Fracasso Escolar
De Psicologia da Educação
O fracasso escolar se diz mais presente na classe de renda baixa, porém sabemos que não é um fracasso inerente somente a esta população (Charlot, 2000). A maioria dos trabalhos sobre este assunto são feitos em escolas públicas por apresentarem a grande maioria de seus alunos, sendo de uma classe menos favorecida. E talvez, a qualidade da educação da escola pública seja também um fator que indique o fato discutido.
Algumas situações colocadas pelas escolas, acabam piorando a relação entre professor e aluno e entre aluno e escola, como um todo. As avaliações impostas, as expectativas criadas, gerando preconceitos em relação a idealizações sobre as condições necessárias e a aprendizagem efetiva, são algumas das situações comentadas anteriormente (Tacca, 1999).
Estes fatos são demonstrados por vários autores (Carraher, 1990; Moysés e Collares, 1992; Patto, 2000; Tacca, 1994) que vêm demonstrando que a escola não está preparada para receber os diferentes tipos de alunos, excluindo os mesmos e criando uma padronização e uma homogeneização.
Vygotsky (1987) diz a relação social ser muito importante para criar uma condição humana. Ou seja, para existir a relação entre professor e aluno, estes devem apresentar uma relação social dentro de sala de aula, demonstrando afeto. Assim, as emoções, necessidades e pensamentos devem ser trabalhados positivamente dentro do contexto escolar.
Para o professor conseguir obter esta relação com o aluno, ele deve observar atentamente o contexto sociocultural em que esta criança está inserida. Não podemos esquecer de que os pais e os outros indivíduos presentes na vida dos alunos também são uma chave importante para o desenvolvimento dos jovens. Desta maneira, deve-se haver o respeito da cultura de cada indivíduo da sala de aula.
Fica claro, então, que deve haver uma troca de valores, onde os alunos devam participar da elaboração dos conteúdos escolares, porém cabendo ao professor identificar e analisar todos os fatos, relacionando-os com os conteúdos escolares, sociais, culturais e de atividades de dia-a-dia.
Como estabelecido por McDermott (1977), não importa o estilo da aula do professor, pois o importante é a relação de confiança que há entre ele e o aluno (o professor deve apoiar, estimular, escutar, ter paciência, desafiar, reforçar explicações e regras e utilizar diversas maneiras de ensino). Para Vygotsky (1991) isto só é possível se o aluno conseguir interagir com uma figura mais experiente que demonstra um apoio emocional e operacional, favorecendo um salto qualitativo na unidade pensamento-emoção.

