Gravidez na Adolescência
De Psicologia da Educação
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO I – TURMA F
A ESCOLA E A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
SUMÁRIO
1. Introdução.....................................................................................................03
2. Por que acontece ?.........................................................................................04
3. Classe social influi ?......................................................................................05
4. Números brasileiros.......................................................................................05
5. Impacto na vida do adolescente (menino, menina) e da família.......................07
5.1. Para a menina............................................................................................07
5.2. Para o menino............................................................................................09
5.3. Para a família.............................................................................................09
6. O papel da escola..........................................................................................10
7. Conclusão.....................................................................................................13
1. Introdução
Quando somos adolescentes muitas vezes pensamos que nada pode nos acontecer e que somos imunes a tudo. E nunca pensamos que uma gravidez pode ocorrer conosco nessa fase da vida.
A gravidez na adolescência pode ser fruto de vontade, falta de diálogo com os pais acerca de sua sexualidade, falta de diálogo com o namorado, não pedindo ao mesmo que utilize camisinha, falta de informação sobre métodos contraceptivos e conseqüente escolha de métodos pouco eficazes (coito interrompido e tabelinha, por exemplo), “medo” de que seus pais achem camisinha ou pílulas anticoncepcionais em suas bolsas, enfim, muitas são as causas da gravidez na adolescência. Elas se manifestam de acordo com a região, o nível social e a escolaridade dos jovens. Entretanto, nem toda gravidez na adolescência é algo não planejado e não desejado! Algumas adolescentes apaixonadas, movidas pela idéia romântica de ficar com o namorado “para sempre”, engravidam sem que os namorados saibam dessa vontade a fim de “prendê-los pela barriga”; outras o fazem pelo desejo de terem um filho mais jovem, outras o fazem em prévio planejamento e acordo com o namorado para tornarem-se “livres” dos pais, entre outras várias razões.
Para entendermos este fato a luz da ciência, reunimos dados de algumas pesquisas e depoimentos de estudiosos sobre o assunto para embasar os fatores multicausais apontados acima.
2. Por que acontece ?
O nível de escolaridade influencia no comportamento sexual e reprodutivo dos adolescentes das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil. Em pesquisa publicada por Roberto do Nascimento Rodrigues, da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria do Carmo Fonseca, da Universidade de Barcelona, e Iúri da Costa Leite, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, mostra que jovens com cinco ou mais anos de escolaridade são menos propensos a ter a primeira relação sexual na adolescência. Esses indivíduos também usam mais anticoncepcionais na primeira relação e apresentam menores riscos de ter filhos, quando comparados com adolescentes com menos de cinco anos de escolaridade.
Em entrevista ao Dr. Dráuzio Varella, a Dra. Adriana Lippi Waissman, médica obstetra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, especializada em gravidez na adolescência, explica que o baixo nível socioeconômico é um fator a ser considerado porque, às vezes, a gravidez representa oportunidade de ascensão social. Além desse, assim como citado na pesquisa acima, a baixa escolaridade também pesa nesse contexto. Ela afirma que “...metade das adolescentes que atendemos no HC já tinha interrompido os estudos antes de engravidar. Isso nos permite pensar que se tivessem continuado a estudar e a receber estímulos pedagógicos e culturais como acontece com as meninas de classe social mais favorecida, talvez nem pensassem numa gestação, porque de uma forma ou outra, a escola representa um fator de proteção para elas”.
Outro fator levantado pela Dra. Adriana é a desestruturação familiar. Diz ela: “Notamos nessas adolescentes grávidas certa dificuldade de relacionamento com os pais. Na verdade, a dificuldade é maior com o pai, tanto que o grande medo é contar para ele que estão grávidas o que retarda, em muitos casos, o início do pré-natal”.
Do ponto de vista biológico, alguns autores destacam como fator importante a menarca, ou seja, a primeira menstruação que vem ocorrendo cada vez mais precocemente, graças talvez à melhora da alimentação ou à interferência do clima. No início do século, na Europa desenvolvida, as meninas menstruavam em média aos 17 anos. Hoje, a média é 12 anos e vem baixando sistematicamente o que poderia estar relacionado com o início precoce da atividade sexual. A falta de informação é questionada pela Dra. Adriana. “Todas sabem que se tiverem uma relação sexual sem os cuidados necessários, podem engravidar. Dados indicam que 92% delas conhecem pelo menos um método contraceptivo, pelo menos a camisinha elas conhecem. Não há menina que não saiba que pode engravidar, mas todas imaginam que isso jamais irá acontecer com elas”.
Fazemos aqui uma ressalva de que todos estes fatores citados devem ser analisados considerando a época atual. Se fizermos uma retrospectiva histórica, veremos que a gravidez na adolescência não é novidade. Existe há muito tempo. É bem provável que nossas bisavós e talvez nossas avós tenham engravidado ainda adolescentes, pois as mulheres se casavam muito cedo. No entanto, o papel da mulher na sociedade mudou e talvez, por isso, o fato de engravidar mais precocemente chame tanto a atenção. Espera-se que a adolescente estude, trabalhe e não que engravide e tenha filhos.
3. Classe social influi ?
Tanto engravidam as adolescentes de classe social mais baixa, quanto às de classe mais alta só que o enfrentamento da situação é diferente. No que se refere às jovens de classe social mais favorecida, infelizmente, há poucos trabalhos sobre o assunto porque é difícil levantar dados nos consultórios particulares que, em geral, elas freqüentam. No entanto, sabe-se que essas contam mais com a possibilidade de interromper a gravidez, se desejarem, e têm outros objetivos na vida o que não acontece com as de classe social menos favorecida para as quais a gravidez pode representar uma forma de ascensão social, já que muitas vezes seus companheiros possuem nível socioeconômico um pouquinho melhor que o delas.
4. Números brasileiros
Para entendermos a abrangência deste fenômeno no território nacional apresentamos a seguir alguns números que mostram uma elevação da taxa de gravidez entre as jovens ao longo dos anos.
Enquanto a taxa de gravidez em mulheres adultas cai, aumenta o número de casos de gravidez na adolescência e diminui a idade das adolescentes grávidas. Segundo os dados do IBGE, desde 1980 o número de adolescentes (15 a 19 anos) grávidas aumentou 15%. Isso significa que, no Brasil, anualmente, pelo menos 700 mil jovens têm filho, sendo que 1,3% delas têm idade entre 10 e 14 anos.
Em 1999, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 756.553 partos em adolescentes de 10 a 19 anos, o que corresponde a 27% do número total de partos realizados pelo Sistema. Entre 1993 e 1999 houve aumento de aproximadamente 30% do número de partos feitos no SUS em adolescentes mais jovens, entre 10 a 14 anos. O parto normal é atualmente a principal causa de internação de brasileiras entre 10 e 14 anos. De acordo com uma pesquisa feita em alguns estados em 1996, cerca de 10% das adolescentes tinham pelo menos dois filhos aos 19 anos.
Em entrevista ao Dr. Dráuzio Varella, a Dra. Adriana Lippi Waissman, médica obstetra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, especializada em gravidez na adolescência, afirma que estamos enfrentando atualmente uma epidemia de gravidezes em adolescentes. “Para ter-se uma idéia, em 1990, cerca de 10% das gestações ocorria nessa faixa etária. Em 2000, portanto apenas dez anos depois, esse índice aumentou para 18%, ou seja, praticamente dobrou o número de mulheres que engravidam entre os 12 e os 19 anos”. Ela também confirma os dados acima de que no Brasil o número de partos em adolescentes abaixo dos 20 anos gira em torno de 700.000 por ano o que representa uma parcela significativa da população nessa faixa etária.
Ela faz uma ressalva, porém, que chamou sua atenção no atendimento a estas jovens o fato de nem sempre a gravidez ser realmente indesejada. “Aproximadamente 25% de nossas adolescentes planejaram a gestação e muitas abandonaram o método contraceptivo que usavam com o intuito declarado de engravidar”.
Segundo o Sistema de Informações de Atenção Básica do Ministério da Saúde, o percentual de gestantes com menos de 20 anos de idade no Brasil, em 2005, era de 24,68%, enquanto no Rio Grande do Sul este valor era de 21,57%.
| 2001 | 2002 | 2003 | 2004 | 2005 | Brasil | 26,73% | 24,87% | 25,54% | 25,04% | 24,68% | R G do Sul| 22,42% | 22,00% | 21,41% | 21,05% | 21,57% |
5. Impacto na vida do adolescente (menino, menina) e da família.
5.1 Para a menina
De início, é um choque porque a adolescente está vivendo uma fase de transição em busca da própria identidade. Perguntas elementares como “quem sou?”, “o que estou fazendo aqui?”, “qual vai ser meu papel neste mundo?”, ainda estão sem respostas e ela se depara tendo de enfrentar uma gravidez que atropela seu desenvolvimento e a obriga também a buscar sua identidade como mãe. Isso, em grande parte dos casos, provoca maior dependência da família e interrompe o processo de separação com os pais e destes com a adolescente. Não sabendo exatamente quem é, se adolescente ou mãe, adota uma postura infantilizada que atrapalha seu caminho para a profissionalização. Sabemos que posteriormente essas jovens podem voltar a estudar ou começam a trabalhar, mas em geral ocupam posições piores do que aquelas que não tiveram filhos nessa idade. Portanto, as seqüelas não se limitam aos aspectos psicológicos. Refletem-se também no campo social.
Do ponto de vista físico-biológico, a gravidez na adolescência é de alto risco. A incidência de hipertensão, doença freqüente na gravidez é cinco vezes maior nas adolescentes que também são mais propensas a ter anemia. Muitas já estavam anêmicas quando engravidaram e têm o problema agravado durante a gestação o que aumenta o risco de bebês prematuros, com peso menor e a necessidade de cesárea. Em geral, a dieta das adolescentes não é balanceada.
Cerca de 40% delas têm uma ingesta inadequada de proteínas o que pode evoluir para a restrição do crescimento fetal, por exemplo. Por isso, durante todo o pré-natal, calcula-se o ganho ponderal não só das adolescentes, mas das mulheres adultas também e, com a ajuda de uma nutricionista, procura-se orientar os hábitos alimentares. Isso é importante porque gestante muito magra precisa ganhar peso e as mais gordinhas devem adotar uma dieta menos calórica e mais protéica para evitar complicações indesejáveis. É comum encontrarmos adolescentes que trocam qualquer coisa por um pacote de salgadinhos ou um sanduíche. Entretanto melhor seria que comessem frutas ou verduras, uma vez que certas alterações fisiológicas são normais durante a gravidez. O funcionamento dos intestinos, por exemplo, é mais irregular e melhora bastante com a ingestão de verduras, frutas e água.
Essas jovens mães estão atravessando uma fase de transição, estão aprendendo a ser adultas e mães ao mesmo tempo, mas continuam ainda um pouco crianças. O que se pode constatar é que cerca de 60%, quando retornam um mês depois do parto para a consulta, dizem não estar amamentando os bebês exclusivamente com leite materno. O ideal seria que 100% delas o fizessem, pois, do ponto de vista psicológico, amamentar intensifica o relacionamento mãe/filho, ajuda no desenvolvimento e previne doenças do bebê.
A gravidez nessa época da vida pode acarretar muitos efeitos negativos nos futuros pais adolescentes. O isolamento social é a primeira coisa que acontece assim que uma adolescente engravida. A princípio essa gravidez é escondida, falta coragem para enfrentar a sociedade, e essa adolescente torna-se, às vezes, receosa de seus próprios pais. Há insegurança, medo, vergonha, desespero, desorientação, solidão...
A gravidez pode também interromper os avanços sociais e econômicos desta adolescente e do pai da criança, quando também adolescente. Embora não requerido oficialmente para retirar-se da escola, a maioria das meninas grávidas o faz voluntariamente, às vezes por vergonha das amigas, às vezes para casar-se às pressas a mando dos pais, às vezes por medo de enfrentar a sociedade, às vezes pela necessidade de trabalhar para o sustento dessa criança. O adolescente se vê “obrigado” a ter responsabilidades antes da “hora”, e faz com que o mesmo enfrente tanto as transformações próprias da adolescência como as da gestação.
As adolescentes que engravidam e seus namorados devem contar aos seus pais o mais rápido possível para que tenham apoio psicológico e no caso da menina, para que seja encaminhada a um médico para fazer o pré-natal, a fim de evitar complicações médicas. As adolescentes grávidas requerem compreensão especial, cuidado médico e instrução, principalmente sobre nutrição, infecções, abuso de substâncias e complicações da gravidez.
5.2 Para o menino
No passado, o menino que engravidava a namorada tinha de casar com ela porque era ameaçado de morte se não o fizesse. Hoje essa responsabilidade de casamento deixou de existir na grande maioria dos casos, mesmo porque a sociedade assumiu uma postura mais liberal em relação ao fato. No entanto, o que percebemos é que os meninos muitas vezes gostam da gravidez de suas companheiras porque isso representa uma maneira de firmar a própria masculinidade. Eles também estão atravessando uma fase de transição, de busca da identidade e, de uma forma ou outra, a gravidez da companheira é prova de que são realmente homens. O adolescente vê na gravidez da garota uma maneira de perpetuar a família. O menino se preocupa com isso e soma a essa idéia de continuidade da família a sensação de estar criando algo próprio, que é dele mesmo. Então, na maioria das vezes, eles acabam assumindo essas gestações. Assumir não significa morar junto na mesma casa, embora isso possa acontecer. Não são raros os casos de adolescentes que acabam se unindo ao companheiro durante o pré-natal. Não se casam necessariamente no papel, mas mudam o estado matrimonial e passam a constituir uma família.
5.3 Para a família
A reação dos familiares quando a adolescente engravida é sempre um choque. Pai e mãe consideram a filha ainda uma menina que há pouco tempo deixou de brincar de bonecas e também estão aprendendo a lidar com sua adolescência, mas acima de tudo são pais e acabam aceitando o fato. Parece que as mães têm mais facilidade para enfrentar a situação talvez porque muitas também tenham engravidado adolescentes. Na verdade, mais ou menos metade das mães passou por essa experiência o que torna o problema menos complicado para as filhas: “Minha mãe tinha 13 ou 14 anos quando eu nasci, por isso não vai poder falar nada”. Para o pai o choque é maior, mas ele também acaba se habituando com a idéia.
Alguns pais podem ser mais radicais e eventualmente ameaçam expulsar a adolescente de casa, o que às vezes acontece e elas vão viver com outros parentes. O que se percebe, porém, é que depois que a criança nasce, eles mudam de comportamento.
Além disso, há o detalhe da avó, mãe da adolescente, que também está aprendendo a lidar com novos papéis: sua filha é mãe e ela, avó. Às vezes, porém, essas avós acabam atrapalhando ao assumir o papel das mães e, por isso talvez tenha aumentado o índice de reincidência de gravidezes na adolescência. A menina engravida de novo porque considera fácil cuidar de um bebê, o que está longe de ser verdade. Só é fácil se alguém o fizer por ela. A mãe adolescente que tem sob sua responsabilidade cuidar da criança, no momento em que for rever os planos para o futuro (se existem obstáculos sem filhos, imagine com eles), vai pensar duas vezes antes de engravidar de novo.
6. O papel da escola
Relação entre escola e gravidez na adolescência é evidenciada em pesquisa nacional. A gravidez na adolescência é maior entre as meninas que estão fora da escola, aponta pesquisa realizada pelas universidades federais da Bahia (UFBA), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apresentada no último dia 8 em Brasília.
O trabalho Gravidez na Adolescência: Estudo Multicêntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reprodução no Brasil, que ouviu 4.634 jovens de 18 a 24 anos em Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre, constatou que, entre as jovens com filhos, 40,2% já estavam fora da escola antes da gravidez. O resultado mostra ainda que, dentre as garotas que engravidam, 27,6% param de estudar temporariamente no primeiro ano do nascimento do bebê e 18,4% param definitivamente. A realidade é bem diferente entre os meninos: a paternidade não afeta a situação escolar da grande maioria deles, exceto para 19,5% dos jovens pais que pararam temporária ou completamente de estudar no primeiro ano após o nascimento da criança.
Diante do estudo, os especialistas propõem que os sistemas de ensino criem condições para evitar a evasão escolar de meninas que engravidam, bem como desenvolvam estratégias para a reinserção das jovens que deixaram a escola.
Informe Especial sobre o direito à educação de meninas, elaborado por Vernor Muñoz Villalobos, relator da ONU pelo direito à educação, mostra que essa não é uma realidade apenas do Brasil. “Em alguns países, mais de 50% das mulheres casam-se antes dos 18 anos e são obrigadas a abandonar os estudos”, diz. “Outras vezes as garotas correm o risco de serem expulsas de seus centros educacionais. Portanto a única opção de continuar na escola é não ter o filho”.
Por outro lado, o documento traz notícias de países que introduziram importantes avanços em suas legislações, garantindo às meninas grávidas seu direito à educação formal ao conceder apoio – de diversas formas – às jovens mães.
No início do mês de dezembro de 2006 foram divulgados 11 projetos selecionados pelo Programa Educação e Gravidez na Adolescência da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC). A maioria deles tratava de formação de professores e produção de material didático sobre o tema. Ao todo, foram enviados 95 projetos por universidades, prefeituras e organizações não-governamentais. Cada proposta receberá cerca de R$ 40 mil para o desenvolvimento, em sala de aula, de atividades destinadas a reduzir os altos índices de gravidez na adolescência. Não há informação, no entanto, de ações do MEC no sentido de apoiar as jovens mães para que abandonem a escola, conforme recomendação da relatoria da educação de meninas da ONU.
Implementado em algumas escolas do Brasil, sendo 20 em Curitiba, o Programa Prevenção e Promoção da Vida está ajudando a reduzir os índices de meninas grávidas, além de estimular a valorização da auto-estima e do próprio corpo. Desde 2003, o Ministério da Educação oferece um trabalho de orientação sexual, que inclui concursos de cartazes, teatros, apresentação de filmes e discussão de textos sobre o tema. De acordo com a professora Thaís Manikoswski, que coordena o projeto em duas escolas da rede estadual, os estudantes são instigados a pensar no futuro. “Eles fazem até simulação do custo financeiro de ter um filho”, afirma. Uma das adolescentes participantes conta que, munida de informações, fica mais difícil se deixar levar pela pressão dos outros. A Secretaria de Estado da Educação (Seed) pretende estender o programa para todas as escolas da rede. Segundo a coordenadora Célia Mewes, 97% das escolas desenvolvem atividades relacionadas ao tema, mas elas ainda acontecem de forma pontual. A secretaria está elaborando um projeto político-pedagógico para garantir ações durante todo o ano e cursos de capacitação para os professores dos grandes centros, como Londrina, Maringá e Ponta Grossa.
7. Conclusão
Vimos que são muitos os meios que levam a jovem a engravidar: falta de diálogo com os pais acerca de sua sexualidade, falta de diálogo com o namorado, não pedindo ao mesmo que utilize camisinha, falta de informação sobre métodos contraceptivos e conseqüente escolha de métodos pouco eficazes (coito interrompido e tabelinha, por exemplo), “medo” de que seus pais achem camisinha ou pílulas anticoncepcionais em suas bolsas. Observamos que estas causas se manifestam de acordo com a região, o nível social e a escolaridade dos jovens. No pensamento fantasioso do adolescente, nada pode acontecer com ele. Mas não é só isso. Ficou provado também que muitas adolescentes querem engravidar, por uma série de fatores que os beneficia de alguma forma. Acreditamos que o que fica de lição é que deve haver orientação, em casa e na escola, para que os jovens tenham consciência de que a criação de um filho é muito difícil e exige dedicação e uma estrutura psicológica e financeira adequada. O jovem deve estar ciente de que perderá sua liberdade e assumirá compromissos de um adulto. Se ele entender todos os reflexos que isso ocasiona e ainda assim quiser gerar uma criança, deve então receber todo apoio dos familiares e das instituições para que seja feito da melhor forma possível.
REFERÊNCIAS
http://www.agenciabrasil.gov.br
http://www.acaoeducativa.org.br
http://drauziovarella.ig.com.br

