Educação especial

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

Introdução

A Educação Especial engloba uma imensa diversidade de necessidades educativas especiais, assim como uma equipe multidisciplinar, composta pelos mais diversos profissionais e especialistas. Seu objetivo principal é promover uma melhor qualidade de vida àqueles que, por algum motivo, necessitam de um atendimento mais adequado à sua realidade física, mental, sensorial e social.

Muito se fala em Educação Especial Inclusiva, mas nem sempre temos uma noção correta a seu respeito. Julgamos bastante apropriado o seguinte conceito de Educação Especial: "Conjunto de medidas e recursos (humanos e materiais) que a administração educativa coloca à disposição dos alunos com necessidades educativas especiais: pessoas com algum tipo de déficit, carência, disfunção ou incapacidade física, psíquica ou sensorial, que lhes impeça um adequado desenvolvimento e adaptação" (Ezequiel Ander-Egg, 1997).

Seus destinatários são todas as pessoas que precisam de métodos, recursos e procedimentos especiais durante o seu processo de ensino-aprendizagem.

A Educação Especial dever ser vista no contexto da Educação Geral, ou seja, o portador de necessidades especiais deve ser atendido no mesmo ambiente que o não-portador. A esta tendência chamamos de Educação Inclusiva, já que o portador de necessidades especiais é inserido em classes regulares de ensino, sendo tão digno e merecedor da educação como qualquer outra pessoa.

Pessoas portadoras de necessidades educativas especiais são seres humanos capazes e dotados de inúmeras possibilidades, com um grande potencial a ser trabalhado. Nada justifica o seu isolamento do convívio com outras pessoas, seja dentro ou fora da escola. Porém muitos pais de alunos ditos normais são contrários a esta inclusão, assim como alguns professores desinformados, oferecem resistência a estas tentativas.

A inclusão deve ser feita com calma e cuidado, pois uma precipitação pode provocar mais frustração do que satisfação ao portador de necessidade especial. Por exemplo: numa escola com vários andares, que não possui rampas ou elevadores, não teria condições de colocar um aluno, que utiliza cadeiras de rodas, para estudar numa sala no quarto andar da escola, pois ele não teria como ter acesso à sala de aula.

Apesar de tudo vem ocorrendo com êxito experiências de inclusão de pessoas com necessidades especiais em escolas regulares.

“Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras”.

Reinhold Niebuhr

Educação Especial em Deficiência Física

Deficiência física referes-se ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o Sistema Ósteo-articular, Sistema Muscular e o Sistema Nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir limitações físicas de grau e gravidade variáveis, segundo os segmentos corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida (SCHIRMER, 2009).

A inclusão escolar de alunos com deficiência em escolas regulares tem suscitado debates entre profissionais tanto da área de educação, como de saúde. Sabe-se que é um direito garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9.394/96), onde afirma que a oferta da educação especial enquanto dever constitucional do Estado deve ter início na Educação Infantil, na idade de zero a seis anos (MELO; FERREIRA, 2009).

Estas crianças necessitam, além dos conteúdos curriculares, de cuidados extras. Os procedimentos de cuidado também precisam seguir os princípios de promoção da saúde. Para se atingir os objetivos dos cuidados com a preservação da vida e com o desenvolvimento das capacidades humanas é necessário que as atitudes e procedimentos estejam baseados em conhecimentos específicos sobre desenvolvimento biológico, emocional e intelectual das crianças, levando em conta as diferentes realidades socioculturais (MELO; FERREIRA, 2009).


Dessa forma, urge que os profissionais da saúde estabeleçam uma parceria com os professores, dando orientação quanto aos cuidados específicos que a criança com deficiência física pode requerer na escola regular e contribuindo, no que for necessário para a inclusão escolar das crianças com deficiência (MELO; FERREIRA, 2009).


No caso particular do fisioterapeuta, Melo e Ferreiro (2009) afirma que este pode ser um profissional valioso para a comunidade escolar, ao fazer sugestões de equipamentos que possam melhorar a experiência educacional da criança com deficiência física. Frequentemente, um equipamento adaptativo pode fazer a diferença entre a criança completamente incluída ou excluída da rotina da sala de aula.

As crianças com deficiência física decorrente de lesão neurológica necessitarão de cuidados mais complexos, na medida em que os transtornos de controle do movimento e da postura e complicações associadas (vesicais, intestinais, musculoesquelético, entre outras) poderão interferir diretamente na independência e autonomia das mesmas. Além desses aspectos ligados diretamente a condição da criança com deficiência física, o ambiente escolar dependendo de como se encontre estruturado (acessibilidade física) e organizado pedagogicamente (materiais escolares, recursos pedagógicos e mobiliários adaptados), poderá dificultar ainda mais a participação dessas crianças na sua relação com o meio. Tais aspectos também são determinantes para que a permanência dessas crianças se dê de maneira mais harmônica e produtiva, promovendo o desenvolvimento dentro do ritmo e possibilidades delas (MELO; FERREIRA, 2009).

Exemplo de doenças físicas neurológicas:

Mielomeningocele: problema neurológico decorrente de um defeito na formação óssea da coluna vertebral onde algumas vértebras não se fecham e expõem a medula, causando paralisia nas partes do corpo que ficam abaixo dessa lesão, que poderá ocorrer em qualquer lugar na extensão da coluna vertebral (SCHIRMER, 2009).

Quadro: A grande maioria das crianças com mielomeningocele não tem a sensação de bexiga cheia, não consegue reter a urina e não tem força para eliminá-la em forma de jato. São comuns as infecções urinárias sem febre e sem dor, podendo afetar os rins se não forem adequadamente tratadas. As crianças menores precisam fazer uso de fraldas e as maiores recebem orientação do médico urologista para fazerem manobras com o objetivo de eliminar a urina ou de proceder ao cateterismo (colocação de sonda várias vezes ao dia), dependendo de cada caso. A gravidade da paralisia varia de criança para criança, dependendo do grau da lesão neurológica. Por isso, essas crianças podem apresentar deformidades nas articulações dos quadris, joelhos e pés, além da coluna vertebral. Há crianças que necessitam de cirurgias ortopédicas e uso de aparelhos para poderem andar. Quanto maior for o grau de paralisia, menor será a chance de a criança com mielomeningocele andar, sendo que algumas crianças poderão conseguir andar com ajuda de aparelhos apropriados (muletas, órteses, andador...). Mais tarde, na adolescência ou na fase adulta, ao estarem mais pesadas, podem perder a condição de marcha devido à dificuldade de sustentação do corpo e de outros problemas (SCHIRMER, 2009).


Cuidados dos professores: De acordo com Schirmer (2009). Em sala de aula é importante que o professor observe o devido posicionamento sentado do aluno, assim como o uso dos aparelhos prescritos pelo médico, a fim de evitar futuras deformidades de coluna, formação de escaras ou quaisquer outros problemas derivados de vícios de postura e de posicionamentos incorretos. Geralmente, essa será uma criança usuária de fraldas, porque ela poderá não ter sensibilidade para perceber que, a bexiga e/ou o intestino estão cheios e o momento de esvaziá-los fazendo uso do banheiro. Nesse caso, dizemos que ela não tem controle de esfíncteres. Seus horários de estimulação ou passagem de sonda para esvaziamento da bexiga e de intestino deverão ser respeitados para que se evite ao máximo outros comprometimentos, como infecções das vias urinárias ou de outros órgãos.

Lesões encefálicas adquiridas: As lesões encefálicas adquiridas podem ocorrer com pessoas que nasceram sem nenhum comprometimento neurológico, ou seja, com pessoas ditas normais, mas que foram submetidas a situações que provocam lesões cerebrais. Quando o cérebro de qualquer pessoa é lesado ao longo da vida, ela poderá apresentar seqüelas variadas em decorrência do tipo, da localização e da extensão da lesão (SCHIRMER, 2009).

Quadro: Os pacientes portadores de LEA geralmente necessitam de internações hospitalares na fase mais aguda, quando cuidados intensivos são necessários à sua sobrevivência, para prevenir deformidades e complicações diversas. São indivíduos muitas vezes com déficit de consciência, imóveis, desnutridos, com hipertonia (devido ao aumento do tônus muscular), com posturas viciosas, alteração no controle do sistema nervoso autônomo (SNA) e no controle esfincteriano (controle da urina e fezes), com outras lesões associadas, em caso de politraumatismo (fraturas de coluna, membros e lesões de nervos periféricos, às vezes não diagnosticadas na fase aguda), necessitando de tubos de alimentação, traqueostomia, cuidados intensivos na prevenção de úlceras de decúbito (posição do corpo quando está deitado) e infecções. São potencialmente convulsivos e podem apresentar hidrocefalia tardia (acúmulo de líquor no cérebro), hematomas cerebrais crônicos e calcificações heterotópicas (SCHIRMER, 2009).

Cuidados dos professores: De acordo com Schirmer (2009)Muito evidentes ficarão as diferenças com relação ao aspecto aprendizagem, comparando-se o antes e o pós-trauma: dificuldades de atenção e concentração, de assimilação, ritmo lento para execução e aprendizagem, necessidade de adaptações de material escolar e/ou de uso aparelhos que auxiliem no processo de grafismo e de melhor posicionamento a fim de evitar deformidades físicas ou problemas posturais. Inicialmente, a impressão que se tem é de que tudo que foi aprendido pelo aluno, poderá ser reaprendido. Na verdade, o processo poderá ser de resgate do que foi aprendido, quando o professor deverá direcionar o atendimento, respeitando-se as necessidades muito próprias e particulares que o aluno apresenta. Com relação às novas aquisições na aprendizagem, elas dependerão muito do grau das seqüelas apresentado pela criança e do tipo de atendimento educacional que lhe for oferecido.

Estas crianças são muito mais dependentes dos professores quando compradas com crianças não portadoras de deficiência. Então os professores necessitam de orientações e formação específicas para lidarem com estes quadros. Muitas orientações são passadas pelos familiares, porém em decorrência da ausência dessas informações no âmbito da formação dos professores, problemas relacionados à deficiência física, que poderiam ser evitados em sala de aula, como por exemplo, uma deformidade do pé por um posicionamento incorreto, pânico na turma diante de um colega que desenvolve uma crise convulsiva, ferimentos na pele em decorrência de uma transferência de uma criança cadeirante de forma inadequada, entre outros, podem contribuir para aumentar preconceitos, medo e angústia por parte do professor, comprometendo a qualidade do processo ensino-aprendizagem e a permanência dessa criança com deficiência física no espaço escolar (MELO; FERREIRA, 2009).

Não podemos esquecer que a importância de conteúdos relacionados à deficiência na formação dos professores vem sendo recomendado desde 1994, de acordo com a Portaria 1793/94, que destaca a necessidade de complementar os currículos de formação de docentes que interagem com pessoas com deficiência, sendo recomendado a inclusão de disciplina que trate sobre aspectos éticos, políticos e educacionais dessas pessoas, prioritariamente nos cursos de Pedagogia, Psicologia e em todas as licenciaturas (MELO; FERREIRA, 2009).

Para Melo e Ferreira (2009), este conhecimento específico com relação ao aluno com deficiência física, ajudará ao docente na elaboração de estratégias de ensino a fim de focalizar o potencial dos alunos e não suas limitações, em seus programas pedagógicos. É importante enfatizar que o entendimento quanto às condições clínicas do aluno, não remete ao retrocesso do modelo médico da deficiência, mas possibilita pontuar limites a serem respeitados e evidenciar possibilidades a serem exploradas, em relação ao corpo do aluno que possui esse tipo de deficiência.

A amplitude de recursos oferecida pela informática representa uma contribuição inestimável para o alcance de inúmeros objetivos da escola regular que atende pessoas com necessidades especiais. Dentre os inúmeros, citamos a possibilidade da comunicação alternativa, intermediada por interfaces, e o uso da tecnologia para a construção do conhecimento. É também um recurso poderoso como instrumento de análise das dificuldades intelectuais, permitindo explorá-las e até minimizá-las, possibilitando, desta forma, um feedback do desenvolvimento intelectual e a elaboração de idéias (SCHIRMER, 2009).

Schirmer (2009) afirma que a partir de experiências da utilização das tecnologias da informação e comunicação em instituições ou classes de educação especial, percebemos o quanto a tecnologia pode ser útil, abrangendo desde as possibilidades de expressão de uma idéia por meio de um editor de texto, de um editor de desenhos, de software específicos para comunicação alternativa até produções que têm como proposta a construção do conhecimento, utilizando software de autoria, manipulação de banco de dados, construção e transformações de gráficos, planilhas e recursos da internet.


Deficiência Auditiva

O processo de inclusão de crianças com deficiência auditiva na escola regular: vivências de professores.

RIOS, Noemi Vieira de Freitas e NOVAES, Beatriz Cavalcanti de A. Caiuby. Objetivo: Descrever e discutir, a partir da vivência de professores, o processo de inclusão de crianças com deficiência auditiva em escola regular.

A identificação da perda auditiva nos primeiros meses de vida associada ao encaminhamento cedo para intervenção (indicação e adaptação de dispositivos eletrônicos e terapia fonoaudiológica) tem possibilitado o aproveitamento máximo da audição por parte da criança e, conseqüentemente, o acesso à linguagem oral. Muitas crianças nestas condições têm sido incluídas no ensino regular e, conseqüentemente, trazido à tona a discussão de aspectos relacionados a este processo. Nesse contexto, existem muitos problemas no espaço escolar, como por exemplo:

  • Desconhecimento sobre a surdez e sobre suas implicações educacionais;
  • Dificuldades na interação professor/intérprete e a incerteza em relação ao papel dos diferentes atores nesse cenário.
  • Dificuldades com adaptações curriculares, com estratégias de aula e com exclusão do aluno surdo de atividades;

Em função disso, observa-se que as crianças surdas encontram-se defasadas no que diz respeito à escolarização, sem o adequado desenvolvimento e com um conhecimento aquém do esperado para sua idade. Na perspectiva do professor, o artigo traz alguns relatos, como este: “No início fiquei um pouco apreensiva; fiquei não, fico me perguntando se vou dar conta do recado. Nós não estamos preparados para isso. Na faculdade, temos uma disciplina educação especial, mas na prática, no dia-a-dia não estamos preparados.”

Apesar de conhecerem a legislação sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, os professores referem-se despreparados e alguns falam em ter medo, além de pouco conhecimento sobre o desenvolvimento da audição e da linguagem. E, também, sobre como esses aspectos influenciam e determinam formas particulares de apreensão de conteúdos. De acordo com o artigo, algumas mudanças são propostas, como por exemplo, na realidade educacional brasileira, já que ela está com classes superlotadas, instalações físicas insuficientes, quadros docentes cuja formação deixa a desejar, dentre outros problemas. Assim, é indispensável a realização de projetos diferenciados e não de pequenos ajustes. Sem alterar o delineamento do currículo e as metodologias, sem estabelecer, esquemas de suporte efetivo ao professor, a escola não responde ao compromisso com o desenvolvimento e a aprendizagem dos indivíduos diferentes. Podemos citar ainda como proposta de modificação, a diminuição do número de alunos por sala de aula, o investimento em estruturas físicas adequadas para a singularidade do deficiente auditivo, como por exemplo, salas acusticamente tratadas e o processo de gestão, formação de professores, nas metodologias educacionais, com ações compartilhadas e práticas colaborativas;

A INCLUSÃO DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN NA REDE REGULAR DE ENSINO

A Síndrome de Down (SD) é uma desordem cromossômica, a trissomia do cromossomo 21, cuja freqüência é de 1:750 nascidos vivos, tendo como fator de risco preponderante a idade materna avançada.

No Brasil, a inclusão fundamenta-se na Constituição Federal de 1988, a qual garante a todos o direito à igualdade (art. 5º). No seu artigo 205, trata do direito de todos à educação, visando ao “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. No artigo 206, inciso 1, coloca como um dos princípios para o ensino a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola”.

Em conformidade com tal Constituição, o Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo nº 198, de 13 de junho de 2001, aprovou nova lei baseada no disposto da Convenção de Guatemala, que trata da eliminação de todas as formas de discriminação contra a pessoa portadora de deficiência.

Um estudo realizado na Inglaterra e País de Gales, mostrou aumento de 4 para 38% na inclusão destas crianças, entre os anos de 1983 e 1996 (CUCKLE, 1999). A este fato, o autor atribuiu duas razões: maior número de crianças com SD tem entrado com cinco ou seis anos na escola primária e lá tem permanecido.

Na Nova Zelândia, receber o estudante com SD em uma escola regular é prática aceitável há mais de dez anos e, conforme apontam dados de pesquisa, os alunos com necessidades especiais que estudam em uma escola normal conseguem se engajar melhor em um grupo social, quando comparados aos que estudam em classes especiais.

Por outro lado, um estudo (BUCKLEY et al., 2006) realizado no Reino Unido, que comparou dois grupos de adolescentes com SD, um com 28 alunos de uma escola especial e outro com 18 alunos de uma escola regular, verificou que não houve diferença significativa entre os dois grupos no que diz respeito à capacidade de independência, contato social, atividades de lazer e inclusão na comunidade. Entretanto, este mesmo estudo constatou que a inclusão trouxe benefícios para a linguagem, comportamento e aspectos acadêmicos desses adolescentes.

Para o sucesso da inclusão da criança, é necessário considerar alguns componentes essenciais:

  • ambiente estruturado e adaptado às suas necessidades;
  • abordagem de ensino que facilite seu aprendizado e adaptação curricular, fatores que não devem ser utilizados unicamente para as crianças com SD, mas para todas que necessitem de um currículo adequado à sua individualidade.
  • A escola deve investir no treinamento de seus profissionais, e preparar também os colegas de classe

Qual o papel do professor?

É o professo quem vai detectar no dia-a-dia quais ajustes podem e devem ser feitos no ambiente, é quem vai colaborar na interação da criança com outros colegas, bem como criar situações satisfatórias para a criança desenvolver uma boa convivência social.

O professor deve:

  • oferecer a ele possibilidades de acesso ao currículo normal,
  • encorajar a sua independência,
  • promover e incentivar o trabalho com outros colegas de classe,

Outro estudo (LORENZ, 1999) aponta como ideal desenvolver atividades diretamente com a criança todos os dias ou pelo menos uma vez por semana. Segundo a autora, a maioria das crianças com SD tem melhor aproveitamento quando conta com a ajuda de seu professor e a colaboração de um professor auxiliar. A função deste último profissional é oferecer assistência à criança somente quando ela tiver necessidade, pois há riscos de desenvolver dependência. A ajuda deve ser dada somente quando solicitada, para que a criança tenha a oportunidade de trabalhar com outras pessoas.

Mas segundo Bishop (1999) a presença de professores auxiliares ao lado de alunos com necessidades especiais em sala de aula, por exemplo, pode inibir a aproximação de colegas de turma. Os colegas, em geral, interpretam a presença de um professor auxiliar como um indicativo de que apenas adultos e profissionais especializados estão preparados para interagir com os colegas com necessidades especiais e por esse motivo se afastam deles (BISHOP et al., 1999).

Em estudo feito com professores a maior parte dos educadores considerou a inclusão positiva, com grandes benefícios para os incluídos, mas não estavam certos se a escola regular era a mais apropriada para a vida escolar das crianças com SD, pois acreditavam que, com o passar do tempo, a diferença entre a capacidade social e acadêmica desses estudantes e seu grupo poderia ser aumentada (PETLEY, 1994).

Entrevista com uma Orientadora Educacional

Nossa entrevistada trabalha em uma escola municipal de ensino fundamental e atualmente tem duas alunas com SD em seu quadro de alunos.

Uma das meninas está no 1º ano (antiga pré-escola) e a outra está no 4º ano (antiga 3ª série). A orientadora nos falou um pouco sobre os desafios da inclusão.

1- O ingresso de alunos com necessidades especiais no ensino regular acarreta mudanças na estrutura escolar. Como a escola e os professores se prepararam (ou preparam) para o atendimento desses alunos?

RESPOSTA: Já estamos recebendo há algum tempo ANEE e a maior mudança é na mentalidade dos educadores, pois conseguir fazer com que aceitem tais crianças em suas turmas foi o maior desafio. Hoje o pessoal se ajuda, partilha, há uma, podemos dizer, divisão de responsabilidade e este é o principal fator para termos tido êxito até aqui com ANEE. Também estamos, via verba do governo federal adequando o nosso espaço físico com rampas de acesso e portas alargadas. Mexer na estrutura física também é um grande caminho, pois da visibilidade de mudança na postura, na forma de encarar que a inclusão veio para ficar.

2- Qual é (ou foi) a maior dificuldade encontrada pela escola e pelos professores em relação a esses alunos?

RESPOSTA: A forma de trabalhar com eles foi a maior dificuldade, como atingir esta criança, como fazê-lo aprender e o que é preciso que ele/ela aprenda. Então veio a grande pergunta: Quem ficará com esta criança? Até que levantamos alguns critérios, mas como hoje já é uma grande realidade em nossa escola, a maioria dos educadores dos anos iniciais já teve esta experiência e foi positiva. A primeira reação é tentar fugir, não aceitar, depois com a ajuda de todos, as educadoras encararam bem o desafio e estão se saindo muito bem.

3- Qual a relação dos demais alunos com essas crianças e como são orientados sobre a necessidade especial do colega? (se há discriminação, piadas...)

RESPOSTA: As crianças jamais são preconceituosas, o adulto sim, o é. As crianças aceitam com a maior naturalidade. Para tanto evitamos reter estes alunos nas séries a fim de que acompanhem sua turma, seus pares. Mas não simplesmente o avançamos a série seguinte, temos uma proposta de trabalho clara, objetivos bem traçados, pois trabalhamos com Adaptações Curriculares que permitem trabalhar com a criança da onde ela parou e, assim, ela vai se desenvolvendo progressivamente, pois seus limites e ritmo são respeitados.

4- Como é o rendimento dos alunos com necessidade especial na escola?

RESPOSTA: Só para exemplificar: recebemos uma menina com Síndrome de Down há cinco anos. Hoje ela está na 4ª série. Desde os primeiros dias de vida a família faz acompanhamento na APAE e, chegou um dia em que a mãe resolveu que estava com idade de ir para uma escola regular. Veio para nossa escola com seis anos e ingressou na Educação Infantil. Ano passado quando visitou a APAE a diretora de lá falou: "A T.R. é a única aluna que saiu daqui e está lendo, escrevendo perfeitamente. Para nós foi um grande elogio, pois só nós sabemos o quanto nos custou. Nunca deixamos a menina e todas as outras crianças que a nós chegam a própria sorte. Não os rotulamos com um carimbo na testa: ANEE. Trabalhamos com eles dentro de suas possibilidades, o vimos como seres humanos como qualquer outra criança, com inteligências diferentes e prontos para o grande desafio de aprender. Não é a toa que, mesmo sendo uma escola afastada do centro, há mais ou menos 7km, saída do município, várias família com crianças com NEE atravessam a cidade para matricular seus filhos em nossa escola. Como diz o poeta "Cada ser carrega em si o dom de ser capaz, de ser feliz".

6- O governo federal disponibiliza cursos de formação continuada para que professores se especializem em educação especial..você acredita que há uma falta de interesse por parte dos professores em buscar esses cursos? Você acha que o governo deve tornar obrigatórios esses cursos para que os professores possam continuar a dar aulas em turmas com alunos especiais, ou acredita que outras políticas públicas devem ser realizadas?

RESPOSTA: Eu, como Orientadora Educacional, participei de todos os encontros que houve em nosso município, em forma de formação promovidos pelo Governo Federal e posso afirmar que muito aprendi. Mas isto depende de cada um/uma, o querer aprender. Como coordenadora pedagógica em minha escola provoco muito o grupo de educadoras que tenho, fazemos na escola formação permanente, levamos tudo que aprendemos, mas sei que não são todos os atingidos. Porém, forçar a barra também não é legal. Que todos/todas tenham vontade de aprender e vejam em seus estudantes seus filhos/irmãos/parentes que merecem toda atenção e a MELHOR EDUCAÇÃO.

7- Você é a favor do ingresso de alunos especiais no ensino regular, ou acha que uma escola especial que atenda às suas necessidades é o melhor para eles?

RESPOSTA: Sou a favor, porque segregar? Afinal, todos somos iguais e devemos ter os mesmos direitos, as melhores escolas, as melhoras educadoras. Claro que existem, ainda, muitas síndromes e transtornos que não sabemos lidar, talvez para estas muito graves, deveriam ser OBRIGATÓRIO atendimento individualizado desde bebê, para que quando cheguem a idade escolar estes já tenham sido preparados, tratados e trabalhados para melhor aprenderem. Acho que o maior problema são as crianças que vem de casa direto, com seis anos, sem terem passado por nenhuma avaliação ou tratamento (até mesmo farmacológico) e assim fica mais difícil trabalhar. Se ele tivesse acompanhamento desde SEMPRE seria meio caminho andado.

No Brasil, as leis que favorecem a inclusão estão fundamentadas na Constituição Federal, e também na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, porém essas leis, apesar de obrigarem as escolas a aceitar todas as crianças sem distinção, inclusive as portadoras de deficiência, não dizem respeito à inclusão propriamente dita. Sendo assim, cada local lida à sua maneira com o processo de inclusão, sem homogeneidade de procedimentos, fator que reflete na conduta das escolas e dos profissionais, que visualizam a inclusão também à sua maneira.

Mas os educadores e nós, futuros educadores, devemos nos conscientizar de que a inclusão chegou para ficar. Assim devemos buscar informação e formação para melhor atendermos nossos futuros alunos.


Conclusão

Constatamos que é preciso que haja uma mudança de paradigma e de consciência na formação profissional das diversas áreas, particularmente nas da educação e saúde, de modo que os cursos de graduação incluam em seus projetos político-pedagógicos assuntos relacionados à inclusão social de pessoas com deficiência, para que os profissionais mudem concepções sobre a pessoa com deficiência e percebam a importância de sua atuação dentro de uma perspectiva interdisciplinar para efetiva inclusão escolar dos alunos com deficiência no ensino comum.


Referências bibliográficas

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