Revista OCA on-line # Dezembro de 2007
As eco-organizações
A busca da sustentabilidade não pode mais ser ignorada
Gabriela Cerqueira da Silva e Fábio Collares Oyarzábal

4“O público que se dane”, frase proferida por William Henry Wanderbild, magnata do ramo ferroviário, em resposta à pergunta de jornalista sobre os motivos que o levaram a fechar uma linha de grande importância para os trabalhadores locais, não é mais aconselhável aos empresários contemporâneos. O advento da sociedade em rede, na qual as mudanças são aceleradas pelas forças combinadas da tecnologia, educação, mobilidade e, principalmente, comunicação, trouxe a maior conscientização e participação das pessoas nos assuntos de seu interesse. Passamos da sociedade de massa para a sociedade de públicos.

Nesse novo panorama, a opinião dos públicos é de grande importância para as organizações, que podem ter suas atividades afetadas pela atuação de grupos contrariados com sua filosofia institucional, objetivos e atividades. Por esses motivos, houve o entendimento de que as organizações estão inseridas em um sistema maior, a sociedade, a qual influencia e é afetada pelas atividades dos grupos organizacionais. A responsabilidade social e, mais atualmente, a responsabilidade sócio-ambiental, passaram a ser incluídas na pauta de atividades das organizações, não como opção, mas como obrigação destas para com os públicos e o ambiente.

Há meios de verificar se a organização que produz bens ou serviços consumidos pelo leitor pode ser considerada uma eco-organização, termo aqui empregado para designar aqueles grupos organizacionais cujo objetivo é a sustentabilidade de seus processos de produção. Entre as iniciativas das organizações para atestar o cumprimento de sua responsabilidade sócio-ambiental, há a ISO 14000. A organização ISO, responsável por produzir normas de padronização, apresenta séries que abrangem diferentes normatizações. A série ISO 14000 estabelece diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro de empresas. Essas normas prevêem a padronização dos processos de organizações que utilizam recursos extraídos da natureza e que seus processos produtivos possam causar dano ao meio ambiente. A adoção da série de normas da ISO 14000 atesta que a organização está buscando a sustentabilidade de seus processos de produção. Além da ISO 14000, há organizações que divulgam o Balanço Social de suas atividades, no qual constam informações sobre os projetos, benefícios e ações sociais dirigidas aos empregados, investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade.

Um exemplo na cidade de Porto Alegre é o Grupo 1001 de Informática (empresa de recargas de cartuchos de impressoras) que, em conjunto com a Fundação Zoobotânica do RS e a participação da Secretaria Estadual da Educação, firmaram parceria para tratar do tema aquecimento global e suas implicações no cotidiano das pessoas. “A campanha contra o aumento da temperatura do planeta deveria ser uma ação permanente da sociedade e na mente de cada pessoa. Fomos buscar na Secretaria Estadual da Educação o apoio para atingir exatamente quem pode mudar alguma coisa: as crianças. Eles são o futuro da nação, os únicos capazes de mostrar que o avanço tecnológico pode ser um aliado para o meio ambiente, não seu inimigo”, disse a diretora do grupo, Márcia Delatorre. Ela ainda destaca que há um pensamento de alertar a sociedade para esse problema e apontar soluções.

A partir do dia 2 de junho de 2007, em um encontro no Parque Farroupilha, essa parceria firmada na capital gaúcha tornou-se uma mobilização ecológica com a participação dos estudantes das escolas envolvidas, que demonstraram, através da utilização de cartazes educativos, a preocupação e responsabilidade de cada um nesta questão. De acordo com o presidente da Fundação Zoobotânica, Luiz Gheller, “promover o respeito à natureza é uma questão de sobrevivência de todos”. Gheller alerta que somente com a prática de ações concretas, que envolvam os segmentos da sociedade organizada, é que poderemos amenizar a destruição do planeta.

O comportamento das organizações perante o meio em que se inserem passou a ser diferencial na escolha dos públicos de se tornarem consumidores ou apoiarem as atividades destas. No mercado atual, o qual é caracterizado pela crescente padronização da qualidade dos produtos e serviços, o cumprimento das obrigações sociais e ambientais se configura em novo nível de cobrança dos públicos às organizações.<

   Referências

­ LESLY, Philip. Os fundamentos de Relações Públicas e da Comunicação. São Paulo: Pioneira, 1995.
­ Site Balanço Social. www.balancosocial.org.br
­ Site Responsabilidade Social. www.responsabilidadesocial.com
­ Site Wikipedia. pt.wikipedia.org/wiki
­ Coordenadoria de Comunicação Social/FZB-RS e Grupo 1001 de Informática.

 


UNIVERDIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - FABICO
Projeto desenvolvido pelos alunos de Jornalismo Ambiental da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação

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