TÉCNICAS DE ENSINO *

De Psicologia da Educação

BEHAVIORISMO


O Behaviorismo tem como unidade conceitual o comportamento (behavior). Os behavioristas trabalham com o princípio de que a conduta dos indivíduos é observável, mensurável e controlável similarmente aos fatos e eventos nas ciências naturais e nas exatas. Com esta teoria, a Psicologia alcança o status de ciência por ter um objeto palpável. Existem três linhas seguidas dentro do Behaviorismo, entretanto, nos deteremos mais na descrição do Behaviorismo Radical, como fizemos na nossa apresentação em aula.


1. Behaviorismo Metodológico – John Watson – Declarou, em seu artigo “Psicologia vista por um Behaviorista”, que a psicologia era um ramo puramente objetivo e experimental, que tinha como finalidade prever e controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo. Baseou-se no condicionamento clássico. Exemplo: Cães salivam não só quando vêem comida, mas também quando associavam algum gesto ou som à chegada de comida. Fenômeno de associação(Estímulo - Resposta). Acredita na existência da mente, mas a ignora em suas explicações sobre o comportamento. Os estados mentais não seriam objetos de estudo empírico.


2. Behaviorismo Filosófico (Analítico ou Lógico) – Trata do sentido e da semântica das estruturas de pensamento. A disposição mental – que é mais um tipo de comportamento - é a disposição comportamental, um reflete o outro. Assim, são analisados os estados mentais intencionais e representativos.


3. BEHAVIORISMO RADICAL: Adotando uma linha diferente do behaviorismo metodológico, o behaviorismo radical “não nega a possibilidade da auto-observação ou do autoconhecimento ou sua possível utilidade, mas questiona a natureza daquilo que é sentido ou observado e, portanto, conhecido” . Tal teoria, desenvolvida por B. F. Skinner a partir de seus estudos de laborário, e acompanhada por diversos psicólogos, tais como Ferster, Sidman, Schoenfeld, Catania e Jack Michael, surgiu como uma nova proposta filosófica dentro da Psicologia, e como uma espécie de crítica ao behaviorismo metodológico de cunho preponderantemente positivista.


Os estudos de Skinner avaliam a repercussão e a validade das pesquisas científicas experimentais no estudo do comportamento, considerando, por exemplo, que as noções desenvolvidas por Darwin no que se refere à seleção natural também poderiam ser aplicadas ao comportamento dos indivíduos. Trata-se o behaviorismo radical de um caso especial da filosofia da ciência que não se limita a ser uma ciência do comportamento humano, justamente por considerar que as diferentes explicações sobre o comportamento humano deveriam ser resolvidas não com base em especulações abstratas, mas em evidências refutáveis, tudo em razão dos experimentos realizados sob o rigor da produção de conhecimento científico (conforme dito acima, o Behaviorismo Radical teve sua origem científica em ambiente controlado de laboratório e a análise do comportamento é a aplicação prática das técnicas estudadas).


Na realidade, o objeto de estudo do behaviorismo radical foca a relação entre o indivíduo e seu ambiente físico, químico ou social, não apelando para estados mentais como causa do comportamento, como o fazia o Behaviorismo Metodológico. Para Skinner e para os demais behavioristas radicais, a análise do comportamento, por pertencer à ciência natural, procura entender a relação entre o indivíduo e o ambiente, podendo as probabilidade de emissão serem diminuídas ou aumentadas conforme a história de condicionamento do indivíduo, e a apresentação ou retirada de estímulos ambientais.


A MÁQUINA DE ENSINAR DE SKINNER


Precursoras dos computadores e dos sistemas virtuais de ensino, a máquina de ensinar foi proposta por Skinner como um modelo ideal de instrumento de aprendizado.


Para o seu criador, o equipamento apresentava inúmeras vantagens, especialmente no que se referia à efetividade do estudo, por oferecer ao aluno condições rápidas e aperfeiçoadas para tanto, além de se mostrar bastante aperfeiçoada em relação aos sistemas de correção por parte dos professores, já que, neste último caso, os alunos não recebiam, de imediato, o resultado sobre acertos ou erros. Assim, o uso da máquina de ensinar apresentava resultados imediatos, tanto por levar mais rapidamente à formação do comportamento correto, quanto pelo efeito motivador de o estudante estar livre da indecisão ou ansiedade sobre seu sucesso ou falha.


O trabalho, portanto, seria prazeroso, também por não requerer esforço do aluno para estudar. Skinner destacava, também, como função da máquina, fornecer ao aluno um relatório da adequação da sua resposta, o que era importante não apenas para uma aprendizagem eficiente, mas também para gerar um alto nível de motivação e de entusiasmo.


Outra vantagem destacada por Skinner era a de que o aluno seria livre pra se mover em seu próprio ritmo, ao contrário do que ocorre em relação a outras técnicas, em razão das quais os alunos eram forçados a caminharem juntos – como resultado: os estudantes com maior agilidade de assimilação perdiam tempo esperando os outros alunos, e os mais lentos eram forçados a responder muito rapidamente. Com a máquina de ensinar, cada aluno teria seu ritmo respeitado e todos aprenderiam o material profundamente.


A máquina possuía, ainda, outra característica: cada estudante, através de uma grande quantidade de pequenos passos organizados de forma coerente, seguiria um programa cuidadosamente planejado, saindo de um estágio inicial, no qual ele seria pouco familiarizado com o material, para um estágio final, no qual ele se tornaria competente.


O IMPACTO DO BEHAVIORISMO NA EDUCAÇÃO


Cada professor tem alguma crença ou teoria sobre aprendizagem, que é o elemento motor de sua estratégia de ensino. Professores que concordam com as afirmativas abaixo são coerentes com os psicólogos que seguem a teoria comportamentalista:


1. Estudantes necessitam de notas, estrelas douradas e outros incentivos para aprender e cumprir as tarefas escolares;

2. Estudantes deveriam receber notas de acordo com padrões uniformes de resultados alcançados que o professor estabeleceu para a classe ;

3. Curriculum deve ser organizado por temas que são cuidadosamente organizados em seqüências.


PROFESSORES QUE ACEITAM A PERSPECTIVA COMPORTAMENTALISTA ASSUMEM QUE OS ALUNOS SÃO PASSÍVEIS E MOLDÁVEIS E QUE O COMPORTAMENTO DOS ESTUDANTES É UMA RESPOSTA A SEU AMBIENTE PASSADO E PRESENTE E QUE TODO O COMPORTAMENTO É APRENDIDO. COMO DECORRÊNCIA, QUALQUER COMPORTAMENTO PODE SER ANALISADO EM TERMOS DE SEU HISTÓRICO DE REFORÇOS. UMA VEZ QUE A APRENDIZAGEM É UMA FORMA DE MODIFICAÇÃO DE COMPORTAMENTO, A RESPONSABILIDADE DO PROFESSOR É CONSTRUIR UM AMBIENTE EM QUE O COMPORTAMENTO CORRETO DO ESTUDANTE SEJA REFORÇADO.


ESCOLA DA PONTE


A Escola da Ponte é uma escola pública, situada em Portugal e teve início em 1976, sob o comando de José Pacheco. A escola é pequena, com cerca de 200 alunos, e recebe crianças do primeiro e segundo ciclos do ensino básico (o que seria dos 5 aos 13 anos). Quanto à estrutura da Escola da Ponte:


1. os alunos formam grupos heterogêneos, não estando classificados por turmas nem por anos de escolaridade;

2. não há salas de aula;

3. não existe série ou currículo;

4. não existe diferença hierárquica entre professores e alunos;

5. e não há espaço para exames finais (a medida que se sente preparado, cada aluno procura o professor e, juntos, fazem a avaliação do trabalho realizado).


Na Escola da Ponte, as crianças decidem o que e com quem estudar, em vez de classes, grupos de estudo. Independente da idade, o que as une é a vontade de estar juntas e de aprender juntas.


As técnicas de ensino utilizadas na Escola da Ponte são muitas, e visam principalmente a emancipação dos alunos. Uma dessas técnicas é a elaboração pelos alunos de um documento contendo os seus direitos e deveres.


Anexamos também, uma entrevista feita com um dos professores da Escola da Ponte sobre o trabalho desenvolvido na escola e a carta feita por uma aluna da Escola da Ponte em 2003, questionando a atitude do Ministro da Educação que demitiu todos os professores do 3º ciclo.


Perguntas Freqüentes (http://www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/)


1. A escola da Ponte é privada? Não, a Escola da Ponte é uma escola pública estatal. Os alunos não pagam nada para freqüentar a Escola e os orientadores educativos são todos contratados pelo Ministério da Educação.

2. Quais os anos de escolaridade que existem na Escola da Ponte? A Escola da Ponte, (Escola Básica Integrada com Jardim de Infância de Aves/S. Tomé de Negrelos) recebe alunos desde o 1º até ao 9º ano - terminal do ensino básico. Neste momento, o Núcleo da Iniciação e da Consolidação continuam a funcionar no Largo Dr. Braga da Cruz, o Núcleo do Aprofundamento encontra-se a funcionar em Vila das Aves, num edifício que habitualmente se denomina por "Escolinha". A "Escolinha" era, originalmente, uma escola do 1º ciclo (Plano dos Centenários). Para o núcleo de Aprofundamento aí funcionar foi necessário acrescentar dois contentores. Por outro lado, os alunos deste Núcleo utilizam os laboratórios, o pavilhão e a cantina da Escola Secundária D. Afonso Henriques. Para a tipologia da Escola se concretizar só falta o Jardim de Infância. Continuamos a acreditar que tal será possível, em breve.

3. Quantos alunos freqüentam a Escola da Ponte? A Escola da Ponte tem, presentemente, 220 alunos a frequentá-la.

4. Existe Ensino Especial na Escola da Ponte? A nossa Escola considera que todos os alunos são especiais. Isto não é apenas uma forma de contornar a questão. Tentamos ao máximo que cada aluno receba da parte da escola o tipo de apoio de que necessita. Todos os alunos realizam o mesmo tipo de trabalho e encontram-se enquadrados em grupos de trabalho. Os professores vão dando o apoio que é considerado mais adequado, sem fazer discriminação relativamente a cada aluno. Todos os professores são professores de todos os alunos. Todos diferentes, todos iguais, todos com o apoio de que necessitam.

5. De que forma os alunos são avaliados na Escola da Ponte? A avaliação na Ponte é feita de várias formas. Em primeiro lugar, através da observação. Esta é uma das formas de avaliação que nos permite avaliar melhor os alunos em termos de valores e atitudes. Consideramos que é fundamental e trabalhamos constantemente para que os alunos sejam solidários, responsáveis e autónomos. No que diz respeito aos conhecimentos (é lógico que a separação entre todos estes factores é artificial, mas torna mais simples a explicação), estes são avaliados de diferentes formas, consoante o nível em que os alunos se encontram. Enquanto os alunos ainda não sabem ler e escrever com correcção, a avaliação é realizada em grande parte através da observação informal do trabalho produzido pelos alunos. À medida que os alunos começam a ser mais autónomos e começam a elaborar o seu plano diário (onde planificam o trabalho para esse dia e, no fundo, se comprometem a cumprir certos objectivos), a avaliação passa a ser efectuada de outro modo. Em primeiro lugar, os alunos auto-avaliam-se. Sempre que consideram que dominam um determinado ponto do programa escrevem-no numa folha do "Eu já sei". Depois, um professor que domine um pouco melhor a área a que diz respeito o objectivo dirige-se ao aluno e faz uma avaliação "mais formal". Esta avaliação pode ser efectuada de várias formas: uma conversa, um exercício escrito, a resolução de um problema, etc. Tudo depende do objectivo em questão. Por outro lado, tenta-se sempre que os objectivos anteriores também sejam avaliados de forma a que a avaliação sejam um processo contínuo. Quando um determinado aluno pensa que esgotou todos os instrumentos que tem ao seu dispor para estudar um determinado assunto (biblioteca, computador, colegas), e mesmo assim não conseguiu compreender um determinado ponto, recorre ao professor. O aluno escreve então o seu nome, a data e tema em estudo na folha do "Eu preciso de ajuda". Depois, o professor dirige-se ao aluno (ou alunos) com a dificuldade e tenta esclarecê-lo no que os alunos costumam chamar de "aula directa". Por outro lado, o comportamento na sala, a Assembleia de Escola, os Debates e as apresentações dos trabalhos constituem, também, excelentes momentos de avaliação.

6. Quantos professores trabalham na Escola da Ponte? O Ministério da Educação paga, neste momento, o salário a 39 orientadores educativos na Escola da Ponte. Infelizmente, este será o segundo ano em que não contamos com nenhum psicólogo contratado pelo Ministério da Educação. A Escola tem-se socorrido psicólogos que se encontram desempregados, através de um protocolo com o Centro de Emprego (POC). Infelizmente, estas situações são extremamente precárias e não permitem a realização de um trabalho continuado. Nenhum dos orientadores educativos tem qualquer redução de horário.

7. Quando é que os orientadores educativos da Escola da Ponte se reúnem? Os orientadores educativos da Ponte reúnem-se em vários momentos. A quarta-feira de tarde encontra-se destinada a reuniões. Estas podem ser de Núcleo (Iniciação, Consolidação e Aprofundamento), de Dimensão (Lógico Matemática; Naturalista; Linguística; Identitária; Artística) e de Conselho de Projecto (gerais). Normalmente, todas as quartas-feiras existe uma reunião geral e uma de núcleo ou dimensão. Nem sempre estas reuniões de quarta-feira são suficientes e é, então, necessário que os orientadores educativos se reúnam noutros momentos.

8. Depois de os alunos saírem da escola, têm dificuldades em acompanhar o "ensino tradicional"? Pensamos que a resposta a essa pergunta é: o ensino tradicional é que tem dificuldade em acompanhar estes alunos. Os alunos que saem da Escola da Ponte e rumam a outras escolas têm tido, sempre, em média, melhores classificações do que os colegas de outras escolas. Nós, na Escola da Ponte, não pensamos que as classificações sejam a melhor forma de avaliar os alunos, mas estes são os únicos dados de que dispomos vindos de outras escolas e, de qualquer modo, são os dados que são relevantes para as escolas mais tradicionalistas. Nos últimos anos tem havido cuidado para, de alguma forma, preparar os alunos para o trabalho que se realiza noutras escolas: terem que estar sentados a ouvir o professor, não trabalharem em grupo, só terem o manual como auxiliar, terem que decorar a matéria toda para um teste, as notas, etc...

9. Em que consiste o Método Global? Na iniciação à leitura e à escrita existem diferentes métodos. Uns defendem que a iniciação deverá começar pela letra, posteriormente, a sílaba e, finalmente, a palavra. O método global, pelo contrário, defende a primazia da frase ou da palavra. A letra é algo que não tem significado para a criança. A frase e a palavra, sim. 'Na nossa escola, os alunos costumam contar, por exemplo, o que aconteceu no seu fim-de-semana. Posteriormente, o professor escreve a frase no quadro ou no seu caderno e os alunos copiam a frase e inventam outras frases com uma ou mais palavras da frase inicial. Com o tempo, os alunos vão aprendendo a ler. É frequente encontrar alunos que, no Natal, já lêem com muita fluência. Quando os alunos começam a ler, inicia-se o trabalho de forma a que eles tomem consciência da existência da sílaba, de forma a que as apliquem em novas palavras. Quando já lêem e escrevem com algum correcção, começam a trabalhar os chamados "casos especiais" da nossa língua: diferentes formas de escrever o som "z", etc...


Carta dos Alunos ao Ministro da Educação


Escola da Ponte, 22 de Setembro de 2003.

Senhor Ministro da Educação,

Nas reuniões semanais da nossa Assembleia, nós aprendemos o que são os nossos direitos e os nossos deveres. Por isso, decidimos escrever uma carta ao Sr. Ministro da Educação. É uma carta assinada por todos os alunos. Decidimos enviar ao senhor esta carta, que ela fala sobre o que aprendemos a sentir, a respeitar, e sobre o significado da palavra AJUDAR e da palavra AMAR, e sobre como a escola que se transforma em família. Para que assim o senhor perceba que está a destruir o lar e a família de muitas crianças. Na nossa opinião, muitas pessoas não estão a par do que está acontecendo com a nossa escola. Já pensámos em publicar artigos para que, assim, as pessoas tenham noção do problema que diariamente temos vindo a enfrentar e também para que, juntamente connosco lutem pela justiça e pelo ensino moderno. Já não sabemos, sinceramente, o que fazer para que possamos trabalhar em paz e com professores. A escola já fez de tudo para poder voltar ao normal. É preciso arranjar uma solução, para que possamos ter os nossos professores de volta e possamos estudar. Para fazermos com que os nossos professores voltem, temos de demonstrar quanto fortes somos e conseguir o que tanto merecemos. Os nossos professores são nossos amigos e sabem ajudar-nos no que precisamos porque eles têm sabedoria. E nós estamos habituados com eles. Vamos mandar uma carta aos nossos professores, para lhes dizer a falta que eles fazem na escola. Dizemos aos nossos professores que gostamos muito deles e que estamos com muitas saudades. Nós vamos continuar a lutar pelo 3º ciclo. Vamos fornecer a todos os alunos o e-mail do Ministério da Educação, para que todos escrevam ao senhor ministro. Vamos ter muita esperança e também muita paciência, até nos dar todas as condições necessárias para nós podermos estudar com gosto e seriedade. Vamos mandar ao ministro uma gravação do trabalho que os nossos colegas monitores fazem, para o senhor ver que, mesmo sem os nossos professores, nós não nos vamos abaixo. Nós mantemos a calma e ajudamos os mais novos a perceber o que se passa. Venha visitar a nossa escola, para ver que é uma escola com sucesso. Ao ver os nossos colegas do 7º ano a trabalharem como professores, certamente vai dar-nos o 7º ano. O senhor não se pode esquecer de que é o Ministro da Educação. E nós (os alunos) não podemos passar a vida toda a fazer de monitores. O senhor deve devolver-nos os nossos professores e o 3º ciclo. O senhor Ministro sabe o que é ser pai de um aluno da nossa escola? O senhor Ministro aceita vir à nossa escola? Queremos que o senhor ministro veja a nossa situação, para que possa ver o quanto nos está a prejudicar. Queremos que o Sr. Ministro veja as condições que nós temos e nos dê os professores. Continuamos a insistir com o senhor Ministro, até que veja realmente o nosso projecto, pois assim pode cair na realidade. Senhor Ministro da Educação, seja simpático connosco, que terá uma recompensa. Se não nos responder, nós iremos fazer uma conferência de imprensa só com alunos. Nós precisamos de um ginásio, mais espaço para brincar, um campo de futebol, mais espaço para estudar, e precisamos de uma cantina maior. Também precisamos de ter confiança de que vamos conseguir. Nós só fazemos pressão porque queremos que se realize o nosso sonho. Nós, os alunos, estamos a sofrer. Mas, se o senhor não fizer nada, nós continuamos a lutar com unhas e dentes pelo o que é nosso, nós temos força e a esperança é a última coisa a morrer. Nós nunca iremos desistir dos nossos direitos. Estamos todos juntos, “um por todos e todos por um”, demore o tempo que demorar!!! Nós estaremos sempre unidos e pediremos o que já era prometido. Se o Governo prometeu, agora faça o que disse, para nós sermos uns alunos felizes. Se o Governo nos prometeu, por que razão, agora, não cumpre o que prometeu? É muito feio uma pessoa prometer e depois não cumprir. Quais as razões de não responder durante quase DOIS anos aos nossos pedidos? Porque nunca nos visitou, para nos conhecer pessoalmente e tentar perceber o que está a fazer? Teve a oportunidade de pensar ao que está a chegar este assunto por causa das suas teimosias? Esperamos que seja consciente ao pensar nisto. Já pensou nas vantagens deste projecto em relação aos outros métodos de ensino completamente normais? Nós lutamos como temos lutado para mostrar ao senhor ministro que o projecto da Escola da Ponte é importante de mais para poder acabar. Senhor Ministro, deixe-nos continuar com este projecto! Por favor!

A Presidente da Mesa da Assembleia Em nome de todos os Alunos da Escola da Ponte que elaboraram e aprovaram esta carta

Constança Azevedo


ALUNOS DA ESCOLA DA PONTE A DRAMATIZAÇÃO COMO TÉCNICA DE ENSINO


O método tradicional de aula, onde o professor disserta sobre o assunto e é complementado pelo conhecimento livresco, pode não ser eficaz à medida que, após realizadas as provas o assunto não permanece a longo prazo na memória dos alunos. Isto acontece porque o assunto, muitas vezes distante da realidade do aluno, lhe é desinteressante.


A dramatização apresenta-se como uma técnica de ensino cujo principio é o de causar uma impressão no estudante. Através de variadas técnicas de expressão e abordagem, é possível fazer o aluno vivenciar os assuntos que lhe são propostos, independente da área que se queira trabalhar. Assim, a visualização do assunto e o próprio assunto são incorporados ao mesmo tempo, e isso desencadeia, a princípio, duas vantagens: a incorporação do método de reflexão e de imaginação, e a apreensão do assunto em si. Dessa forma onde utilizar e de que maneira comportar-se quando, em sua vida for necessário tal conhecimento.


Os cursos pré-vestibular utilizam este método, professores dramatizam situações tornando a aula mais atraente.


A dramatização é comumente utilizada no ensino de enfermagem, onde os alunos criam situações de problemas de saúde e o respectivo atendimento, vivenciando situações que enfrentarão no exercício da profissão.


Portanto, a dramatização faz com que o estudante vivencie uma situação, e esta experiência lhe causará maior impacto que o conhecimento livresco, fazendo com que o assunto se torne mais arraigado na sua memória.


O ensino da dramatização é um recurso que libera bloqueios e timidez. Um objetivo importante da expressão dramática é o de desenvolver a adaptação da criança ao meio em que vive, e também mostrar a ela sua capacidade de transformação deste mundo. Através da expressão dramática podemos obter o desenvolvimento integral da criança, pois trabalhamos sua motricidade fina e ampla e oportunizamos um trabalho com vocabulário próprio. A expressão dramática também desenvolve hábitos e atitudes, e é por tudo isso um dos recursos mais vivos e mais criativos de que se pode lançar mão no dia-a-dia de uma escola (Revista do Professor, 1986).


Obviamente, esta técnica não é uma estratégia definitiva, mas pode ser, de fato um poderoso recurso nas mãos de um professor que saiba fazer bom uso dela.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ALENCAR, Eunice Maria Lima Soriano de. Psicologia : introdução aos princípios básicos do comportamento. Petrópolis: Vozes, 1986.

Skinner, Burrhus Frederic. Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1974.

Skinner fala sobre a Maquina de Ensinar. Disponível em <http://br.youtube.com/watch?v=vmRmBgKQq20 >. Acesso em 16 de junho de 2008.

Lemos, Lúcia de. Dramatização na escola primária. Rio de Janeiro

Revista do professor (Porto Alegre). Porto Alegre: Centro de Pesquisas e Orie 1986 v.2 n.7 jul/set.

Entrevista Escola da Ponte. (http://www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/)

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