Patrícia Cristina Schlichting
De Psicologia da Educação
OBSERVAÇÃO SOBRE O JOGO TORRE DE HANÓI
OBSERVADO: Adolescente de 16 anos, que estuda em colégio particular.
O jogo foi aplicado no fim do dia antes do jantar sem a interferência de ninguém. Foram utilizados os materiais dados em aula (lista com a explicação do jogo e questões para serem respondidas), de modo que não havia interferência direta da observadora.
- Com 2 peças: mostrou-se quase irritado com a proposta, realizou-a em instantes e soube dizer rapidamente qual o número de jogadas mínimas para a conclusão do jogo e explicar porque a primeira peça deveria ir para a coluna intermediária.
- Com 3 peças: novamente um pouco irritado começou o jogo sem pensar e acabou levando a torre para a coluna errada; questionado sobre isso ele logo concluiu que o fato de ter um número ímpar de peças significa “colocar a primeira peça na coluna para onde se quer a torre, para que, depois que a outra sair, ela vá para a colona do meio deixando o objetivo vazio para a peça maior”. Teve que pensar um pouco para dizer quantas jogadas ele realizou para colocar a torre na coluna certa, mas respondeu o número correto.
- Com 4 peças: começando a gostar do desafio ele pensou um pouco antes de começar a jogar, depois do segundo movimento os outros começaram a ser mais ágeis, mostrando que ele já sabia o que queria fazer. Ele contou o número de jogadas que fez ao longo de suas jogadas de modo que ao fim ele tinha a resposta certa.
- Com 5 peças: mostrando-se preocupado com o resultado do jogo ele fez o primeiro movimento errado e deu-se conta em seguida voltando a peça para o lugar original e dizendo que “essa não conta”. Terminou o jogo tendo tido vários momentos em que suas jogas eram lentas e outros em que movia as peças rápido. No fim não sabia dizer quantas jogadas ele tinha realizado nem deduzir quantas seriam o mínimo.
OBSERVADO: Jovem de 23 anos, que estudou em escola pública e cursa atualmente a UFRGS no curso de Teatro.
O Teste foi aplicado logo após o almoço em um ambiente um tanto tumultuado mas sem a interferência direta de ninguém. Também foram utilizadas as mesmas listas do primeiro observado.
- Com 2 peças: realizou rapidamente e respondeu corretamente ao número mínimo de jogadas.
- Com 3 peças: olhou por um instante para a torre antes de começar e depois realizou as jogadas rapidamente. Questionado sobre o número de jogadas e a maneira com que ele se decidiu por realiza-las ele respondeu corretamente e com coerência afirmando que ele, antes de começar o jogo, imaginou todas a jogadas “pra ver se iria dar certo”.
- Com 4 peças: pensou um pouco mais antes de começar; pareceu em dúvida de onde colocar a primeira peça, mas decidiu-se pela coluna correta. Argumentou: “o difícil é decidir onde vai a primeira peça, o resto é só seguir a lógica”. Teve que pensar um pouco para responder quantas jogadas tinha realizado, mas chegou a conclusão de que tinha conseguido terminar o jogo com o número mínimo.
- Com 5 peças: pensou por um tempo consideravelmente longo. Realizou algumas jogas desnecessárias mas que eram padronizadas e mostravam uma forma de organização de suas jogadas.
Ambos os observados se mostraram no estágio III pela facilidade com que resolvem o jogo com 3 e 4 peças e como procuram compreender racionalmente os movimentos que devem fazer para chegar ao resultado desejado. E, principalmente, o fato de buscaram nos exercícios anteriores a base para solucionar os mais complexos.

