Transtornos de Aprendizagem
De Psicologia da Educação
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Psicologia da Educação
Dificuldades de Aprendizagem
Introdução
As dificuldades de aprendizagem vem sendo estudadas desde o século passado tendo maior destaque entre as décadas de 50 e 70. Diversos conceitos foram apresentados e todos eles concordam que aprendizagem implica numa relação daquele que ensina com aquele que aprende. Dessa forma, a aprendizagem é melhor definida como um processo evolutivo com constantes modificações, tanto de comportamento do indivíduo tanto a nível físico, como a nível biológico juntamente com o ambiente no qual esta inserido, onde todo esse processo emergirá novos comportamentos.
O que são os Transtornos de aprendizagem ?
Os transtornos de aprendizagem compreendem a uma inabilidade especifica, como leitura, escrita ou matemática, em indivíduos que apresentam resultados significativamente abaixo do esperado.
Segundo o National Joint Comitte on Learning Disabilities uma boa conceituação aplicada aos transtornos de aprendizagem é:
“Dificuldade de aprendizagem é um termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de transtornos, manifestados por dificuldades significativas na aquisição e uso da escuta, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estes transtornos são intrínsecos ao indivíduo, supondo-se que são devido a disfunção do sistema nervoso central, e podem ocorrer ao longo do ciclo vital. Podem existir junto com as dificuldades de aprendizagem, problemas nas condutas de auto-regulação, percepção social e interação social, mas não constituem por si próprias, uma dificuldade de aprendizado. Ainda que as dificuldades de aprendizado possam ocorrer concomitantemente com outras condições incapacitantes como, por exemplo, transtornos emocionais graves ou com influencia extrínsecas ( tais como as diferenças culturais, instrução inapropriada ou insuficiente), não são resultado dessas condições ou influências”
Quais são as causas?
Os transtornos de aprendizagem não tem uma origem esclarecida pelos cientistas, o que se sabe é que sua etiologia é multifatorial (genético, ambiental).
De acordo com o CID-10 (código internacional de doenças) os transtornos não podem ser conseqüência de:
falta de oportunidade de aprender;
descontinuidades educacionais resultantes de mudanças de escola;
traumatismo ou doença cerebral adquirida;
comprometimento na inteligência global;
comprometimentos visuais ou auditivos não corrigidos.
Acredita-se que, apesar dos transtornos não terem uma origem definida, eles tem uma interligação com distúrbios de informações em varias regiões do cérebro que podem ter surgido durante o período de gestação. Qualquer fator que possa alterar o desenvolvimento cerebral do feto facilita o surgimento de um quadro de transtorno de aprendizagem.
O ambiente escolar e o contexto familiar são fatores determinantes na manutenção dos transtornos.
1. Quanto ao ambiente escolar:
- verificar a motivação e capacitação da equipe de educadores;
- verificar a qualidade da relação professor-aluno-família;
- verificar a proposta pedagógica e o grau de exigência da escola.
2. Quanto ao ambiente familiar:
- famílias com alto nível sociocultural podem negar a existência de dificuldades escolares da criança;
- famílias com grau de exigência muito alto pode desenvolver na criança um quadro de ansiedade que não permite um processo de aprendizagem adequado por ter uma visão voltada para os resultados obtidos.
Tipo de Transtornos de Aprendizagem
Existem basicamente três tipos de transtornos específicos: O transtorno da leitura, o da matemática e da expressão escrita.
Transtorno de Leitura: também conhecido como dislexia, é caracterizado por uma dificuldade específica em compreender palavras escritas, mas não estão relacionados a idade mental, problemas visuais ou baixo nível de escolaridade.
Transtorno da Matemática: ou discalculia, é relacionado com a forma com que a criança associa as habilidades matemáticas com o mundo que a cerca e não com a ausência de habilidades matemáticas básicas, como a contagem. São afetadas neste transtorno atividades que exigem raciocínio.
Transtorno da Expressão Escrita: neste transtorno, geralmente, existe uma combinação de dificuldades na capacidade de compor textos escritos, evidenciado por erro de gramática e pontuação dentro das frases, má organização dos parágrafos, múltiplos erros ortográficos ou fraca caligrafia.
Tratamento
O tratamento visa intervenção psicopedagógica e/ou fonoaudiológica, sendo que a criança deve continuar participando das aulas convencionais oferecidas pela escola. Em casos mais avançados do transtorno, a criança precisa passar por programas educativos individuais e intensivos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CIASCA, S. M. (org.) Distúrbios de aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003, 220p.
MÖOJEN, S. M. P. Caracterizando os Transtornos de Aprendizagem. In: BASSOLS, A. M. S. e col. Saúde mental na escola: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Editora Mediação, 2003.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
SHINTANI, K.; ARMOND, L; ROLIM, V. Dificuldades escolares.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dificuldades_de_aprendizagem

