Projetos de aprendizagem -
De Psicologia da Educação
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Educação
Psicologia da Educação I
O desenvolvimento de projetos de aprendizagem como forma de despertar o interesse e aumentar a participação do aluno.
Porto Alegre, 19 de novembro de 2007.
Introdução:
Como futuros educadores um dos nossos principais desejos era tentar compreender um pouco mais sobre o universo cognitivo dos alunos, suas formas de perceber a realidade escolar e suas maneiras de absorver conhecimento. Sabemos que algo dessa temática será tratado em Psicologia da Educação II, com estudos sobre Piaget, mas acreditamos que fosse possível desenvolver uma pesquisa focada nos assuntos ou atividades que fossem mais interessantes aos olhos de nossos educandos, ou mais capazes de despertar o interesse e a participação das turmas, em geral, e de cada aluno, em particular.
A princípio não sabíamos ao certo o que seria trabalhado, mas após lermos o texto Aprendizes do futuro: as inovações começaram!, de Léa da Cruz Fagundes, a partir da indicação do professor, conseguimos focalizar nossa análise no desenvolvimento de projetos de aprendizagem como forma de aproximar os alunos da produção do conhecimento, despertando seu interesse e ampliando sua participação. Na primeira parte do trabalho analisamos o projeto EducaDi – Educação à Distância em Ciência e Tecnologia e sua aplicação em escolas de Porto Alegre, como exemplo do desenvolvimento de projetos de aprendizagem, a partir dos relatos contidos no já citado texto de Lea Fagundes. Logo a seguir procuramos desenvolver uma pequena análise teórica de alguns conceitos como termo gerador – utilizado por Paulo Freire em sua metodologia de ensino, e interdisciplinaridade – conforme apresentado por Piaget, pois acreditamos que sejam importantes para a compreensão deste projeto e para o desenvolvimento de qualquer projeto de aprendizagem que vise à inclusão escolar e o respeito às diferenças existentes em sala de aula. Ao final relatamos uma entrevista feita no Colégio de Aplicação da UFRGS a respeito do projeto AMORA. Esta instituição de ensino é uma das parceiras no projeto EducaDi, e desenvolve sua metodologia de ensino com base em projetos de aprendizagem.
1. O que é e quais são os objetivos do EducaDi?
Com o auxílio financeiro do MEC e através de projetos governamentais tem-se pretendido estender o acesso à informática nas escolas das redes públicas de ensino no Brasil. A verdade é que “estamos vivendo um processo de rápidas transformações nas formas de ser, viver, relacionar-se, principalmente com os grandes avanços nos meios de comunicação e da Informática”
FAGUNDES, Léa da Cruz. Aprendizes do futuro: as inovações começaram. Coleção Informática para a Mudança na Educação. MEC/ SEED / ProInfo, 1999, p. 13., e na atual conjuntura a chamada “inclusão digital” tornou-se uma necessidade. É fácil citar inúmeros exemplos de atividades que necessitam ou são facilitadas através do uso de computadores e da Internet: para criar um currículo e até mesmo para encaminhá-lo às empresas; para fazer inscrição em concursos públicos; para fazer declaração de imposto de renda; para manter contatos pessoais e profissionais através de e-mail; para pesquisas escolares, etc. A tendência é que o uso da informática torne-se mais imprescindíveis a cada dia, evidenciando a gravidade da existência de tantos “analfabetos digitais”. Este conhecimento deve ser parte integrante dos currículos escolares.
Neste contexto surge o projeto EducaDi, que pretende aplicar a Internet no ensino a distância atendendo populações de regiões marginais urbanas; aplicar tecnologias da informática em EAD na formação de professores, e desenvolver pesquisas para avaliar o impacto da aplicação da informática em EAD no sistema de ensino público. A partir daí elaboram-se modelos de metodologias para uso da Internet na sala de aula, testam-se, avaliam-se e disseminam-se os resultados:
Quatro unidades da federação, em um projeto coordenado, participam de uma proposta conjunta de aplicações de recursos tecnológicos avançados da Informática à educação pública. Com as devidas adaptações locais, serão envolvidos, num processo de Educação à Distância, alunos de escolas públicas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará e em Brasília. A finalidade deste programa é realizar um estudo piloto para elaborar modelos pedagógicos que sirvam como subsídios para aplicações das conexões e da interoperabilidade entre redes de computadores na Educação à Distância.
Informações disponíveis em http://educadi.psico.ufrgs.br/historia/integra/apresent.htm, acesso em 10/11/2007.
Dentro de cada escola escolhida para participar do projeto EducaDi são desenvolvidos inúmeros projetos de aprendizagem, conforme o interesse e as proposições dos alunos das diversas localidades. Todos os projetos devem ser organizados de forma interdisciplinar e contar com o auxílio dos computadores e da Internet para pesquisa, interação e divulgação dos resultados obtidos, tanto entre as escolas envolvidas no programa quanto para o restante de rede.
2. O projeto EducaDi e sua aplicação em escolas municipais de Porto Alegre.
O texto Aprendizes do futuro foi desenvolvido basicamente para divulgar, de maneira dinâmica, alguns dos resultados obtidos com o projeto até 1999, quando foi escrito. Logo na introdução são apontadas algumas “habilidades” necessárias para viver neste novo mundo informatizado, que infelizmente na maioria das vezes não são trabalhadas através de nossas metodologias de ensino, como por exemplo a capacidade de desenvolver competências em todas as áreas; de desenvolver novas habilidades para uma mesma profissão cujas atividades se transformam rapidamente ou habilidades que permitam mudar de profissão ao longo da vida, e o desenvolvimento de atitudes e valores para a convivência com autonomia e cooperação. Para superar estas dificuldades impostas pelo sistema educacional a autora comenta a necessidade de um “salto”:
O salto necessário se constitui em passar de uma visão empirista de treino e prática – controle e manipulação das mudanças de comportamento do aprendiz –, que tem orientado a prática pedagógica, para uma visão construtivista de solução de problemas – favorecimento da interatividade, da autonomia em formular questões, em buscar informações contextualizadas, da comprovação experimental e da análise crítica.
A utilização da Internet como ferramenta auxiliar no ensino viria para colaborar com o alcance deste objetivo. Mas é claro, para pôr em prática uma visão construtivista de ensino não bastaria usar a informática. E aqui entram em cena os projetos de aprendizado! Se até o momento os professores propunham projetos de ensino, previamente estabelecidos, elaborados de acordo com suas experiências de vida e interesses, a partir de então se abre espaço para a participação efetiva dos alunos, já que em um projeto de aprendizagem são os alunos que propõem temas, assuntos e maneiras de abordagem. Muitas vezes pensamos que com a Internet e este mundo de informações de fácil alcance aos alunos os professores perdem sua função, mas na verdade eles ganham a oportunidade e trabalham a capacidade de reestruturá-la, dinamizá-la, deixando de ser aquele que detém todas as informações e verdades, passando a ser aquele que auxilia, orienta e ajuda os alunos a construir seu próprio conhecimento.
Podemos citar o exemplo do projeto As Profissões, que foi desenvolvido na Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima, de Porto Alegre. Tudo começou com um trabalho para o dia das mães: os alunos criaram cartões informatizados em HTML para suas mães e postaram no endereço do projeto. Na festa promovida pela escola para comemorar o dia delas, todas foram convidadas para ver o “presente” no laboratório de informática, e ficaram muito emocionadas. Na segunda-feira posterior a festa todos os alunos comentavam sobre a reação de suas famílias, alguns lamentavam por não ter feito o trabalho, etc. Assim surgiu um debate em torno dos interesses dos pais, que ajudou a professora a perceber o interesse dos alunos a respeito das profissões de seus pais. Com a elaboração da proposta, e através das dúvidas dos alunos surge o projeto, que utiliza a Internet para pesquisas, contatos com profissionais das mais diversas áreas, e também para a montagem de uma página com todas as informações obtidas. Os alunos encontraram dificuldades, já que o laboratório era pequeno, o número de pessoas para trabalhar era grande, o tempo era curto, enfim, mas com espírito de equipe e esforço conseguiram um ótimo resultado.
Os professores aprenderam a valorizar as capacidades dos alunos, a compreender que cada um tinha seu ritmo, sua trajetória de vida, sua bagagem e suas diferenças de percepção e cognição. Os alunos sentiram-se mais úteis, orgulhosos por ver os trabalhos expostos na rede, valorizados, e desenvolveram aptidões diferenciadas, como trabalhar em grupo, respeitar opiniões dos colegas, expor suas idéias para o grande grupo, etc.
Com a popularização dos computadores pessoais e o desenvolvimento acelerado dos conteúdos postados na Internet a hemeroteca virtual transformou-se numa ferramenta auxiliar indispensável para o melhor aproveitamento dos estudos escolares. Através de pesquisas realizadas na rede, os alunos encontram uma motivação extra por intermédio de figuras, vídeos, textos e sobretudo a facilidade e rapidez que o conteúdo virtual possibilita para o seu acesso.
Contudo, não é somente o aluno que pode usufruir as vantagens possibilitadas pelo acesso a Internet. Os professores, por sua vez, podem interagir para trocar experiências ou solucionar dificuldades em suas práticas didáticas, através, por exemplo, do Website EducaDi, onde se encontra disponível várias salas que possibilitam trocas de opiniões entre professores.
Outro exemplo muito instigante de utilização dos meios digitais encontrados na Internet é o software Interactive Physics/Kreve, que possibilita aos alunos a simulação de fenômenos físicos, como o movimento fisiológico da perna humana. Essa visualização da perna em movimento (no campo virtual) pode ser instigada para realizar um projeto de construção de uma perna através de garrafas plásticas, canos de PVC, etc. Tornando, assim, o interesse por tal empreendimento muito mais interessante. Esse mesmo software possibilita variações que correspondem a um estudo interdisciplinar, como no caso da perna virtual, em que se podem estabelecer os tipos de movimento possíveis no ato de chutar (bioanatômico). Também possibilita, na área da física, uma maior noção da gravidade (simula-se um chute em uma bola de futebol em várias situações, sob uma gravidade x, x/2 ou na simples ausência de gravidade). Ao longo das simulações o aluno vai tendo uma melhor noção do efeito gravitacional sob os corpos em movimento, pois dependendo da gravidade escolhida a distância percorrida pela bola varia sensivelmente.
Um outro fator a ser destacado é a formação de um grupo para a realização de maquetes, ou no caso de escolas que possuem meios tecnológicos disponíveis, práticas no ramo da robótica. Após a visualização digital, os alunos lançam-se em direção a uma metodologia mais empírica, ou seja, colocar em prática (construir) aquilo que já haviam realizado (construído) no computador. É claro que na prática essa transposição do meio virtual para o material nem sempre é tarefa fácil, mas o que se detectou ao longo dos projetos é que alguns alunos criaram uma certa coesão dentro de um grupo, afim de solucionarem as barreiras que os impediam de realizarem tal projeto. Essa mesma coesão perante um grupo pode ser estimulada numa partida de futebol, onde o professor pode orientar visando o coletivo, mais que o individual, pois somente com planejamento e estratégia de grupo previamente estabelecidas o time pode alcançar um melhor rendimento durante as partidas.
O Projeto Tapete é um exemplo nítido de como podemos motivar os alunos por intermédio de organização, trabalho em grupo e principalmente aprender novidades através de planejamento e empenho. No primeiro dia de aula, os alunos depararam-se com uma sala de aula completamente desorganizada. Então, a professora os incitou a planejar os melhores lugares a serem postos as classes, televisão, videocassete, armário, etc. Tarefa árdua, pois nem sempre havia um consenso entre os alunos; mas aos poucos a “nova cara” da sala de aula foi se delineando. Por fim, restou determinar o lugar da sala de leitura, onde os alunos determinaram como primordial ser colocado um tapete para melhor se “alojarem” durante as suas leituras. Mas para isso precisavam comprar um tapete. Ou seria melhor fazê-lo por si próprios? Nota-se que os alunos tiveram que tomar decisões importantes como: qual o maior custo – produzir ou comprar? Depararam-se com sistemas de medidas (metro quadrado): qual a medida da área disponível para a colocação do tapete (aprenderam noção do que é um perímetro e como se chega a medida em metro quadrado, etc.). Sendo, assim, o conhecimento é produzido de uma maneira muito mais interessante e estimulante, em torno de uma tarefa que visava o bem comum dos alunos.
É claro que no Projeto Tapete o uso de softwares que possibilitam a visualização em três dimensões e movimentação de objetos com suas medidas exatas a serem colocados em locais também com suas dimensões já delineadas, auxilia de maneira imensurável o aprendizado, tornando o aprender muito mais fascinante e divertido.
Outro projeto interessante é o Projeto Folhas: o professor, ao levar os alunos para um bosque visando a coleta e observação dos locais em que as folhas se encontravam, propiciou a esses alunos um melhor discernimento sobre influência da luminosidade sob o crescimento e a forma das folhas, entre outras observações. Posteriormente, em laboratório de informática através de um software específico como Excel (banco de dados) inseriram os dados de medidas e formas das folhas obtidas, comparando-os com os locais diversos onde acharam tais plantas. Desta forma tiveram um melhor entendimento da relação luminosidade em comparação com o tamanho e forma das plantas.
3. O desenvolvimento desta forma de pensar a educação: algumas influências teóricas.
Por um longo tempo a escola foi vista como um local aonde se ia para aprender. O silêncio era imprescindível e cobrado a todo o tempo, o respeito pelo mestre beirava o temor, e sua lições eram inquestionáveis. Até que chegássemos aos dias de hoje com a possibilidade de debater o ensino de forma mais aberta passamos por um processo de mudanças lento, para o qual homens como Jean Piaget e Paulo Freire contribuíram bastante.
Piaget foi um dos pais da psicologia cognitiva contemporânea, pesquisador que ajudou a forjar uma nova forma de compreender a inteligência humana chamada de construtivismo. Para os construtivistas o conhecimento não se traduz em alcançar a “verdade absoluta”, mas em modelar suas ações e operações conceituais com base nas suas experiências a todo o tempo.
O indivíduo - tanto nos aspectos cognitivos quanto sociais do comportamento como nos afetivos - não é um mero produto do ambiente nem um simples resultado de suas disposições internas, mas, sim, uma construção própria que vai se produzindo, dia a dia, como resultado da interação entre esses dois fatores. Em conseqüência, segundo a posição construtivista, o conhecimento não é uma cópia da realidade, mas, sim, uma construção do ser humano CARRETERO, Mario. apud ARGENTO, Heloísa. Teoria Construtivista. Disponível em:
http://www.robertexto.com/archivo5/teoria_construtivista.htm/. Acessado em 09/11/2007..
Os projetos de aprendizagem utilizam muito da teoria construtivista e da visão de educação proposta por Piaget em contraposição aos funcionalistas. Além disto, para que um projeto de aprendizagem seja bem sucedido, precisa ser elaborado e executado de maneira interdisciplinar, ou seja, com propostas que envolvam de maneira efetiva mais de uma disciplina ministrada nas escolas, de maneira a “quebrar” com as tantas divisões imposta ao conhecimento pelo nosso sistema educacional. E a interdisciplinaridade também é uma das questões enfatizadas pelos construtivistas, afinal, se os indivíduos constroem seu conhecimento a partir da interação com o meio e com os demais, ao colocar o conhecimento em “caixinhas” separadas, estar-se-ia dificultando o aprimoramento das capacidades cognitivas, e assim a capacidade de reconstruir e ampliar seu campo de conhecimento.
Para comentar a teoria e do método de Paulo Freire utilizamos parte da dissertação de mestrado de Sonia Feitosa FEITOSA, Sonia Couto S. Método Paulo Freire: princípios e práticas de uma concepção popular de educação. Dissertação de mestrado defendida na FE-USP em 1999. Disponível em: http://www.paulofreire.org/Biblioteca/metodo.htm. Acesso em 07/11/2007.. De acordo com a autora Freire compromete-se com a educação de cunho popular, tendo contribuído para: “a formação de uma sociedade democrática ao construir um projeto educacional radicalmente democrático e libertador, sendo que sua teoria do conhecimento é baseada no respeito pelo educando, na conquista da autonomia e na dialogicidade enquanto princípios metodológicos”.
Para Paulo Freire é preciso antes de qualquer coisa conhecer o aluno: “conhecê-lo enquanto indivíduo inserido num contexto social de onde deverá sair o ‘conteúdo’ a ser trabalhado”. Não obstante, para melhor entender o método de Paulo Freire é preciso entender seus princípios norteadores.
O seu primeiro princípio diz respeito a politicidade do ato educativo, onde não existe uma educação neutra e é fundamental uma busca pela indissociação da construção dos processos de aprendizagem da leitura e da escrita do processo de politização. A experiência realizada em Angicos esboça muito claramente esse princípio; o qual Freire denominou círculos da cultura: “Através de slides contendo cenas de seu cotidiano esses trabalhadores/educandos discutiam sobre o desenrolar de suas vidas reconstruindo sua história, sendo desafiados a perceberem-se enquanto sujeitos dessa história. Nesse contexto era apresentada uma palavra aos educandos - ligada a esse cotidiano e previamente escolhida - e, através do estudo das famílias silábicas que a compunham, o educando apropriava-se do conhecimento do código escrito ao mesmo tempo em que refletia sobre sua história de vida”. Ou seja, Paulo Freire propõe um método mais empírico ligado ao cotidiano dos educandos, vinculando suas experiências com a prática de ensino proposta.
O seu segundo princípio baseia-se na dialogicidade do ato educativo: onde a base da pedagogia é o dialogo entre o educador e o educando, entre o educando e o educador e o objeto do conhecimento, entre natureza e cultura: “a atitude dialógica é, antes de tudo, uma atitude de amor, humildade e fé nos homens, no seu poder de fazer e de refazer, de criar e de recriar”.
FREIRE, Paulo. Apud FEITOSA, Sonia, Op. Cit. O método empírico de Freire vinculado à realidade vivenciada pelos educandos enriquece e torna muito mais palpável o conhecimento a ser adquirido, dando cor e vida aos ensinamentos: “Aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo educando e só tem sentido se resultar de uma aproximação crítica dessa realidade.”
4. Relatório da Visita ao Colégio de Aplicação da UFRGS
4.1 O Projeto Amora
Em busca de uma experiência de aplicação da noção de Projeto de Aprendizagem, fomos conhecer o Projeto Amora do Colégio de Aplicação da UFRGS. Recepcionados pelo psicólogo Cristiano, do NOPE (Núcleo de Orientação Pedagógica), visitamos as instalações e fizemos algumas perguntas. Além disso, parte das indagações iniciais foram sanadas através do site www.cap.ufrgs.br, no link Projeto Amora.
Os textos extraídos na integra do site do projeto encontram-se em itálico.
O que é o Projeto Amora?
O Projeto Amora objetiva a reestruturação curricular caracterizada pelos novos papéis do professor e do aluno demandados pela construção compartilhada de conhecimentos a partir de projetos de aprendizagem e integração das tecnologias de informação e comunicação ao currículo escolar. O projeto, que atualmente envolve alunos de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental do Colégio de Aplicação da UFRGS, prevê a possibilidade de integração com outras séries.
Quem participa do Projeto?
Fazem parte do Projeto Amora, na etapa desenvolvida em 2007, 75 alunos do Colégio de Aplicação, distribuídos em 2 turmas equivalentes a 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental. Suas idades variam entre 10 e 13 anos.
A equipe envolve um grupo permanente de professores do CAp e eventuais estagiários e visitantes, com formação nas seguintes áreas do conhecimento: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Física, Artes Plásticas, Música, Teatro, História, Geografia, Educação Física, Inglês, Espanhol, Orientação Educacional e Psicologia.
4.2 A interdisciplinaridade como pauta central do projeto
O horário e conteúdos são construídos semanalmente entre a equipe de professores, em parte pela necessidade de suprir deficiências que as turmas apresentam coletivamente, em parte pela possibilidade de interface de conteúdos pelas diferentes disciplinas. Ao questionarmos se os projetos de aprendizagem influenciavam essa articulação, Cristiano afirmou que em algumas situações sim, mas que em geral, o que era possível detectar é a separação entre os momentos de orientação aos projetos e o desenvolvimento dos conteúdos em sala de aula. Sendo a maior dificuldade apontada para uma maior articulação entre projetos de aprendizagem e conteúdos curriculares a grande diversidade dos conteúdos e o isolamento dos assuntos dos projetos que são desenvolvidos por no máximo oito alunos por grupo, dificultando em parte a sua socialização imediata.
Atividades Integradas
São atividades desenvolvidas a partir de motivações comuns a duas ou mais Áreas do conhecimento, identificadas pelos professores em diferentes situações de trabalho com os alunos. As atividades integradas, sob a responsabilidade de dois ou mais professores especialistas, são oferecidas às turmas de alunos.
4.3 Os Projetos de Aprendizagem
Ao início de cada etapa dos projetos – os alunos têm possibilidade de desenvolver dois pro ano, um a cada semestre – os estudantes apresentam suas propostas. Por escrito, tem de indicar o tema, em formato de questionamento, uma hipótese de pesquisa e uma justificativa correspondente. De posse dessas propostas, a equipe agrupa as propostas por áreas afins e oferece oficinas.
Oficinas
São atividades desenvolvidas a partir de motivações específicas selecionadas pelos professores em diferentes situações de trabalho com os alunos. Esses, após se inscreverem nas Oficinas que gostariam de participar, trabalham em pequenos grupos, sob a orientação de dois ou mais professores especialistas.
É a partir das oficinas que os estudantes formam os grupos por afinidade nas temáticas e buscam a orientação de um professor da equipe. Como comentamos anteriormente, os grupos em torno de cada projeto de aprendizagem podem ser compostos por até oito estudantes.
Assessorias Especializadas
São atividades desenvolvidas a partir de motivações originadas nos Projetos de Aprendizagem, em função de dúvidas específicas em uma Área do conhecimento. As assessorias são oferecidas a pequenos grupos, em caráter eventual ou sistemático, de acordo com a demanda.
Segundo as falas de alguns alunos que se dispuseram a conversar no recreio, o papel do orientador de projeto é fundamental, não apenas para a indicação de material de pesquisa – do qual falaremos a seguir - como também para o cumprimento dos prazos. Os alunos dispõem de 2 horas e meia por semana, no turno inverso ao da aula, para se dedicarem exclusivamente ao projeto. Ainda, aos alunos que não tem acesso à internet em casa, é disponibilizado um horário extra para consulta à rede.
Quando questionamos sobre a aplicabilidade dos projetos de aprendizagem sem o uso da informática – nesse sentido, a pensamos como um limitador para as condições da rede pública de ensino em geral, onde salva exceções como o Colégio de Aplicação, o acesso à computadores é restrito, quando existe - Cristiano nos falou das limitações de bibliotecas defasadas, que não dão conta de suprir com conteúdos atualizados, ou que, pelo seu próprio formato didático, não comportam conteúdos extraídos do cotidiano dos estudantes. Nesse sentido apontou a Internet como uma ferramenta fundamental na busca por informações.
A função do professor orientador dos projetos (aquele que presta assessoria especializada) se faz mais uma vez fundamental. Além de determinar quais são os conteúdos confiáveis e como lidar com os não confiáveis – chama a atenção, como inclusive esses conteúdos podem ser utilizados, através da crítica no processo de construção do conhecimento dos estudantes sobre a temática – o orientador pode indicar outras formas de pesquisa acessíveis aos estudantes, como revistas e jornais.
Ainda sobre o uso da informática, com a ajuda de bolsistas do LEC (Laboratório de Estudos Cognitivos), os estudantes constroem uma página, armazenada no site da escola, com o resultado de seus projetos. O uso do Açaí (Ambiente de Criação e Edição de Atividades) permite que os alunos troquem material de informação durante a confecção do projeto, garantindo que possam trabalhar em horários extra classe com o conteúdo.
AÇAÍ
Esse é o Ambiente de Criação e Edição de Atividades do Projeto Amora. As funcionalidades do AÇAÍ lhe permitirão registrar o andamento das atividades que estão em desenvolvimento usando diários de bordo, que podem ser comentados por participantes ou não do Portal, imagens e links relacionados.
4.4 Avaliação
Ao fim de cada etapa de projeto, os alunos apresentam para as turmas do Amora e para a equipe de professores e profissionais os resultados. Nesse sentido, os resultados compõem a produção de cada estudante e das turmas, que é um dos indicadores de avaliação, juntamente com a avaliação coletiva e individual que os alunos fazem a cada período e a avaliação conjunta que a equipe faz, esta última sistematizada pelo professor tutor de cada turma.
Conclusão
Pesquisar a respeito de projetos de aprendizagem realmente foi proveitoso para nossa formação, como futuros professores, de acordo com nossos interesses originais expostos na introdução. A utilização deste tipo de projeto como metodologia pedagógica responde em muito a respeito de como chamar e manter a atenção de nossos alunos em sala de aula.
As crianças e adolescente de hoje estão inseridos em um contexto de mudanças rápidas e informações abundantes. Tornam-se independentes e capazes de buscar conhecimento por seus próprios meios cada vez mais cedo, e sentem-se diminuídos, presos e quem sabe até oprimidos quando não têm liberdade suficiente para utilizar estas capacidades. Então o educador precisa aprender que educar também é aprender, e que seu novo papel concentra-se em orientar os educandos com relação aos rumos que deve tomar. Mostrar de quais informações e sites deve desconfiar; ensinar que uma boa pesquisa compara fontes e busca isenção; estar sempre ao lado, pronto para trocar informações, suscitar debates e conversas, já que este é o melhor meio para aguçar o senso critico, a capacidade de expressão oral e de relacionar-se com os demais.

