Educação Profissionalizante

De Psicologia da Educação

Universidade Federal do Rio Grande do Sul


Porto Alegre 2007



EDUCAÇÃO PROFISSIONALIZANTE



Trabalho elaborado por acadêmicos da turma F da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e apresentado à disciplina Psicologia da Educação I (EDU 01011) pertencente ao Departamento de Estudos Básicos (DEBAS) da Faculdade de Educação (FACED).




SUMÁRIO


1 INTRODUÇÃO 04

2 O ENSINO PROFISSIONALIZANTE 05

3 NO BRASIL 06

4 O MEC E O ENSINO PROFISSIONALIZANTE 07

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 10

REFERÊNCIAS 11

OBRAS CONSULTADAS 12

ANEXO A – Lâminas utilizadas na apresentação em sala de aula 13


1 INTRODUÇÃO


O tema Educação Profissionalizante há algum tempo já despertava curiosidade e fascínio entre nós, portanto nesta disciplina surgiu a oportunidade de discutirmos sobre ele e aprofundarmos nossos conhecimentos a respeito do assunto.


O principal objetivo deste trabalho é compreender as questões que cercam o Ensino Profissionalizante no Brasil.


A metodologia utilizada para a confecção deste trabalho é a revisão literária com final análise dos achados.



2 O ENSINO PROFISSIONALIZANTE


O Ensino profissionalizante no Brasil é uma categoria de cursos escolares que chamamos freqüentemente de cursos técnicos, destinados a formar profissionais de nível técnico.


Há opção de se fazer esses cursos juntamente como ensino médio, ou separado, a partir do término do 2ºano do ensino médio.


Os cursos duram de 3 a 4 anos quando integrados ao ensino médio, e 2 anos quando subseqüentes.


Estes cursos são opções curtas a faculdade e formam pessoal qualificado a atuar em quase todas as áreas do mercado de trabalho. No entanto, é o setor industrial que mais absorve estes profissionais.


Na hierarquia de uma empresa um técnico geralmente é subordinado a um profissional de nível superior, mas também pode exercer chefia sobre profissionais de nível básico.



3 NO BRASIL


A discussão acerca da Educação Profissional, envolve aspectos mais abrangentes da educação brasileira, que precisam ser analisados quando se propõe a discutir o tema.


A primeira questão a ser pensada deve ser a que diz respeito ao papel da educação. A escola deve formar sujeitos com conhecimentos gerais, capazes de pensar sobre os diferentes temas da vida cotidiana, e com capacidade de exercer atividades técnicas e práticas ou deve formar mão-de-obra técnica para o mercado de trabalho?


De acordo com a Constituição brasileira, o Ensino Médio no país visa à formação conforme a primeira opção, isto é, visa a uma formação integral, para a cidadania.


Até 2004, a Educação Profissional de nível técnico era desvinculada do ensino regular, ou seja, não tinha o caráter integrador pretendido pelo Ensino Médio de acordo com a Constituição atual. A lei que determina a integração veio a ser aprovada em 2004, no primeiro mandato do governo Lula (CIVATTA, 2005).


A integração exigiria, entretanto, que a relação entre conhecimentos gerais e específicos (formação técnica) fosse construída continuamente ao longo da formação, sob os eixos do trabalho, da ciência e da cultura (CIVATTA, 2005).


Tal proposta exigiria, contudo, toda uma reforma na concepção pedagógica da educação brasileira a fim de que a educação profissional técnica de nível médio fosse oferecida simultaneamente e ao longo do ensino médio.


No entanto o que se tem observado é que se alterou a Constituição, mas a reforma na concepção pedagógica que deveria acompanhar a mudança não ocorreu. Pois, de acordo com a Constituição brasileira o Ensino Médio deve voltar-se para a formação integral, isto é, deve formar tanto para a cidadania quanto para o mercado de trabalho.


4 O MEC E O ENSINO PROFISSIONALIZANTE


O MEC propôs desvincular o ensino médio do profissionalizante visando corrigir uma distorção que se verificava nesta modalidade de ensino, que ingressam nas escolas profissionalizantes aproveitam o excelente nível de ensino oferecido por estas escolas para ingressarem na universidade e não no mercado de trabalho (Manfredi, 2002).


Esta procura das escolas técnicas para a preparação para o vestibular se dá por que as escolas profissionalizantes da rede pública que ainda contam com uma estrutura de ensino e recursos muito melhores que a da maioria das escolas da rede pública ao nível de educação básica de ensino médio. E o nível de exigência em termos de aprendizagem destas escolas é maior que os encontrados nas escolas de educação básica.


O mito de que uma escola profissionalizante é melhor do que as outras também se devem por um fator ainda não levado em conta. Os alunos destas escolas, por vezes, para ingressar nelas prestam uma espécie de vestibular. Os que passam estão motivados porque passaram por uma seleção tida como difícil, encontram um ambiente com melhores recursos e um nível de exigência maior, onde o aluno pode ser realmente reprovado. Todos estes fatores levam a estimular o aluno a se esforçar mais durante a sua formação. Esta analise mostra que o aluno de um curso profissionalizante, nos moldes das antigas Escolas Técnicas Federais, não é melhor que os demais alunos da rede pública de ensino. E ele somente foi devidamente estimulado e encontrou meios para sê-lo.


A desvinculação do ensino médio do profissionalizante visa fazer com que aqueles que estão interessados em se preparar para o vestibular a cursarem apenas a formação acadêmica referente ao ensino médio e os estudantes que querem se preparar para o mercado de trabalho a ingressarem no ensino técnico fazendo com que as escolas sejam mais direcionadas ao fim a que se destinam. Ou seja, a formação de mão de obra de nível técnico para o mercado de trabalho. Esta reforma esta mais orientada com as aspirações do empresariado e com os órgãos de desenvolvimento internacional do que com os projetos das sociedades civis que querem uma formação mais voltada para o trabalho, ciência, tecnologia e cultura.


Com isto o tempo de formação do aluno do curso técnico que era de 3 a 4 anos passa para dois anos. Esta menor permanência do aluno na escola profissionalizante “aumenta o numero de vagas disponíveis pelo aumento da rotatividade”. Isto diminui o tempo de contato do aluno com o meio de formação, que deixa de ter mais experiências e interações com professores e colegas, isto diminui a sua capacidade de relacionamento social. Esta interação, além de promoverem uma analise critica do que se aprende, também desenvolve o que se chama inteligência emocional, um fator muito importante para as empresas hoje em dia e que leva em conta a capacidade de um indivíduo de cooperar satisfatoriamente dentro de um grupo. O sistema não integrado acarreta uma perda na qualidade do profissional formado.


A atitude tomada pelo MEC pode levar a uma desestruturação do ensino profissionalizante que irá formar técnicos com deficiências profissionais, educacionais e políticas. No mundo atual uma formação integral capacita melhor o técnico para o mercado de trabalho, com uma visão mais integral dos diversos ramos de conhecimento e com uma atuação mais responsável.


O que o MEC deveria considerar é que a educação básica carece de uma grande reforma para melhorá-la. Outro argumento do governo é o de que um aluno de escola técnica integrada tem um custo muito elevado quando comparado ao do ensino médio e dos cursos continuados. Mas na verdade o que acontece é que a educação básica recebe menos recursos e estes insuficientes para o seu desenvolvimento satisfatório. Assim acontece um nivelamento às avessas onde ao invés de se erguer um lado se rebaixa o outro, isto é, há um nivelamento por baixo e não por cima, como seria o ideal.


O tratamento a ser dado à educação profissional, anunciado pelo Ministério da Educação ao início do Governo Lula, seria de reconstruí-la como política pública e corrigir distorções de conceitos e de práticas decorrentes de medidas adotadas pelo governo anterior, que de maneira explícita dissociaram a educação profissional da educação básica, aligeiraram a formação técnica em módulos dissociados e estanques, dando um cunho de treinamento superficial à formação profissional e tecnológica de jovens e adultos trabalhadores (CIVATTA, 2005).


Com uma educação básica melhor, os alunos que querem se preparar para o vestibular deixaram de procurar as escolas profissionalizantes por sua excelência no ensino.


A alegação de que os alunos procuram o ensino profissionalizante visando unicamente um curso superior não procede por dois motivos, primeiro que em um mercado de trabalho competitivo, não se pode negar aos alunos a oportunidade de fazer uma especialização (um sistema assim idealizado ainda é mais excludente que o primeiro por impor um sistema parecido com o das castas, onde a posição na sociedade de um individuo é determinado pelo seu local de nascimento) e em segundo muitos dos que ingressam na universidade não abandonam o mercado de trabalho, pois cursam graduações noturnas para poder custear os estudos. Há de se fazer um estudo ainda mais sério e procurar ver quais ainda atuam em suas áreas de formação profissionais como técnicos.


5 CONSIDERAÇÕES FINAIS


A realização deste trabalho foi gratificante par os componentes do grupo, pois seu objetivo foi alcançado, agora passamos a compreender melhor as questões que cercam o Ensino Profissionalizante no Brasil.


Acreditamos que o Ensino Profissionalizante é muito importante para o desenvolvimento do nosso país, embora ainda haja muitas questões legais e políticas a serem revisadas, atualizadas e adequadas à necessidade dos estudantes do país.


Alguns pontos que se destacaram durante as discussões do grupo foram:


A atitude tomada pelo MEC pode levar a uma desestruturação do ensino profissionalizante que irá formar técnicos com deficiências profissionais, educacionais e políticas.


No mundo atual uma formação integral capacita melhor o técnico para o mercado de trabalho, com uma visão mais integral dos diversos ramos de conhecimento e com uma atuação mais responsável.


A educação básica carece de uma grande reforma para melhorá-la.


Com uma educação básica melhor, os alunos que querem se preparar apenas para o vestibular deixaram de procurar as escolas profissionalizantes.


Os cursos técnicos devem evoluir junto com a dinâmica do mercado de trabalho, para que o estudante formado no Ensino Profissionalizante tenha uma boa colocação, um emprego. E assim, não necessite realizar o Ensino Superior apenas como forma de sobrevivência ou colocação no mercado de trabalho.


Os componentes do grupo finalizam esta revisão e análise esperançosos que realmente a educação, em todos os níveis, em nosso país evolua possibilitando melhores condições de vida e de cidadania para a população. Esperamos que as pessoas responsáveis pela educação realmente trabalhem para mudar e transformar os brasileiros em um povo culto, com idéias e dignidade.



REFERÊNCIAS


CIVATTA, Maria; FRIGOTTO, Gaudêncio; RAMOS, Marise. A política de educação profissional no Governo Lula: um percurso histórico controvertido. Educ. Soc., out. 2005, vol.26, no.92, p.1087-1113. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302005000300017&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 02/07/2007.


Manfredi, Silvia Maria; Educação Profissional no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002.



OBRAS CONSULTADAS


ATCHOARENA, David. A parceria no ensino técnico e a formação profissional: o conceito e sua aplicação. Brasília: Unesco, 2002. 75 p.


BASTOS, João Augusto de Souza Leão de Almeida. A educação técnico-profissional: fundamentos, perspectivas e prospectiva; formação profissional e impacto tecnológico. Brasília: SENETE, 2002. 120 p.


Decreto 5.154 de 23 de julho de 2004. Disponível em: http://www.andes.org.br /imprensa/Uploads/DECRETO%205154.pdf. Acesso em: 04/05/2007.


FRANCHI, Egle Pontes. A causa dos professores. Campinas: Papirus, 1995. 169p.


FRANZÓI, Naira Lisboa. Entre a formação e o trabalho: trajetórias e identidades profissionais. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 2006. 166 p.


FRIGOTTO, Gaudêncio. Ensino médio integrado: concepção e contradições. São Paulo: Cortez, 2005. 175 p.


Garcia; Paulo Sérgio. Prós e contras sobre o novo ensino profissionalizante. 04/06/2004. Disponível em: http://www.universia.com.br/ html/materia/materia_ecdh.html. Acesso em: 02/05/2007.


MACHADO; Maria Clara. Censo da educação básica revela interesse pelo ensino profissionalizante. 07/02/2006. Disponível em: http://www.cefet-rj.br/ comunicacao/noticia/2007-02-07-censo.htm. Acesso em 05/05/2007.


OLIVEIRA; Ramon de. O Banco Mundial e a Educação Profissional. Boletim Técnico do Senac de Setembro / Dezembro 2006. Disponível em: http://www.senac.br/informativo/BTS/272/boltec272c.htm. Acesso em: 06/05/2007.


Paraguassú; Lisandra. Ensinos médio e técnico voltarão a ser integrados. Jornal: O Estado de São Paulo. 23/6/2004. Disponível em: http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/junho2004/clipping040623_estado.html. Acesso em: 02/05/2007.


Vanelli; Marta. Análise da CNTE sobre o Decreto 5.154 de 23 de julho de 2004. Disponível em : http://www.cnte.org.br/fundeb/analise_da_CNTE_ decreto_5154.pdf Acesso em: 05/05/2007.

Ferramentas pessoais