Ensino de língua estrangeira
De Psicologia da Educação
Tabela de conteúdo |
Introdução
O trabalho é dividido em duas partes, pois distintos são os interesses dos dois membros do grupo. Enquanto um se preocupou com técnicas e estratégias de ensino das línguas estrangeiras, o outro buscou compreender o mecanismo da motivação do estudo das línguas em escolas públicas. Tal discrepância é defensável, afinal, são trajetórias acadêmicas distintas; um estuda história e o outro, letras.
O leitor notará também uma distinção estilística. Na primeira parte preferiu-se desenvolver um raciocínio por vezes complexo, com base em uma bibliografia já conhecida do autor, ao passo que na segunda preferiu-se um comentário passo-a-passo dos artigos pesquisados originalmente para este trabalho.
A primeira parte do estudo concentra-se na compreensão dos mecanismos por meio dos quais aprendemos uma língua e na sugestão de formas que nos possibilitem fazer uso desses mecanismos para um aprendizado mais eficiente. Já a segunda concentra-se no estudo das motivações ao estudo de língua estrangeira, notadamente em escolas estaduais e municipais.
O ensino de línguas estrangeiras: Técnicas de aprendizado e ensino
Partimos dos seguintes postulados para o desenvolvimento da pesquisa, que serão mais devidamente explicados logo abaixo:
1.O Ser Humano é um ser social;
2.A base do aprendizado é a referenciação espaço-temporal;
3.No limite: língua = palavras;
4.Perceber que está aprendendo é satisfatório ao aluno;
1.Dizer que o ser humano é um ser social é assumir que não existe humanidade sem sociedade, nem sociedade sem linguagem. É, afinal, dizer que não há humanidade sem linguagem. Aceitar tal postulado, portanto, implica assumir a língua como elemento identitário do indivíduo, constituída nos anos de sua formação. Dessa forma, para o aprendizado de uma segunda língua, ter-se-á, impreterivelmente, de dialogar com a língua nativa do aluno.
2. Jean Piaget já nota haver um período “sensoriomotor” no processo de aprendizado, anterior à linguagem1. Parece razoável assumir que a referenciação espaço-temporal permanece, ao longo de toda a vida, como uma base necessária ao conhecimento das línguas, afinal, não se pode nomear aquilo que não existe ou que jamais aconteceu.
3. Quanto mais palavras e expressões o falante conhece, maior domínio ele tem sobre a língua.
4. Há uma satisfação intrínseca ao aprendizado, que pode ser designada por “reconhecimento” ou “recompensa”.
Com tais princípios em mente, já podemos desenvolver alguns aspectos que devem ser trabalhados pelo professor em sala de aula.
Código: Compreendendo o que define a sintática da língua, o código é o “esqueleto” reconhecível que permite que se depreenda algo do significado de um texto mesmo que não se conheça as palavras ali expostas unicamente por sua construção sintática. O poema de Lewis Carrol Jabberwocky exemplifica bem tal característica da língua:
“Era briluz. As lesmolisas touvas Roldavam e relviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas, E os momirratos davam grilvos.”
Mesmo sem o conhecimento das palavras, é possível reconhecer a cena e imaginá-la como uma descrição bucólica de animais movimentando-se na grama ao sol. Isso se deve a um código compartilhado por todos falantes do português que reconhecem a estrutura sintática do texto.
Vocabulário: Em concomitância, deve-se desenvolver a capacidade do estudante de diversificar seu vocabulário e converter as novas palavras que aprende em vocabulário ativo, não somente palavras que ele reconhecerá em uma ocasional leitura ou conversa na língua estudada. Entretanto, deve-se ter a preocupação de não reduzir o aprendizado de vocabulário a uma simples acumulação de palavras.
O filósofo italiano do século XVIII Giambattista Vico, inspirador de James Joyce e alegado precursor do construtivismo, foi o primeiro a perceber um desenvolvimento histórico da linguagem partindo do material em direção a expressões mais abstratas naquilo que chamou de “História Ideal Eterna” em sua obra máxima “Ciência Nova” Samuel Beckett em ensaio sobre o filósofo2 dá um bom exemplo do desenvolvimento filológico do latim:
Lex - semente
Ilex- planta
Legere – Colher, juntar
Aquilex – Aquele que junta água
Lex – Ajuntamento de pessoas, assembléia pública
Legere – Ajuntar letras em uma palavra, ler
Deste modo, seria útil reproduzir tal processo no aprendizado das línguas estrangeiras, passando progressivamente de palavras referentes a objetos, bem definidos no tempo e no espaço, para noções abstratas deles derivadas.
A motivação no processo de aquisição de língua estrangeira
O intuito inicial da pesquisa para esta apresentação era a simples busca por técnicas que venham a motivar um aluno a se dedicar ao aprendizado de uma segunda língua. No entanto, na medida em que pesquisava artigos que falavam do assunto, percebi que a questão não era tão simples. Ela costura questões que vão além do cotidiano da sala de aula. Por uma questão de economia de tempo e por saber que não se poderia esgotar o assunto em um espaço de tempo tão resumido como o que dispúnhamos, foi preciso fazer um recorte e, para tal, selecionei quatro artigos na Internet que ilustravam o meu ponto de vista e a partir deles dissertei e tentei promover um breve debate a fim de enriquecer o tema.
O artigo “A valorização do ensino de língua estrangeira no ensino Fundamental Público – aspectos históricos e políticos do ensino de LE”, de Paula Monique Pereira, destaca que o problema da desmotivação em sala de aula já começa na esfera governamental e a própria legislação deixa brechas que colocam o ensino de LE na condição de uma disciplina secundária e ao longo do ano foi formando-se um senso comum de que não se aprende línguas estrangeiras no colégio, mas em escolas especializadas. Mesmo entre os professores de LE do sistema público há esta aura negativa e percebe-se que em suas práticas a aula não passa de decora de gramática, pois não há espaço para o uso ativo da língua alvo. Esta desmotivação pela qual passam os professores é transmitida, em parte, para os alunos.
Em seu artigo, “A importância da motivação no processo de ensino e aprendizagem”, Sandra Vaz de Lima, graduada em Letras – Português e Inglês e Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia Clinica/institucional destaca o carater introspectivo da aprendizagem. Ela aponta que o conhecimento é algo que vem de fora para dentro, algo que vem para nos integrar e que, portanto carece de nossa permissão. É preciso que o aluno esteja motivado a aprender. Recebem destaque o papel do meio em que o aluno está inserido e a forma como este afeta o processo motivacional e a importância do feedback dado pelo professor em resposta as reações de seus alunos. Também é lembrada a importância da adequação da linguagem empregada pelo professor a de seus alunos e a incansável busca por novas ou mais adequadas técnicas de ensino.
No caminho de encontrar formas eficientes de manter a motivação de alunos de LE, Nilton Varela Hitotuzi publica o artigo “drama-processo: motivação para a aprendizagem de língua estrangeira na zona rural do interior do Amazonas”. O artigo fez-me lembrar que Paulo Freire já dizia em seu livro Pedagogia do Oprimido. Que cada um aprende, de fato, só o que quer aprender e por isso seria importante trazer para o ensino o que faz parte da realidade do aluno. A matéria tem que ser palpável para que o aluno não se desmotive.
Na mesma busca por técnicas motivacionais para a prática docente discorre o artigo da aluna graduanda em Letras – Português e Espanhol Ana Raphaella Shemany Carolino de Abreu Nunes. Seu artigo defende o lúdico no processo de ensino e aprendizagem e revela-nos que o lúdico tem a propriedade de promover um grande esforço voluntário e lembra que a ludicidade é algo da natureza da criança e do adolescente, portanto um meio não agressivo de atingir a voluntariedade necessária para o desenvolvimento das atividades. Sua ressalva dá-se apenas ao fato de que os jogos e brincadeiras não podem nunca deixar de ter seu cunho educativo. Para tanto, é preciso que o professor não perca de vista seus objetivos.
A título de considerações finais deixou-se para que toda turma, futuros professores, de diversas áreas expusessem suas opiniões e idéias em torno da questão.
Bibliografia
BECKETT, Samuel. Dante…Bruno. Vico…Joyce In: James Joyce/Finnegans Wake: a symposium. New Directions: 1971.
CAMPOS, Augusto e CAMPOS, Haroldo. Panaroma do Finnegans Wake. Perspectiva: 2001
PIAGET, J. A Psicogênese dos conhecimentos e a sua significação epistemológica. In: PIATELLI-PALMARINI, Massimo (org.) Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget e Noam Chomsky. Lisboa: Edições 70, 1985
VICO, Giambattista. New Science. Penguin Classics: 2001

