Informática Na Educação

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

A educação e a informática

A utilização da Internet na educação é um tema que vem sendo discutido há algum tempo e que desperta muita polêmica por diversos motivos. Desde que as propostas de inserção da tecnologia no aprendizado começaram a ser feitas, diversas possibilidades para que isso fosse feito surgiram, como jogos interativos e softwares educativos em geral.

Apesar de os resultados da utilização dessas ferramentas em sala de aula não serem sempre positivos (quando as atividades são mal ministradas), sabe-se que hoje a escola não pode ignorar a informática; a possibilidade de abstrair a sua existência e a sua importância não existe, pois ela é imprescindível no mundo em que essa instituição está inserida. A tecnologia é, muitas vezes, inerente ao mundo do próprio aluno, pois há, no cotidiano, muitos ambientes e situações que fazem uso da tecnologia como veiculação/produção do conhecimento, como bancos, lojas, inscrição para concursos etc, e, sendo assim, é uma ferramenta que não pode ser desdenhada. Utilizar a informática na sala de aula é uma forma de sintonizar o aluno com a vida contemporânea, além de quebrar com a concepção tradicional de transmissão do conhecimento, uma vez que a comunicação é dada pela participação e intervenção tanto do aluno quanto do professor.

As tentativas de utilizar a tecnologia no ensino vêm causando discussões diversas, entre as quais podemos citar a questão de até onde jogos e softwares realmente seriam vantajosos para os alunos. Outra questão seria a que trata do uso da Internet como fonte do próprio conhecimento e sobre as implicações disso na estrutura da escola como a conhecemos hoje.

Os jogos educativos vêm sendo elaborados, pesquisados e testados há anos, e através de tais pesquisas foram criadas ferramentas que abordam praticamente todas as áreas de ensino, da matemática às línguas, contando com interatividade e recursos bastante ricos nesse sentido. Sobre os jogos e softwares, trataremos mais tarde, com mais detalhamento, para que se possa entender melhor a diversidade de opções que existem atualmente e como elas se subdividem.

Uma das questões polêmicas mencionadas acima foi a da Internet como fonte do conhecimento e da implicação disso na escola. Essa questão acaba por envolver muitas outras como, por exemplo, a do plágio e a da antipatia de alguns professores com relação ao uso mais efetivo dos computadores no ensino. Entre os muitos problemas levantados sobre a Internet como ferramenta de ensino está o de que os professores não recebem, atualmente, uma preparação adequada para que, saindo da graduação, saibam como e quando devem utilizar a tecnologia para que ela funcione a seu favor, de modo a melhorar o desempenho dos próprios alunos, tornando a prática do ensino algo mais próximo da realidade dos mesmos e também algo menos ortodoxo.

A mudança, para que de fato ocorra, deve iniciar pela capacitação dos professores. Deve-se aproximar deles a tecnologia para que ela se torne algo natural e óbvio, sendo possível de levar, assim, essa bagagem de conhecimento tecnológico para dentro da escola, mais tarde. Apesar de estarmos longe do ideal, felizmente podemos mencionar que o tema da Internet vem sendo debatido no ensino superior, já que nós, como professores em formação, tivemos várias vezes a chance de debater e refletir sobre esse tema durante nosso curso.

Outro ponto que gostaríamos de abordar, ainda que de forma superficial, é um que decorre do ponto tratado acima (da necessidade de aproximação professor/tecnologia na formação superior sob pena de inadequação mais tarde), que seria o da antipatia para com a utilização da Internet por parte de professores – principalmente os mais velhos, de uma geração mais antiga. Esse estranhamento causa uma aversão ao uso da tecnologia na educação e aí temos um problema que sabemos ser bastante comum, infelizmente: mesmo com o incentivo do governo e de diversas instituições de educação ao uso da Internet e dos computadores no ensino básico, a aversão e a resistência dos professores em aceitar essa mudança acaba por dificultar e muitas vezes abortar planos de inclusão tecnológica em diversos espaços de ensino. Com todas as mudanças causadas por essa evolução no ensino, os professores precisam se adaptar a essa nova maneira de ensinar. Os professores passam por um novo desafio, não só se atualizar e conhecer as novas ferramentas, como softwares e até mesmo a Internet, como também rever antigos conceitos. Uma das grandes mudanças na sala de aula é a maneira como é tratada informação e conhecimento. Se antes, eram ‘a mesma coisa’ numa sala de aula, agora é trabalho do professor diferenciar e ensinar os alunos a fazer essa diferenciação, o que é só informação e o que pode ser elaborado para se tornar conhecimento. O professor pode até se sentir ameaçado, mas ele sabe que precisa se adaptar a essa nova realidade onde ele não possui mais o controle absoluto de sua aula e nem a verdade absoluta da matéria que ensina.

As reações dos professores frente a essa nova realidade são as mais diversas, por isso não podemos falar em tendências na maneira de ensinar daqui para frente de uma maneira generalizada. A idade, o tempo de exercício da profissão, condições sociais e econômicos, tudo isso ajuda a determinar a maneira como o professor decide lidar com a tecnologia em sala de aula.

Nas escolas públicas, o incentivo do governo se torna fundamental. Temos atualmente alguns planos de incentivo ao uso do computador e da Internet na escolas, incluindo-se nessa lista o próprio incentivo do MEC, sobre o qual trataremos mais tarde. Diversas instituições recebem computadores com acesso a Internet para que façam uso deles de maneira a deixar as atividades de ensino mais compatíveis com o mundo moderno, do qual os alunos em formação provêm, mas não são raros os casos em que esse incentivo acaba sendo desperdiçado. Muitas vezes o desperdício é voluntário, como quando professores resistem à mudança, seja por acreditarem que não estão preparados para lidar com a tecnologia, seja por acreditarem que os alunos a usarão de maneira irresponsável (com entregar trabalhos copiados da web, por exemplo), seja por simplesmente não enxergarem os benefícios que podem vir dessa prática. Já em outras ocasiões o desperdício acaba por ser involuntário, quando, por exemplo, a escola e os professores estão dispostos a utilizar da melhor forma o incentivo do governo, mas encontram obstáculos como falta de recursos humanos (seja para a própria instalação dos computadores/redes, seja para a monitoria dos laboratórios) ou mesmo falta de recursos financeiros para a construção da infra-estrutura requerida.

Os integrantes desse grupo são estudantes do curso de Letras e tiveram a chance de participar de observações em escolas durante esse semestre, sendo, portanto, colocados em contato direto com a realidade e com os problemas enfrentados por elas. Um dos problemas que verificamos foi justamente o da utilização da informática no ambiente de ensino. Uma das escolas observadas pode ser usada como exemplo do problema citado acima, já que recebeu um laboratório de informática, mas fica privada do pleno uso dele já que não conta com professores/monitores capacitados para cuidar do laboratório.

A utilização de computadores no ensino, com todos os seus recursos e todas as suas ferramentas, é um assunto bastante complexo e muito polêmico que tem muitas facetas para serem discutidas. Esperamos poder tratá-lo, ainda que de maneira não muito profunda, de modo a esclarecer e expor os seus pontos polêmicos, os positivos e os negativos.

Incentivos Governamentais

Programa Nacional de Tecnologia Informacional – ProInfo

O ProInfo é um programa educacional criado pela Portaria 522/MEC, de 9 de abril de 1997, que tem como objetivo promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica. Leva às escolas computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. Em contrapartida, estados, Distrito Federal e municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os laboratórios e capacitar os educadores para uso das máquinas e tecnologias.

O programa divide-se em Rural e Urbano. Para as escolas serem aptas a serem selecionadas, elas precisam ser de ensino fundamental, ter acesso à energia elétrica e não possuírem laboratório de informática. As escolas da rede rural devem ter mais de 50 alunos, enquanto as escolas da rede urbana devem ter mais de 100 alunos.

A composição dos laboratórios é:

DISTRIBUIÇÃO PROINFO URBANO 2009

ITENS: 1 servidor de rede; 15 estações para o laboratório de informática; 2 estações para área administrativa; Monitores LCD; 1 Roteador Wireless; 1 Impressora Laser; 1 Leitora de Smart Card; Sistema Linux Educacional; Garantia de 3 anos; Não acompanha mobiliário.

Dados relevantes: Sala com Segurança (grades nas portas e janelas); Mobiliário para acomodar 18 terminais e 1 impressora; Onze tomadas de pino triplo, sendo dez para o laboratório e uma área administrativa

DISTRIBUIÇÃO PROINFO RURAL 2009

ITENS: 1 servidor; 4 estações; Monitores LCD; 1 Impressora Jato de Tinta; Linux Educacional; Garantia de 3 anos; Mobiliário (5 mesas para computador, 5 cadeiras e 1 mesa para impressora);

Dados relevantes: Sala com Segurança (grades nas portas e janelas); Uma tomada de pino duplo para o laboratório.

Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional – ProInfo Integrado

O ProInfo Integrado é um programa de formação voltada para o uso didático-pedagógico das tecnologias da informação e comunicação no cotidiano escolar, articulado à distribuição dos equipamentos tecnológicos nas escolas e à oferta de conteúdos e recursos multimídia e digitais oferecidos pelo Portal do Professor, pela TV Escola e DVD Escola, pelo Domínio Público e pelo Banco Internacional de Objetos Educacionais. Podem participar professores e gestores das escolas públicas contempladas ou não com laboratórios de informática pelo ProInfo, técnicos e outros agentes educacionais dos sistemas de ensino responsáveis pelas escolas.

São ofertados os seguintes cursos:

  • Introdução à Educação Digital (40h) - Curso básico para professores que não têm o domínio mínimo no  manejo de computadores/Internet -  . O objetivo deste curso é  possibilitar aos professores e gestores escolares a utilização de  recursos tecnológicos tais como: processadores de texto, apresentações multimídia, recursos da Web para produções de trabalhos escritos/multimídia, pesquisa e análise de informações na Web, comunicação e interação (e-mail, lista de discussão, bate-papo, blogs). 
  • Tecnologias na Educação: ensinando e aprendendo com as TIC (100h) - visa a oferecer subsídios teórico-metodológicos-práticos para que os professores e gestores escolares possam: compreender o potencial pedagógico de recursos das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no ensino e na aprendizagem em suas escolas; planejar estratégias de ensino e de aprendizagem,  integrando recursos tecnológicos disponíveis e criando situações para a aprendizagem que levem os alunos à construção de conhecimento, ao trabalho colaborativo, à criatividade e resultem efetivamente num bom desempenho acadêmico; e utilizar as TIC nas estratégias docentes, promovendo situações de ensino que focalizem a aprendizagem dos alunos e resultem numa melhoria efetiva de seu  desempenho.  
  • Elaboração de Projetos (40h) - visa capacitar os professores e gestores escolares para que eles possam desenvolver projetos a serem utilizados na sala de aula junto aos alunos, integrando as tecnologias de educação existentes na escola.
  • Curso Especialização de Tecnologias em Educação (400h): A proposta principal do Curso Tecnologias em Educação é propiciar a formadores/multiplicadores dos Programas ProInfo Integrado, TV Escola, Mídias na Educação, Formação pela Escola e Proinfantil e a professores efetivos da rede pública de ensino e gestores escolares especialização, atualização e aprofundamento nos princípios da integração de mídias e a reconstrução da prática político-pedagógica. Esses objetivos gerais podem ser desdobrados nos principais objetivos específicos:

 Desenvolver competências que permitam orientar, produzir, capacitar e apoiar o uso/aplicação político-pedagógica das tecnologias de informação e comunicação nos sistemas escolares das diversas unidades da federação;

 Possibilitar a tomada de consciência para compreender as várias dimensões do uso pedagógico das novas mídias e tecnologias, favorecendo a reconstrução das práticas educativas, tendo em vista o contexto da sociedade em constante mudança e uma nova visão epistemológica envolvida nos processos de conhecimento;

 Planejar e executar ações a partir de uma ótica transformadora viabilizando a articulação entre o projeto político-pedagógico, as atividades de gestão e a prática educativa mediada por tecnologias.

O ProInfo Integrado é um programa do Ministério da Educação, vinculado à Secretaria de Educação a Distância.

Mídias na Educação

Mídias na Educação é um programa de educação a distância, com estrutura modular, que visa proporcionar formação continuada para o uso pedagógico das diferentes tecnologias da informação e da comunicação – TV e vídeo, informática, rádio e impresso. O público-alvo prioritário são os professores da educação básica.

Há três níveis de certificação, que constituem ciclos de estudo: o básico, de extensão, com 120 horas de duração; o intermediário, de aperfeiçoamento, com 180 horas; e o avançado, de especialização, com 360 horas.

O programa é desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância (Seed), em parceria com secretarias de educação e universidades públicas – responsáveis pela produção, oferta e certificação dos módulos e pela seleção e capacitação de tutores.

Entre os objetivos do programa estão: destacar as linguagens de comunicação mais adequadas aos processos de ensino e aprendizagem; incorporar programas da Seed (TV Escola, Proinfo, Rádio Escola, Rived), das instituições de ensino superior e das secretarias estaduais e municipais de educação no projeto político-pedagógico da escola e desenvolver estratégias de autoria e de formação do leitor crítico nas diferentes mídias.

Jogos e Softwares Educacionais

Os softwares educativos são programas, em sua maioria de computador, que têm a função de auxiliar na aprendizagem do educando, enquanto fazem uso de conteúdo didático aliado a recursos lúdicos - o que torna a construção do conhecimento mais prazerosa. Como criador do ambiente de aquisição de conhecimento, ao aplicar o uso de tecnologias computadorizadas, o professor permite ao aluno que este se torne agente construtor do próprio conhecimento. Neste breve texto, trataremos principalmente a respeito de uma das modalidades de software educativo: os jogos.

Os softwares educacionais nem sempre são vistos como instrumentos educativos. Algumas vezes sofrem resistência, sobretudo dos educadores mais antigos (que muitas vezes não sabem lidar adequadamente com computadores). Porém, a informática evoluiu tão rapidamente nos últimos tempos - inclusive na área da educação, que se tornou impossível evitar o contato com a tecnologia digital em sala de aula.

Entre as modalidades de softwares, podemos destacar os tutoriais, os de exercício e prática – bastante comuns em cursos de inglês, os aplicativos – de texto, de apresentação de slides, de desenho, os de simulação e os jogos. Para a boa utilização destes instrumentos, cuidados devem ser tomados, como por exemplo: verificar a faixa-etária para a qual o programa é voltado, saber se o software realmente desperta o interesse dos alunos, se possui utilização acessível. Também deve haver atenção para com a freqüência de sua utilização, sempre tendo em mente que ele é um facilitador, um meio alternativo que auxilia a produção do conhecimento, e não um fim em si mesmo.

A respeito dos jogos, o foco deste texto, há uma afirmação bastante interessante de Vygotsky: ele disse que através do jogar a exploração do mundo torna-se ainda mais estimulante, que adquirimos autoconfiança, organizamos os pensamentos e aprimoramos a linguagem. Jogando aprendemos a agir, estimulamos a vontade de conhecer, adquirimos iniciativa, permanecendo mais atentos e concentrados. Os jogos virtuais, no caso, permitem a imersão em ambientes atraentes, onde devem ser tomadas decisões; têm caráter dinâmico; possuem regras bem definidas; auxiliam no desenvolvimento motor; incitam a resolução de problemas (para encontrar soluções, o jogador tem que buscar seus conhecimentos prévios e utilizá-los, senão, ele deve adquirir estes conhecimentos no decorrer do jogo). Quanto aos jogos, alguns cuidados devem ser tomados para que a sua utilização seja adequada: é importante que haja feedback, ou seja, o aluno possa verificar onde errou e onde acertou; Deve haver qualidade nos dados (correção); As mensagens devem ser objetivas e utilizar um vocabulário adequado para a idade alvo; Deve haver diálogo entre o jogo e o jogador.

Vale ressaltar que hoje há um número tão grande de jogos desenvolvidos que praticamente todas as áreas de conhecimento estudadas nas escolas são abordadas. Matemática, linguagens, ciências, história e química, por exemplo, são apresentadas em forma de jogos de ação, esportes, quebra-cabeças, aventura (exploração) e até RPGs. Cabe aos educadores a sabedoria para utilizar esses inúmeros recursos que a tecnologia da informática proporciona para auxiliar no desenvolvimento do educando, tornando a aprendizagem mais agradável e atual, fugindo um pouco das fórmulas tradicionais - que embora não devam ser descartadas, devem ser repensadas e atualizadas. É sempre importante que o professor busque maneiras inovadoras e de qualidade para tornar suas aulas mais próximas da realidade dos alunos e permitir que eles tenham acesso a novos horizontes, rompendo com paradigmas que causam a estagnação da educação.

Referências

ProInfo: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=244&Itemid=462

ProInfo Integrado: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13156&Itemid=823

Mídias na Educação: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12333:midias-na-educacao&catid=298:midias-na-educacao&Itemid=681

ALVES, L. R. G., NOVA, C. C. Educação e tecnologia: trilhando caminhos. Salvador : Editora da UNEB, 2003, v.1.

A internet na escola fundamental: sondagem de modos de uso por professores http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022003000200008&lng=pt&nrm=iso

Mudanças geradas pela internet no cotidiano escolar: as reações dos professores http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2006000200007&lang=pt

Dissertação de Mestrado em Educação, Ana Maria Torres Alvarez, Informática na Educação – Estudo dos jogos educacionais computadorizados, Universidade Católica de Santos, 204.

Jogos Educacionais - Liane Margarida Rockenbach Tarouco, Letícia Coelho Roland, Marie-Christine

Julie Mascarenhas Fabre, Mary Lúcia Pedroso Konrath - CINTED, UFRGS http://www.fe.unb.br/linhascriticas/n27/contribuicao.html

http://www.ufrgs.br/comunicacaosocial/jornaldauniversidade/pagina8e9.htm

Ferramentas pessoais