Estilos de Aprendizagem
De Psicologia da Educação
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A Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner
A Teoria das MI (Multiple Intelligences) surge na década de 80 como um modo de definir o que é inteligência de uma forma mais precisa, abrangendo a larga gama de habilidades do ser humano. É um estudo feito por Howard Gardner, um psicólogo americano que observou a necessidade de se contestar se os famosos testes de QI (quociente de inteligência) eram realmente científicos. Ela reconhece sete tipos de inteligência: lingüística, lógico-matemática, musical, corporal-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal, além de admitir a possibilidade de existência de outras mais. Todas as inteligências são definidas a partir de um estudo científico em populações especiais (como prodígios e idiots savants ) que permite observar alguma evidencia de localização no cérebro e o suporte de algum sistema simbólico.
O que é uma inteligência?
Inteligência, para Gardner, é um conceito ficcional que delimita, para fins científicos de reconhecimento e compreensão prática, a habilidade que a pessoa possui de criar e resolver problemas na vida real e a habilidade de oferecer algo que tenha algum valor em sua própria cultura.
Inteligência Lingüística
Localização: Lobos Temporais e Frontais Esquerdos
Definição: consiste na habilidade de utilizar a língua para expressar e compreender significados complexos.
Atividades: Criação de histórias e poemas, confecção de trabalhos escritos, discussões.
Inteligência Lógico-Matemática
Localização: Lobos Frontais e Parietais Esquerdos
Definição: trata-se da inteligência que mais se assemelha ao conceito tradicional, medido pelos testes de QI. Facilidade com problemas lógicos, charadas, cruzadas, xadrez e com cálculos.
Atividades: Diagramas, questionamentos, gráficos, desafios lógicos.
Inteligência Corporal-Cinestésica
Localização: Hemisfério Esquerdo
Definição: Habilidade de utilizar o corpo de maneira a alcançar propósitos expressivos. Capacidade de trabalhar com objetos tanto que necessitem de motricidade específica quanto uso geral do corpo.
Atividades: Teatros, danças, jogos nos quais seja necessário manipular as cartas.
Inteligência Espacial
Localização: Hemisfério Direito
Definição: Capacidade de perceber formas e objetos mesmo quando em ângulos inusitados. Percepção aguçada do visual, das direções no espaço concreto e abstrato e capacidade de imaginar e calcular transformações e deslocamentos entre partes de uma configuração.
Atividades: Quebra-cabeça, desenhos, mapas, diagramas.
Inteligência Musical
Localização: Hemisfério direito, Lobo Frontal.
Definição: Capacidade de reconhecer diferenças e nuances dos sons e reproduzi-las.
Atividades: Criação de músicas, utilização de músicas e instrumentos musicais em conjunto com outras atividades.
Inteligência Interpessoal
Localização: Lobo Frontal
Definição: Capacidade de sentir empatia pelo outro, compreender e perceber suas motivações instintivamente.
Atividades: Atividades em grupo, Trabalho com valores.
Inteligência Intrapessoal
Localização: Lobo Frontal
Definição: Alto auto-conhecimento, capacidade de auto-motivação e de formação de um modelo real de si mesmo que possa ser utilizado para a construção da felicidade social e pessoal.
Atividades: Pesquisas de interesse, desafios, momentos de “insights”.
Modelo de Aprendizagem Experiencial de David Kolb
Kolb pressupõe que todo conhecimento resulta da interação entre teoria (conceitos abstratos) e experiência, e o IEA é baseado neste conceito de educação experiencial. O IEA define o processo de aprendizagem experiencial.
Para entendermos o processo de aprendizagem baseado no modelo aprendizagem experiencial de Kolb, vamos dar uma estudada na seguinte situação:
Quando deparado com a tarefa de determinar a rota mais rápida para voltar para casa à noite, você primeiro formula uma teoria sobre a solução do problema (concepção abstrata). Daí você testa esta teoria (experiência concreta); reflete Sobre ela, e possivelmente faz modificações em sua teoria original (reflexão e observação) e daí, você testa seu plano modificado baseado na experiência acumulada da execução do primeiro plano (experimentação ativa). Cada vez que este ciclo é completado, você ganha mais saber, e, portanto está passando por um processo de educação experiencial.
A Teoria da Aprendizagem Experiencial de David Kolb propõe quatro diferentes estilos de aprendizagem: divergente, caracterizado pela orientação para pessoas e visão por distintas perspectivas; assimilador, ligado a idéias e conceitos abstratos e à construção de teorias; convergente, exímio em lidar com questões técnicas e resolver problemas; e acomodador, bom em operacionalizar planos e assumir riscos. Interessantes correlações têm sido apontadas entre os estilos propostos por Kolb, carreiras profissionais e gênero. Também são amplamente conhecidas as diferenças sexuais em comportamentos, habilidades cognitivas específicas e interesses, tendo a psicologia evolucionista proposto que estas são decorrentes de distintas pressões seletivas que atuaram sobre cada gênero. O objetivo deste trabalho foi investigar estilos de aprendizagem em adolescentes e suas correlações com os interesses escolares, profissionais e suas escolhas profissionais, analisando também tais variáveis em função do gênero. Foram pesquisados 221 estudantes do 3º ano do ensino médio (rede pública e privada), sendo investigados, por meio de questionários, os interesses por disciplinas escolares, atividades profissionais e a escolha profissional ao fim do ano. O Inventário de Estilo de Aprendizagem indicou estilo de aprendizagem do indivíduo.
Resultados apontaram uma concentração dos adolescentes entre os estilos voltados para a reflexão, e predominância do sexo feminino no estilo divergente e do masculino no estilo assimilador. Nos interesses escolares e profissionais da amostra, houve correlações entre estilos ligados ao campo abstrato, disciplinas exatas e atividades técnicas. Os sujeitos do sexo feminino preferiram as disciplinas de línguas e atividades com pessoas do que os do sexo masculino, que preferiram as disciplinas exatas e atividades técnicas. Nos cursos das áreas exatas e engenharias houve mais inscritos do sexo masculino e nos cursos das ciências humanas e sociais aplicadas mais do sexo feminino. As correlações encontradas entre estilos e interesses escolares e profissionais corroboraram as proposições de Kolb e as associações destas variáveis com gênero são apoiadas pela psicologia evolucionista.
As versões resumidas dos estilos de aprendizagem:
Ativistas: Aprendem melhor a partir de tarefas relativamente curtas, tipo aqui-e-agora.
Podem ser atividades gerenciais no trabalho ou em cursos: coisas como jogos de empresa e tarefas competitivas feitas por equipes de trabalho. Têm mais dificuldade de aprender a partir de situações envolvendo um papel passivo, como ouvir palestras ou leitura.
Reflexivos: Aprendem melhor a partir de atividades em que possam ficar recuados, ouvindo e observando. Gostam de colher informações e que lhes seja dado o tempo para pensar sobre elas. Têm mais dificuldade de aprender quando atirados sobre as atividades, sem o tempo necessário para planejar.
Teóricos: Aprendem melhor quando podem reavaliar as coisas, como: um sistema, um conceito, um modelo ou uma teoria. Interessam-se em absorver idéias, ainda que possam estar distantes da realidade atual. Têm mais dificuldade de aprender a partir de atividades sem este tipo de configuração explícita ou implícita.
Pragmáticos: Aprendem melhor quando há uma clara ligação entre a visão do sujeito e o problema ou a oportunidade no trabalho. Gostam de confrontos com a técnica e com processos que podem ser aplicados em suas circunstâncias imediatas. Têm mais dificuldade de aprender a partir de acontecimentos que parecem distantes de sua própria realidade. “Isso se aplica a mim?”.
==Programação Neurolinguistica e aprendizagem
A programação neurolinguística (ou simplesmente PNL) é um conjunto de técnicas, axiomas e crenças que seus praticantes utilizam visando principalmente ao desenvolvimento pessoal. É baseada na idéia de que a mente, o corpo e a linguagem interagem para criar a percepção que cada indivíduo tem do mundo, e tal percepção pode ser alterada pela aplicação de uma variedade de técnicas.
Richard Bandler (criador PNL) – “PNL simboliza, entre outras coisas, uma maneira de se examinar o aprendizado humano. Podemos descrevê-la como um processo educacional que desenvolve forma de ensinar as pessoas a usarem seu cérebro”.
Joseph O’Connor e John Saeymour a “ Programação Neurolínguistica é uma ciência e arte que estuda sobre o que as pessoas fazem para realizar com excelência e eficiência uma tarefa, dentro de uma determinada área e também como ensinar essa habilidade a outras pessoas.(...)” “Essas técnicas estão sendo cada vez mais usadas em terapia, no campo educacional, e profissional, para criar um nível de comunicação mais eficaz, um melhor desenvolvimento pessoal e uma aprendizagem mais rápida”. A parte “Neuro” da PNL reconhece a idéia fundamental de que todos os comportamentos nascem dos processos neurológicos da visão, audição, olfato, tato e sensação. Percebemos o mundo através dos cinco sentidos. Compreendemos a informação e depois agimos. Nossa neurologia inclui não apenas os processos mentais invisíveis, mas também as reações fisiológicas a idéias e acontecimentos. Uns refletem os outros no nível físico.
A parte “lingüística” indica que usamos a linguagem para ordenar nossos pensamentos e comportamentos e nos comunicarmos com os outros.
A “Programação” refere-se a maneira como organizamos nossas idéias e ações a fim de produzir resultados.
Apesar de sua popularidade, a PNL continua a causar controvérsia, particularmente para o uso terapêutico, e depois de três décadas de existência, permanece sem comprovação científica. Afirma que a experiência subjetiva humana da mudança jamais se repete, devido à percepção individual, que é um dos fatores que impede a comprovação. A PNL também tem sido criticada por não ter conseguido ainda estabelecer um órgão regulador e certificador que seja amplamente reconhecido a ponto de poder impor um padrão e um código de ética profissional.
A PNL trata da estrutura da experiência humana subjetiva, da organização interna dos nossos sentidos. Examina a forma como descrevemos isso através da linguagem e como agimos, intencionalmente ou não para produzirmos resultados. Mais que um modelo terapêutico a PNL é um modelo de comunicação que pode ser utilizada em toda e qualquer área humana.
PNL e Aprendizagem
A Neurolinguística encara o aprendizado de duas formas:
O Aprendizado pela cópia - a chamada Modelagem -, o indivíduo faz uma conexão com uma pessoa (que é chamada de "Modelo") ou uma descrição de pessoa, dotada de uma habilidade, comportamento ou estratégia de sucesso. Esta conexão é chamada de "link neurológico" e, em essência, é um estado de focalização mental desencadeado pela atenção, interesse, motivação, envolvimento total. Neste estado é descrito que o indivíduo está "neurologicamente aberto ao aprendizado". É um estado chamado "pleno de recursos".
O aprendizado pela inovação - a chamada Ressignificação e Reestruturação/Reframing -, a pessoa faz uma síntese criativa e, utilizando descrições inusitadas advindas de outras áreas do conhecimento, refaz a percepção, modificando os filtros de percepção, as Crenças e Valores provenientes desta percepção. Um dos mecanismos que usa são as analogias e metáforas e o objetivo é que o significado da experiência seja modificado (Ressignificação) ou a estrutura ambiental ou contextual da experiência seja refeita ou, pelo menos, percebida de forma diferente (Reestruturação ou reposicionamento ou reframing).
Segundo a PNL também podemos distinguir três tipos de canais diferentes que as pessoas utilizam para se comunicar: visual, auditivo ou cinestésico. Muitas pessoas conseguem criar imagens mentais claras e pensar basicamente em termos visuais. Outras acham difícil este modo, falam muito consigo mesmas, enquanto outras baseiam suas ações nas impressões que uma situação lhe provoca- estas são as cinestésicas. Em PNL, quando uma pessoa tende a usar mais um sentido interno diz-se que esse é seu sistema primário ou preferido. Pro isso alguns estudantes podem se sair melhor em determinadas tarefas ou técnicas, pois aprenderam a usar um ou dois sentidos internos, de modo a utilizá-los com facilidade, inconscientemente e sem esforço. Geralmente usamos todos estes canais, mas às vezes um se sobrepõe ao outro.
Há estudos que determinam que, parte da capacidade de aprendizagem se herda e que parte se desenvolve. Estes estudos demonstraram que as crenças tradicionais sobre os ambientes de aprendizagem mais favoráveis são errôneas. Estas crenças sustentam afirmações como: que os estudantes aprendem melhor em um ambiente tranqüilo, que uma boa iluminação é importante para a aprendizagem, que a melhor hora para estudar é pela manhã e que comer dificulta a aprendizagem. Segundo a informação da que dispomos atualmente não existe um ambiente de aprendizagem universal nem um método apropriado para todo mundo. (Prashing 1996, 41-45). Desse modo existem diferentes tipos de alunos e cada qual pode ter predileção por determinado modo ou canal para aprender. Porém não devemos menosprezar o canal pelo que o professor sente predileção, já que será o que utilize para transmitir a mensagem aos alunos de uma forma mais natural. Não obstante, o professor deverá tentar abranger e utilizar todos os sistemas de representação dos estudantes quando planejar uma matéria. Assim torna o conteúdo mais interessante para os alunos pois terá que variar o método de ensino: ora com representações visuais, ora com trabalhos práticos ora com apresentações orais entre outros. Outra vantagem que não podemos esquecer é que as distintas formas de perceber e se expressar em um grupo de alunos favorecem também a tolerância. O trabalho em grupo promove a compreensão. Um bom exemplo de como utilizar os canais de aprendizagem é dado em uma reportagem da revista escola sobre a Escola Derville Allegretti onde o professor Renato Duarte conta que,além de precisar obter o respeito dos alunos é necessário que eles tenham interesse no conteúdo ensinado na escola para que o aprendizado seja efetivo, desse modo ele tenta aproximá-lo o máximo possível da realidade dos alunos. Afinal não podemos esquecer que por mais que possamos utilizar todos os tipos de canais de aprendizagem em nossas aulas, o aluno precisa estar disposto a aprender. Duas experiências abaixo relatadas mostram o quanto podemos ensinar de uma forma divertida e que atinja os canais porque todos os alunos aprendem:
“Para fazer das aulas algo que instigasse seus alunos da 6ª série, Carvalho recebeu o jogo Super Trunfo com entusiasmo em sala. Na brincadeira, vence quem tem as cartas com carros mais potentes ou velozes. Com base no conteúdo estudado, a meninada bolou o Super Trunfo Animal. Os alunos pesquisaram vertebrados e invertebrados e levantaram uma série de características de diversos bichos. Eles criaram os critérios de pontuação, que variaram conforme a sala. Numa turma, os animais em extinção venciam porque eram raros. Em outra, eles perdiam porque, se houvesse uma alteração ambiental, seriam os primeiros a morrer", conta Carvalho (outro professor da Escola Derville Allegretti). "Pedi para eles observarem onde eram fabricados os tênis ou as canetas que usavam. Essa foi a forma de introduzir a discussão sobre a abertura econômica da década de 1990 e os índices de desemprego no Brasil".
Muitos educadores podem ser ótimos profissionais, porém muitas vezes não saber como o processo de aprendizado ocorre e assim como passar adiante o seu conhecimento. A capacidade de aprender é adquirida não quando somos inundados com conteúdo e sim quando aprendemos o mecanismo da aprendizagem: as seqüências e estruturas subjetivas necessárias para que possamos aprender. Uma maneira eficaz de possibilitar o aprendizado é sempre ligar a aprendizagem a algo alegre e divertido. Se o ligarmos ao desconforto e chateação não há porque ficar surpreso se ninguém gosta de aprender.
A PNL tem por objetivo dar as pessoas mais opções de ações. Duas escolhas colocam a pessoa diante de um dilema. Ter escolha significa ser capaz de usar no mínimo três abordagens. Em qualquer interação, a pessoa que tem mais opções, maior flexibilidade de comportamento, estará em condições de controlar a situação. Quanto mais escolhas, maior a chance de sucesso. Os educadores utilizando as técnicas de programação neurolinguistica terão oportunidade de criar novas metodologias, transformar a relação direta com o aluno, a forma de avaliação e de obter o alcance do objetivo maior que é possibilitar ao educando o aprender a aprender.
Bibliografia
SOBRE A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS:
CAMPBELL, L. CAMPBELL, B. DICKINSON, D. Teaching & Learning Through Multiple Intelligences. Estados Unidos: Allyn & Bacon, 1996.
GARDNER, H. Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
Wikipedia, The Free Encyclopedia. 25 de maio de 2009. <http://en.wikipedia.org/wiki/Theory_of_multiple_intelligences>
SOBRE O MODELO EXPERIENCIAL DE DAVID KOLB:
Universia TV, 26 de maio de 2009. <http://biblioteca.universia.net/ficha.do?id=32042635>
Scribd, 26 de maio de 2009. <http://www.scribd.com/doc/340814/Inventario-dos-Estilos-de-Aprendizagem-IEA-David-Kolb>
SOBRE A PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA
Wikipedia, The Free Encyclopedia, 25 de maio de 2009. <http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa%C3%A7%C3%A3o_neurolingu%C3%ADstica#PNL_e_Aprendizagem>
Cibernarium, 25 de maio de 2009. <http://www.cibernarium.tamk.fi/havainnollistaminen_pr/learners.htm>
Homeos, 26 de maio de 2009. <http://www.homeos.pt/Info_cursos/programa%20MAP.pdf>
Revista Online Escola Abril, 26 de maio de 2009. <http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/adolescentes-entender-c>

