Informática na Educação +
De Psicologia da Educação
1 INTRODUÇÃO
Estamos vivendo em um limiar de uma era. Um mundo novo totalmente inimaginável se avizinha. São uma enorme quantidade de mudanças que estão as vésperas deste salto de qualidade. Parte decisiva deste processo de mudanças são as TIC – tecnologias da informação e comunicação, e a interação desta com outros campos da ciência como a biologia, psicologia, nanotecnologia etc são as portas deste novo mundo. O mesmo podemos dizer em relação ao uso das novas tecnologias e a educação. O objetivo deste trabalho será apresentar um estudo sobre esta inovação e suas conseqüências.
As investigações sobre o impacto da tecnologia podem assim ser divididas em dois grupos: o primeiro considera que as inovações tecnológicas e os recursos delas derivados são instrumentos que objetivam amplificar as capacidades humanas para resolver problemas, levar o homem a superar limites. Enquanto o segundo grupo entende que a tecnologia alarga a potência criadora do homem, em resposta a isso o ser humano sofre modificações, é afetado pela tecnologia de maneira que surgem nele novas necessidades, novos questionamentos que fazer vir à tona novas formas de conhecer e pensar, novos modos de perceber a realidade e pode-se dizer também: novas formas de ensinar.
Sendo assim, as novas tecnologias na educação não geram novas soluções para antigos desafios, mas, sobretudo, inserem no campo de atuação do professor fazeres diferentes, criações de propostas pedagógicas como resultados que não podem ser antecipados, que vão atualizando-se nas relações novas que se configuram entre o homem e os dispositivos tecnológicos, ou seja, trata-se da emergência de tecnologias intelectuais.
METODOLOGIA
O presente trabalho trata-se de uma breve revisão de literatura sobre a informática como instrumento educacional. Nesta abordagem contém assuntos pertinentes a este tema, como a acessibilidade digital, a educação à distância e o alcance da tecnologia na educação, bem como a contextualização nos dias atuais.
Para isto, foi realizado pesquisa na literatura científica sobre estas principais questões, onde foram utilizados livros, artigos científicos de periódicos e páginas eletrônicas. E por fim, a contextualização do tema se dá através da realização de entrevista com um profissional educador atuante nesta área.
3 REVISÃO DE LITERATURA
A seguir será descrita uma breve revisão de literatura sobre a acessibilidade digital, a educação à distância e o alcance da tecnologia na educação, os temas de maior relevância nesta abordagem.
3.1 Acessibilidade digital
Para mostrar a importância da informática na educação, não só quanto seu potencial de desenvolvimento cognitivo dos usuários, mas também quanto a sua função social e do acesso dos indivíduos a informação é que discorrerei sobre o assunto da acessibilidade digital, inclusão digital e a inclusão social, citando exemplos do acesso de professores e de pessoas com necessidades educacionais especiais (PNEEs), tendo como objetivo uma apreciação teórica da importância social do acesso à informática, principalmente, através da escola.
Para desenvolver a discussão, apresento o conceito de acessibilidade encontrado no texto de Passerino e Montardo que é retirado de Acessibilidade Brasil, a “ acessibilidade representa para o nosso usuário não só o direito de acessar a rede de informações, mas também o direito de eliminação de barreiras arquitetônicas, de disponibilidade de comunicação, de acesso físico, de equipamentos e programas adequados, de conteúdo e apresentação da informação em formatos alternativos”. Esse conceito expõe a necessidade de acesso aos materiais (computadores, laboratórios, softwares, hardwares, internet, etc.), no entanto, a acessibilidade presume também competências (saber manusear os equipamentos, etc.) do usuário, que permitam o desenvolvimento de atividades relacionadas ao instrumento digital.
Tendo em vista esta explicação, chegamos a outro conceito, o de inclusão digital, que no meu entender parte da acessibilidade, já que presume o acesso ao mundo digital para o desenvolvimento do intelecto e da capacidade técnica do usuário, basicamente o que tratamos no item anterior. Portanto, para se ter inclusão digital é fundamental a acessibilidade.
Neste ponto da exposição, é imprescindível ligar o conceito anterior ao de inclusão social assim sendo, para se chegar a inclusão é necessário uma busca de igualdade de acesso a diversos meios como riqueza material, uma justiça para todos, educação, entre outros, sendo a inclusão digital, uma forma de igualar o acesso ao mundo digital, convidado os indivíduos que estiveram excluídos deste, aqui entendo que a tecnologia digital deve ser distribuída de forma igualitária e que sua privação é uma forma de exclusão. Esta inclusão social não deve ser relacionado a uma inclusão total do indivíduo, já que este não está totalmente excluído, existindo gradações de inclusão e exclusão.
É nesta complicada trama, onde centro a explicação da informática na educação. É nas escolas, ou na casa dos alunos, que se dá o acesso digital, seja através de laboratórios de informática, ou o computador doméstico. São, na maioria das vezes, nestes ambientes que vai se dar o desenvolvimento de atividades voltadas à educação através de equipamentos digitais, sendo assim, a escola se torna um importante local de inclusão digital e conseqüentemente social.
Entretanto, é na tentativa de dar acesso digital nas escolas, que surgem problemas e dificuldades de difícil resolução. O primeiro exemplo que gostaria de citar saiu do artigo das professoras Biazus e Dallegrave, que mostram a reação dos professores frente um projeto de inclusão digital na sua escola. Primeiramente, concebem o projeto como trabalho extra devido a carga horária dos professores; segundo, a falta de equipamentos; terceiro, a falta de acesso a internet e quarto, a falta de capacitação dos professores para o uso dos instrumentos digitais.
O segundo exemplo é quanto o acesso de PNEEs, que envolvem a dificuldade de adaptação dos equipamentos a especificidade de cada usuário, já que a acessibilidade presume desenvolvimento individual, sendo que seria necessária a autonomia dos usuários.
Finalmente, podemos explicitar a importância da informática na educação como uma ferramenta de inclusão social, mesmo que encontremos dificuldades de acesso. É, no entanto, necessário um investimento da sociedade, do governo e das escolas, para a disponibilidade de material e de cursos de capacitação para os usuários do mundo digital. Portanto, chegamos a um paradigma do mundo moderno, que é o da mudança constante das tecnologias o que faz com que ninguém esteja, definitivamente, atualizado. Termino essa exposição com esta angústia da nossa sociedade, mas esperançoso quanto ao futuro da informática na educação.
3.2 Educação à distância
Segundo Moore e Kearsley (2007) a educação à distância (EAD) evoluiu ao longo de cinco gerações. A primeira geração foi marcada pela correspondência, quando os cursos de instrução eram entregues pelo correio. Teve início no começo da década de 1880. Seu principal objetivo era atender ao mercado de trabalho, dando formação profissional e capacitando pessoas para exercerem certas atividades e desenvolverem determinadas habilidades. A segunda geração se caracterizou pela transmissão da educação através de rádio e televisão, a qual teve pouca ou nenhuma interação de professores e alunos. A terceira geração representada pelas universidades abertas surgiu de experiências norte-americanas, as quais uniram o áudio/vídeo e correspondência com orientações. A quarta geração foi marcada pela teleconferência, resultando na primeira interação em tempo real de alunos com alunos e instrutores à distância. A quinta geração foi caracterizada pelas aulas/aprendizados virtuais baseados em computador e Internet.
Os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) estão conquistando seu espaço na educação. Embora a educação a distância (EAD) esteja presente há mais de um século, foi com o desenvolvimento da tecnologia da comunicação que ela se destacou. Atualmente considerada uma modalidade de ensino regular, todos os meios das diferentes gerações são importantes e utilizados.
É importante ressaltar que não é apenas a tecnologia que garante o sucesso da EAD. Para isso, é necessário sempre se levar em consideração a aprendizagem dos estudantes e o bom conhecimento e preparo dos professores. Num curso é fundamental que haja a ambientação dos alunos com os AVA, para eles se sentirem à vontade na sala de aula virtual. São necessárias diferentes habilidades de apresentação, da informação e de planejamento, desenvolvimento e avaliação das estratégias de ensino.
Segundo Belloni (2008) a EAD se caracteriza essencialmente pela flexibilidade, abertura dos sistemas e maior autonomia do estudante.
Conforme Moore e Kearsley (2007), algumas das justificativas para a EAD são: o acesso crescente a oportunidades de aprendizado e treinamento; proporcionar oportunidades para atualizar aptidões; melhorar a redução de custos dos recursos educacionais; melhorar a capacitação do sistema educacional; nivelar desigualdades entre grupos etários; agregar uma dimensão internacional à experiência educacional.
Para Almeida (2003, p.10): ensinar em ambientes digitais e interativos de aprendizagem significa: organizar situações de aprendizagem, planejar e propor atividades; disponibilizar materiais de apoio com o uso de múltiplas mídias e linguagens; ter um professor que atua como mediador e orientador do aluno, procurando identificar suas representações de pensamento; fornecer informações relevantes, incentivar a busca de distintas fontes de informações e a realização de experimentações; provocar a reflexão sobre processos e produtos; favorecer a formalização de conceitos; propiciar a interaprendizagem e a aprendizagem significativa do aluno.
Gostaríamos de destacar um plano do governo do Uruguai como um exemplo para ilustrar o uso das tecnologias da comunicação, no qual cada aluno e professor do ensino primário tem direito a um laptop com banda larga. De acordo com a publicação do Jornal Argentino La Nación de 13/09/2009, faltava aproximadamente 1,4% das escolas a serem contempladas. Dentre as facilidades e vantagens destaca-se o acesso aos periódicos devido ao acesso à Internet e dentre as dificuldades, o fato de muitos professores não estarem devidamente qualificados.
Outro bom exemplo é o seminário virtual. Almeida et al (2007) pesquisando sobre os seminários virtuais concluíram que para manter o ritmo das discussões e a participação dos estudantes, é necessária a intervenção constante do formador, experenciando alternativas. Eles acreditam que os AVA devem ser integrados ao ensino e à aprendizagem, tanto como recursos pedagógicos, quanto como objetos de estudo e reflexão, de modo a estimular nos professores e nos seus alunos o uso ativo, interativo, inteligente e crítico desta tecnologia.
Diante disso, percebemos que a EAD não é algo consagrado e instituído, teremos muito crescimento nessa área ainda. Há muitas dificuldades: grande desigualdade econômica, de acesso, de maturidade, de motivação das pessoas.
3.3 Alcance da tecnologia
A natureza amorfa do ciberespaço tem sidovidenciada no momento em que se teoriza sobre a fragmentação do físico, sobre a projeção do self no virtual, como oportunidades para exploração e descoberta, e como também para uma desrealização do indivíduo. Com o desenvolvimento e aprimoramento dessas tecnologias, novas possibilidades de interação têm surgido permitindo aos internautas experiências de presença ainda não muito bem equacionadas em suas conseqüências.
O ciberespaço, como a mente, não é um espaço físico, mas um espaço virtual, sem extensões, distâncias ou massa. Similarmente, a realidade virtual não tem forma física ou massa. O tamanho do disco rígido não está relacionado com o tamanho do conteúdo do ciberespaço. A realidade virtual é criada pela interatividade. Até que ponto nossa vivência nessa segunda vida não será mera repetição dos comportamentos da primeira com seus valores, preconceitos, medos, ansiedades, significados, fobias?
Penso que não existem possibilidades de uma fragmentação no sentido de criar uma personalidade completamente desvinculada de sua história peculiar de condicionamentos e aprendizagens. Em outras palavras, tenderemos a levar para esse metaverso, os comportamentos aprendidos em nossa vida presencial. Essa vivência “corporal” no ciberespaço vai deixar suas marcas modificando nossos modos de existir, de perceber, de pensar, de ser no mundo. Se a construção de nossa subjetividade é forjada na relação com o mundo social e com o mundo físico, teremos então que juntar a esses um novo mundo: o metaverso.
A primeira geração da internet, chamada web 1.0 tinha como principal objetivo a disponibilização da maior quantidade de informação possível a todos os usuários com transmissão de informação de “um para muitos”. Com o surgimento da web 2.0 estemodelo torna-se mais democrático e mais acessível aos usuários, tendo como principal objetivo transformar a rede em um meio social de contribuição, ou seja, um modelo de interação de “muitos para muitos” (Balbino, 2008).
4 ENTREVISTA
A fim de contextualizar o tema abordado no trabalho, foi proposto a realização de entrevista com algum profissional da área de educação ligada à informática. A profissional entrevistada e a escolha deveu-se a participação de uma das autoras em um projeto de extensão EAD realizada pela professora. Cabe ressaltar, que este projeto recebeu destaque no Salão de Extensão e no Salão de Iniciação Científica.
A Profª está inserida na coordenação do Laboratório de Ensino Virtual, que tem por finalidade implementar e desenvolver projetos na área temática que envolva o principio de educação/informática. Este instrumento, tem como principais objetivos: o desenvolvimento de estratégias de ensino-aprendizagem em educação a distância; a capacitação da comunidade acadêmica da Escola na utilização dos recursos tecnológicos no Ensino a Distância e o desenvolvimento de projetos na área temática que envolva o princípio de EDUCAÇÃO /INFORMÁTICA para a área de graduação e pós-graduação. Segue abaixo a entrevista realizada com a Profª referente à sua experiência na área.
Inicialmente, é possível falar um pouco sobre o projeto executado (curso de extensão EAD) e sua repercussão para você e para os alunos?
A experiência em desenvolver um curso de extensão a distância foi importante para demonstrar a viabilidade de usarmos as tecnologias digitais em temas. Destacaria a importância de ter usado uma metodologia ativa de aprendizagem. Os alunos sentiram o diferencial da abordagem pedagógica utilizada em relação às práticas educativas presenciais que estão habituados na universidade. Como professora me gratificou muito.
Como você vê a importância deste instrumento na educação?
As tecnologias digitais abrem a oportunidade de serem estabelecidas novas relações entre professor- aluno, dinamizando esse processo. Além de serem um espaço para simulações de experiências que os alunos irão vivenciar nos campos de práticas. Isso reforça a preocupação ética com o cuidado.
Acredita que existe um limite para a efetividade deste instrumento? Se sim, qual seria esta limitação?
Sim, a tecnologia não é milagrosa. Existem muitas aulas presenciais maravilhosas e muitas aulas à distância, péssimas. O limite para a está na promoção do contato direto com o usuário. As práticas curriculares podem ter o apoio de tecnologia, mas essas não as substituem. As simulações não conseguem desenvolver toda a habilidade necessária para realizarmos alguns procedimentos.
Como surgiu o interesse e como se deu o inicio do trabalho nesta área, antes tão distante do contexto educacional?
Em 2001 recebi um convite de colegas para desenvolvermos um projeto que implantaria um laboratório para ensino virtual. Desde lá venho estudando, vivenciando ser aluna a distância e aplicando as tecnologias no ensino presencial e a distância. Foi o interesse pelo diferente e a necessidade de pensarmos diferentes formas de ensinar.
Existe alguma experiência, neste contexto, que gostaria de destacar?
Sim, a EENFUFRGS é pioneira no desenvolvimento de objetos educacionais digitais. Em 1986 foi premiado um objeto desenvolvido na escola. O LEVI-Enf é o resgate daquelas práticas e mesmo que aos poucos, nós hoje estamos nos esforçando para qualificar as nossas práticas com o apoio da informática.
5 CONSIDERAÇOES FINAIS
Tivemos por objetivo uma acepção crítica da informatização da educação, elencando pontos, que entendemos fundamentais para esta análise, como o ensino à distância, a questão do acesso à informática, o alcance da tecnologia neste âmbito e a conversa com profissionais que trabalham na área e que utilizam as ferramentas digitais na educação. Portanto, entendemos que a informática na educação está em um momento muito inicial e que não substitui o professor e a aula presencial, entretanto, pode muito bem servir como um instrumento para o trabalho pedagógico e que no futuro terá um papel importantíssimo na educação, assim como em outros âmbitos da vida em sociedade do ser humano.
Nossa tarefa de dar conta deste tema passa por problemas sociais, técnicos e culturais, já que esses elementos estão presentes quando verificamos o quanto a informática pode influir na educação, tanto quanto o acesso de pessoas carentes ou deficientes, quanto a grande modernização das tecnologias, que pressupõe uma adaptação constante e quanto a aversão ou completa adesão de profissionais à utilização dos instrumentos digitais para o trabalho da sala de aula.
Com essa abordagem, pretendemos apenas expor elementos de como se dá a instalação da informática na educação, no entanto deixamos lacunas e questões para serem respondidas com o passar do tempo e a evolução desta nova era da tecnologia, que está recentemente chegando a educação.
Referências
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