Métodos de Ensino - O Jovem frente à leitura
De Psicologia da Educação
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Introdução
As estatísticas são claras: os brasileiros lêem em média dois livros por ano. Além disso, os resultados do MEC denunciam médias mais altas em matemática do que em português, língua materna falada diariamente nas ruas e odiada da mesma maneira nas salas de aula. Nossa má relação com a leitura e com a língua é um fato inegável. No entanto, isso não se deve a um sentimento inato de aversão às letras por parte dos brasileiros; é fruto de um ensino alienado à literatura e embasado no árido ensino de gramática pura.
Por que em certas regiões da França, por exemplo, as médias de leitura chegam a 25 livros por ano, ao passo que muitos de nossos alunos saem da escola sem saber listar cinco grandes escritores brasileiros? A resposta é simples: ensino de língua através de literatura. Pode parecer simplório, mas os resultados de alunos devotados à leitura são muito evidentes. A começar pela interpretação de texto, que fará não apenas como que nossos alunos entendam melhor as outras disciplinas da escola, mas criará cidadãos capazes de ler satisfatoriamente um jornal, por exemplo. Além disso, a leitura promove a reflexão e a imaginação, criando assim alunos mais críticos e criativos, que não aceitem passivamente cartilhas ditadas por professores muitas vezes incapazes. E é obvio que alunos críticos geram adultos críticos, que fazem falta em nosso país.
O ensino brasileiro de língua e de literatura é insustentável. Somos doutrinados desde o ensino fundamental com a gramática e suas frases soltas e descontextualizadas. Quando entramos em contato com textos é apenas para encontrarmos determinados conceitos gramaticais e não para lê-los. Por outro lado, a literatura “surge” na vida de nossos alunos apenas no ensino médio como algo até então inexistente. E como isso não bastasse, certas leituras forçadas causam traumas irreparáveis no que diz respeito à formação de leitores. A pergunta então seria: como formar leitores e como isso poderia transformar nossos alunos em pessoas ativas e não em meros reprodutores? Passaremos agora a propor uma possibilidade de mudanças visando um melhor ensino de língua portuguesa e de literatura, avaliando de que forma isso auxiliaria também em uma melhoria na educação em geral.
A Contação de Histórias como Metodologia de Ensino
A arte de contar histórias está entre as mais antigas da humanidade. Segundo Geoff Fox, o narrador oferece a história como quem oferece um presente. Talvez seja por essa “troca de presentes” que as turmas onde se contam histórias regularmente acabam criando um forte sentido de comunidade. A contação de histórias de diversos lugares, diferentes culturas, ajuda a ensinar sobre a diversidade e sobre a convivência pacífica entre culturas distintas. Essa prática também auxilia no reconhecimento da própria identidade cultural.
Muitas crianças têm contato com performances de contação antes de entrarem na escola e o fato de encontrarem no ambiente escolar algo que faz parte de sua realidade diminui a distância que existe entre a realidade do aluno e o conteúdo que é exposto em sala de aula. Nas palavras de Geoff, tudo isso depende muito da habilidade que professor tenha de olhar a história reflexivamente, estimulando e recebendo as idéias e observações das crianças, ou seja, o professor precisa sair da posição de “soberano” em sala de aula e trocar conhecimento com seus alunos.
A prática da hora do conto em sala de aula, quando bem desenvolvida, fornece o prazer, que pode ser uma arma poderosa nas mãos do professor no que diz respeito à aprendizagem, mas para as escolas e para as famílias talvez esse não seja o melhor argumento a ser utilizado para validação da técnica. No caso daqueles que não conseguem assimilar a idéia de um processo educacional divertido e sério, podemos nos valer do fato de que a contação de histórias ajuda crianças que têm dificuldade de absorver informação por escrito. A performance ajuda a criança a desenvolver a habilidade de criar imagens mentais “necessária às crianças que lêem livros solitariamente”, ou seja, introduz o leitor em formação ao mundo da literatura.
Do ponto de vista do ensino de língua, “ao ouvir histórias bem contadas”, as crianças desenvolvem “a habilidade de atribuir um padrão às suas próprias experiências, e às alheias”, que “é necessária em qualquer ato comunicativo, do mais formal ao mais pessoal.” No reconhecimento desse “padrão” as crianças também adquirem uma ferramenta valiosa para elaboração de suas produções escritas, as histórias formam contadores/escritores, criando uma intimidade maior entre os alunos e a própria língua.
Das técnicas para se contar histórias, os autores do texto de apoio utilizado fazem uma pequena síntese, abordando brevemente pontos como a leitura e o ensaio das histórias a serem contadas em sala de aula e a criação de um estilo próprio pelo contador iniciante. É interessante ressaltar que a arte de contar histórias não requer um dom especial, um “talento destinado a poucos”, mas sim a entrega à história e o desejo de compartilhá-la.
O Jovem Frente à Leitura
Segundo Contardo Calligaris, o adolescente é uma pessoa que está física e moralmente pronta para conviver e concorrer com os adultos na sociedade, mas que tem sua independência cortada pela proteção familiar. A independência é adiada por mais ou menos dez anos, o que gera uma série de revoltas bem conhecidas como características da adolescência.
Essa série de privações e proteções que os adultos impõem aos adolescentes não acontece apenas no campo da vida privada/familiar. Muitas vezes os próprios órgãos sociais influem nessas decisões. Um desses órgãos que priva o adolescente de fazer uma escolha pessoal, pelo contrário, muitas vezes impõem-lhe uma série de verdades que não podem ser questionadas, é a escola. O ensino da língua portuguesa ao jovem se reflete nisso.
A imposição da leitura de alguns livros durante a segunda parte do ensino fundamental, privando o adolescente de uma escolha, prejudica o desejo do jovem pela leitura. Muitas vezes falta tato aos professores na escolha de obras para serem estudadas em sala de aula. Há muitos autores que se dizem escritores de literatura para jovens, cujas obras refletem o processo social de dominação. Tais obras muitas vezes se obrigam a adaptar temas para a compreensão do jovem, subestimando-o algumas vezes.
Seguindo um ideal do poeta latino Horácio, nosso grupo estipulou uma série de livros para serem estudados da 4° até a 8° séries do ensino fundamental para ensinar a língua portuguesa e a base para o aprendizado dela: o gosto pela leitura.
Uma idéia fixa que o ensino brasileiro prega é o de ensinar a língua portuguesa apenas com obras de literatura brasileira. O uso exclusivo dessas obras pode muitas vezes desestimular o gosto pela leitura dos pequenos. Muitas vezes já nos deparamos com professores dizendo o seguinte: “Bem, vamos ler José de Alencar, eu sei que é difícil e chato, mas temos de ler seus livros mesmo assim”. Nada contra a literatura Alencarista e a leitura dela em sala de aula (posto que ele seja um dos autores mais pedidos nos vestibulares das universidades federais na atualidade), mas o uso de suas obras, com uma linguagem extremamente complexa na iniciação do jovens a leitura pode desestimular o jovem a querer ler.
Se ele tivesse uma carga maior de leituras até a oitava série, carga esta que poderia ter sido estimulada pela escola, ele poderia ler quase qualquer livro quando chegasse à oitava série. Por isso, acreditamos que o ideal é formar o gosto pela leitura do jovem com uma lista de livros que se apresentam em ordem crescente de dificuldade, não ficaremos nos atendo aos temas dos livros, mas mais importante que isso, na capacidade dos escritores de prender a atenção do seu leitor.
Muitas vezes, a escolha inapropriada dos livros aos jovens em foco pode ser fator determinante na falta de hábito e desenvolvimento da leitura enquanto adolescentes. Os professores devem ser bastante cautelosos, não só quanto à escolha, mas também ao método de aplicação dos conteúdos apresentados na leitura, a fim de conseguir provocar discussões interessantes e motivar o aluno a ler.
Os projetos desenvolvidos com o intuito de estimular a leitura e tornar o aluno mais motivado a isso são bastante positivos. Entretanto, como mostrado na tirinha e dito anteriormente, há de se ter muito cuidado na escolha das obras e serem lidas. Caso o grau de dificuldade ou complexidade seja muito grande ou díspar do conhecimento da faixa etária do aluno, há uma grande tendência de frustração e desgosto pelo ato de ler. O menino apresentado acima é retrato da realidade cultural brasileira: muitos professores acabam por desmotivar seus alunos com leituras difíceis e maçantes, o que gera a reação imediata do jovem: “DESCOBRI QUE LER É UM SACO!”.
O que acontece é que professores tendem a prender-se apenas aos clássicos e não oportunizam leituras não-brasileiras. A reação do menino ao dizer “QUANDO A GENTE FICA BASTANTE TEMPO NA ESCOLA A RESPOSTA VAI SER MACHADO DE ASSIS” exemplifica o que havia sido dito anteriormente. As crianças são bombardeadas de clássicos desde quando mal começaram a exercitar a leitura e a tendência é de que haja uma repetição continua do que deve ser lido. Machado de Assis é interessante para ser trabalho em aula, mas caso seja escolhido ou imposto aos leitores só pelo fato de ser um “clássico” pode não ser positivo, mas sim, cansativo e repetitivo.
Sugestões de Livros
- QUARTA SÉRIE: Fábulas. Livros com um fundo moralizante, histórias leves, concisas e rápidas, mas que mesmo assim oferecem possibilidade de reflexão e prendem o leitor com grande facilidade. Entre eles: Fábulas (La Fontaine), Fábulas (Irmãos Grimm), Fábulas (Italo Calvino), Fábulas (Esopo) e Fábulas (Fedro).
- QUINTA SÉRIE: Clássicos da literatura jovem e contos. Passamos para livros um pouco mais densos que as fábulas curtas e investimos em histórias mais elaboradas. De preferência contos com histórias não muito longas, mas que contenham profundidade para a reflexão. Alguns contos selecionados de Tchekhóv, Italo Calvino.
- SEXTA SÉRIE: Podemos passar para os romances. Entre esses podemos citar Tom Sawyer de Mark Twain e David Copperfield de Charles Dickens, romances com o olhar de jovens aos diversos problemas de uma época. Ainda podemos apostar nas fábulas incentivando o aluno a ler as Fábulas de Hans Christian Andersen.
- SÉTIMA SÉRIE: É possível incluir literatura brasileira no currículo. Romances mais enxutos, mais longos, mas que mesmo assim sejam bem escritos, com uma linguagem mais fácil, para prender o aluno. Romances de Erico Verissimo (Incidente em Antares, Olhai os lírios do Campo) ou Jorge Amado (Capitães da areia) tomam presença na lista.
- OITAVA SÉRIE: Romances que não sejam ditos simplesmente “realistas”, romances que dependam mais do leitor, com vários sentidos escondidos nas entrelinhas: O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, O cavaleiro Inexistente de Italo Calvino, talvez o Spleen de Paris, de Charles Baudelaire.
Oportunidades de mudar essa realidade há muitas. Nós, como educadores, temos que ter cuidado e força de vontade para mostrar ao aluno que literatura abrange muito mais do que livros chatos e a obrigação de ler na escola. É importante, sim, ler os clássicos, mas de acordo com a idade trabalhada e desde que seja feito um trabalho e uma reflexão adequada e cativante ao aluno-leitor.
Métodos de Ensino
Para que se possa embasar teoricamente um processo de ensino-aprendizagem é preciso saber não só sobre o conteúdo da aula, mas também sobre como passar esse conteúdo de forma que o aluno se interesse, se motive e busque, dentro do seu potencial, levantar hipóteses, questionar e encontrar soluções para os seus problemas.
Os métodos de ensino procuram, então, apresentar roteiros para diferentes situações didáticas, conforme a tendência ou corrente pedagógica adotada pelo professor/instituição, de forma que o aluno se aproprie dos conhecimentos propostos. A metodologia de ensino é a maneira de conduzir o pensamento e as ações para se atingir uma meta preestabelecida, para se obter maior eficiência, no que se deseja realizar, pois pensar ou agir sem método, quase sempre resulta em perca de tempo e de esforços.
O esquema do método do ensino acompanha um ciclo docente que se fundamenta em três aspectos: planejamento, execução e avaliação.
Embora muitos professores sintam que têm um papel importante na determinação de mudanças significativas no processo de ensino, frustam-se quando, na busca de alternativas, nem sempre conseguem bons resultados. Se, na sua prática cotidiana, o professor percebe que a metodologia adotada favorece apenas alguns alunos, em detrimento de outros ou da maioria, é preciso que ele compreenda e tenha claro o porquê disso, a que alunos este método favorece e porque os favorece. Sem essa compreensão, dificilmente conseguirá mudanças que levem a resultados significativos.
Pontos-chave sobre metodologia de ensino:
- Todo método deve levar o educando a ser agente da sua própria aprendizagem e não um simples receptor de dados e normas elaboradas por outrem.
- Cada atividade tem um potencial pedagógico diferente e limitações específicas.
- O objetivo de ensino é o definidor dos critérios de seleção e organização dos métodos e técnicas.
- O aluno deve desenvolver a capacidade de observar, analisar, teorizar, sintetizar, aplicar e transferir o que foi aprendido.
- As atividades metodológicas desenvolvidas devem ser combinadas, de forma simultânea ou seqüencial, oferecendo ao aluno a oportunidade de perceber e analisar o assunto sob diversos ângulos.
VASCONCELLOS (1999, p. 147) destaca a problematização como elemento nuclear na metodologia de trabalho em sala de aula. Se forem adequadamente captadas, as perguntas deverão provocar e direcionar, de forma significativa e participativa, o processo de construção do conhecimento por parte do aluno, sendo também um elemento mobilizador para esta construção. Nesse sentido, ao preparar a aula, o professor já poderia destacar as possíveis perguntas e problemas desencadeadores para a reflexão dos alunos.
De acordo com VILARINHO (1985, p. 52), os métodos de ensino apresentam três modalidades básicas:
- Métodos de ensino individualizado: a ênfase está na necessidade de se atender às diferenças individuais, como por exemplo: ritmo de trabalho, interesses, necessidades, aptidões, etc., predominando o estudo e a pesquisa.
- Métodos de ensino socializado: o objetivo principal é o trabalho de grupo, com vistas à interação social e mental proveniente dessa modalidade de tarefa. A preocupação máxima é a integração do educando ao meio social e a troca de experiências significativas em níveis cognitivos e afetivos.
- Métodos de ensino sócio-individualizado: procura equilibrar a ação grupal e o esforço individual, no sentido de promover a adaptação do ensino ao educando e o ajustamento deste ao meio social.
| Modalidades Básicas | Técnicas | Aplicações |
| Individualizado | Estudo Dirigido | Estimular método de estudo e pensamento reflexivo.
Levar a autonomia intelectual. Atender a recuperação de estudos. |
| Ensino por fichas | Revisão e enriquecimento de conteúdos | |
| Instrução programada | Apresentação de informações em pequenas etapas e seqüência lógica.
Fornece recompensa imediata e reforço. Permite que o aluno caminhe no seu ritmo próprio. | |
| Ensino por módulos | Leva o estudante a responsabilidade no desempenho das tarefas propostas.
Propõe ao aluno os objetivos a serem atingidos e variadas atividades para alcançar esses objetivos. | |
| Socializado | Discussão em pequenos grupos Estudo de casos | Troca de idéias e opiniões face a face.
Resolução de problemas. Busca de informações. Tomada de decisões. |
| Discussão 66 ou Phillips 66 | Revisão de assuntos.
Estímulo à ação. Troca de idéias e conclusão | |
| Painel | Definir pontos de acordo e desacordo.
Debate, consenso e atitudes diferentes (assuntos polêmicos) | |
| Painel Integrado | Troca de informações.
Integração total (das partes num todo). Novas oportunidades de relacionamento. | |
| Grupo de cochicho | Máximo de participação individual.
Troca de informações. Funciona como meio de incentivação. Facilita a reflexão. | |
| Discussão dirigida | Solução conjunta de problemas.
Participação de todos os | |
| Brainstorming | Criatividade (Idéias originais).
Participação total e livre. | |
| Seminário | Estudo aprofundado de um tema.
Coleta de informações e experiências. Pesquisa, conhecimento global do tema. Reflexão crítica. | |
| Simpósio | Divisão de um assunto em partes para estudo.
Apresentação de idéias de modo fidedigno. O grupão faz a conferência do que foi apresentado. | |
| GVGO ou Grupo na Berlinda | Verbalização.
Objetividade na discussão de idéias. Capacidade de análise e síntese. | |
| Entrevista | Troca de informações.
Apresentação de fatos, opiniões e pronunciamentos importantes. | |
| Diálogo | Intercomunicação direta.
Exploração, em detalhe, de diferentes pontos de vista. | |
| Palestra | Exposição menos formal de idéias relevantes.
Sistematização do conteúdo. Comunicação direta com o grupão. | |
| Dramatização | Representação de situações da vida real.
Melhor rendimento e compreensão dos elementos. | |
| Sócio-individualizado | Método de Projetos | Realiza algo de concreto.
Incentiva a resolução de problemas sugeridos pelos alunos. Exige trabalho em grupo e atividades individuais. |
| Método de problemas | Desenvolve o pensamento reflexivo.
Desenvolve o pensamento científico. | |
| Unidades didáticas | Compreensão do “todo” a ser estudado.
Incentivo ao aluno e a criatividade, flexibilidade nas atividades. Permite organização do conteúdo aprendido. | |
| Unidades de Experiências | Aplicação do conceitos teóricos na prática.
Permite ao aluno uma análise crítica e a reconstrução da experiência social. | |
| Pesquisa como atividade discente | Desenvolve o gosto pelo estudo científico.
Leva o aluno a distinguir a pesquisa pura da aplicada. Utiliza-se de diversas técnicas de coleta de dados. Utiliza-se do método científico. |
Alternativas
De acordo com o que propõe Villardi em ‘Por uma nova metodologia de leitura’, ao trabalhar com leituras de livros “não cabe ao professor mostrar o que está no texto, mas dar ao aluno os elementos necessários à construção de uma leitura tão profunda quanto permitir sua capacidade de análise e sua visão de mundo”.
Para essa autora, os projetos devem “ter uma preocupação com o lúdico, diferenciando-se daquilo que, de modo geral, se faz na escola”, sendo “absolutamente imprescindível que o aluno visualize que está diante de algo especial”. Ela propõe “‘atividades preliminares’, ‘atividades com o texto’ e ‘atividades complementares’, cada uma delas com objetivos específicos definidos, de modo a levar o aluno a uma leitura global e múltipla, descobrindo o prazer de ler”.
Villardi sugere que as atividades partam de um Roteiro de Leitura: não um roteiro simples com perguntas prontas e fechadas, mas sim um que ofereça aos “alunos oportunidades para que modele sua própria leitura”.
A autora considera que estas atividades de leitura possam se tornar projetos que favoreçam as relações interdisciplinares. Além disso, deve-se tentar trazer a problemática do texto para a realidade do aluno e desenvolver a sua criatividade. Anterior a um trabalho mais individualizado dos alunos com a leitura de livros, encontramos a contação de histórias, parte fundamental da formação da compreensão e capacidade leitora da criança. Oliveira, em sua monografia “A construção da leitura no ensino fundamental”, elenca algumas práticas para enriquecer esta atividade junto à criança, o “futuro leitor”, como, por exemplo:
1- Quando falarmos com ela, não importa a idade, devemos utilizar um vocabulário amplo, rico e avançado.
2 - Para estimular sua capacidade de observação, apresente problemas para que ela os resolva.
3 - Quando realizar uma atividade, respeitar sua concentração e, mais ainda, estimular que ela se concentre.
4 - Devemos fazer com que a criança se interesse pela leitura.
5 - Fazer com que a criança não tenha pavor do xadrez e das ciências exatas.
Ainda, sugere atividades a serem desenvolvidas pelos pais, figuras importantes no desenvolvimento da criança leitora/escritora. Por exemplo, ler em voz alta para os filhos, acostumá-los a tocar em livros, começar a prática de leitura com livros ilustrados, contar histórias e estimular que a criança fale a respeito delas, se possível fazendo conexões com o seu dia-a-dia, procurar por programas de leitura e dar o exemplo, lendo em casa etc.
Outro estudo, conduzido por Ribas em seu trabalho de dissertação “A literatura infantil como metodologia de ensino para ensino fundamental I”, nos traz que “é preciso oportunizar e intensificar as relações possíveis da Literatura Infantil com a vida da criança, através de brincadeiras e jogos com situações e personagens apresentadas no texto (BETTELHEIM, 1980)”. Segundo a autora:
"Essa intimidade da criança com a obra precisa ser proporcionada, captada pelo professor, para que as situações de ensino organizadas favoreçam o desenvolvimento das propriedades formativas do texto, apresentadas pelas múltiplas leituras de alunos e professores."
Não podemos esquecer que a metodologia é parte fundamental desses processos de resgate do prazer de leitura na criança e no jovem, de desenvolvimento de sua criatividade e de sua competência linguística, seja da sua língua materna, seja de uma forma geral. Portanto, um trabalho que se quer sério e responsável deve imprescindivelmente passar por uma (re)avaliação dos seus pressupostos epistemológico-educacionais condutores e da metodologia pela qual é conduzido, combinando as mais diversas formas metodológicas que forem aplicáveis a cada contexto de aprendizagem.
Conclusão
O ensino de literatura atual é, no mínimo, precário. Muitos professores fazem escolhas superficiais e acabam criando grande sentimento de frustração e desgosto dos jovens em relação à leitura. Acabam por exigir a leitura de clássicos, mesmo quando os alunos ainda não se encontram preparados para enfrentar e refletir acerca de tal obra. Existem inúmeras maneiras melhorar o ensino de literatura nas escolas e podem ser bastante produtivos. A abordagem tradicional de exigirem a leitura da obra em tempo determinado para a realização de uma prova é outro fator negativo que influencia no desagrado dos jovens.
No decorrer do trabalho, em diversos artigos e fontes, pudemos encontrar métodos de ensino diferentes e, com certeza, muito eficazes para motivar os alunos a ler. Por que os professores não substituem a prova por um seminário em grupo? Ou um trabalho em grupo e confecção de cartazes, quem sabe? Até encenações de partes da obra poderiam servir como forma de avaliação e discussão da obra, mas de uma forma muito mais descontraída e divertida. Os professores devem mostrar-se abertos às novas abordagens educacionais, e tentar modificar a forma de exigir as leituras dos alunos. É muito fácil marcar uma data e fazer uma prova, mas deve-se considerar a recepção do jovem a essa abordagem. O descaso e falta de motivação advêm da leitura forçada, do método avaliativo e da dificuldade das obras escolhidas.
O que falta, desde o início da alfabetização da criança, é o incentivo à leitura. Isso deve ser um trabalho conjunto: escola e pais devem criar, desde cedo, um hábito de ler e motivar a criança, mostrando como ela pode ser interessante. A contação de história, como mencionado antes, é muito produtivo para introduzir o jovem no mundo das letras.
Os clássicos devem ser lidos, não há duvida. O que deve ser mudado, e rápido, são as metodologias usadas pelos professores e é exatamente esse o nosso papel como futuros educadores: analisar as inovações de didática e tentarmos aplicá-las a nossa realidade. O jovem pode tomar gosto pela leitura, só depende de pequenas atitudes.

