Educação e Criatividade

De Psicologia da Educação

INTRODUÇÃO

Este trabalho é fruto da experiência da apresentação de um seminário na cadeira “Psicologia da Educação I - A”, na qual o grupo desenvolveu o tema “Educação e Criatividade”.

Com base em bibliografia especializada – Piaget – indicada pelo professor, e em duas entrevistas – professor e aluno - com caráter de constatar como se dava essa relação – educação/criatividade – na escola, apresentamos aqui uma síntese do nosso seminário, que também contou com uma entrevista de Ariano Suassuna à revista Nova Escola – ele foi durante muitos anos professor universitário.

A QUESTÃO DAS ENTREVISTAS

Uma das integrantes do grupo se disponibilizou a conversar com uma prima sua, estudante do ensino fundamental, com notas acima da média e tida como “meio malandrinha” pelos colegas.

Essa menina demonstrou uma grande descrença no poder da escola de inovar, mostrou-se muito descontente com a má utilização dos recursos pelos professores, como no caso do data show, que só lhe dá sono nas aulas de filosofia, já que toda aula costuma se repetir o mesmo ritual: professor e recurso não interagem, as imagens junto com as inscrições ficam lá na parede, como base, enquanto o professor discorre sobre um assunto que ele mesmo não tornou atrativo para os alunos.

A grande crítica da menina fica para a monotonia que se cria pela repetição das aulas, que giram em torno do quadro e do livro de exercícios. Ela, junto com os coleguinhas, louva quando, por exemplo, o professor leva a turma para a sala de informática, ou para realizar trabalhos no pátio da escola. Também é muito respeitado o professor que faz bom uso dos laboratórios, os alunos adoram quando há experimentos práticos de química e física.

Mas o que teve um grande destaque na formação da aluna foi há alguns anos atrás, quando uma professora promovia um concurso em suas aulas, premiando os maiores vencedores no final de cada mês com uma cesta de doces. Ela também destacou uma outra atividade desta mesma professora, que, no primeiro dia de aula, usou um novelo de lã numa brincadeira, para quebrar o gelo da turma. A brincadeira consistia na turma em círculo, e o novelo indo de extremos a extremos, gerando um nó. E, quando o rolo de lã trocava de mãos, era feita uma pergunta, e ela era respondida. Assim, a turma se enturmava.

Também tem grande relevância a gincana escolar anual, na qual todo o colégio se envolve, e, para a qual, segundo ela, todo mundo tem de ser criativo, pois não se pode perder para outras turmas. Essa gincana consiste numa competição entre as turmas, na qual tarefas são destinadas às equipes, que, por sua vez, precisam usar de toda ardilosidade e criatividade para cumpri-las.

O aluno não gosta de monotonia, também não espera que o professor seja capaz de fazer piruetas para lhe reter a atenção, contudo precisa ser estimulado a participar; isso fica claro quando a gincana é a atividade preferida e quando uma antiga professora, que fazia os alunos participarem, é lembrada como exemplo de alguém criativo.

Um outro colega do grupo foi destacado para entrevistar um professor sobre criatividade e sala de aula, ele foi falar com uma professora que trabalho com educação artística e teatro, nos ensinos médio e fundamental. A entrevista começou com uma pergunta sobre como abordar o conteúdo histórico, conteudístico, e a parte prática, o desenvolvimento da habilidade artística, com seriedade, como ocorre em disciplinas tidas como “sérias”. A resposta apontou para um problema maior: às vezes nem o próprio professor acredita na importância da sua disciplina, e isso acaba contagiando os alunos.

Quando isso acontece, a Educação Artística se torna algo semelhante a um período vago, no qual os alunos folgam. A solução é mostrar a Arte como algo lúdico, como criação, mas sem esquecer da sua história, dos movimentos, enfim, do conteúdo “mais sério”.

A outra pergunta se dirigia ao momento quando o aluno já está envolvido com a Arte. O entrevistador queria saber do professor como se faz para desenvolver um traço original, pessoal, do aluno, sem a repetição de modelos pré-estabelecidos. Nesse momento é que se torna fundamental o papel do professor, pois, com a televisão, a internet, etc., há um grande bombardeio imagético, que influencia muito as crianças. É aí que cabe a intervenção do professor, de buscar novos caminhos e tentar fazer com que a criança seja capaz de reler o seu mundo, e não de apenas copiá-lo. Também cabe ao professor evitar que os colegas se copiem.

Em outra pergunta, constatou-se que alunos com bom desempenho em aulas de artes e de teatro, ou seja, criativos, têm bom desempenho em outras matérias.

A QUESTÃO DO SUASSUNA

Muito se fala sobre estimular a criatividade dos alunos, porém isso depende da forma de abordagem do professor. Como pode um aluno produzir material interessante se não for instigado pelo professor? Cabe ao professor desenvolver aulas que façam com que seus alunos criem e assimilem as matérias curriculares de uma forma prazerosa e proveitosa.

Ariano Suassuna fala em entrevista à revista Nova Escola que sempre se preocupou em não entediar seus alunos. Ele considera a criatividade em sala de aula ponto fundamental para o aprendizado. Como professor universitário, Suassuna diz que nunca fez chamada em suas aulas e que considera que os alunos devem comparecer por vontade própria, não por obrigação.

Em relação ao ensino para crianças, o escritor destaca uma forma de provocar a imaginação infantil: colocar os alunos sentados em roda e estimulá-los a debater e refletir, desenvolvendo-lhes o raciocíno desde cedo.

Nas palavras de Suassuna: “Acho que todo professor tem que ter alguma coisa de ator, senão ele não terá sucesso. Sendo somente um expositor de idéias, dificilmente ele chamará a atenção dos estudantes”.

FONTE

Revista Nova Escola, Número 203 – Junho/Julho 2007. Editora Abril. Páginas 16 a 20.

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