O Uso de Drogas na Escola

De Psicologia da Educação

Tabela de conteúdo

Introdução

Esta cada vez mais em pauta o combate ao uso de drogas e são inumeráveis o exemplos na mídia ou para qualquer lugar que possamos olhar nas mais diversas classes sociais. Não existe e nunca existiu sociedade que não tenha feito o uso de drogas em maior ou menor grau e a parcela da sociedade mais suscetível ao seu uso são os adolescentes, a maioria deles, portanto em idade escolar. Nosso trabalho será balizado sobre o uso de drogas seu combate e sua influência na vida escolar.

Prevenção do uso indevido de drogas em ambiente escolar

A estratégia de diminuir a demanda ganhou força a partir de 1970, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) convocou especialistas de vários países para discutirem a abordagem preventiva do uso de drogas e a questão foi considerada uma necessidade mundial e premente. A escola passou a ser o espaço privilegiado para o desenvolvimento de atividades preventivas, visando à educação para a saúde, visto que uma parcela significativa da população passa por ela numa idade e em circunstâncias altamente favoráveis.

Posturas e modelos de intervenção

Existem duas posturas básicas diante do problema do uso e abuso das substâncias psicoativas: a tradicional, ou “guerra às drogas”, e a “redução de danos”.

Na abordagem tradicional, a maior concentração de esforços se dá na redução da oferta, ou seja, redução da disponibilidade dos produtos. No campo da redução de demanda, enfatiza-se a transmissão de informações pautadas pelo amedrontamento e apelo moral, utilizando técnicas que poderiam ser resumidas à persuasão dos indivíduos para a abstinência, o slogan: “Diga não às drogas”. Não há uma preocupação com as diferentes formas de uso ou com a abordagem dos fatores facilitadores do abuso de psicotrópicos. As ações de transmissão de informações seguem, em geral, o modelo educativo de aprendizado passivo. Muitas vezes, e isto também se refere às escolas brasileiras, as intervenções são pontuais, na forma de palestras. Outros modelos de intervenção, ainda na abordagem tradicional, propõem aulas semanais curriculares destinadas aos alunos dos últimos anos da escola elementar. É o caso do “Modelo de treinamento para resistir”. O seu representante clássico é o projeto Drug Abuse Resistence Education (Dare), adotado por cerca de 50% das escolas locais dos Estados Unidos.

Este tem por objetivo o treinamento para resistir às pressões de envolvimento com drogas, exercidas por grupos de pares, pela mídia e até pelos pais. Inclui uma série de exercícios e atividades em sala de aula que ensinam ao estudante: recusar, esquivar-se, não ceder diante da oferta de drogas. Este programa é aplicado por membros do próprio projeto, muitas vezes policiais. Os resultados das avaliações apontam para algum ganho significativo imediato, mas ao contrário da aquisição de conhecimento, não há redução do uso de drogas nas avaliações após um ano ou mais.

O projeto Dare começou a ser aplicado no Brasil com o nome de Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) e,assim como nos EUA, foi aplicado principalmente por policiais. A figura do policial pode carregar representações simbólicas diversas em diferentes países ou diferentes contextos sócio-econômico-culturais, e no Brasil essa nem sempre é positiva. Além disso, a falta de adaptação cultural tanto do conteúdo como da estratégia didática compromete ainda mais a aplicação desse modelo no Brasil. Após décadas de existência, acumulam-se críticas à política de “guerra às drogas”. Constata-se que: O [slogan] “diga não às drogas” entra por um ouvido e sai por outro, funcionando como estímulo indireto. Outras abordagens, menos relacionadas à postura tradicional, têm sido propostas: oferecimento de alternativas; educação para a saúde e a modificação das condições de ensino, que inclui modificação das práticas institucionais, melhoria do ambiente escolar, incentivo ao desenvolvimento social, oferecimento de serviços de saúde, envolvimento dos pais em atividades curriculares.

Diferença entre prevenção e promoção

A promoção de saúde possui definição bem mais ampla do que a prevenção, por se referir às medidas orientadas ao aumento da saúde e bem estar geral, e não apenas para evitar uma determinada doença.

Tradicionalmente, a educação em saúde mantinha o foco na transmissão de informações ou no desenvolvimento de habilidades e atitudes para ajudar os indivíduos a fazerem escolhas saudáveis com relação ao estilo de vida ou comportamento. Porém, esta estratégia mostrou-se falha em sua meta de mudança de comportamento. Na década de 1980, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou seu foco do comportamento de indivíduos para o desenvolvimento de ambientes saudáveis. Isto resultou no conceito de “promoção de saúde”:

A escola promotora de saúde

A aplicação dos princípios da promoção de saúde o âmbito escolar resultou no conceito de escola promotora de saúde – EPS. Neste conceito, o foco muda gradativamente dos programas voltados a certos aspectos da saúde para uma abordagem integral da promoção de saúde. A EPS pode ser definida como uma escola com políticas, procedimentos, atividades e estrutura que resultem na proteção e promoção à saúde e ao bem-estar de todos os membros da comunidade escolar.

A redução de danos

Nesta, o foco deixa de ser a droga em si e passa a ser a qualidade de vida. As divulgações de informações ao público concentram-se menos nos perigos e mais na equação do uso racional e responsável de drogas, ou, ainda, enfatizam as vantagens de um estilo de vida sem elas.

A proposta da redução de danos permeia todos os aspectos do trabalho no campo do uso e abuso de substâncias psicoativas, focando o indivíduo como um todo, a qualidade de vida e a promoção de um estilo de vida mais saudável, trabalhando com objetivos escalonados e intermediários:

  • evitar o envolvimento com o uso de drogas;
  • evitar o envolvimento precoce;
  • evitar que o uso se torne abuso;
  • ajudar a abandonar a dependência; e
  • orientar para o uso menos prejudicial possível.

A prevenção primária, dentro da redução de danos, romperia com o pensamento maniqueísta de “caretas bonzinhos” e “drogados malvados”, desestimulando o preconceito e a segregação.

Redução de danos e promoção de saúde: uma proposta

A proposta da redução de danos na escola promotora de saúde é a aplicação dos preceitos da promoção de saúde a todos os alunos, independentemente se estes já experimentaram, já fizeram ou fazem algum uso de substâncias psicoativas. É tirar o maniqueísmo de usar ou não usar substâncias psicoativas do centro das discussões, para poder desenvolver ações de promoção de saúde com toda a população escolar, sem qualquer forma de discriminação. Esta nova forma de abordagem do problema teve seu início em meados da década de 1980, com o aparecimento da epidemia da AIDS, quando os usuários de drogas injetáveis passaram a ser uma ameaça a toda a sociedade, trazendo a necessidade de ações preventivas efetivas, cujos resultados não dependessem exclusivamente da aderência dos pacientes aos tratamentos para a abstinência. Esta nova visão foi intitulada “Redução de danos”.

Redução de danos é uma política de saúde que se propõe a reduzir os prejuízos de natureza biológica, social e econômica do uso de drogas, pautada no respeito ao indivíduo e no seu direito de consumir drogas.

A proposta de redução de danos surgiu incentivando formas de auxílio cujo principal objetivo não era eliminar o uso de substâncias psicoativas, mas melhorar o bem-estar físico e social dos usuários, minimizando os prejuízos causados pelo uso das substâncias. Parte-se do princípio que as drogas lícitas e ilícitas fazem parte desse mundo e trabalha-se para minimizar seus efeitos danosos em vez de simplesmente ignorá-los ou condená-los.

Cada aluno, ao longo do seu desenvolvimento, passaria a ser livre e apto para elaborar a sua própria equação de vida.

Conclusão

Com base nos textos lidos constatamos que, diferentemente do que se pensa, não basta somente pensar na cura ou na prevenção de um grande grupo mas sim investigar o individuo em seu intimo para que dessa forma se possa encontrar um caminho para a solução do problema. Não encontramos respostas absolutas para a maioria das questões, e é possível que ninguém as tenha. Contudo encontramos algumas pistas, como por exemplo o fato de que somente demonizar o uso ou a compra não resolve, que atividades extracurriculares como esporte não vão solucionar sozinhas o problema , muito menos tratar nossos jovens, como se eles não possuíssem discernimento. Devemos portanto encarar o problema de forma respeitosa com nossos alunos e principalmente de forma ética, respeitando as individualidades e procurando entender antes de condenar.

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