Educação ambiental

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

Introdução

A discussão teórico/metodológica sobre a educação ambiental está pautada em uma dicotomia em relação às práticas educacionais. Por um lado, temos um discurso conservador, ou seja, pautado por ações pontuais, descontextualizadas dos temas geradores, sem questionar o padrão civilizatório e com uma visão simplista e reducionista. Por outro lado, existe um discurso emancipatório, isto é, pautado por um pensamento critico, numa educação baseada em praticas, orientações e conteúdos que transcendem a preservação e focado na cooperação entre os indivíduos.

Os métodos do discurso conservador são os mais disseminados entre as praticas de educação ambiental. Devido ao seu pequeno foco de abrangência, assim como a ausência de praticas contestatórias das causas do problema, são facilmente absorvidos e incentivados pelas grandes multinacionais e pela maioria dos governos que não desejam combater realmente o problema da crise ambiental. Isto porque desejam estar expostos à mídia como promovedores de ações para o bem-estar social, nem que seja através de medidas paliativas e pontuais. Não se pretende, com essa argumentação, desqualificar todas as ações voltadas para esse propósito, isto é, focada em ações pontuais. Afinal, alguém tem que estabelecer um conjunto de ações básicas, como: separação de lixo, desperdício e aproveitamento de água, produtos orgânicos, utilização de agrotóxicos, etc. o que incomoda é que esta seja a única perspectiva utilizada por um discurso hegemônico e conservador que, no fundo não deseja alterar o status quo.

Os métodos do discurso emancipatório são propostos por uma “elite” intelectual e devido ao seu grande foco de abrangência assim como a sua intenção em contestar causas e efeitos da crise ambiental, acabam sendo pouco viáveis à sua implementação. Talvez a principal dificuldade em por em prática esse discurso seja alcançar e sensibilizar um grande número de indivíduos, o que é essencial, pois os senhores do poder político/econômico, que são os principais responsáveis pela crise, não permitem a disseminação de tais idéias e, em muitos casos, contra-atacam com discurso que neutralizam os ideais emancipatórios. Talvez essa seja a grande finalidade das medidas pontuais propostas pelo discurso conservador, ou seja, neutralizar a problematização das causas e efeitos da crise ambiental através de ações paliativas que transmitem uma falsa sensação, para a maioria da população, de que algo está sendo feito.

Métodos de Ensino

Os defensores do discurso emancipatório acreditam que a educação ambiental nas escolas deve estar inserida dentro de um propósito ensino/aprendizagem voltado à educação para a cidadania, pois, segundo argumentam, a questão da preservação ambiental se encontra articulada com outros deveres e direitos dos cidadãos, como: integração social, justiça social, etc. Assim sendo, a formação escolar precisa estar voltada para a problemática ambiental, sendo que esse processo deve ser direcionado à formação dos cidadãos com pensamento critico e capazes de agir em busca de soluções. Esse objetivo pode ser alcançado através da constante atualização dos educadores para que eles possam estabelecer uma conexão entre as práticas locais e pontuais com os efeitos globais que essas possam atingir, assim sendo, articular uma constante reformulação dos conceitos ambientais oriundos da vivência em sala de aula e da experiência dos alunos.

Tanto quanto os alunos, os profissionais da educação necessitam de uma constante formação crítica para serem capazes de articular educação e meio-ambiente com problemas sociais. Talvez o grande desafio nesse processo seja a convergência das diferentes posições políticas/ideológicas/pedagógicas entre os educadores para uma abordagem e disseminação da problematização sobre a educação ambiental. Através dessa convergência talvez seja possível estabelecer atividades interdisciplinares que são de grande importância no processo de ensino/aprendizagem. Enquanto prevalecer e imperar diferentes perspectivas sobre o mesmo tema, isto é, diferentes abordagens pedagógicas em atividades isoladas entre as diferentes disciplinas, essa união almejada nunca será alcançada.

Propostas para Melhorias na Educação Ambiental

Nos últimos três séculos houve um grande crescimento do conhecimento humano, proporcionando um amplo desenvolvimento das ciências e da tecnologia. Ao mesmo tempo também ocorreram mudanças nos valores e modos de vida da sociedade, com o surgimento do processo industrial e o crescimento das cidades, aumentando a utilização dos recursos naturais e a produção de resíduos. Enfim, todos esses fatos geraram profundas mudanças na cultura, afetando principalmente a percepção do ambiente pelos seres humanos, que passaram a vê-lo como um objeto de uso para atender suas vontades, sem se preocupar em estabelecer limites e critérios apropriados.

A educação interdisciplinar tem sido o grande objetivo dos teóricos em educação ambiental, porque, segundo alguns deles, os problemas ambientais afetam todas as esferas de convivência global e, por isso, a compreensão de suas causas e efeitos passa pelas esferas políticas, econômicas, sociais e culturais, não sendo possível problematizá-las, as causa e os efeitos, apenas como perspectiva: biológica/orgânica. Partindo dessa premissa é que se estabelece a responsabilidade dos educadores, das diferentes disciplinas presentes no currículo escolar, em relacionar e articular as questões ambientais com diferentes áreas do ensino e da aprendizagem.

Sua proposta principal é a de superar a dicotomia entre natureza e sociedade, através da formação de uma atitude ecológica nas pessoas. Um dos seus fundamentos é a visão socioambiental, que afirma que o meio ambiente é um espaço de relações, é um campo de interações culturais, sociais e naturais (a dimensão física e biológica dos processos vitais). Ressalte-se que, de acordo com essa visão, nem sempre as interações humanas com a natureza são danosas, porque existe um co-pertencimento, uma co-evolução entre o homem e seu meio. Co-evolução é a idéia de que a evolução é fruto das interações entre a natureza e as diferentes espécies, e a humanidade também faz parte desse processo.

A educação ambiental tornou-se lei em só 27 de Abril de 1999. A Lei N° 9.795 – Lei da Educação Ambiental que em seus dois primeiros artigos diz: 'Art. 1º': Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. 'Art. 2º': A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.

Conclusão

Cabe a nós, como futuros educadores, que disseminemos estas idéias e coloquemos na prática o que tem ficado somente em teoria. Existem leis que devem ser cumpridas nas escolas para que mais pessoas/alunos sejam conscientizados da importância da preservação do meio ambiente na atual situação em que se encontra nosso planeta e nós, os próximos professores, seremos responsáveis por cumpri-las e passar esta mensagem a eles.

Referências Bibliográficas

Sorrentino, Marcos et al. 'Educação ambiental como política pública.' Educ. Pesqui., Ago 2005, vol.31, no.2, p.285-299. Jacobi, Pedro. 'Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade.' Cad. Pesqui., Mar 2003, no.118, p.189-206. Jacobi, Pedro Roberto. 'Educação ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo.' Educ. Pesqui., Ago 2005, vol.31, no.2, p.233-250.

http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/que-e-ea/o-que-e-educacao-ambiental
http://portal.mec.gov.br/secad/index.php?option=content&task=view&id=140&Itemid=280

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