Educação e Inclusão Social

De Psicologia da Educação

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Faculdade de Educação - FACED

Disciplina: EDU 01011 Psicologia da Educação I-A

Semestre: 07/2

Turma: F


Educação e Inclusão




Porto Alegre, 12 de novembro de 2007.


Introdução


Este trabalho, realizado para a disciplina de Psicologia da Educação I, tem o objetivo de apresentar algumas reflexões acerca da educação inclusiva as quais foram realizadas ao longo do segundo semestre de 2007 (2007/02). Foi também nossa intenção, propor esse tipo de reflexão de que tanto carece nosso país, sem sombra de dúvidas, um dos mais desiguais e excludentes do mundo. Para tratar do tema, dividimos o trabalho em três partes.

Na primeira parte, procuramos aprofundar um pouco nossas considerações sobre o próprio conceito de inclusão social, como não poderia deixar de ser. Pensamos que um tratamento do tema sem considerar suas especificidades e correlações conceituais acabaria ficando muito pobre e horizontal, muito aquém do que gostaríamos.

Em um segundo momento, apresentamos nossos argumentos de porque a escola é um espaço tão importante para a inclusão social de modo geral. Considerando que ela não se encerra como apenas um espaço de “aprendizagem de conteúdos”, mas também de “aprendizagem de convivências”, a escola torna-se palco principal para a construção de uma “cultura de inclusão”.

Em terceiro, procuramos dar voz a um projeto feito em Porto Alegre que, de uma maneira mais prática, exemplifica um pouco as ações em torno daquilo que consideramos por inclusão social e pelo papel da escola nesse processo.


Inclusão social

Antes de inciar nossa discussão acerca da inclusão social através da escola, convém deter-nos brevemente em algumas considerações sobre o conceito de inclusão social.

Quando utilizamos este conceito estamos nos referindo a tornar o indivíduo ou grupo que se encontra excluído de algum aspecto da sociedade (não necessariamente econômico, mas também político, cultural, etc) parte deste mesmo aspecto. Como exemplo, podemos citar a inclusão de etnias, como os negros, das mulheres, das comunidades rurais, pessoas de classe social baixa e dos deficientes físicos e mentais. Ela é, portanto, uma ação de iniciativa privada ou estatal que combate a exclusão social e proporciona oportunidades de participação em todos os segmentos da sociedade.

Entretanto, falar de inclusão exige necessariamente o emprego do termo exclusão. Não há o que incluir se não há nada excluído. Exclusão, bem como inclusão, é uma palavra que aparentemente não convida a demasiadas perguntas. Todos sabemos o que ela significa: aquilo ou aquele que não pertence. Incluir, por sua vez, é o oposto de excluir, é inserir o que não faz parte. São conceitos praticamente auto-explicativos. Praticamente, porque para sua total compreensão é necessário um adjetivo que o acompanhe. Inclusão ou exclusão do que? Da sociedade, da escola, de um grupo? Como afirma Marilene Ribeiro: “Sem um adjetivo que o qualifique (social, escolar...), é abstrato, e para concretizar-se relaciona, de maneira contraditória, seres humanos posicionados como sujeitos que excluem, de um lado, ou como objetos que são excluídos, de outro”.

Essa relação obrigatória entre exclusão e inclusão revela outro aspecto da questão: a exclusão é inerente à lógica capitalista. O capitalismo pressupõe um certo grau, menor ou maior, de indivíduos à margem de aspectos fundamentais da sociedade, sobretudo aqueles que não possuem os meios de produção, para usar uma expressão cara aos marxistas, e que se estivessem incluídos em tais aspectos poderiam atuar de forma contrária aos interesses do sistema capitalista. Ribeiro chama a atenção para que tenhamos consciência dessa dinâmica de inclusão dentro de nossa sociedade capitalista: “[...] as políticas de inclusão e/ou inserção social são estratégias para integrar os objetos – os excluídos – ao sistema social que os exclui e, ao mesmo tempo, de manter sob controle as tensões sociais que decorrem do desemprego e da exploração do trabalho, móveis da exclusão social” .

A inclusão, portanto, seria controlada pelo capitalismo e aconteceria somente até quando não pusesse em risco seu funcionamento. Até mesmo porque através de políticas isoladas, como são a maioria, de inclusão social, não se consegue acabar por completo com a exclusão.

Isso não significa que devamos nos desiludir e cruzar os braços. Mesmo sem conseguir exterminar totalmente a exclusão social, é possível diminuir essas desigualdades excludentes que tanto atormentam nossa sociedade e criar oportunidades mais justas para o desenvolvimento crítico dos cidadãos, sem limitar o conceito de inclusão social a colocar dentro quem está fora. É preciso que a sociedade respeite o indivíduo e respeite seu direito de intervir com suas capacidades para o bem comum.


A escola enquanto espaço de inclusão


Como já foi visto, o conceito de inclusão social dialoga com a exclusão, sem a qual esse conceito não existiria. Só podemos incluir aqueles que estão de fora, marginalizados do ambiente social como um todo. É por isso que a inclusão aqui não é apenas uma inclusão econômica, no sentido de capacitar as pessoas para adquirir um bem estar financeiro. A inclusão da qual falamos se põe nos aspectos econômicos, culturais, raciais, etc.

É pelo fato de acreditarmos na possibilidade dessa inclusão daqueles que estão à margem, os excluídos, que também apostamos no importante papel da escola enquanto espaço público, para colocá-la em prática.

O papel da escola enquanto estrutura formadora e transformadora da sociedade é criar não apenas uma política de inclusão, aceitando assim, por exemplo, pessoas com deficiências física ou mental, pessoas de todas as etnias, mas acima de tudo, criar uma cultura de inclusão, que vai muito além da simples recepção do diferente no ambiente escolar.

Essa cultura de inclusão visa não só o recebimento do diferente, mas sua aceitação e sua valorização. O papel do professor se faz imprescindível nessa tarefa. É através das práticas diárias na sala de aula, dos conteúdos ensinados de uma maneira que acolham também esses excluídos que se dá a inclusão. É na postura do professor, que tem que deixar de lado os preconceitos e olhar para o outro com respeito, valorizando as suas diferenças que se dá a inclusão social.

Educar para a inclusão é proporcionar encontros e construção de vivências intertransculturais. É tecer as redes entre os diferentes. Educar para a inclusão é manter vivo o posto de “guardião da utopia”, da dúvida, da incerteza, da possibilidade. E isso, inclui, certamente, a necessidade de formação continuada do(a) professor(a), como forma de reflexão crítica sobre a prática para que, ao mesmo tempo, ele possa fundamentar e construir novas teorias que ressignifiquem o próprio conhecimento com o qual trabalha no seu dia-a-dia.

Muito mais que apenas oferecer cursos de informática, dança, línguas, etc. A inclusão da qual falamos é aquela que além de instrumentalizar o aluno para se sentir dentro, ser participante desse mundo, também é capaz de fazer o aluno se questionar, de fazê-lo pensar criticamente o mundo que o rodeia.

É munir o aluno de instrumentos capazes de torná-lo uma pessoa crítica, ciente do seu lugar na sociedade e do seu valor e, depois disso capacitá-lo para que possa fazer as suas escolhas. É não tirar a capacidade de sonhar, é mostrar que o mundo vai além das quatro paredes da sala de aula e que qualquer pessoa tem o direito de sonhar, de fazer escolhas, e não apenas de ficar à margem por causa de seu “condicionamento” social ou físico.

E é dentro desse processo de aceitar o diferente, valorizando o que ele tem de bom, de proporcionar cursos capazes de trazer os alunos para uma realidade da qual eles não participam, como é o caso da informática que a inclusão se dá.

A escola, enquanto entidade pública, deve ser aberta não só para o aluno mas também para a comunidade, respeitando as diferenças locais e valorizando os costumes e as vivências positivas. A escola, além de um lugar público, deve ser um espaço onde se pense esse público, onde as próprias pessoas possam pensar sobre si. O papel da escola vai muito além de apenas ensinar certos conteúdos programáticos, vai no sentido de formar cidadãos para um mundo melhor, de capacitá-los através de cursos, oficinas, para participar desse mundo, mas, principalmente de fazer os alunos pensarem criticamente sobre esse mundo que gera tanta exclusão.

O professor, como agente de mudança, deve ter em mente, sempre, a responsabilidade social que o cargo lhe confere e participar decisivamente do esforço de inclusão - apesar dele mesmo, enquanto categoria profissional, não receber reconhecimento, no Brasil, de sua importância na formação educativa da população.

Segundo Paulo Freire, em seu livro “A Pedagogia da Autonomia” é esse o professor, que é um cidadão capaz de formar não apenas pelo conteúdo que ensina, mas também pelo exemplo, que pensa o mundo e os conteúdos que ensina criticamente, valoriza o conhecimento enquanto uma prática mútua, interpessoal, e que aceita o diferente como algo positivo e instrutivo o qual é um dos principais atores para esse processo de inclusão.


A “educação para a paz e valores humanos”: propostas de inclusão sob uma perspectiva pacifista.


Em nossa pesquisa, procuramos encontrar algum projeto que estivesse sendo realizado em Porto Alegre e que, acima de tudo, fosse de encontro com aquilo que pensamos por inclusão social. Acabamos encontrando um artigo sobre o “Em paz com a lei”, mais especificamente uma das áreas de atuação desse projeto, que é a “educação para a paz e valores humanos”. O projeto em si, nasceu em 2003, fruto da iniciativa do juiz Leoberto Brancher, da 3ª Vara do Juizado Regional da Infância e Juventude, a partir de suas reflexões acerca da infração infanto-juvenil. Logo que surgiu, o projeto tornou-se interinstitucional e interdisciplinar, envolvendo diversas pessoas de diferentes áreas em torno de um objetivo comum: construir um espaço onde se pudesse debater e apontar soluções para as questões sócio-educativas na Capital .

Dentre os eixos norteadores do projeto, o qual se apresenta como uma pesquisa qualitativa e participante, o que se apresentou mais frutífero foi a “educação para a paz e valores humanos”, seguindo mesmo a própria constatação dos autores do artigo, de que:

[...] nesse ambiente de rede, teve-se sempre presente o reconhecimento de que a escola é o espaço privilegiado de inserção e manutenção do jovem no contexto de políticas de garantias de direitos, e, assim, a eleição da escola como parceiro merecedor da maior concentração dos esforços da coletividade desses operadores.

Mas o que seria a “educação para a paz e valores humanos”? Um dos maiores anseios dos educadores entrevistados pelos pesquisadores foi justamente combater a agressividade e violência que se apresentam como elemento estrutural em várias escolas públicas, principalmente aquelas em regiões mais desprovidas de atendimento público, consideradas de “periferia”. Do esforço para reverter essa situação, surgiu esse conceito, de uma educação que pretenda, acima de tudo, construir as condições e os valores para um convívio pacífico. Não desconsidera, no entanto, que o conflito é parte essencial das relações humanas: “[a educação para a paz] quer ensinar que os conflitos são elementos importantes para todo grupo humano, mas é necessário instrumentalizar para a sua resolução e diminuir o potencial de agressão”.

Considerando que a violência escolar não é isolada, mas sim relacionada (inter- ligada) a uma vasta rede de sociabilidades violentas decorrentes de um sistema capitalista que gera a desigualdade, ou seja, sabe-se que o estudante que agride o professor ou depreda a escola quase sempre está inserido em um meio social violento. Coube aos protagonistas do projeto elaborar reflexões acerca da paz escolar, mas também de como a escola pode ser um espaço irradiador de uma cultura de participação, de paz, e de inclusão social. Para isso, propôs-se que a escola seja repensada em todos os seus âmbitos: sua organização estrutural e pedagógica, atividades que realiza, metodologias de ensinos, etc.

Pelo que podemos perceber, o projeto/pesquisa se baseou em três eixos centrais para promover a “educação para a paz”, a qual tem como condição intrínseca a luta por maior inclusão social das crianças e jovens em situação de pobreza e de grupos discriminados. 1) a capacitação dos profissionais de educação para esse tipo de proposta pedagógica; 2) A valorização da auto-estima e do protagonismo infanto- juvenil; 3) A democratização do espaço escolar.


A capacitação de profissionais:


Para se levar um projeto que, acima de tudo, é pedagógico, é preciso primeiro fornecer os subsídios necessários aos profissionais de educação, instumentalizá-los na direção da “educação para a paz”. Quando falamos de profissionais da educação, não se trata apenas dos professores, mas também dos diretores, dos monitores, pedagogos, psicólogos, etc. Toda a rede de profissionais de uma escola deve trabalhar com essa orientação, com esse objetivo em comum, e para isso, é preciso estabelecer algumas diretrizes básicas. A primeira delas, no que concerne à “educação para a paz”, é exercitar a tolerância, despir-se dos preconceitos e estereótipos. Esse ponto é crucial para se criar um ambiente inclusivo e que valorize os diferentes tipos de pessoas, sejam alunos ou profissionais. O respeito e valorização da diversidade é fundamento primeiro nesta prática educativa de inclusão.

Em segundo lugar, torna-se primordial que se adotem, por parte dos professores, novas metodologias de ensino que privilegiem outras formas de conhecimentos além de apenas o cognitivo. Em outras palavras, cada vez mais professores se dão conta de que o método “transmissão de conteúdos” é, hoje, ineficaz e impotente frente a uma realidade que se diversifica com o avançar das relações capitalistas. Portanto, é necessária uma abordagem que privilegie duas coisas: a realidade social do aluno e a sua participação ativa durante a aula. A aula expositiva pode ser ainda útil, mas não sem o auxílio de outras metodologias que estimulem o interesse do aluno nos assuntos escolares.

Ainda sobre o papel que cabe aos profissionais, o projeto analisado por nós não deixa escapar as incumbências do Estado nesse processo. Mas voltaremos a falar disso depois, pois essas incumbências estão ligadas às outras exigências da “educação para a paz”.


A valorização da auto-estima e do protagonismo infanto-juvenil:


Com os profissionais sendo capacitados através de cursos e oficinas, chega o momento de se aplicar essas doutrinas pacifistas e de inclusão na forma de atividades para os alunos. Quais os objetivos estas atividades devem ter? É claro que o princípio da tolerância é central em tudo que se proponha e faça, no entanto, estimulá-la também tem a ver com outros fins a que se procura chegar, como por exemplo, valorizar a auto- estima dos alunos. É evidente que somente com um clima de tolerância e não- preconceito torna-se propícia essa valorização, já que a “vergonha de ser o que é”, fator inibidor da auto-estima, é combatida pelo princípio da igualdade e da percepção positiva das diferenças.

Por outro lado, além da auto-estima, procurou-se estimular o protagonismo infanto-juvenil, em outras palavras, possibilitar que alguns alunos se destaquem em posições de liderança e representação, trabalhando com o total do grupo discente noções como “responsabilidade”, “democracia”, “dever” e “direito”. Além do mais, procurou-se valorizar os talentos que emergiam dos próprios alunos de cada escola, com concursos de talentos, festivais de música, feiras culturais e artísticas, publicação de textos e poemas elaborados pelos alunos, etc.

Em suma, acreditamos que esse tipo de projeto pedagógico possibilita a colocação ou re-colocação da criança/jovem em um modelo de sociedade, quando ele aprende a se sentir parte dela, quando sente que têm algo com o que contribuir para com ela, e acima de tudo, que essa sociedade tem um papel para com ele.


A democratização do espaço-escolar:


Por fim, o outro eixo de ação que os pesquisadores/ativistas propuseram teve relação com o que concerne à organização da escola propriamente dita. E foi na direção de democratizar o espaço escolar, englobando nas decisões não somente os alunos, mas a comunidade de maneira geral, envolvendo os pais. O princípio básico que norteia essa democratização é a construção de um sentimento de pertencimento por parte dos alunos e comunidade à escola, ou seja, fazê-los sentir que a escola é um espaço que os pertence e que deve ser por eles gerida, a fim de possibilitar a resolução de necessidades próprias de cada comunidade.

Um exemplo de ação nesse sentido foi a “Escola Aberta”, programa realizado em vários estados brasileiros que pressupõe a abertura da escola nos finais de semana, como espaço de sociabilidade disponível à comunidade. Ou então, a participação dos alunos e comunidade na manutenção da estrutura física escolar, fazendo com que percebam que aquele espaço, por ser público, também é deles, merecendo sua atenção e cuidado. Acreditamos que essa noção de público é muito pouco compreendida pela população brasileira em geral, que considera esses espaços como “terra-de-ninguém”, por estar à margem da propriedade privada.

Segundo os autores do artigo, com a abertura da organização escolar à comunidade, essa se envolveu e aumentou seu percentual de participação nas atividades da escola, sejam administrativas, pedagógicas, esportivas ou lúdicas. Isso quer dizer que de fato houve uma resposta positiva por parte dessas comunidades ao estímulo proporcionado pelo projeto, e ainda segundo os autores, os índices de violência nas escolas analisadas diminui consideravelmente, como é possível perceber na fala desta professora:

[...] a escola vem trabalhando uma cultura da paz há mais de seis anos; antes tinha tiroteio no pátio, hoje não tem mais... A gente trabalha com o respeito às diferenças; também estamos fazendo um trabalho em conjunto com os pais já faz seis sábados letivos, ministrando oficinas, fazendo visitas domiciliares, fazendo combinação com os pais para combater a evasão escolar, ressaltando a importância da família na vida escolar do aluno e a importância de dar limites também... O conselho de classe está mais participativo, os professores trabalham com os líderes de turma e as regras de convivência foram revistas em sala de aula.

Cabe ainda analisar o papel do Estado em toda essa esfera que o projeto em questão procura abranger com suas propostas e ações. No artigo, a ausência e o “desinvestimento” do Estado no que diz respeito à educação é considerada como uma das formas de violência que o espaço escolar enfrenta, qual seja, a “violência estrutural”. No entanto, sentimos falta de uma maior atenção a essa questão, já que acreditamos que a educação deve ser um dos principais pilares da ação governamental. Por exemplo: para realmente se oferecer toda a estrutura necessária à “educação pela paz e valores humanos”, levando em consideração todas as atividades e ações que ela propõe, consideramos ser condição indispensável um investimento do Estado no sentido de: 1) capacitar os profissionais da educação; 2) garantir uma remuneração compatível com a importância desses profissionais; 3) instrumentalizar as escolas com todos os profissionais e materiais necessários para uma real prática desse tipo de projeto pedagógico.


Conclusão


Devemos, portanto ficar atentos ao importante papel que desenvolveremos, como educadores, sempre tendo em mente, como já foi dito, que inclusão social não é apenas incluir o indivíduo no mercado de trabalho, ou seja, apenas garantir-lhe o bem estar financeiro (não que isto não seja importante, mas é apenas uma das formas de exclusão), mas sim incluí-lo de forma mais ampla na sociedade, de forma que possa expressar sua religiosidade, sua cultura e de seus ancestrais, sem ter medo de represálias ou “chacotas”.

Através de uma educação voltada para a inclusão, pode-se mostrar que outras visões de mundo são possíveis, e que ele mesmo (o aluno) pode mudar o mundo, pois não podemos também nos ater apenas ao modo capitalista/consumista atual, reproduzindo um modelo como se ele fosse natural, modelo que pressupõe a exclusão. Acreditamos que o sentimento de sucesso pode ser obtido de outras formas, sempre valorizando a autonomia do sujeito, para que dessa forma, com alteridade, ele possa ver o mundo de forma mais clara, assim como seu papel dentro dele como agente transformador (e não só como mero objeto). Valorizando sua cultura, dentro do ambiente escolar - como por exemplo um aluno que faz um “grafite” no muro da escola – cria-se um maior sentimento de pertencimento àquele ambiente, fazendo com que ele não sinta mais que aquele espaço é “terra de ninguém”, e o mesmo ocorre ao abrir as portas da escola à comunidade: faz com que se quebrem barreiras, se esqueça da “fronteira” que antes existia, faz com que a escola seja uma extensão da comunidade e vice-versa, pois temos claro que não o aprendizado não é restrito ao ambiente escolar.

Não podemos esperar ações nesse sentido apenas do professor (que sabemos, não é tão valorizado quanto merecia), pois sabemos que a tarefa de incluir se aplica à todos os profissionais da educação e mesmo às políticas públicas nessa área. Se considerarmos que a educação, apesar de sua extrema importância, é apenas uma das áreas de atuação do Estado, temos de alertar para a idéia de que a inclusão deve ser buscada em todos os âmbitos públicos, pois como alguém pode se sentir incluído se não consegue atendimento médico ou dentário; ou se sofre por alguma injustiça ou abuso de autoridades? Dessa forma, os mais diversos órgãos governamentais precisam estar envolvidos nesse movimento, que com certeza será bem recebido pelas comunidades.


Referências bibliográficas


FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. SP, Paz e Terra, 1996.

GROSSI, Patrícia Krieger; AGUINSKY, Beatriz Gerhenson; BRANCHER, Leoberto; OLIVEIRA, Simone Barros de; SCHNEIDER, Gisiane. Violência no meio escolar: a inclusão social através da educação para a paz. Revista Virtual Textos e Contextos, n.4, dez./2005, pp.1-16. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/viewFile/992/772. Acesso em: 20/10/2007.

RIBEIRO, Marlene. Exclusão e educação social: conceitos em superfície e fundo. Revista Educação e Sociedade, Campinas, vol. 27, n. 94, jan./abr. 2006, pp. 155 – 178. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/es/v27n94/a09v27n94.pdf >. Acesso em 20/10/2007.

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FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. SP, Paz e Terra, 1996.


O projeto se trata de uma pesquisa-ação qualitativa e participante em dez escolas da rede municipal e estadual de Porto Alegre. Participam dele: Secretária Estadual e Municipal de Educação; Terceira Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre; Secretária Municipal de Saúde, através do NASCA; Fundação de Assistência Social e Cidadania, através do PEMSE; e a PUC/RS, através da Faculdade de Serviço Social.

GROSSI, Patrícia Krieger; AGUINSKY, Beatriz Gerhenson; BRANCHER, Leoberto; OLIVEIRA, Simone Barros de; SCHNEIDER, Gisiane. Violência no meio escolar: a inclusão social através da educação para a paz. Revista Virtual Textos e Contextos, n.4, dez./2005, pp. 1-16, p. 4. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/viewFile/992/772>. Acesso em: 20/10/2007.

GROSSI, Patrícia Krieger; AGUINSKY, Beatriz Gerhenson; BRANCHER, Leoberto; OLIVEIRA, Simone Barros de; SCHNEIDER, Gisiane. Op. cit. p. 5.

GROSSI, Patrícia Krieger; AGUINSKY, Beatriz Gerhenson; BRANCHER, Leoberto; OLIVEIRA, Simone Barros de; SCHNEIDER, Gisiane. Op. cit. p. 13

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