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4“O público que se dane”, frase
proferida por William Henry Wanderbild, magnata do ramo
ferroviário, em resposta à pergunta de jornalista sobre os
motivos que o levaram a fechar uma linha de grande importância
para os trabalhadores locais, não é mais aconselhável aos
empresários contemporâneos. O advento da sociedade em rede, na
qual as mudanças são aceleradas pelas forças combinadas da
tecnologia, educação, mobilidade e, principalmente, comunicação,
trouxe a maior conscientização e participação das pessoas nos
assuntos de seu interesse. Passamos da sociedade de massa para a
sociedade de públicos.
Nesse novo
panorama, a opinião dos públicos é de grande importância para as
organizações, que podem ter suas atividades afetadas pela
atuação de grupos contrariados com sua filosofia institucional,
objetivos e atividades. Por esses motivos, houve o entendimento
de que as organizações estão inseridas em um sistema maior, a
sociedade, a qual influencia e é afetada pelas atividades dos
grupos organizacionais. A responsabilidade social e, mais
atualmente, a responsabilidade sócio-ambiental, passaram a ser
incluídas na pauta de atividades das organizações, não como
opção, mas como obrigação destas para com os públicos e o
ambiente.
Há meios de
verificar se a organização que produz bens ou serviços
consumidos pelo leitor pode ser considerada uma eco-organização,
termo aqui empregado para designar aqueles grupos
organizacionais cujo objetivo é a sustentabilidade de seus
processos de produção. Entre as iniciativas das organizações
para atestar o cumprimento de sua responsabilidade
sócio-ambiental, há a ISO 14000. A organização ISO, responsável
por produzir normas de padronização, apresenta séries que
abrangem diferentes normatizações. A série ISO 14000 estabelece
diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro de empresas.
Essas normas prevêem a padronização dos processos de
organizações que utilizam recursos extraídos da natureza e que
seus processos produtivos possam causar dano ao meio ambiente. A
adoção da série de normas da ISO 14000 atesta que a organização
está buscando a sustentabilidade de seus processos de produção.
Além da ISO 14000, há organizações que divulgam o Balanço Social
de suas atividades, no qual constam informações sobre os
projetos, benefícios e ações sociais dirigidas aos empregados,
investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade.
Um exemplo na
cidade de Porto Alegre é o Grupo 1001 de Informática (empresa de
recargas de cartuchos de impressoras) que, em conjunto com a
Fundação Zoobotânica do RS e a participação da Secretaria
Estadual da Educação, firmaram parceria para tratar do tema
aquecimento global e suas implicações no cotidiano das pessoas.
“A campanha contra o aumento da temperatura do planeta deveria
ser uma ação permanente da sociedade e na mente de cada pessoa.
Fomos buscar na Secretaria Estadual da Educação o apoio para
atingir exatamente quem pode mudar alguma coisa: as crianças.
Eles são o futuro da nação, os únicos capazes de mostrar que o
avanço tecnológico pode ser um aliado para o meio ambiente, não
seu inimigo”, disse a diretora do grupo, Márcia Delatorre. Ela
ainda destaca que há um pensamento de alertar a sociedade para
esse problema e apontar soluções.
A partir do dia
2 de junho de 2007, em um encontro no Parque Farroupilha, essa
parceria firmada na capital gaúcha tornou-se uma mobilização
ecológica com a participação dos estudantes das escolas
envolvidas, que demonstraram, através da utilização de cartazes
educativos, a preocupação e responsabilidade de cada um nesta
questão. De acordo com o presidente da Fundação Zoobotânica,
Luiz Gheller, “promover o respeito à natureza é uma questão de
sobrevivência de todos”. Gheller alerta que somente com a
prática de ações concretas, que envolvam os segmentos da
sociedade organizada, é que poderemos amenizar a destruição do
planeta.
O comportamento
das organizações perante o meio em que se inserem passou a ser
diferencial na escolha dos públicos de se tornarem consumidores
ou apoiarem as atividades destas. No mercado atual, o qual é
caracterizado pela crescente padronização da qualidade dos
produtos e serviços, o cumprimento das obrigações sociais e
ambientais se configura em novo nível de cobrança dos públicos
às organizações.< |