Terence Boeira

De Psicologia da Educação

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Faculdade De Educação - FACED

Disciplina: Psicologia da Educação I.



Como falar com adolescentes?


Veja http://www6.ufrgs.br/psicoeduc/wiki/index.php?title=Como_Falar_com_Adolescentes%3F


Adicionado:


Usar de meios que são úteis com crianças, mas que são ineficazes com eles só faz com que estes fiquem desconfiados dos adultos e se afastem, fechando-se em si mesmos e em seus grupos e repetindo aquela famosa frase: “Ninguém me entende”.


Desde os primórdios da civilização humana, a maior dificuldade e paradoxalmente a maior benção sempre foram e sempre serão os paradigmas que envolvem a comunicação. Mas não a comunicação no sentido do diálogo franco e do fazer-se entender (óbvio que isto é salutar e de desejável exercício), mas falo da comunicação mais voltada para o sentido de descobrir informações sobre o outro, buscando novos parâmetros para a realidade onde – eu e esse outro e outro e outro...- consensos de convivência harmônica proliferem beneficamente.


Comunicar-se em harmonia, portanto, gerou estudos sobre os diferentes interlocutores possíveis e passíveis, desde grupos étnicos, familiares, sociais, demográficos, culturais e afins e/ou similares. E de tempos em tempos, criados pela mídia ou alicerçados por ela, surgem ditos fenômenos de consumo e fenômenos de linguagem. Dentre estes últimos, certamente se enquadra o adolescente.


Sim, o adolescente é um ser humano forjado, um ser humano que foi dissecado pela semiótica, psicologia, psicanálise e mídia como um indivíduo com características particulares e peculiares. Logo, portanto, um indivíduo com necessidades especiais (consumo) e com abordagens próprias (linguagem). Ou seja, um fenômeno. Sendo assim, a dissecação tratou este indivíduo como objeto e não como agente do seu próprio destino. Atribuíram a ele comportamento específico, grupos de afinidades, latência de sexualidade e meandros epistemológicos costurados como se ele fosse um Frankenstein. Entretanto pouco, ou quase nada, é lido de COMO se falar com adolescentes. Como, neste universo de fenômeno rico e complexo, adentrar em harmonia.


O trabalho realizado por mim – Terence Boeira - e pelos colegas Amanda Haberland, Cládio Abel e Márcio Schenkel na disciplina de Psicologia da Educação I, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, semestre 2007/01, tratou deste viés optando por uma abordagem focada em dar voz ao agente e não um olhar sobre o objeto. Entrevistamos 32 adolescentes e sobre eles construímos um mosaico de relações, extraindo-lhes sentenças que me parecem de uma clara lucidez para a busca de uma compreensão sobre eles: o que eles querem e quem são. E eles somos nós. Afinal de contas, há muito ou pouco tempo , já fomos adolescentes, porém nos esquecemos, ou queremos nos esquecer.


Nos esquecer de que para falar com adolescentes, temos que considerar uma relação de poder – citando Foucault - submissa sempre ao afeto. O diálogo se estabelece não apenas por uma identificação aos signos próprios à crença juvenil, mas também por uma abertura às suas crenças. O adolescente se fecha sobre ele mesmo com medo de ver seus teoremas sobre mundo rotulados bruscamente, pois crê que a maioria dos adultos são herméticos às suas concepções. Mas reconhece, segundo nossa pesquisa, que o professor e os pais são exemplos de respeito e lições não pelos laços e degraus hierárquicos, mas pela experiência adquirida ao longo da vida. Assim, cabe-nos uma reflexão que o relato dessas experiências, ou legado dessas experiências, constituirá um importante fardo na raiz constituinte da personalidade do jovem.


E quanto mais reconhecermos de que quase tudo que os adolescentes fazem são para chamar a atenção do adulto, mais teremos chance de identificar um núcleo-estopim de aproximação/conversa. O adolescente elege símbolos (como ter a habilitação de motorista apontada na pesquisa) como meio de se transformar no seu alvo de aproximação: o adulto. Entretanto, muitas vezes este símbolo é erroneamente assimilado por ele. Muitas vezes ele é pré- concebido sobre uma égide de staus quo perante a sociedade, de afronta ao proibitivo sem saber seus porquês científicos, como o uso do cigarro: a maioria dos adolescentes começa a fumar antes dos 20 anos buscando a aproximação do status quo, mas desconhecem a nicotina e sua dependência farmacológica. E quando conhecem, infelizmente, estão dependentes ou mais dependentes, quanto os próprios adultos.


Outros procuram se afirmar enquanto reprodutivos e ativos sexualmente. Um símbolo da fertilidade e da cadeia fecunda da sociedade adulta. Isto leva 59% dos jovens brasileiros a uma vida sexual ativa antes dos 16 anos, sendo que 57,7% deles não recebem sequer informações sobre métodos contraceptivos ou DSTS na escolas.


O símbolo é eleito pelo adolescente não como uma forma de ser “dono do seu nariz”, mas de protagonizar seu destino e de assumir uma real e rápida transformação em adulto. O símbolo de aproximação é escolhido pela observação à mesma mídia que induz o fenômeno adolescente e que dita aos adultos, em bombardeio constante, o que deve ser feito para ser adulto. Porém, não nos lembramos nunca que determinados estandartes de ser adulto, como o uso das chamadas drogas lícitas, advém de uma certa instabilidade de problemas sociais, como a busca da segurança emocional enquanto fuga da situação física real.


Fica a pergunta: é o jovem que deve se aproximar, ou o adulto que deve reconhecer seus símbolos que refletem (e reflexionam) aos adolescentes?.



Bibliografia de dados para suporte:


Revista Latino Americana de Enfermagem. Volume número 3. Junho de 2003.

Estudos sobre Juventude em Educação. Marilia Pontes Sposito, 1997. Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo.

www.octopus.furg.br 0- dados estatísticos sobre aspectos dos adolescentes.

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