Violência nos Espaços Escolares
De Psicologia da Educação
Partindo de seu sentido etimológico o vocábulo ‘violência’ provém do latim ‘violentia’, significando ‘acto de violentar’, ‘abuso da força’, ‘tirania’; em uma última leitura, conforma um procedimento de ‘opressão’.
Utilizando-se do entendimento dessas acepções inicias, sabe-se que, atualmente, a violência nos ambientes escolares vem sendo interpretada como um fenômeno de sociedade. Inseridos em um contexto em que, a instituição escolar é percebida como uma verdadeira “rede de relações”, acredita-se que a compreensão das relações entre escola e as práticas de violência passa pela reconstrução da complexidade das relações sociais que vigoram no ambiente escolar.
Desta forma, a escola é um espaço social marcado por contínuos descompassos entre a Instituição e as particularidades culturais da população em formação, que povoam esses espaços. As interações sociais, estabelecidas nessa realidade, passam a ser cingidas por estilos violentos de sociabilidade.
Nesse sentido, faz-se possível perceber, que a relação da escola com as singularidades culturais dos alunos que compõe o seu núcleo é marcada, por vezes, por uma ‘violência simbólica’ do saber escolar, exercita pela hegemonia dos hábitos sociais dos professores e diretores, em detrimento ao conjunto de valores dos alunos.
Devemos estar conscientes, ao analisar o fenômeno da violência na escola, que estamos aludindo, em verdade, a relação professor aluno. Assim, Debarbieux, sendo mentor de uma extensa pesquisa sobre as práticas de violência, que irrompem em meio ao ambiente escolar, identificou três tipos de violência escolar: a violência penal, dos crimes e delitos; as incivilidades, tendo assim denominados os conflitos de civilidades; e o sentimento de insegurança.
No que se refere às incivilidades, temos então, delitos e vitimização, tais como extorsão, roubos, agressões, racismo, bem como, insultos; regidos por um sentimento de insegurança que reflete a percepção de violência. Nessas situações, percebe-se um aumento da violência e das hostilidades contra os professores em sala de aula, intensificando manifestações de violência grupais.
Faz-se evidente, que a violência nasce de uma lógica de exclusão, sendo assim, é determinada socialmente; firmando-se nesse contexto, é necessário instaurar uma instituição escolar com regras, regulamentos e esferas de poder.
“...A primeira é de que a violência deriva em parte da incapacidade atual da escola em fundar um modelo de ordem (...). A segunda constatação é de que a violência, pelo menos em parte, origina-se da configuração (...) de um conflito, cujo centro é o julgamento escolar, A terceira constatação (...) o desenvolvimento de uma cultura da violência encravada no universo juvenil”.
Assim, é possível realçar alguns fatores que convergem para explicar as manifestações de violência no meio escolar: fatores individuais (como aqueles que afetam a auto-estima dos jovens), fatores familiares e fatores da própria escola, como o tipo de regras do jogo que nela impera. Insiste, pois, sobre o próprio sistema de produção e os valores (Herbert, 1999, p. 37-38).
Mudança de padrões da família e da vida comunitária; falta de espaços para tecer laços sociais; ausência de associações, configurando uma condição de multidão; podem ser aludidos como fatores que auxiliam a traçar e compreender as relações de violência escolar.
Acrescentamos a estes, outros elementos que, nitidamente, contribuem para asseverar os índices de violência: o tamanho dos estabelecimentos escolares e o corpo docente, a taxa de fracasso escolar, a qualidade da orientação aos alunos e a própria violência da instituição escolar- repressiva, seletiva e competitiva- seriam as várias facetas de uma violência simbólica.
No caso da violência contra a pessoa - lesão corporal, roubo e furto, tráfico de drogas - muitas vezes encontramos o uso de armas brancas ou de fogo. E ainda, uma série de alunos apresentava sinais de terem sido vítimas da violência doméstica.
Na França, o fenômeno da violência na escola é debatido, desde 1981, pelo menos, no âmbito da FEN - Federação da Educação Nacional, entidade que, mais recentemente, em 1994, organizou um colóquio sobre a "Violência e a missão Educativa". Nessa ocasião, Eric Debarbieux afirmava:
“Nossa hipótese de base é que o crescimento atual do sentimento de insegurança no meio escolar está ligado a uma mutação global da relação com a criança e os jovens e a uma crise do sentido do ofício do educador”. (Eric, 1997)
Salientou ainda que "o prolongamento da adolescência, o medo do desemprego, os novos modelos familiares, geram uma crise de identidade entre os professores e os alunos que freqüentemente estão na base dos conflitos".
Acredita-se que, o reconhecimento do pluralismo cultural’, no espaço escolar, constitui-se uma primeira ação viável contra a violência na escola; já que a violência entre jovens é semelhante à que ocorre sob os moldes culturais que se encontram em seu meio social.
O espaço social da violência escolar expressa as crescentes fraturas nas instituições socializadoras, tais como a família e a escola, e um estímulo a condutas desviantes ou ao trabalho na criminalidade, em particular, no tráfico de drogas , o que se reflete ou atinge o universo escolar.
Para converter esses alarmantes dados de violência vêm sendo desenvolvidos programas, nos principais países, inclusive, com alguns pontos em comum: a tentativa de satisfação das necessidades dos jovens; o desenvolvimento de um ambiente solidário, humanista e cooperativo; a intenção de criar relacionamentos positivos e duradouros entre os alunos, professores e funcionários; a preocupação com um tempo não escolar a ser assumido pela instituição escolar e a ser programado em interação com a comunidade.
“As mobilizações sociais contra a violência vêm crescendo na cidade de Porto Alegre mediante grupos de reflexão-ação, campanhas internas em sala de aula, passeatas pelos bairros, petições às autoridades municipais e estaduais, declarações à imprensa e tentativas de construir redes de relações sociais com a coletividades locais. Um caminho para uma ação coletiva contra a destrutividade enunciada pela violência, visível nos danos causados ao patrimônio e às pessoas na instituição escolar, repousa na construção de redes de relações sociais densas, em particular com a coletividade na qual se situa o estabelecimento escolar”.
Violência contra o patrimônio:
A compreensão das relações entre a escola e as práticas da violência contra o patrimônio remontam, também, a reconstrução da complexidade das relações sociais que estão presentes no espaço social da escola. As formas de violência contra o patrimônio mais freqüentes no universo estudado são, em primeiro lugar, os atos de depredação de muros, janelas, paredes, e de salas de aula e de destruição de equipamentos, tais como livros, equipamentos audiovisuais, ou de bens pessoais, em particular os automóveis dos professores. Os furtos aparecem em segundo lugar, principalmente furtos de aparelhos de TV e vídeo, de rádio-cassete, vidros, telhas, brinquedos da escola, alimentos da despensa da escola, material escolar, vales-transporte, vasos sanitários, vales-refeição, materiais de educação física e equipamentos computacionais ou audiovisuais das escolas
Na seqüência desse trabalho, apreciaremos as questões referentes à violência do patrimônio de forma mais detalhada, acrescentando a esta, outras considerações pertinentes.
Unesco propõe uma série de medidas antiviolência, propostas que podem ser localizadas em outros estudos recentes (Unesco, 1977):
- se "a violência começa na mente humana", deve-se desenvolver uma cultura da pacificação. No caso da América Latina, a crise social e política exige um grande esforço neste sentido, como afirmam membros do Save the Children Fund (UK): "Iniciativas têm sido criadas em torno de idéias como educação para a paz, e educação para a democracia, as quais pretendem combater a mentalidade cada vez mais generalizada de violência, para dirigir o processo de socialização das crianças em direção à paz, contra a violência e fomentando o respeito à vida".8
- promover o estabelecimento de políticas de antiviolência na escola. Nessa linha, Prochazka sugere que, no interior do estabelecimento escolar, seja privilegiado o diálogo e a escuta, pouco importando qual o interlocutor, pois
o essencial é que o conflito virtual
- estimular a interação e cooperação entre os professores e funcionários e os alunos;
- enfrentar o problema da violência por dentro do currículo escolar;
- promover a cooperação escola - comunidade. (Unesco, 1977).
Salienta-se, assim, que a relação da escola com as particularidades culturais dos grupos que compõem o espaço social local no qual ela se encontra é marcada por uma violência simbólica do saber escolar.
DEPREDAÇÃO ESCOLAR
A depredação escolar é uma forma de violência muito freqüente, quase que diária nas escolas, pixações e vandalismos são brincadeiras para alguns jovens. Alguns aspectos relacionados a esse fato:
- pobreza e miséria não respondem pela onda de violência urbana mesmo que, intrinsecamente, sejam fatores fecundos ao desenvolvimento de violências diversas;
- toda sociedade é conflitual, é ao menos antagônica, e existem formas pacíficas de controlar os expoentes residuais manifestados pela violência;
- as estratégias de controle da depredação urbana brasileira são tão violentas quanto as ações que pretendam combater;
- é preciso criar novos conceitos, definições e nomenclatura própria, no caso particular da depredação urbana;
- não há perspectivas de controle da depredação escolar, caso o Estado não estabeleça a questão como prioridade em seu programa;
- é preciso despolarizar a noção de crime a partir de ideologias institucionais, jurídicas, penais e psiquiátricas. A ação de criminalizar a marginalidade e a depredação escolar urbana é uma resposta política, freqüentemente emanada de mecanismos legais como polícia, tribunais, júris e autoridades penitenciárias. Logo, deve ser reexaminada em seus programas de funcionamento e atuação;
- a inadequação do prédio escolar aumenta a probabilidade de ocorrência do fenômeno;
- a anomia e a atomização dos indivíduos ou grupos de indivíduos têm participação direta nas diversas modulações da depredação escolar;
- a depredação escolar urbana, como manifestação do movimento social, não deve ser tratada, mas negociada nas formas que se fizerem necessárias.
Outra variável responsável pela depredação escolar está inserida na disponibilidade de vagas oferecidas. O capítulo III, secção I, da Constituição brasileira, trata dos princípios educacionais, assegurando que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. Essa obrigatoriedade constitucional está longe de ser cumprida pelo poder público; faltam vagas nas escolas do país. O afunilamento começa antes mesmo do ingresso para o ensino fundamental, que deveria ser obrigatório e gratuito, com gestão democrática. No Brasil, não existe igualdade de condições para o acesso à escola e para a permanência nela. De fato, a surpresa aparece quando sabemos que as orientações e os critérios das Secretarias Municipal e Estadual de Educação não são respeitados, e a direção da escola passa a ter um papel quase que decisivo. Surgem, então, as diversas formas de discriminação. E as diferenças de sexo, de idade, de cor, de classe, de origem e outras são constantemente acionadas a fim de atender aos interesses pessoais e políticos dos diretores de escolas. Por exemplo, formar uma clientela de alunos menos problemáticos, tornando a escola exemplar, é interesse do diretor, que ganha prestígio perante as autoridades educacionais. Talvez seja o único momento em que percebemos que o diretor ou a diretora de escola assume-a como sendo dele, ou dela.
A falta de integração entre a Secretaria Municipal e a Secretaria Estadual de Educação. Ao não trabalharem de forma integrada, as secretarias desconhecem a disponibilidade de oferta de vagas entre as escolas municipais e estaduais, logo, a população não sabe onde pode obter vagas.
A evasão escolar atinge hoje, no Brasil, cerca de 80% do alunato no ensino de primeiro grau; isto é, de cada 100 alunos, apenas 20 completam o primeiro grau, 10 completam o segundo grau e apenas 6 acabam chegando à universidade. A escola brasileira é mal adaptada ao contexto social, os professores têm uma formação deficiente, as condições precárias de trabalho e os baixos salários são elementos importantes dessa situação. A isso, soma-se a deficiência de recursos humanos e financeiros que, evidentemente, não explica linearmente o problema da evasão. Este último está associado ao alto índice de reprovação - por conseguinte, aparece o problema da falta de vagas. A cada cinco alunos, um repete a série, o que representa uma média de 20% dos estudantes. Então, os gastos econômicos provenientes da reprovação são exorbitantes e praticamente incalculáveis. Reduzem-se, assim, os gastos suplementares para ampliação e reforma das escolas e, conseqüentemente, temos uma deficiência de salas de aulas. Do total de alunos, 75% estão em defasagem com o nível de instrução em curso, apresentando uma distorção entre série e idade.
DIFERENÇAS SOCIAIS
Os grupos e as "panelas" buscam vantagens com a diretora da escola, a fim de se beneficiarem dos recursos e do prestígio que ela oferece. No conflito, amplia-se a disputa de traficantes pelo espaço escolar, onde - apesar da clientela reduzida de toxicômanos - eles fazem questão de se impor. E o consumo e o tráfico de entorpecentes são fatores que contribuem para o aparecimento da depredação escolar.
A ausência do Estado nos programas de assistência a pessoas carentes permite a presença do tráfico de entorpecentes, ocupando os espaços vazios. Assim, diversos traficantes das cidades brasileiras distribuem leite, constroem sedes para as Associações dos Amigos do Bairro, enfim, conquistam a simpatia da população. Logo, as medidas ofensivas contra esses "cavalheiros" da sociedade serão impopulares e eles obterão refúgio no seio da população.
Uma alternativa para as escolas e o desenvolvimento de algum trabalho que façam os alunos se integrar com a escola, respeitando-a e tratando-a como se fosse sua própria casa.
A horta comunitária faz parte do conjunto de medidas que se enquadra, adequadamente, no modo de fazer contemporâneo para o controle da depredação escolar urbana. Inicialmente, ela deve ocupar o terreno escolar e ser acompanhada por todos na escola, isto é, alunos, professores e funcionários. Basicamente, ela está constituída de quatro etapas. A primeira é destinada à construção da horta ou "laboratório" escolar. A segunda é a divulgação dos resultados obtidos para a comunidade local, pelos alunos e participantes locais. A terceira destina-se à construção da horta comunitária, demonstrando à população a importância da mesma. A última etapa está destinada à manutenção e ao acompanhamento.
Os resultados de pesquisa em três escolas estaduais de 41 analisadas na cidade de Campinas em 1994 demonstram que os primeiros contatos com a comunidade local, considerados significativos, foram realizados a partir do programa de horta na escola. Os diretores das escolas reconhecem que há uma diminuição dos danos contra o patrimônio, como decorrência dos contatos entre a escola e a comunidade.
BULLYING
A palavra bullying deriva do termo inglês BULLY, que significa “agressor” ou "valentão” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying).
Segundo estudiosos, o bullying não se trata de brincadeiras de crianças ou de situações isoladas, e sim de um fenômeno violento que ocorre em todas as escolas, causando uma vida de sofrimento para uns ou de conformidade para outros.As constantes ameaças, humilhações, insultos, hostilidades levam as vítimas à exclusão. Os efeitos do bullyng a longo prazo podem causar traumas psicológicos profundos nas vítimas, levando-as a uma vida isolada, suicídio ou violência contra os agressores.
(http://www.fundaj.gov.br/geral/educacao foco/bullyng2.pdf)
O bullying ocorre de diversas formas: O cyber bullying (bullying através de meios tecnológicos) têm se tornado comum na atualidade. Ele ocorre por dois motivos:primeiro porque é mais difícil de ser reconhecido . Segundo, muitos professores não têm conhecimento suficiente para repreender esse tipo de ação. Uma dessas formas de bullying, mais comum no Japão, consiste em tirar fotografia (através de celulares) da genitália da vítima e coloca-la na internet e chantagear ou ameaçar a vítima. Tal ocorre por falta de valorização da vida humana, falta de balizas morais e pelo fato dos pais não quererem mais educar seus filhos. A vida pós-moderna relativizou esse três fatores (a vida, a família e os limites éticos e morais) e pode ser considerada uma das culpas da violência generalizada. É simplesmente mais fácil não educar os filhos e deixar a cargo das escolas essa responsabilidade. Uma vez que as escolas têm de lidar com centenas de alunos, o estrago já foi feito...
Makoto, vítima de cyber bullying, tentou o suicídio por duas vezes. Na sua época de estudante, seus colegas postavam votos dele com insultos, dizendo que ele devia morrer. Makoto parou de ir a escola, mas os insultos não pararam.Ele recebia e-mails e telefonemas a toda hora.
"Quando as pessoas lhe dizem que a sua vida não vale a pena ser vivida, você começa a pensar assim", revelou Makoto aos 19 anos. Antes das tentativas de suicídio, Makoto tornou-se anoréxico e sofreu agorafobia, saindo raramente do seu quarto, mesmo um e meio após as agressões.
Atualmente, existe um termo para definir o suicídio cometido devido ao bullying, o “bullycídio”
Para a estudiosa Rosana Maria César,existem três envolvidos nessa situação: o expectador, a vítima e o agressor:
- O expectador: assisti a violência sendo cometida, mas têm medo de se tornar vítima caso interfira ou ser ignorado, caso denuncie;
- A vítima: geralmente é um aluno menor, mais fraco ou “diferente”, que tem seu material destruído ou furtado, ´constantemente humilhado. Torna-se retraído, ter baixo rendimento escolar, dificuldade para dormir, pesadelos e demonstra medo de ir para a escola.
- O agressor: aprendeu que agressividade com os adultos resulta na realização de seus desejos, e acaba usando do mesmo método na escola. Geralmente tem dificuldades de se colocar no lugar do outro, mas, assim como as vítimas de bullyng, ele tem problemas de relacionamento. Muitas vezes são vítimas de agressões em casa.
De fato, o bullying é caracterizado de duas formas: o direto, mais comum entre homens, e o indireto, também conhecido como agressão social, mais freqüente entre mulheres e crianças pequenas e que força a vítima à exclusão social através de apelidos cruéis, boatos , não se socializar ou/e ameaçar quem o tenta, criticar tudo aquilo que faz a pessoa diferente.
Nos Estados Unidos, o bullying é tema de interesse. O fenômeno cresce entre alunos das escolas americanas. Os índices são tão altos, que os pesquisadores americanos classificam como conflito global e que a persistir essa tendência será grande o número de jovens que se tornarão adultos abusadores e delinqüentes “. (http://www.pedagobrasil.com.br/pedagogia/bullyingnaescola.htm)
Também sobre bullying nas escolas americanas é de suma importância recordar dos tiroteios ocorridos nas escolas desse país. Segundo pesquisas realizadas, o grande problema dessa nação não é somente o bullying por si só, mas a violência psicológica (por si só devastadora), mas sim ela aliada a uma cultura de violência. Basta olhar para a política externa do país. Sempre há uma guerra. Guerra do Golfo, Afeganistão, Iraque, Vietnã.... Não é há toa que o fenômeno de bullymismo cresce assustadoramente nas escolas americanas. O próprio Estados Unidos comete bullying político, forma de bullying que ocorre quando um país impõe sua ideologia ou vontade a outro, usando desde pressão política (como os embargos à Cuba), não permitir que doações cheguem a paises destruídos por guerras ou desastres (Como ocorreu com Miamar) ou por uso de força militar (bom, basta escolher o país...)
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying)
Outra forma de bullying dentro das escolas acontece por parte do professor contra os alunos. Ele ocorre quando o professor dá uma nota abaixo da média propositalmente, não retorna tarefas escolares, faz comentários sobre a inteligência do aluno, separa os alunos “mais capazes” dos “menos capazes”, finge não responde as dúvidas do aluno, segrega-o por qualquer motivo., deixa o aluno de castigo sem motivo. Até mesmo a mania que alguns professores têm de anotar o nome dos estudantes mais bagunceiros no quadro (ou num caderninho) é considerado uma forma de bullying.
"SOLUÇÕES"
- No Japão, o pretende aumentar a carga horária dos alunos em 10% (cerca de 2 horas por semana) e que para conter a violência, a utilização de castigos, assim como classes de reabilitação para os mais indisciplinados;(http://www.ipcdigital.com/ver_noticiaA.asp?descrIdioma=br&codNoticia=5045&codPagina=5176&codSecao=302)
- Na Inglaterra, uma pesquisa feita por uma ONG, foi publicada no livro: Bullying in Britain, apontou que apesar das leis que obrigam a prevenir o bullying nas escolas, os alunos não estão satisfeitos:
(http://www.fundaj.gov.br/geral/educacao_foco/bullyng2.pdf)
No Brasil, o fenômeno é pouco estudado ou comentado, e por isso é difícil dar resultados desse fenômeno por aqui. Entretanto, uma pesquisa da ong abrapia (associação brasileira multiprofissional de proteção a infância e a adolescência) desenvolveu com a Petrobrás, no Rio de Janeiro, uma pesquisa com 11 escolas públicas e particular, debatendo com pais, alunos e professores formas de evitar o bullying. (http://www.fundaj.gov.br/geral/educacao_foco/bullyng2.pdf)
A "grande" questão:
O bullying é um problema cultural. Nossa sociedade é preconceituosa e excludente. Tratar o diferente como tal é normal. Aliá, essa é o grande problema. Acostumamo-nos a acreditar nessa palavra (diferente) para definir o próximo. Só porque alguém é negro ou baixo ou gordo ou judeu , apontamos essa PARTICULARIDADE como se fosse algo errado uma pessoa ser exatamente como ela é. Pesquisas mostram que mulheres orientais têm feito cirurgias para alterar o formato dos olhos para que eles fiquem mais parecidos com os das mulheres ocidentais, porque a muito que o padrão de beleza mundial não respeita as PARTICULARIDADES étnicas, religiosas, culturais de cada povo. Enquanto não modificarmos nosso pensamento retrógrado e acreditarmos que o que nos torna único ,e por tal insubstituível, são as nossas particularidades, o bullying, e suas conseqüências, será uma realidade comum dentro das nossas escolas. Devemos trabalhar nas escolas e dentro dos lares dos alunos a idéia de que ninguém é igual e que se nós achamos alguém diferente, esse alguém também nos acha diferente. A “aceitação” só deve ser trabalhada no intuito de diminuir a crueldade cometida dentro das escolas. Não devemos, de forma alguma, acreditar que a aceitação é uma solução para o grande problema que domina não só as escolas, mas o mundo., e sim devemos mostrar que o reconhecimento do outro como um igual, exatamente por ser diferente, é a solução. É aquela velha história: se todos gostassem do azul, o que seria das outras cores? De fato, se somente o azul fosse aceitável, o mundo seria um lugar insuportável.
PESQUISA DE CAMPO
Referenciar o nome das instituições visitadas, se são públicas ou privadas, o nome dos entrevistados (opcional).
Para o diretor:
1. Há uma iniciativa para prevenir a violência no ambiente escolar?
2. qual a postura adotada pela escola quando ocorre alguma forma de violência?
Para o professor:
1. Tu já sofreste alguma forma de violência (agressão verbal ou física, alunos armados, etc.)
2. A escola já foi vandalizada de alguma forma (depredação do patrimônio, roubos, ameaças de bomba, etc.)?
3. Existe alguma medida contra o buling (humilhação ou constrangimento de alunos por colegas)?
4. O que você colocaria como solução da violência na escola?
Para o aluno:
1. O que você considera violência dentro do ambiente escolar?
2. Você já sofreu algum tipo de violência relacionada ao ambiente escolar? Qual?
3. Você já presenciou alguma forma de violência relacionada ao ambiente escolar? Qual?
4. Você já presenciou alguma situação de constrangimento por parte do professor contra o aluno? E ao contrário?
5. Você já sofreu ou praticou (de forma consciente ou não) do buling (humilhação ou constrangimento de alunos por colegas)? Já o viu sendo praticado? Considera uma forma de violência?
6. O que você colocaria como solução da violência na escola?
Nome da instituição, Idade do entrevistado, nome do mesmo (opcional)
Colégio Particular:
Para a direção:
As iniciativas consistem, basicamente, em diálogos com os alunos e contato com eles. De forma geral, mediante a uma situação mais grave optamos pela “transferência” do aluno a outra instituição educacional, uma vez que expulsões não são permitidas. Em um primeiro momento, conversar com os alunos, sem ter a necessidade de convocar a presença dos pais dos mesmos, tem sido um procedimento eficaz.
Para o professor:
1. Sim, na realidade me deparei muitas vezes com situações de agressão verbal por parte dos alunos, me parece que eles oferecem uma resistência com a postura do professor. Também presenciei alunos portando objetos cortantes, ou mesmo correntes, para usar nas brigas, que eventualmente ocorrem, na saída da escola entre "grupos rivais".
2. Com certeza, principalmente através de pixações. Pequenas depredações ao material escolar (classes, cadeiras, fechaduras de portas) ocorrem quase que diariamente.
3. Sim, tentamos estabelecer conversas e, em paralelo, didáticas para que os alunos compreendam e respeitem as diferenças.
4. Em primeiro lugar, sugeriria a aplicação de alguns projetos focados em iniciativas para minimizar os crescentes índices de violência. Devemos recorrer também ao auxilio do estado e de órgão competentes para nos orientarem neste sentido. Os alunos têm de estar conscientes não só de seus direitos, mas também do cumprimento de seus deveres.
Outro professor:
1.sim, acredito que diariamente sofro, o que não se dá só através da postura mal educada e revoltada dos alunos, que não sabem respeitar um pedido de silêncio, parecem não ter limites. A própria imagem do visual que eles ostentam em sala de aula, uma imagem impactante, que me causa extremo estranhamento e desconforto também me soa como uma forma de violência. Um dos problemas mais graves dessa instituição é o tráfico de drogas, que se processa, inclusive, no interior do nosso pátio ou mesmo nas nossas salas de aula durante os intervalos; me desperta grande tristeza saber que alunos, aparentemente tão competentes, que não são vistos como “alunos problema” podem alimentar esse mercado de tráfico, adeptos da ideologia ou “matam ou morrem” e sendo, na maioria das vezes, presos na porta da escola. Essa realidade me revolta, ainda não aprendi a ser conformista.
2. As pixações são, atualmente, nosso grande problema. Escuto também reclamações por parte da direção em relação a pequenos furtos de materiais didáticos.
3. Todos somos conscientes da ‘tipificação’ dos alunos em ‘grupos’ ou ‘tribos’, e muitas vezes, nos valemos dessas distinções para justificar e compreender o comportamento tão irregular e dissonante vindo por parte dos alunos. Não raras às vezes, nos defrontamos com alunos de grupos diferentes rotulando uns aos outros, o que gera embates e constantes brigas. Nessas situações a escola procura conversar com esses grupos, para tentar promover alguma forma de entendimento entre eles
Para o aluno:
1. Considero formas de violência às brigas e ameaças entre os colegas, o que resultam em embates diretos na saída da aula, principalmente entre os ‘grupinhos das meninas’. Muitos de nossos colegas levam consigo objetos como facas e correntes para brigar. Os xingamentos maldosos ditos por alguns colegas também são formas de violência.
2. Sim, ameaça por parte de colegas, membros de grupos rivais ao meu – os emos.
3.Sim, várias brigas na saída da escola e também a venda diária de drogas. Os traficantes nos ameaçam para que não os entreguemos a direção.
4. Sim. Tem professores que parecem não simpatizar muito com os emos, nitidamente tratam eles diferente do restante da classe. Eles não têm tolerância com eles. Os professores demonstram que não gostam de alguns alunos, os mais bagunceiros e que não tem comprometimento com a aula, parece que eles desistiram de tentar ensinar pra eles. Mas, certamente, a violência dos alunos em relação ao professor é bem maior; já assisti a alunos ameaçando professores diante da turma, xingado, ofendendo e, até mesmo , atirando coisas pra atingir o professor.
5. Confesso que eu mesmo já apelidei vários colegas meus, e muitas vezes, os apelidos pegaram e os meus colegas até hoje são chamados por esses nomes. Acho que isso não é uma forma de violência não, surge mais na brincadeira mesmo.
6. Acho que se alunos como você viessem dialogar nas turmas, fazendo projetos, mostrando a gravidade da violência, ajudaria. Também acho importante colocar um policial para monitorar o pátio e, principalmente, a pracinha em frente ao colégio, ta muito perigoso por aqui.
Colégio Particular:
Para a direção:
1. Sim, trabalhamos com iniciativas nesse sentido, como a escola aberta. Esse projeto foi desenvolvido através da utilização de oficinas de arte e música, como forma de valorizar as singularidades de cada aluno. Também dispomos da utilização de laboratórios de informática, oferecendo aos nossos professores cursos de aperfeiçoamento nesse sentido, para que eles estejam realmente aptos a ensinar. Atualmente, contamos com o patrocínio de empresas como a TELECOM - doando computadores e os cursos profissionalizantes de informática aos nossos professores. A TIM também viabilizou a criação das nossas oficinas musicais, graças ao apoio e incentivo dessas instituições podemos aproveitar as especificidades dos nossos alunos.
Acredito na validade da aplicação de projetos para combater os alarmantes índices de violência. Inclusive, eu- na condição de diretora dessa instituição- fui mentora de um projeto, em parceria com a UFRGS, que já recebeu retorno de algumas instituições interessadas em investir nesse processo. O projeto mencionado, constitui-se a partir de uma idéia de inclusão, na realidade, sua aplicação se daria a nível de um processo, que exigiria tempo e auxilio de órgão competentes para a sua efetivação.
Priorizando a idéia de proteção familiar, com a assistência de órgãos - como o Conselho Tutelar, Assistência Social, e a participação de um corpus coeso de psicólogos e profissionais abilitados – temos como finalidade oportunizar uma orientação permanente aos alunos pertencentes as “famílias problemas”. Para a efetivação desse intento, contamos com o desenvolvimento de um rastreamento territorial, das localidades situadas no entorno da nossa instituição, uma vez que ele se aplica no âmbito do espaço escolar. Faz-se importante elucidar que a participação de nossa equipe de professores é imprescindível.
O problema das grandes proporções assumidas pela violência, inicia no momento em que os alunos reproduzem, muitas vezes, a postura violenta que vivenciam no seu meio familiar. Mediante a isso, adotemos, inicialmente, uma postura a nível familiar, onde reside o âmago de todas as questões.
2.Em um primeiro momento, realizamos diálogos com o aluno e, se necessário, convocamos a presença de seus pais ou responsáveis. Se o delito for de dimensões mais graves recorremos a órgãos competentes, como Estatuto da criança e Adolescente ou o DECA. Desvios de conduta, que eventualmente acontecem, devem ser solucionados com medidas sócio-educativas previstas em conformidade com o regulamento da nossa instituição.
Para o professor:
1. Sim, agressões verbais são bem recorrentes em sala de aula, ameaças ao professor também se repetem com freqüência. Por vezes, fui surpreendida com alunos portando objetos cortantes (facas, canivetes...), no entanto jamais me deparei com um aluno armado, apenas escutei falácias nesse sentido.
2. Sim, depredações praticamente diárias aos materiais da escola. Parece que a palavra “público” atrai e remete a essa questão do descuido e da depredação. As pixações também constituem um problema considerável. Mediante a isso, trabalhamos no sentido de conscientização dos alunos, que o dinheiro destinado a melhorias, acaba por ser investido em reparos aos danos do patrimônio escolar.
3. Sim, existe aqui na escola um regimento que prevê isso. Diante de uma situação de bulling, redigimos uma ata relatando os fatos e, se necessário, solicitamos o auxilio do ECA ou da Secretaria da educação. Em um primeiro momento se faz advertências, tenta-se uma resolução burocrática, convoca-se a presença dos pais, adotando medidas de repreensão – tais como condicionar o aluno à entrada na escola somente mediante a companhia de um responsável.
4. Acredito que a solução está em projetos de inclusão; na questão da cidadania, uma vez que os alunos estão reproduzindo o meio onde vivem. Temos de oferecer oportunidades aos alunos, orientá-los, trabalhar para conscientizá-los de seus direitos e deveres.
Para o aluno:
1. Quando as pessoas não compreendem as diferenças e partem para brigas e agressões. As brigas quase sempre acontecem na saída do colégio, entre grupos diferentes, principalmente entre as meninas também.
2. Sim, colegas racistas, por diversas vezes fui repreendida por ser negra.
3. Sim, muitas vezes; as brigas das meninas no final da aula, muitas pessoas se reúnem em volta e ao invés de separar, ficam assistindo, parece até que incentivam o que está acontecendo.
4. O pessoal não respeita muito os professores não. E parece que, algumas vezes, os próprios professores não recebem bem alguns alunos, eles implicam com o comportamento deles e tratam eles de forma bem diferente. Parece que esses alunos adoram desafiar os professores na frente da turma, e fica uma situação de constrangimento não só para o professor, mas também para os outros alunos que estão assistindo.
5. Eu nem sabia o que era bulling, mas muitas vezes me ofenderam por eu ser negra, pessoas racistas que parecem não compreender nunca as diferenças. Eu sofri sempre com esses títulos ofensivos e pra mim é sim uma forma de violência, fico incomodada.
6. Sinceramente acho que não tem solução, sempre teve e sempre terá. Eu já vi colegas meus sendo mortos com tiros, sendo presos na frente da escola e, mesmo depois disso, os demais não se ressabiaram e continuaram praticando tráfico. Cada um tem de fazer sua parte para conseguir acabar com isso.
Escola de Ensino Médio Estadual
Vice-diretora:
1. Sim, regras internas, não se admite nenhum tipo de agressão, os professores são orientados a conversar para resolver os problemas e em casos mais graves encaminhar para direção. Não há seguranças, existem grades, os alunos só saem da escola com autorização. Também são feitas palestras e trabalhos sobre violência e bullying, dentro das cadeiras de religião, sociologia e filosofia.
2. São chamados os pais. Encaminhamentos para o SOE e pedagógico.
Professor:
1. sim, verbal e tentativa física, alunos armados em alvorada.
2. Pichação, roubos de mouse.
3. Tenta- se conversar, caso contrário é encaminhado para a direção, chamam-se os pais.
4. Conscientização da sociedade em geral, mais trabalhos sobre o assunto envolvendo a comunidade.
Aluna, 3°ano do EM, 17 anos:
1. Discriminação dos diferentes, guerrinhas de grupos
2. Sim, discussão, agressão física com um menino
3. Sim, várias brigas entre meninas.
4. Não. – Sim
5. Praticou e sofreu. Sim. Sim.
6. As pessoas conscientizarem-se, evitar o preconceito, conversar e debater.
Aluno, 3° ano EM, 17 anos:
1. Elementos de dentro da escola que passam dos limites físicos, psicológicos ou dos direitos das pessoas.
2. Sim, brigas.
3. Sim, várias verbais, poucas físicas.
4. Sim, poucos casos. Sim, mais freqüente.
5. Praticou e sofreu. Sim. Sim.
6. Consciência social, qualificação dos professores em relação ao controle dos relacionamentos
Aluna, 1°, 14 anos:
1. Qualquer coisa que machuque alguém, seja psicológico ou físico, voluntário ou involuntário.
2. Sim, verbal, por te boas notas – CDF.
3. Sim, brigas entre meninas, na frente da escola.
4. Sim. Sim.
5. Sofreu, praticou involuntário. Sim. Sim.
6. As pessoas deveriam cuidar melhor o que falam, pensar antes de fazer as coisas.
Aluna, 2°ano EM, 15 anos:
1. Ultrapassar limites, intenção de prejudicar, verbal e física.
2. Não.
3. Sim, insultos.
4. Sim, poucos casos. Sim, mais freqüente.
5. Não. Sim. Sim.
6. Depende de cada um, ter cabeça forte e não deixar ser influenciada pelos outros.
Aluna, 3°ano EM, 17 anos:
1. Pancadaria.
2. Não.
3. Sim, briga de meninas, física.
4. Sim. Não.
5. Não. Sim. Sim.
6. Bom senso das pessoas.
Observações:
O aluno que troca de sala. Há pouco vandalismo, direção forte. Roubo ocorre na frente da escola e nas paradas. Aulas manhã-tarde-noite. Álcool e cigarros proibidos dentro da escola, há drogas, confiscado um baseado.
Escola Estadual de Ensino Fundamental
Direção:
1. Soe, SSe, brigadianos ficam na frente da escola nos horários de movimento. Não há seguranças na escola. Palestras, orientação para os alunos e famílias, temas interdisciplinares.
2. Chamam-se os pais, em últimos casos chamam o DECA (policia para 12 a 17 anos), levam no Conselho tutelar ( 12 anos e menos), brigada militar. Encaminhamentos para psicólogos pelo NASCA.
Professora -48anos:
1. Não, nenhum tipo. Mas já houve ameaça de morte a professores e pais ameaçam também.
2. Sim, Roubaram liquidificador, garrafa térmica, quebraram o telhado, ato de vandalismo além do roubo. Quebram maçanetas, portas e vidros com freqüência, os vidros com pedras jogadas da rua.
3. SOE, Sse, chamam-se os pais, encaminham para direção.
4. Direção forte, quem picha limpa, ir atrás das pessoas que passaram dos limites.
Aluno, 7ª série, 15 anos:
1. Agressão física
2. Nenhum tipo
3. Sim, várias vezes, na frente da escola e dentro.
4. Não. Não.
5. Não. Algumas “frescuras”, “de boa”.
6. Pessoas se entenderem melhor.
Aluno, 8ªsérie, 14 anos:
1. Algo que prejudica a escola e/ou alunos.
2. Não.
3. Sim. Por quase nada, esporte, agressões físicas, ex-alunos.
4. Não. Não.
5. Praticou. Sim. Sim, gordos, excluídos.
6. Os alunos conscientizarem.
Aluna, 8ª série, 14 anos:
1. Pessoas horríveis que fazem mal à alguém.
2. Sim, verbal e física
3. Não.
4. Sim. Sim
5. Praticou. Sim. De certo modo sim.
6. Programas educativos, palestras.
Aluno, 8ª série, 17 anos:
1. Falta de respeito com professores e alunos.
2. Sim, física, por causa de mulher.
3. Sim, agressões físicas.
4. Não. Sim.
5. Não. Sim. Sim.
6. Direção mais rígida.
Aluna, 6ª série, 15 anos:
1. Pessoas ameaçando.
2. Sim, ameaça de agressão física.
3. Sim, várias vezes, agressão física.
4. Sim. Sim.
5. Sofreu. Não. Sim.
6. As pessoas serem amigas, evitar brigas.
Aluna, 7ª série, 17 anos:
1. Colegas brigando
2. Sim, ameaça de briga e agressão física.
3. Sim, briga na sala e fora da escola.
4. Sim. Sim.
5. Sofreu. Sim. Sim.
6. Conversar e orientar quem pratica
TEXTO FREUD - Trechos selecionados
"Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça de guerra?"
"É do conhecimento geral que, com o progresso da ciência de nossos dias, esse tema adquiriu significação de assunto de vida ou morte para a civilização, tal como a conhecemos; não obstante, apesar de todo o empenho demonstrado, todas as tentativas de solucioná-lo terminaram em lamentável fracasso...."
"Ademais, acredito que aqueles cuja atribuição é atacar o problema de forma profissional e prática, estão apenas adquirindo crescente consciência de sua impotência para abordá-lo, e agora possuem um vivo desejo de conhecer os pontos de vistas de homens que, absorvidos na busca da ciência, podem mirar os problemas do mundo na perspectiva que a distância permite...."
"Assim, na indagação ora proposta, posso fazer pouco mais do que procurar esclarecer a questão em referência e, preparando o terreno das soluções mais óbvias, possibilitar que o senhor proporcione a elucidação do problema mediante o auxílio do seu profundo conhecimento da vida instintiva do homem...."
"estou convencido de que o senhor será capaz de sugerir métodos educacionais situados mais ou menos fora dos objetivos da política, os quais eliminarão esses obstáculos."
Como pessoa isenta de preconceitos nacionalistas, pessoalmente vejo uma forma simples de abordar o aspecto superficial (isto é, administrativo) do problema: a instituição, por meio de acordo internacional, de um organismo legislativo e judiciário para arbitrar todo conflito que surja entre nações.
Dificuldade:
- um tribunal é uma instituição humana que, em relação ao poder de que dispõe, é inadequada para fazer cumprir seus veredictos, está muito sujeito a ver suas decisões anuladas por pressões extrajudiciais.
-Atualmente, estamos longe de possuir qualquer organização supranacional competente para emitir julgamentos de autoridade incontestável e garantir absoluto acatamento à execução de seus veredictos.
Primeiro princípio: busca da segurança internacional envolve a renúncia incondicional, por todas as nações, em determinada medida, à sua liberdade de ação, ou seja, à sua soberania, e é absolutamente evidente que nenhum outro caminho pode conduzir a essa segurança.
Fatores psicológicos que paralisam tais esforços :
-O intenso desejo de poder, que caracteriza a classe governante em cada nação, é hostil a qualquer limitação de sua soberania nacional.
- Outro grupo, cujas aspirações são de caráter econômico, puramente mercenário.
Refiro-me especialmente a esse grupo reduzido, existente em cada nação, composto de indivíduos que, indiferentes às condições e aos controles sociais, consideram a guerra, a fabricação e venda de armas simplesmente como uma oportunidade de expandir seus interesses pessoais e ampliar a sua autoridade pessoal.
"Como é possível a essa pequena súcia dobrar a vontade da maioria, que se resigna a perder e a sofrer com uma situação de guerra, a serviço da ambição de poucos?"
Parece que uma resposta óbvia: a classe dominante atual, possui as escolas, a imprensa e, geralmente, também a Igreja, sob seu poderio. Isto possibilita organizar e dominar as emoções das massas e torná-las instrumento da mesma minoria.
Como esses mecanismos conseguem tão bem despertar nos homens um entusiasmo extremado, a ponto de estes sacrificarem suas vidas?
É porque o homem encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição. Em tempos normais, essa paixão existe em estado latente, emerge apenas em circunstâncias anormais.
Talvez aí esteja o ponto crucial de todo o complexo de fatores que estamos considerando, um enigma que só um especialista na ciência dos instintos humanos pode resolver.
É possível controlar a evolução da mente do homem, de modo a torná-lo à prova das psicoses do ódio e da destrutividade?
Para concluir: Até aqui somente falei das guerras entre nações, aquelas que se conhecem como conflitos internacionais. Estou, porém, bem consciente de que o instinto agressivo opera sob outras formas e em outras circunstâncias.
Mas seria da maior utilidade para nós todos que o senhor apresentasse o problema da paz mundial sob o enfoque das suas mais recentes descobertas, pois uma tal apresentação bem poderia demarcar o caminho para novos e frutíferos métodos de ação.
II CARTA DE FREUD
O senhor apanhou-me de surpresa, no entanto, ao perguntar o que pode ser feito para proteger a humanidade da maldição da guerra.
O senhor começou com a relação entre o direito e o poder. Não se pode duvidar de que seja este o ponto de partida correto de nossa investigação. Mas, permita-me substituir a palavra ‘poder’ pela palavra mais nua e crua violência’? direito e violência se nos afiguram como antíteses. No entanto, é fácil mostrar que uma se desenvolveu da outra e, se nos reportarmos às origens primeiras e examinarmos como essas coisas se passaram, resolve-se o problema facilmente.
É, pois, um princípio geral que os conflitos de interesses entre os homens são resolvidos pelo uso da violência. É isto o que se passa em todo o reino animal, do qual o homem não tem motivo por que se excluir.
No início, numa pequena horda humana, era a superioridade da força muscular que decidia quem tinha a posse das coisas ou quem fazia prevalecer sua vontade. A força muscular logo foi suplementada e substituída pelo uso de instrumentos: o vencedor era aquele que tinha as melhores armas ou aquele que tinha a maior habilidade no seu manejo. A partir do momento em que as armas foram introduzidas, a superioridade intelectual já começou a substituir a força muscular bruta.
Mas o objetivo final da luta permanecia o mesmo — uma ou outra facção tinha de ser compelida a abandonar suas pretensões ou suas objeções, por causa do dano que lhe havia sido infligido e pelo desmantelamento de sua força.
Esta foi, por conseguinte, a situação inicial dos fatos: a dominação por parte de qualquer um que tivesse poder maior — a dominação pela violência bruta ou pela violência apoiada no intelecto.
Havia um caminho que se estendia da violência ao direito ou à lei. Que caminho era este?
Penso ter sido apenas um: o caminho que levava ao reconhecimento do fato de que à força superior de um único indivíduo, podia-se contrapor a união de diversos indivíduos fracos.
Solução proposta:
L’union fait la force. A violência podia ser derrotada pela união, e o poder daqueles que se uniam representava, agora, a lei, em contraposição à violência do indivíduo só.
A única diferença real reside no fato de que aquilo que prevalece não é mais a violência de um indivíduo, mas a violência da comunidade. A fim de que a transição da violência a esse novo direito ou justiça pudesse ser efetuada, contudo, uma condição psicológica teve de ser preenchida. A união da maioria devia ser estável e duradoura. Se apenas fosse posta em prática com o propósito de combater um indivíduo isolado e dominante, e fosse dissolvida depois da derrota deste, nada se teria realizado. A pessoa, a seguir, que se julgasse superior em força, haveria de mais uma vez tentar estabelecer o domínio através da violência, e o jogo se repetiria ad infinitum.
A comunidade deve manter-se permanentemente, deve organizar-se, deve estabelecer regulamentos para antecipar-se ao risco de rebelião e deve instituir autoridades para fazer com que esses regulamentos — as leis — sejam respeitadas, e para superintender a execução dos atos legais de violência.
Acredito que, com isso, já tenhamos todos os elementos essenciais: a violência suplantada pela transferência do poder a uma unidade maior, que se mantém unida por laços emocionais entre os seus membros. O que resta dizer não é senão uma ampliação e uma repetição desse fato.
As leis de uma tal associação irão determinar o grau em que, se a segurança da vida comunal deve ser garantida, cada indivíduo deve abrir mão de sua liberdade pessoal de utilizar a sua força para fins violentos
No entanto, desde os seus primórdios, a comunidade abrange elementos de força desigual — homens e mulheres, pais e filhos — e logo, como conseqüência da guerra e da conquista, também passa a incluir vencedores e vencidos, que se transformam em senhores e escravos.
A justiça da comunidade então passa a exprimir graus desiguais de poder nela vigentes.
Primeiramente, são feitas, por certos detentores do poder no sentido de se colocarem acima das proibições que se aplicam a todos — isto é, procuram escapar do domínio pela lei para o domínio pela violência.
Nesse caso, o direito pode gradualmente adaptar-se à nova distribuição do poder; ou, como sucede com maior freqüência, a classe dominante se recusa a admitir a mudança e a rebelião e a guerra civil se seguem, com uma suspensão temporária da lei e com novas tentativas de solução mediante a violência, terminando pelo estabelecimento de um novo sistema de leis.
Ainda há uma terceira fonte da qual podem surgir modificações da lei, e que invariavelmente se exprime por meios pacíficos: consiste na transformação cultural dos membros da comunidade.
Um rápido olhar pela história da raça humana revela uma série infindável de conflitos entre uma comunidade e outra, ou diversas outras, entre unidades maiores e menores — entre cidades, províncias, raças, nações, impérios —, que quase sempre se formaram pela força das armas. Guerras dessa espécie terminam ou pelo saque ou pelo completo aniquilamento e conquista de uma das partes.
Por paradoxal que possa parecer, deve-se admitir que a guerra poderia ser um meio nada inadequado de estabelecer o reino ansiosamente desejado de paz ‘perene’, pois está em condições de criar as grandes unidades dentro das quais um poderoso governo central torna impossíveis outras guerras.
Solução: As guerras somente serão evitadas com certeza, se a humanidade se unir para estabelecer uma autoridade central a que será conferido o direito de arbitrar todos os conflitos de interesses. dois requisitos distintos: criar uma instância suprema e dotá-la do necessário poder.
Já vimos que uma comunidade se mantém unida por duas coisas: a força coercitiva da violência e os vínculos emocionais (identificações é o nome técnico) entre seus membros.
Algumas pessoas tendem a profetizar que não será possível pôr um fim à guerra, enquanto a forma comunista de pensar não tenha encontrado aceitação universal. Mas esse objetivo, em todo caso, está muito remoto, atualmente, e talvez só pudesse ser alcançado após as mais terríveis guerras civis. Assim sendo, presentemente, parece estar condenada ao fracasso a tentativa de substituir a força real pela força das idéias.
Estaremos fazendo um cálculo errado se desprezarmos o fato de que a lei, originalmente, era força bruta e que, mesmo hoje, não pode prescindir do apoio da violência
O senhor expressa surpresa ante o fato de ser tão fácil inflamar nos homens o entusiasmo pela guerra, e insere a suspeita de que neles exige em atividade alguma coisa — um instinto de ódio e de destruição — que coopera com os esforços dos mercadores da guerra.
Teoria dos instintos : instintos humanos são de apenas dois tipos: aqueles que tendem a preservar e a unir — que denominamos ‘eróticos’; e aqueles que tendem a destruir e matar, os quais agrupamos como instinto agressivo ou destrutivo.
Nenhum desses dois instintos é menos essencial do que o outro; os fenômenos da vida surgem da ação confluente ou mutuamente contrária de
A fim de tornar possível uma ação, há que haver, via de regra, uma combinação desses motivos compostos.
Instinto destruição: esse instinto está em atividade em toda criatura viva e procura levá-la ao aniquilamento, reduzir a vida à condição original de matéria inanimada.
A internalização do instinto de destruição. Foi-nos até mesmo imputada a culpa pela heresia de atribuir a origem da consciência a esse desvio da agressividade para dentro.
De nada vale tentar eliminar as inclinações agressivas dos homens.
Não há maneira de eliminar totalmente os impulsos agressivos do homem; pode-se tentar desviá-los num grau tal que não necessitem encontrar expressão na guerra.
Tudo o que favorece o estreitamento dos vínculos emocionais entre os homens deve atuar contra a guerra.
BIBLIOGRAFIA
Texto de Freud:
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VIOLÊNCIA EXTRA E INTRAMUROS - Alba Zaluar http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092001000100008&lng=pt&nrm=iso
Kupfer, M. C. (1998). A violência na educação: Educação violenta. In D. L. Levisky (Org.), Adolescência pelos caminhos da violência. São Paulo: Casa do Psicólogo.
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Neuza Maria de Fátima Guareschi - Violência em favela de Porto Alegre http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2003000100006&lng=pt&nrm=iso
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Violência na periferia de BH - Carla Araújo http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022001000100010&lng=pt&nrm=iso
Luiza Mitiko Yshiguro Camacho - Violência nas práticas escolares de adolescentes do ES. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022001000100009&lng=pt&nrm=iso
Balanço das pesquisas sobre violência escolar no Brasil - Marilia Pontes Sposito (USP) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022001000100007&lng=pt&nrm=iso
Luiz Alberto Oliveira Gonçalves - Iniciativas públicas de redução da violência escolar no Brasil (POA) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742002000100004&lng=pt&nrm=iso
Formas contemporâneas de negociação com a depredação escolar - Hélio Iveson Passos Medrad (UNICAMP) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000400007&lng=pt&nrm=iso
Violência, insegurança e imaginário do medo - Maria Cecília Sanches Teixeira (USP) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000400005&lng=pt&nrm=iso
A violência no imaginário dos agentes educativos - Alice Itani (UNESP) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000400004&lng=pt&nrm=iso
A violência escolar e a crise da autoridade docente - Júlio Groppa Aquino (USP) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000400002&lng=pt&nrm=iso

