Educação em saúde

De Psicologia da Educação

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS BÁSICOS

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO


A Educação como Instrumento de Prevenção e Manutenção da Saúde dos Adolescentes


Porto Alegre 2008


Trabalho realizado no Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para a aprovação na disciplina de Psicologia da Educação.


1. INTRODUÇÃO


A saúde é uma questão recorrente do ambiente escolar, visto que constitui um dos principais fatores que determinam o desenvolvimento da criança e do adolescente, especialmente no âmbito da aprendizagem. E, sem dúvidas, é uma questão a ser amplamente priorizada e analisada nas escolas, uma vez que envolve não apenas a saúde física, mas principalmente a saúde emocional e psíquica.

É na escola que a criança aprende e reforça os hábitos de higiene, que o adolescente adquire conhecimentos sobre doenças sexualmente transmissíveis e infecto-contagiosas, e neste contexto a educação é um instrumento de busca pela prevenção de doenças e de manutenção da saúde. Além disso, procura-se diagnosticar a origem das dificuldades cognitivas enfrentadas pelos escolares, as quais podem ser relacionadas com distúrbios (como o TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), com doenças genéticas (como a Dislexia, a Síndrome de Down, entre outras), com problemas emocionais e psíquicos (decorrentes da separação dos pais ou da morte de um familiar, por exemplo, ou gerados por situações de abuso sexual, de agressões verbais ou corporais, e de maus tratos), a fim de que se possa auxiliar o aluno no desempenho das atividades de acordo com as suas necessidades e, quando a assistência não é cabível aos educadores, deve-se comunicar os responsáveis e quando necessário, encaminhar o educando a uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) ou ao Serviço de Saúde da escola, se ela possuir.

Enfatizaremos a promoção da educação em saúde especialmente junto ao adolescente, pois teremos maior contato com alunos de Ensino Médio, com os quais necessitaremos da utilização de métodos que estimulem a vontade subjetiva por saúde, por cuidar do seu corpo, por entender que o desenvolvimento depende principalmente da saúde e das práticas do nosso dia-a-dia. Destacaremos a importância da atuação do Enfermeiro – nossa futura profissão – nas escolas, como agente de prevenção e manutenção da saúde.


2. A ADOLESCÊNCIA E A IMPORTANCIA DO ENFERMEIRO COMO AGENTE DE PREVENÇÃO


A adolescência corresponde ao período que se inicia aos 10 anos de idade e vai até os 20 anos incompletos, é caracterizada por ser uma etapa decisiva e crucial de crescimento e desenvolvimento do ser humano, pois além de mudanças comportamentais e fisiológicas é a fase onde a maioria das pessoas faz as escolhas que perpetuam pelo resto de suas vidas, onde planos são traçados, sonhos, objetivos, momentos de definições de identidade sexual, profissional e identificação de valores, á um grande potencial de desenvolvimento em relação ao futuro.

Lidar com esse segmento da população, no entanto ainda é um desafio, pois a adolescência é uma fase marcada por mudanças intensas e multidimensionais, que abrangem a esfera física (biológica), psicológica e sócio-cultural. O adolescente vivencia essas mudanças e enfrenta processos conflituosos que, muitas vezes, não ganham uma escuta sensível, nem por parte da família, nem por parte dos profissionais.

No Brasil, atualmente há um grande crescimento no número populacional desta faixa etária o que caba por gerar uma preocupação com o desenvolvimento integral dos adolescentes, tanto da parte dos governantes quanto da sociedade em geral.

Um meio encontrado para minimizar essa preocupação é colocar os profissionais da área de saúde em contato com os adolescentes através da escola, por ser o local onde são facilmente encontrados que e pela idade que transitam podem ser discutidas e colocadas em formação os hábitos saudáveis e a consciência de indivíduos conscientes de sua saúde. Porém, para que isso aconteça é importante que eles recebam informação, que os alcancem integralmente, informação essa que deve ser qualificada e precisa para que possa sanar suas dúvidas e que os torne capaz de tomar decisões com segurança em relação à própria saúde.

Para Ferreira (2007) o enfermeiro surge então como defensor e facilitador da saúde, que através do processo de educação em saúde, garante assim o bem estar individual e coletivo, desenvolvendo ações educativas em saúde, oferecendo o ensino-aprendizagem junto aos adolescentes com a finalidade de debater, estimular a tomada de decisão, mudanças de hábitos, atitudes, e a conscientização em relação à prática e autonomia da saúde como cidadão.

Considerando que o objeto da enfermagem é o cuidado, e o sujeito é o ser humano em todo o ciclo vital, abrangendo todas as faixas etárias nas mais diversas situações de saúde, doença, com incapacidade ou limitações, a enfermagem atua nos diversos campos de atenção. Assim sendo, cabe não somente, mas também, ao enfermeiro tratar as questões que englobam o adolescente e o processo da adolescência (FERREIRA, 2006).

As mudanças físico-biológicas que acontecem durante o decorrer da adolescência trazem várias implicações, principalmente para a assistência à saúde dos adolescentes. Aliado a isso, temos o fato de, nessa faixa etária, haver uma grande preocupação com a auto-imagem. Estar fora dos padrões considerados normais de beleza, como ficar com a pele oleosa e com acne, entre outros aspectos, são motivos de ansiedade, comportamentos depressivos, isolacionismo e rejeição à própria aparência. Por conta disso, muitos adolescentes acabam criando modos e maneiras de cuidarem da aparência e que nem sempre condizem com um estilo saudável de vida. É o caso dos rapazes, na busca do aumento da massa e força muscular gastam horas afinco nos aparelhos de musculação das academias de ginástica ou em casa com aparelhos improvisados, ou à custa da ingestão de complementos alimentares e de anabolizantes esteróides sem acompanhamento profissional qualificado; e o caso das moças com as dietas extraídas de revistas com conteúdo de estética corporal voltadas ao público feminino.

Outra temática que assola o universo adolescente é em relação à mecânica e dinâmica corporal. O crescimento, normalmente, desfavorece ao adolescente à aquisição de uma postura anatômica porque o aumento da musculatura não acompanha o crescimento ósseo. Além da explicação biológica, podemos associar também, os aspectos ligados à dimensão psicossocial que respondem pela educação corporal, que varia entre as classes sociais, raça e gênero, e as respostas corporais ligadas ao estado emocional e psíquico do adolescente. Outra questão a se considerar no universo adolescente diz respeito às transformações biológicas às quais estão sujeitos nesta fase. A maioria dos adolescentes de ambos os sexos vivencia as transformações, mas não as discutem no campo sócio-familiar e nem escolar. Isto é especialmente preocupante no que se refere à sexualidade, já que os adolescentes são especialmente vulneráveis, não só a gravidez, mas a contrair uma doença sexualmente transmissível, incluindo-se a AIDS. Por isso, conhecer o funcionamento do próprio corpo e os cuidados a ele associados são de grande importância para essa faixa etária.

Em relação às drogas (lícitas e ilícitas) há também grande curiosidade por parte dos adolescentes, seja em função da busca incessante de novas sensações por parte desses indivíduos, seja pela intenção de se auto-afirmar dentro de um grupo. Esclarecer os danos causados pelas drogas permanece como a alternativa para a orientação desses jovens.

Como profissional, o enfermeiro educador em saúde deve ter a sensibilidade de avaliar esses adolescentes, as situações de risco em que eles podem estar expostos, as melhores ações educativas para que sejam voltados à realidade da comunidade a que eles estão inseridos, buscando solucionar as dificuldades desses indivíduos.

Para a ampliação dessa ação dos profissionais de enfermagem no processo de assistir o adolescente, torna-se essencial um aprofundamento da preparação do enfermeiro para lidar com as questões relacionadas, a respeito do que possa ir além do atendimento clínico, alcançando os adolescentes em seu meio, os compreendendo assim como um ser único e integral.


3. A CONSULTA DE ENFERMAGEM


Vanzin e Nery (1996) conceituam a Consulta de Enfermagem como: “A atenção prestada ao indivíduo, à família e à comunidade de modo sistemático e contínuo realizado pelo profissional enfermeiro com a finalidade de promover a saúde mediante o diagnóstico e tratamento precoce”.

A Consulta de Enfermagem é uma atividade que proporciona ao enfermeiro, condições para atuar de forma direta e independente com o cliente – no caso referido, o adolescente – caracterizando, dessa forma, a autonomia profissional. Essa atividade, por ser privativa do (a) enfermeiro (a), fornece subsídios para a determinação do diagnóstico de enfermagem e elaboração do plano assistencial, servindo, como meio para documentar sua prática.

O atendimento deve abordar aspectos relevantes do paciente de forma holística. O foco não está apenas na doença, mas no indivíduo como um todo, tornando esse momento ímpar na abordagem do enfermeiro. É de extrema importância saber reconhecer os problemas comuns ao grupo ou ao indivíduo que esta sendo atendido, para que a assistência de enfermagem a ser prestada encontre uma solução para os mesmos.

As atividades desenvolvidas são: anamnese, exame físico, sumário, orientações sobre o quadro da doença, dieta, medicamentos e cuidados específicos conforme o quadro avaliado. O atendimento pode ser individual ou em grupo, considerando nesse momento a consulta em família.

A Consulta de Enfermagem visa aumentar a aderência aos programas de controle e prevenção em saúde. É importante a atuação do Enfermeiro nestes programas e em atividades educativas planejando cuidados nos diferentes níveis de intervenção.

No caso da Consulta de Enfermagem realizada nas escolas – quando há na escola um serviço de enfermagem ou departamento de saúde disponível aos alunos –, o enfermeiro intervém como agente de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (especialmente a AIDS), da gravidez precoce, do uso de drogas e bebidas alcoólicas, de contágio por doenças infecciosas ou parasitárias, de controle da vacinação de pré-adolescentes e adolescentes (principalmente a vacina da Hepatite A, do Tétano, da Varíola e da Gripe, que são os principais vírus e bactérias aos quais os adolescentes estão expostos), de diagnosticar agressões e lesões por meio do exame físico, de socorrer em acidentes, mal súbito e qualquer outro incidente relacionado à saúde ocorrido na escola e de detectar a procedência das dificuldades no rendimento escolar (problemas psíquicos, emocionais, de desnutrição ou de subnutrição, entre outros).


4. AS DOENÇAS MAIS FREQÜENTES NA ADOLESCÊNCIA E A IMPORTÂNCIA DAS VACINAS COMO PREVENÇÃO


As principais doenças que acometem os adolescentes são os Resfriados, as Doenças Sexualmente Transmissíveis, incluindo a Herpes Labial e/ou Genital (transmitida por saliva e por contato com lesões durante o ato sexual ou beijo), a Hepatite B (transmitidas por meio da saliva, de secreções e de sangue, especialmente em relações sexuais), a Tuberculose (decorrente de contaminação por inalação de gotículas contendo a bactéria Mycobacterium tuberculosis), as Doenças Cardiovasculares (desenvolvidas principalmente pela obesidade) e a Depressão, que é inclusive uma das principais causas de morte por suicídio na faixa etária dos 8 aos 20 anos de idade, sendo objeto de diversos estudos e pesquisas encontradas na literatura médica.

A importância de que seja feito um controle das vacinas é que, com o passar dos anos, muitas mudanças ocorrem em relação às recomendações de doses, de repetições e de idades para a vacinação. Com isso, muitas crianças e adolescentes ainda permanecem expostos a doenças que podem ser prevenidas. Contribui para isso o atraso na aplicação de doses de reforço de vacinas, como a antitetânica, que é aplicada normalmente no primeiro ano de vida e deve ser repetida a cada dez anos. Já a Vacina contra hepatite B (doença freqüente na adolescência e com possibilidade de graves conseqüências, podendo ser fulminante ou causando câncer de fígado, entre outras) foi recentemente ampliada à oferta nas unidades de saúde, para até os 19 anos de idade, sendo que muitos adolescentes ainda não foram vacinados ou não receberam as três doses necessárias, por falta de um controle junto às escolas e de campanhas que promovam a importância das vacinas, dos cuidados com determinados comportamentos, enfim, que visem à promoção da saúde.


5. A ABORDAGEM DO ADOLESCENTE


Os temas ligados à sexualidade, às doenças sexualmente transmissíveis (sendo a AIDS a mais preocupante) e à violência provocam a emergência de valores, de emoções, de mitos e do tabu que estão enraizados na identidade pessoal e social dos jovens. Como são temas muito delicados e repletos de preconceitos torna-se necessário que os profissionais da educação, especialmente voltados para a promoção da saúde – o enfermeiro, por exemplo – desenvolvam ações de promoção da saúde que consigam ampliar e potencializar o desenvolvimento integral do jovem. A fim de atingir esse objetivo, torna-se necessário que os profissionais da educação busquem a metodologia participativa para facilitar os processos de reflexão pessoal, interpessoal e de ensino e aprendizado. Desta maneira consegue-se estabelecer tanto a integração do grupo quanto os vínculos afetivo e de respeito mútuo. Por meio da Metodologia Participativa ocorre a integração efetiva dos participantes no processo educativo sem considerá-los meros participantes, nos quais depositam conhecimentos e informações. Desta maneira, os adolescentes partilham seus conhecimentos e experiências, e envolvem-se nas discussões com o objetivo de buscar soluções para os problemas do seu dia-a-dia. Assim, através de dinâmicas de grupo torna-se possível além do relaxamento e descontração, a participação efetiva do grupo na construção do conhecimento. As metodologias atuais multiplicam-se em uma diversidade teórica e de técnicas grupais e individuais.

Nós, atualmente como acadêmicas de Enfermagem e futuras enfermeiras utilizamos frequentemente à dinâmica de grupo em escolas, através de oficinas de saúde, onde são abordados temas como a gravidez precoce, o uso de drogas e o consumo de álcool e temas de assuntos gerais que são inerentes aos adolescentes, os quais suscitam o interesse por compreender os aspectos que causam estes problemas e as possíveis soluções, que são inclusive sugeridas por eles, visando conscientizar para a prevenção, de forma que o adolescente interpreta a própria história, buscando evitar o problema.


6.A VISITA DOMICILIAR: CONSTATANDO A ORIGEM DO PROBLEMA


A Visita Domiciliar é um dos instrumentos mais indicados à prestação de assistência à saúde, do indivíduo, da família e da comunidade e deve ser realizada mediante processo racional, com objetivos definidos e pautados nos princípios da ética. Apesar de antiga, a Visita Domiciliar traz resultados inovadores, uma vez que possibilita conhecer a realidade, constatando se há problemas na fonte, ou seja, pode-se fazer uma avaliação por meio das condições de moradia, dos comportamentos e vínculos com a família, com as práticas diárias de alimentação, de higiene, enfim, busca-se entender e estabelecer medidas terapêuticas para auxiliar a família ou de acordo com a situação deve-se encaminhar o adolescente ou a criança a algum órgão como o Conselho Tutelar, caso haja comprovações de maus tratos, de irresponsabilidade ou de descaso dos pais ou responsáveis, enfim, têm-se como medida principal constatar os problemas, as causas e definir as medidas a serem tomadas, acompanhando os indivíduos da família até que sejam solucionados os problemas.

A Visita Domiciliar também deve ser considerada no contexto de educação em saúde por contribuir para a mudança de padrões de comportamento e, conseqüentemente, promover a qualidade de vida através da prevenção de doenças e promoção da saúde. Ela garante atendimento holístico por parte dos profissionais, sendo, portanto, importante à compreensão dos aspectos psico-afetivo-sociais e biológicos dos indivíduos envolvidos, constituindo uma importante ferramenta de estudo no caso de adolescentes com problemas de desempenho escolar ou com indícios de uso de drogas ou consumo de bebidas alcoólicas, de história de agressões físicas e verbais ou até mesmo de violência sexual. E, apesar de ser uma prática pouco difundida, é de extrema importância e deve ser utilizada como ferramenta de investigação pelos educadores, especialmente em escolas públicas, as quais poderiam inclusive, criar uma parceria com os postos de saúde mais próximos, encaminhando os alunos com dificuldades ou com baixa freqüência escolar, a fim de que a Visita Domiciliar contribua para a melhoria da qualidade de vida destes indivíduos, tanto no âmbito escolar quanto para a manutenção da saúde.


7.Articulação do Trabalho em Rede


O evento saúde realizado por acadêmicas de enfermagem do 7º semestre da UFRGS foi um exemplo de trabalho em rede, uma parceria entre a iniciativa da Universidade Pública e população escolar. O evento foi realizado em uma escola da zona norte de Porto Alegre, cujo objetivo principal foi traçar o perfil epidemiológico e social da população de adolescentes, promover ações de enfermagem capazes de proporcionar melhoria na qualidade de vida dos adolescentes e professores, através da educação em saúde. As consultas de enfermagem focaram nas seguintes temáticas: Gravidez na adolescência, métodos contraceptivos, Obesidade x alimentação saudável.

Resultados Encontrados:

17 % encontram-se pré-obesos e 5% são obesos, sendo que um aluno apresentou IMC de 44 (obesidade classe III ou mórbida). 11% dos adolescentes da escola apresentam pressão arterial elevada, pré-hipertensos há 9% dos adolescentes Este é um dado muito relevante, já que representa uma população jovem e que aparentemente é saudável, 50% dorme menos de 8 horas segundo grande parte por uso da Internet, 63% já referiram já ter tido a primeira relação sexual, sendo que do total que tem vida sexual ativa apenas 56% fazem uso de algum método anticoncepcional e 3% já fizeram uso de alguma droga ilícita (ANGHEBEN; MATTEI, 2007).

A prática de enfermagem na saúde do adolescente iniciou em 1974/ 1975 e a atenção da saúde do adolescente em 1989 e a saúde familiar, pode-se dizer que é uma campo de atuação novo na prática de enfermagem. As determinações da OPAS/OMS e as novas demandas que surgem no setor saúde a partir do movimento da reforma sanitária (oficializado em 1986 na VIII Conferência Nacional de Saúde) que deram origem ao Programa de Saúde do adolescente (PROSAD), que traça normas para a implementação nacional de uma atenção integral a saúde do grupo (CORREA in: MS, 2000).

A saúde do adolescente ganhou maior proposição com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), no artigo 11 “que assegura atendimento médico a criança e ao adolescente, através do sistema único de saúde, garantindo acesso igualitário, universal às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação da saúde”.

Trabalho em rede, em Portugal a promoção da saúde no meio escolar é um processo permanente realizado segundo uma parceria entre os setores da saúde e educação. Consiste em um processo de vida que possibilita criança e jovens a serem capazes de fazer escolhas individuais, conscientes e responsáveis. A promoção da saúde na escola também como missão de criar ambientes facilitadores de escolha e estimular o espírito crítico para o exercício de uma cidadania ativa (MS PORTUGAL, 2006).

A Rede Européia de Escolas Promotoras da Saúde iniciou uma experiência piloto onde, desde 1997 uma estrutura de apóio entre profissionais da saúde e da educação pudessem assumir a promoção da saúde na escola como um investimento capaz de se traduzir ganhos em saúde. Em conferências Ministeriais foram criados um plano de ação Ambientes Saudáveis para a Criança, que influencia na qualidade do ambiente das crianças e dos jovens, também foi criado um plano de ação que propõe o combate ao estigma e a discriminação da doença mental ativa (MS PORTUGAL, 2006).

Tendo em vista a grande necessidade por assistência do adolescente, levando em conta que o adolescente será o futuro adulto integrante da sociedade e aos grandes agravos já evidenciados por pesquisas é fundamental a participação dos profissionais de enfermagem no processo de assistir ao adolescente, devido ao aumento das DSTS, da gravidez indesejada e da violência, bem como dificuldades de lidar com a própria sexualidade, entre outros processos (PROJETO ACOLHER, 2OOO).

Também parece essencial um aprofundamento de preparação de enfermagem para lidar com tais problemas, extrapolando além do atendimento clínico, alcançando o jovem em seu meio, nas escolas, em seu grupo, compreendendo-o como um ser integral com características e necessidades próprias.

O trabalho realizado em parceria da Escola de Enfermagem UFRGS e escola de ensino é o exemplo de parceria e articulação do conhecimento, aliando a pesquisa e o campo de estudo propiciando mudança no estilo de vida dos adolescente. Ações desse tipo proporcionam ao futuro profissional, no caso enfermeiro, uma visão prática de como lidar com os problemas de saúde de uma população carente de assistência, causam impacto na expectativa de vida da população, através da promoção da saúde. Sendo a saúde sinônimo de felicidade tão pretendida por muitos, é preciso conhecer o caminho aonde nos leva a melhor escolha de viver mais e com qualidade.


8. CONCLUSÃO


A educação, sem dúvidas, é uma das principais ferramentas de promoção da saúde e de prevenção de doenças, especialmente na faixa etária que compreende a adolescência. Portanto, é imprescindível que sejam promovidas práticas de educação em saúde nas escolas, incluindo o adolescente como responsável pela sua história, ou seja, como um indivíduo ciente das suas obrigações na busca pela manutenção da sua saúde, da responsabilidade da sua conduta nas relações interpessoais e dos hábitos que devem ser mantidos para preservar o corpo e a mente, e assim conquistar os seus objetivos, que iniciam pela aquisição de conhecimentos e pela vontade pessoal de ser saudável, que é expressa na maioria das campanhas desenvolvidas nas escolas atualmente.

Cabe ao educador, então, a responsabilidade de intervir em situações de risco ou quando o educando apresentar sintomas de doenças – devendo-se verificar se estas estão em tratamento –, comunicando-se com os responsáveis pelo aluno e o encaminhando ao serviço de saúde da escola ou à unidade básica de saúde mais próxima, a fim de que possa ser avaliado e implementadas medidas conforme as necessidades. Neste contexto, o enfermeiro aparece como personagem indispensável, visto que é ele que receberá este aluno na unidade básica de saúde e atuará como investigador, por meio da consulta de enfermagem, determinando as principais medidas e cuidados a serem adotadas e já aplicando práticas de educação em saúde, estimulando o auto-cuidado e a prevenção de possíveis enfermidades.


REFERÊNCIAS


ANGHEBEN, Aline Todeschini; MATTEI, Graciane. Enfermagem na Escola Estadual de Educação Básica Monsenhor Leoplodo Hoof: prevenindo doenças e promovendo saúde aos adolescentes. EENF/UFRGS, 2007.

ALMEIDA, M. C. P. de & ROCHA, S. M. M. (org.) O trabalho de enfermagem. São Paulo: Cortez, 1997.

COSTA, J. Visitação Domiciliária - Base para o ensino de Enfermagem na comunidade. Revista Enfermagem, Editora Novas Dimensões, 1997.

FERREIRA, Márcia de Assunção. A educação em saúde na adolescência: grupos de discussão como estratégia de pesquisa e cuidado-educação. Texto contexto – Enfermagem - Jun. 2006, vol.15, nº. 2, páginas 205-211.

FERREIRA, Márcia de Assunção et al. Saberes de adolescentes: estilo de vida e cuidado à saúde. Texto contexto - Enfermagem. Jun. 2007, vol.16, nº. 2, páginas 217-224.

MINISTÉRIO DA SAÚDE DE PORTUGAL. Programa de Saúde do Escolar. Diário da República nº 110 de 7 de junho, 2006

PROJETO ACOLHER. Associação Brasileira de enfermagem: um encontro da enfermagem com o adolescente brasileiro. Brasília, 2000. VANZIN, N. S.; NERY, M. E. Consulta de Enfermagem: uma necessidade social. Porto Alegre: RM&G, 1996.

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