Ensino

De Psicologia da Educação

O Processo de Ensino



Desde o início da história da humanidade, o ensino e aprendizagem fizeram-se presentes. Nas comunidades mais primitivas sempre houve o fato dos pais ensinarem os filhos a vencer suas necessidades,assim como enfrentar o clima e, também, ir em busca de comida, seja através da caça, seja através da coleta.


Igualmente, na Antiguidade Clássica (gregos e romanos), e, também, na Idade Média, houve desenvolvimento de formas de ações pedagógicas, sem, no entanto, podemos falar aí sobre a “Teoria do Ensino”, que sistematizaria as formas de ensinar. Essa Teoria de Ensino, que surgiria para investigar, inclusive, as ligações entre o ensino e a aprendizagem, acaba parecendo no século 17 com os trabalhos de João Amós Comênio (1592-1670). É aquilo que conhecemos por “Didática”. Ela encontra-se até nossos dias em permanente estado de análise e estudos para seu desenvolvimento aperfeiçoamento.


Nós futuros profissionais em enfermagem, que teremos a questão educacional presente em nosso cotidiano, seja através da promoção da Educação e Saúde, seja através da necessária Educação Permanente, seja nas explicações didáticas para colegas da equipe de saúde ou para pacientes e/ou seus familiares, entre outros, achamos de suma importância entender o processo de ensino.


O primeiro conceito de ensino que podemos perceber é originário da palavra ensinar, que vem do latim, signare, significa algo como “colocar dentro, gravar no espírito”. Ou seja, nesse conceito o aluno (aliás, palavra que significa “sem luz”), apenas grava idéias em sua cabeça, advindas daquilo que o professor lhe impõe de forma vertical.


No entanto, devido ao estudo de inúmeros estudiosos e pensadores da humanidade, surgiram e ainda surgem novos conceitos de ensino, em contrapartida àquele conceito tradicional de que “Ensinar é transmitir conhecimentos”. De acordo com a idéia tradicional de ensino, todas as iniciativas cabem ao professor que é “o sujeito do processo, o elemento decisivo e decisório do ensino”. A questão central desta pedagogia é aprender.


O ensino tradicional, por mostrar-se cada vez menos eficaz precisou ser criticado, e assim, novas teorias da educação foram formuladas. Surge apartir daí a “Escola Nova” (ou Escola Novismo). Passa-se a ter como questão central da pedagogia o “Aprender a Aprender”. O professor passaria então, segundo essa concepção a ser mais um estimulador e um orientador da aprendizagem, sendo que caberia aos estudantes a iniciativa principal. A aprendizagem ocorreria de forma natural, devido ao ambiente estimulante e as relações dinâmicas entre os professores e os estudantes.


Surgiria ainda em meados do século 20 a concepção tecnicista de ensino, na qual a questão pedagógica central é “Aprender a Fazer”. Esta é baseada nos princípios da racionalidade, eficiência e produtividade. Tanto professores como estudantes ocupam posição secundária, já que se tornam apenas executores de um processo pré-elaborado e “imposto” por especialistas supostamente habilitados para tal. Este parece ser “o” modelo da atualidade, na maioria das vezes.


Vê-se que os modelos de ensino encontram-se mais ou menos elaborados com os modos de cada época.


O objetivo maior do ensino é a aprendizagem, sendo que essa não pode ser considerada apenas como absorção de informações, mas sim como algo que amplia e acrescenta novos padrões e formas de perceber o mundo a nossa volta, de ser, de pensar e agir. Aprendizagem não é algo estático e sim dinâmico.



Ensino: As Abordagens do Processo


1. Abordagem Tradicional


Sociedade: estruturada com uma ordem social normativa.


Homem: inserido num mundo que irá conhecer através de informações que lhe serão oferecidas e que se decidiu serem as mais importantes e úteis para ele; receptor passivo que deve ser o que dele espera a sociedade.


Educação: preparação moral e intelectual, entendida principalmente como instrução, caracterizada com transmissão de conhecimentos e restrita à ação da escola.


Escola: funciona como agência sistematizadora de cultura complexa.


Ensino: centrado na autoridade e informações do professor; ênfase na memorização, disciplina, hábitos, valores estabelecidos, métodos expositivos.


Perspectiva Teórica: funcionalista; a escola compete à preparação moral e intelectual do aluno para assumir seu lugar na sociedade e conservá-la na sua configuração.

Teórico: Herbart


2.Abordagem Humanista


Sociedade: harmônica, consensual, em processos de mudança transacional; ênfase na realidade como processo subjetivo pois o homem reconstrói o mundo exterior.


Homem: ênfase no homem como em processo de tornar-se pessoa; deve desenvolver suas potencialidades para integrar-se ao todo social com liberdade, autonomia, independência, sentimentos e experiências como fator de crescimento.


Educação: primado do sujeito; processo subjetivo, centrado no sujeito; processo subjetivo, centrado no sujeito; desenvolvimento sem intervenção; ênfase na vida psicológica e emocional do indivíduo.


Escola: deve oferecer condições para o desenvolvimento da autonomia do aluno.


Ensino: o aluno deve dirigir sua própria experiência para que possa estruturar-se e agir; técnicas não diretivas em que o professor se abstém de intervir diretamente no campo cognitivo e emocional do aluno.


Perspectiva Teórica: funcionalista; à educação parece pairar acima das condições materiais da existência; visa o aperfeiçoamento individual mas não a modificação estrutural da sociedade.


Teóricos: Rogers, Neill.


3.Abordagem Cognitivista


Sociedade: visão consensual e harmônica; desenvolvimento social deve caminhar no sentido da democracia que implica na deliberação comum e responsabilidade pelas regras que os indivíduos seguirão.


Homem: indivíduo é considerado como um sistema aberto que se desenvolve em reestruturações sucessivas e, como todo organismo vital, tende a aumentar o seu controle sobre o meio, colocando-o a seu serviço; ao fazê-lo, modifique o meio e se modifica; sujeito epistêmico que retrata o que há de comum em todos os sujeitos, a despeito das variações individuais.


Educação: processo que propicia o desenvolvimento intelectual e moral no sentido da autonomia; processos de socialização, entendida como democratização das relações; visão interacionistas.


Escola: deve oferecer condições, possibilidades para que o aluno aprenda por si próprio.


Ensino: organizado para desenvolver a inteligência individual com ênfase em habilidades e processos mentais, priorizando a atividade do sujeito.


Perspectiva Teórica: funcionalista; visa o desenvolvimento do indivíduo para que possa adaptar-se a uma sociedade em desenvolvimento.


Teóricos: Piaget, Dewy, Brunner, Taba, Ausubel.


4.Abordagem comportamentalista


Sociedade: preocupação com aspectos normativos e formais da sociedade; ordem social unitária; idéia de integração cultural e social visa planejamento da sociedade.


Homem: conseqüência das influências ou forças existentes no meio ambiente, deve ser o que a sociedade espera deles: autocontrolável,auto-suficiente;controle e diretivismo do comportamento humano.

Educação: processo que deve transmitir conhecimentos, comportamentos técnicos e éticos, práticas sociais e habilidades consideradas básicas para a manipulação e controle do mundo; ambiente.


Escola: agência a quem cabe manter, conservar e/ou modificar os padrões de comportamento aceitos como úteis e desejáveis para uma sociedade, considerando-se um determinado contexto cultural.


Ensino: arranjo e planejamento de situações formais, organização dos meios técnicos de transmissão e apreensão dos conteúdos e habilidades que levem a aquisição dos comportamentos desejados.


Perspectiva Teórica: funcionalista; visa adequar o individuo a uma ordem social estruturada.


Teóricos: Skinner, Gagné.


5. Abordagem sócio-cultural (praxiológica)


Sociedade: preocupação com a mudança estrutural da sociedade; a Sociedade constitui-se numa totalidade complexa e contraditória e a mudança social implica na redistribuição do poder e dos bens necessários à vida; a Sociedade pode e deve ser modificada dentro de um projeto histórico de emancipação humana.


Homem: sujeito e produto da História; e também; sujeito da Educação; a interação homem-mundo é imprescindível para que o ser humano se desenvolva e se torna sujeito de sua práxis.


Educação: processo fundamental na passagem de formas primitivas de consciência para a consciência crítica que irá viabilizar a ação transformadora sobre a realidade; os homens se educam entre si, mediantizados pelo mundo; é processo com finalidades sócio-políticas.


Escola: instituição que existe num contexto histórico determinado; deve ser entendida como espaço contraditório mas mediadores e também entendida na medida em que se entende como o poder se constitui na sociedade e a serviço de quem está atuando…


Ensino: processos que deve ser organizado na perspectiva de superação da relação opressor-oprimido.


Perspectiva Teórica: dialética; a Educação interage com a totalidade e contradições sociais e tem finalidades sócio políticas.


Teórico: Freire.

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