educação ambiental é também revelar os interesses de diferentes grupos sócias em jogo nos problemas ambientais. Além do amor à natureza e do conhecimento de seus mecanismos, é preciso aprender a fazer nossos ideais com relação aos destinos da sociedade em que vivemos e do planeta que habitamos (Vianna, Aurélio et al. 1992).
A dimensão ambiental é percebida, mas não se inscreve em uma prática pedagógica transformadora. Em oposição a isso, também assistimos discursos contrários à EA, trazendo o ambiente enquanto “adjetivo” da educação, meramente temporário e necessário para sensibilizar as pessoas, para depois inseri-la em processos educativos generalistas. O atributo “ambiental” não pode ser considerado como um qualificador neutro, senão como uma plataforma política contra as mazelas das instituições dominantes de uma sociedade afluente, dentro de uma revisão crítica dos estilos de vida impostos pela economia triunfantes (Carvalho, 2004).
Diferentes identidades acabam sendo assumidas à EA. Isso se dá pelas muitas representações sobre o meio ambiente. O que aceitarmos como verdadeiro e adequado às circunstâncias locais, determinará nossas ações no campo das relações que se estabelecem entre o ser humano e a natureza, mediatizada pelos complexos sistemas sociais. A natureza nunca pode ser separada de alguém que a percebe, ela nunca pode existir efetivamente em si porque suas articulações são as mesmas de nossa existência e porque ela se estabelece no fim de um olhar ou ao término de uma exploração sensorial que a investe de humanidade (Merleau-Ponty, 1971).
Em diversos trabalhos publicados, apresentados ou informados na área da EA, percebemos uma tendência em considerar somente os bons resultados, frutos de uma trajetória que parece ter sido traçada linearmente, como se os obstáculos e as dificuldades sentidas no caminhar pudessem cegar o mérito da proposta. Isso tem aumentado o grau de dificuldade no fortalecimento da EA, que aparece como se fosse um campo fácil de ser estudado ou viabilizado. Proliferam-se, assim, ações pontuais de abraçar árvores ou oficinas de reciclagem de papel, sem nenhuma postura crítica dos modelos de consumo vivenciados pelas sociedades, ou pela análise do modo de relação dominadora do ser humano sobre a natureza, com alto valor antropocêntrico. A ênfase dada ancora-se no terceiro “R” (reciclagem) das campanhas dos resíduos sólidos, em detrimento da Redução e da Reutilização, chaves nos programas de EA. As indústrias fazem campanhas nas escolas, através de jogos competitivos e não solidários, para a coleta de “latinhas” de alumino, enquanto incentivam mais consumo para a premiação de computadores e de outros materiais escolares. Estudantes plantam árvores no dia mundial do meio ambiente, como se o ambientalismo se resumisse em datas comemorativas e não configurasse como um projeto de vida, de lutas sociais para os cuidados ecológicos, necessários para a construção da sociedade que queremos (Sato, 2001)
Se acreditarmos que a escola deve formar cidadãos, ou seja, pessoas que participem das decisões sobre os destinos da sociedade, nela devemos combater a atitude de passividade diante dos problemas. Nesse sentido, é importante que o professor, enquanto cidadão, e a escola, enquanto instituição educativa, realizam algum tipo de ação em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida da população.
A UNESCO define que a EA como uma reivindicação legítima e um processo contínuo de aprendizagem de conhecimentos para o exercício da cidadania. Deve capacitar o cidadão para uma leitura crítica da realidade e uma participação consciente no espaço social. É importante que o cidadão diante de fatos corriqueiramente ocorridos possa ter um pensamento crítico, não somente realizar a política de “faça sua parte” comumente ensinado nas escolas, na mídia e etc, como exemplo: somente usar o transporte coletivo não é suficiente se não cobrarmos medidas para bloquear o avanço das queimadas em nossos biomas, onde destroem a biodiversidade que é um patrimônio brasileiro; somente economizar água em casa não é suficiente se a indústria e a agricultura muitas vezes usam sem ética a água e ainda devolvem água poluída ao meio; quando ver em propagandas na mídia dizendo que certa empresa ajuda a preserva o meio ambiente procurar se informar como isso ocorre e se realmente acontece, um exemplo é certa empresa de silvicultura que usa o discurso que ajudam a preservar a mata atlântica, mas o que elas mais ajuda é destruir áreas nativas com a criação de um impacto ambiental no plantio extensivo de florestas exóticas (mais informações no anexo I).
Para que os alunos aprendam e os conhecimentos escolares de EA sejam realmente úteis, ela deve ser dada de forma correta para que os cidadãos possam ter um raciocínio crítico e possam decidir, cobrar e cumprir ações para a melhoria de nosso país, para isso, deve-se criar métodos para atualizar a EA utilizadas nas escolas.
Um conceito extremamente associado ao de EA é o de desenvolvimento sustentável:
A idéia de que o atual modelo de desenvolvimento econômico é insustentável e de que estaríamos à beira de um colapso ambiental do planeta é confirmado por parte da comunidade científica mundial. Mas, para além de uma discussão científica, o interessante é lembrar que se é consenso a impossibilidade de que todos os cidadãos do mundo consumam tantos bens quanto os dos países do Norte – por exemplo, o consumo de energia per capita nos Estados Unidos é de 9.700 kWh enquanto no Brasil é de 1.300 kWh-, e que, se isso ocorresse, entraríamos em um verdadeiro colapso ambiental, não é consenso que deve haver uma democratização – ou socialização – dos bens materiais produzidos no planeta. Isto é, se os países do Norte continuar mantendo seu padrão de consumo e os do SUL a sua pobreza, o planeta pode ser sustentável para as gerações futuras. (Vianna, Aurélio et al. 1992). Existem empresas que se dizem defender o desenvolvimento sustentável, serem politicamente corretas ou ecologicamente corretas e usam do discurso verde. Layrargues (1996) analisou o discurso de empresários ditos verdes e comprovou a sua incoerência. Provou que a racionalidade empresarial é sempre a econômica. Sempre buscando a manutenção do lucro. A racionalidade ecológica para o desenvolvimento sustentável é pura retórica.
Acreditamos que, para mudar algo, é preciso um conhecimento do fenômeno que se quer mudar. Ao mesmo tempo: subjetivo, por isso interno ao sujeito que conhece, e objetivo, para que possa ser socializado. A consciência do problema que impede a qualidade de vida desejada pelo grupo que desenvolve seu processo de EA é favorecida pelo conhecimento da realidade, local e global, do contexto em que tal problema se situa, conhecimento esse produzido nos próprios caminhos teóricos e práticos seguidos para a solução do problema. Por sua vez, cabe aos participantes do processo educativo o problema a ser resolvido. Fundamentalmente os professores e alunos, mas, de fato, todos os envolvidos na unidade escolar, quando o processo se realizar na escola (Vianna, Aurélio et al. 1992).
A direção que se toma ao desenvolver a EA vai no sentido de converter: a competição em cooperação, a visão do particular em visão interdisciplinar, desperdício em otimização do uso, irresponsabilidade social e ambiental em participação consciente do cidadão que reconhece os seus direitos e deveres, exercitando ambos para o seu bem e de todos sobre o planeta Terra. A EA é um processo lento e de contínuo, que inclui decidir coletivamente e influi nas relações mais íntimas entre os seres humanos (Vasconcellos, 1994, p.2).
4. PESQUISA: EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Foi realizada uma pesquisa com a intenção de saber o que os alunos de ensino médio e superior sabem sobre meio ambiente, preservação e educação ambiental. Foram entrevistados quatorze alunos de ensino médio de uma Escola Estadual e quinze alunos de diversos cursos de graduação da UFRGS, entre eles Ciências Biológicas, Enfermagem, Letras e outros. O número de entrevistados foi baixo, porém foi possível relacionar os dois grupos. O questionário que foi aplicado está no anexo II e os resultados encontrados estão abaixo.
Questão 1: Todos os itens citados fazem parte do meio ambiente. (Meio ambiente é o conjunto de forças e condições que cercam e influenciam os seres vivos. Os constituintes do meio ambiente compreendem fatores abióticos e bióticos.)
Os alunos do ensino médio marcaram como FALSO, isto é, como não integrantes do meio ambiente: carros e asfalto (86%); lixo, indústrias, esgoto e cidade (72%); insetos, praia, ser humano, animais domésticos e microorganismos (36%).
Já os alunos do ensino superior marcaram: Todas as alternativas VERDADEIRAS (75%); cidade, animais domésticos, esgoto, indústria, carro e lixo (25%) como itens FALSOS.
Com esses resultados podemos ver que os entrevistados do ensino médio retiram o ambiente urbano (carros, asfalto, cidades, lixo, etc.), considerando apenas o ambiente biótico e abiótico presentes na "natureza" como participante do meio ambiente.
Questão 2: Essa questão tem como objetivo saber o que os entrevistados fazem para preservar o ambiente em que vivem. (ver tabela 1).
NJL Não jogar lixo no chão ER Economizar recursos (ex: energia elétrica, água, gás...). TC Andar a pé, de bicicleta ou transporte coletivo, sempre que possível. SL Separar o lixo reciclável CP Tentar conscientizar destas práticas todas as pessoas de seu meio RC Esgoto da sua casa é ligado a rede de coleta ou uso de fossas sépticas. LI Substituir lâmpadas incandescentes por fluorescentes. PB Usar produtos biodegradáveis. LR Dar preferência a produtos e serviços de empresas localizadas na sua região. PA Plantar muitas árvores
Todos os entrevistados do ensino superior marcaram que não jogam lixo no chão, economizam os recursos, andam a pé, de bicicleta ou transporte coletivo sempre que possível e que separam o lixo reciclável. As atividades menos marcadas foram: dar preferência a produtos e serviços de empresas localizadas na sua região e plantar muitas árvores.
Todos os entrevistados do ensino médio marcaram que não jogam lixo no chão, 92% economizam os recursos e 72% o esgoto é ligado a rede de coleta e 50% separam o lixo e as menos marcadas foram: plantas árvores, usar produtos biodegradáveis, e dar preferência a produtos e serviços de empresas da sua região.
Questão 3:
As maiores preocupações do ensino superior nesta entrevista foram: - 87% para que não só nós, mas as gerações futuras possam usufruir dos recursos naturais. - 74% para preservar a flora e a fauna - 40% para diminuir a poluição As maiores preocupações do ensino médio nessa entrevista foram: - 78% para que não só nós, mas as gerações futuras possam usufruir dos recursos naturais. - 42 % com o aquecimento global, para que o buraco na camada de ozônio não fique cada vez maior e para termos um bom futuro.
Itens como aquecimento global e buraco na camada de ozônio estão com bastante enfoque no colégio, consideramos que por isso foi bastante marcado pelos alunos de ensino médio.
Questão 4:
Em ambos os grupos as matérias mais citadas foram geografia e química, as outras matérias foram pouco ou não formam citadas.
Questão 5:
A relação mais citada pelos entrevistados do ensino médio foi depende (42%) e convive (35%). No ensino superior a relação mais citada foi pertence (54%) e todas as relações (usa, pertence, convive, depende, 27%). Tínhamos discutido o significado de cada palavra e as palavras usar, conviver e depender consideramos ter um significado que exclui o ser humano da interação com o meio ambiente, apesar de serem relações verdadeiras. Já a palavra pertence tem um significado de inclusão, sendo assim, inclui o ser humano na interação com o meio ambiente.
Questão 6: Oposição entre desenvolvimento e preservação?
A única questão dissertativa do teste obteve respostas diversas, ou simplesmente não foi respondida pelos entrevistados. Entre os alunos do ensino médio, a grande maioria achava errada a idéia de oposição entre desenvolvimento e preservação, para eles, deveria haver certo consenso entre esses dois ideais de modo que um não prejudicasse o outro. Essa resposta parece ser a mais sensata vinda de pessoas que acham importante a preservação e ao mesmo tempo não frear o desenvolvimento econômico de nossa sociedade. Nesta visão, embora um pouco utópica devido aos exemplos de corrupção envolvendo questões ambientais, há uma “raiz” do que seria a sustentabilidade. Poder utilizar os recursos de modo que não se esgotem, sem que prejudiquemos os nossos descendentes de usufruir dos mesmos recursos no futuro, é a temática que o desenvolvimento sustentável ensina para nossa sociedade.
“Sociedade capitalista”, como fora mencionado em alguns testes. Embora o capitalismo seja responsável pela questão do lucro e consumo excessivo, não quer dizer que teremos melhor qualidade de vida e ambiental se esse sistema se extinguisse, até porque muitos problemas de saúde e ambientais já datavam antes do surgimento do capitalismo. A saúde, bem estar social, estão também muito ligados a questão do meio ambiente, pois já não cabe ao homem o papel de observador dos fenômenos naturais, e sim um papel ativo na evolução do nosso planeta. Esta mentalidade do ser humano integrando ao ambiente, modificando o meio, deve ser um tema essencial no aprendizado de alunos do ensino escolar. Mas não apenas isso, pensamento crítico a respeito das ações de empresas poluidoras, que encobrem sua sujeira (os dois sentidos da palavra) com dinheiro e claro, uma influência da política.
O parágrafo anterior pode parecer um pouco de revolta com o atual sistema político do país, mas embora seja uma crítica ferrenha, com certo tom de desabafo, são apenas alguns fatos que não são muito noticiados nos veículos da mídia, mas são situações do convívio de muitos biólogos que lutam pela preservação ou até mesmo de alunos do curso de biologia, que recebem notícias por correio eletrônico, a respeito das “batalhas” travadas contra implementação de mais uma barragem. É compreensível a importância do desenvolvimento, mas é fato que a população não obtém informação de qualidade a respeito das questões ambientais pelas quais tanto se discute. Não podemos culpar trabalhadores e agricultores por criticar um grupo que protege espécies de animais e vegetais impedindo assim, sua garantia de emprego, sustento familiar. O que teria demais devastar uma área que trará sustento para muitas famílias? Porque os biólogos, pessoas que não reconhecem o valor do trabalho manual, devem impedir o avanço e qualidade de vida para os necessitados de emprego? Talvez porque nunca tiveram dificuldades de sustento. Esses pensamentos são comuns para trabalhadores que não compreendem a importância da preservação, que tiveram uma educação ambiental precária, ou simplesmente nunca tiveram.
A educação está passando por uma grande revolução, cultural, social e obviamente ambiental. Não se pode ensinar a mesma temática para sempre, pois o mundo está mudando, e nós estamos causando esta mudança do meio, é justo que também nosso paradigma se volte para essa mudança. É preciso ensinar o valor que tem o meio ambiente em nossas vidas e que não só dependemos dele, mas como ele depende de nós, bem como o desenvolvimento e a preservação, andando juntos de maneira sustentável. As respostas do teste chegam perto deste ideal de convívio, pelo menos a maioria deles, demonstrando que a “semente” da consciência ambiental está lá plantada, basta apenas um pouco de atenção por parte da educação, para que ela possa colher os frutos de seu futuro.
5. Programa Macacos Urbanos
O Programa Macacos Urbanos (PMU) é um grupo interdisciplinar de pesquisa e ativismo político e comunitário para a conservação do bugio-ruivo (Alouatta clamitans) e de seus hábitats na região metropolitana de Porto Alegre. Além da pesquisa e atuação política, a PMU realiza aços de manejo e atividades de Educação para Conservação através de projetos e palestras.
O grupo foi formado em 1993 por estudantes de Biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com o objetivo de identificar as áreas de ocorrência da espécie no município de Porto alegre. Desde então, o trabalho tem sido orientado pela Profª Drª Helena Piccoli Romanowski (Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências da UFRGS).
A formação de pessoal tem sido uma das marcas do PMU ao longo desses quase 15 anos. Muitos estudantes de graduação buscaram e até hoje buscam no PMU um complemento a sua formação acadêmica e cidadã. Diversos cursos já foram ministrados em semanas acadêmicas, congressos e comunidades. Antigos integrantes do PMU se espalharam pelo Brasil e hoje estão ligados a diferentes instituições de ensino e pesquisa.
Atualmente conta com mais de 10 biólogos formados, uma veterinária e cerca de dez estudantes de biologia e veterinária e outros voluntários. Essa equipe está disposta a compartilhar um pouco da sua história e das atualidades em pesquisa ligada a conservação da natureza para estudantes e profissionais da área das ciências ambientais. Apresentação retirada do material “2ª Edição do Curso Biologia da Conservação – Estudo de Caso do Programa Macacos Urbanos”, no anexo III contatos do PMU.
6. Conversando com quem trabalha em educação ambiental:
J- Membro do grupo da Psicologia da educação sobre educação ambiental. F- Colega integrante do Programa Macacos Urbanos.
J- Nas escolas, é ensinada ao aluno a redução do consumo de água, luz e embalagens de produtos. Você acha que este tipo de visão “Faça cada um a sua parte”, é suficiente para ser usada como temática principal da educação ambiental? F- Esse tipo de temática esta fora de contexto. Nas escolas, as ações que envolvem aprendizado ambiental, acabam por causar efeito contrário ao desejado às vezes. Em um exemplo, havia um colégio que promoveu uma atividade de reciclagem das garrafas plásticas, e a turma que conseguisse mais garrafas ganharia um prêmio. Essa ação acaba por estimular as crianças a aumentar o consumo do produto para obter a premiação, contrariando o ideal de economia e redução do lixo.
J- Muito dos problemas ambientais que ocorrem, estão relacionados ao modo de vida da sociedade e com o estilo capitalista. Concordas com esta afirmação? F- Concordo.
J- Por quê? F- Sobretudo a visão corporativa das indústrias. Sempre visando o lucro, as embalagens são fabricadas baseadas no menor custo para o fabricante, e não há uma preocupação com o excesso de lixo que deveria ser responsabilidade das indústrias dos respectivos produtos.
J- Quais as maiores dificuldades em trabalhar com a educação ambiental? F- Certamente é encontrar equipe interessada em trabalhar e estudar este tema. Ao entrar no grupo de educação os candidatos acham fácil e que tudo será “mágico”. Mas além de estudo e conhecimento há certa desilusão, pois é um trabalho que a recompensa vem em longo prazo ou simplesmente não vem. Nas escolas falta organização e interesse por parte de alguns professores que são muito presos ao calendário escolar obrigatório, e não possuem iniciativa de promover atividade extraclasse. (Neste momento, comenta que em uma escola onde o Programa Macacos Urbanos foi palestrar, o professor de ciências naturais era um seminarista que ensinou aos alunos que a mosca era um animal de papel importante na natureza, pois havia acordado um homem que teria adormecido dentro do veículo em uma estrada. E que seria apresentado a eles, que o Bugio*, também tinha alguma importância). Como é possível ensinar uma boa temática com uma apresentação destas?
- Bugio ruivo, é uma espécie de macaco comumente encontrado em algumas regiões de Porto Alegre, e que é símbolo do Programa Macacos Urbanos.
J- E por parte dos alunos? F- Os alunos variam. Eles se envolvem mais em atividades realizadas fora do ambiente escolar. Na escola parece que há um sentimento de obrigação e não há vontade de realizar atividades ligadas ao ambiente escolar, como se as aulas não tivessem aplicação na vida. Já fora, eles participam, interagem e reportam coisas do seu cotidiano, como problemas de lixo no bairro, na sua casa. Ocorre uma aproximação, como se fora da escola o aluno se sentisse um cidadão.
J- É importante a identificação do aluno com o assunto para que facilite assim o seu aprendizado. É possível fazer associação entre as matérias do colégio e a educação ambiental? F- Com certeza. Depende muito do interesse do professor. Alguns usam livros totalmente fora do contexto ambiental. Quando se trabalha em um projeto de âmbito escolar abrangente, fica mais fácil essa relação. (A colega explica o exemplo de uma escola situada na Lomba do Pinheiro, um trabalho com avaliação histórica, ocupação da região, histórico ecológico e outros assuntos foi realizado abrangendo de maneira multidisciplinar, a Lomba do Pinheiro.
J- Muito obrigado pelas respostas e esclarecimentos. F- De nada. O Programa Macacos Urbanos está de portas abertas para prestar esclarecimentos e pessoal interessado pela educação ambiental. Para os interessados em manter contato, informações, dúvidas sobre as atividades prestadas pelo Programa Macacos Urbanos, e outras questões sobre este assunto, podem entrar em contato com o Laboratório de Ecologia de Insetos, (Laboratório compartilhado com o pessoal do Macacos Urbanos) no Departamento de Zoologia da UFRGS, ou mandar um email para jessiepereira@gmail.com. Acesse também a página do Programa Macacos Urbanos na Internet (anexo III) .
7. ANEXOS
Anexo I
13/05/08 Silvicultura: Tudo para arrecadar ainda mais <http://www.inga.org.br/?p=82> 22/05/08 Licença prévia da Fepam à Aracruz desconsidera limites de poluentes: <http://www.inga.org.br/?p=85> 13/05/08 Silvicultura: Procurador contra lei gaúcha <http://www.inga.org.br/?p=81> 27/10/06 - Consulta Pública - Zoneamento Ambiental para Atividades de Silvicultura <http://www.fzb.rs.gov.br/novidades/silvicultura.htm> 4 de Março de 2007 Queimadas na Amazônia são maior contribuição brasileira para aquecimento global, diz cientista http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/03/04/materia.2007-03-04.0981705236/view Selborne, L. A ÉTICA DO USO DA ÁGUA DOCE: <http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001271/127140POR.pdf> IBGE: Produção Florestal Brasileira soma 8,5 bilhões de reais em 2004 <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=497> IBGE: Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2006 <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_noticia=1052> <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pevs/2006/default.shtm> IBGE: Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2005 <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pevs/2005/default.shtm> IBGE: Brasil tem melhora na qualidade do ar, mas continuam intensos o desflorestamento e o uso de fertilizantes e agrotóxicos http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=247&id_pagina=1
Anexo II
- Idade:
- ( )aluno do ensino médio ( )aluno de biologia ( )aluno de outro curso:__________________________
1-Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as opções que você considera parte do meio ambiente.
- ( )árvores
- ( )carros
- ( )pedra
- ( )microorganismos
- ( )praia
- ( )você
- ( )animais silvestres
- ( )lixo
- ( )fazenda
- ( )asfalto
- ( )ar
- ( )campo
- ( )floresta
- ( )cidades
- ( )insetos
- ( )indústria
- ( )terra/solo
- ( )água
- ( )mar
- ( )esgoto
- ( ) animais domésticos
2-Assinale as atividades que você pratica para preservar o meio ambiente.
- ( )plantar muitas árvores.
- ( )substituir lâmpadas incandescentes por fluorescentes
- ( )usar produtos biodegradáveis.
- ( )andar a pé, de bicicleta ou transporte coletivo sempre que possível.
- ( ) dar preferência a produtos e serviços de empresas localizadas na sua região.
- ( )economizar recursos (ex:energia elétrica, água, gás...
- ( )não jogar lixo no chão.
- ( )separar o lixo reciclável.
- ( )esgoto da sua casa é ligado a rede de coleta ou uso de fossas sépticas.
- ( ) tentar conscientizar destas práticas todas as pessoas de seu meio.
3-Por que você acha que devemos preservar o meio ambiente? Marque as 3 implicações que você acha importantes com números em ordem crescente de importância.
- ( )para termos um bom futuro.
- ( )para preservar a flora e fauna.
- ( )por causa do aquecimento global.
- ( )para diminuir o risco de propagação de doenças
- ( )porque se não cuidarmos muitas pessoas podem morrer.
- ( )para que o buraco na camada de ozônio não fique cada vez maior.
- ( )para que não só nós, mas as gerações futuras possam usufruir dos recursos naturais.
- ( )para diminuir a poluição.
- ( )para que nós tenhamos recursos para nossa sobrevivência.
- ( ) para evitar desastres climáticos.
4-Você vê alguma relação entre ambiente e preservação nas outras matérias do colégio (exceto biologia)?Qual(is)?
- ( )Sim
- ( )Não
- ( )Matemática
- ( )Português
- ( )Inglês
- ( )Espanhol
- ( )Física
- ( )Química
- ( )Ed. Física
- ( )Filosofia
- ( )Geografia
- ( )História
- ( )Ens. Religioso
- ( )Ed. Artística
- ( )outra(s),qual(is)_______________________________________
5- Qual a sua relação com o meio ambiente?
- ( )usufrui
- ( )pertence
- ( )convive
- ( )depende
6 - Algumas pessoas colocam em oposição o desenvolvimento econômico (social) e a preservação ambiental. O que você acha disso?
Anexo III
Programa Macacos Urbanos http://www.ufrgs.br/zoologia/macacosurbanos macacosurbanos@inga.org.br www.inga.org.br/econsciencia
8.BIBLIOGRAFIA:
- Carvalho, I.C.M. 2004. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. Série Docência em Formação. Cortez Editora, São Paulo, 256 p.
- Castro, R.S.; Pedrosa, E. Educação ambiental: em busca de uma conceituação. Ciência e Cultura (supl.), N. 7, 1991.
- Cruz, Joaquim. A Estratégia para Vencer. Pisa: Veja, São Paulo, v. 20, n. 37, p. 5-8, 14 set. 1988. Entrevista concedida a J.A. Dias Lopes.
- Dias, G.F. Os quinze anos da educação ambiental no Basil: um depoimento. Em Aberto, v.49, p. 3-14, 1991.
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