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Revista OCA on-line # Dezembro de 2007 |
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Aquecimento Global,
responsabilidade de todos |
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Clarissa de Baumont |
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4Em
outubro deste ano, a cidade de Porto Alegre foi palco das
discussões sobre o papel dos jornalistas frente ao
aquecimento global, durante o II Congresso Brasileiro de
Jornalismo Ambiental. O aquecimento global, ameaça à vida
terrestre, é um fenômeno de grandes proporções. O conceito
representa o aumento da temperatura média do planeta nos
últimos 150 anos. Esse fenômeno tem se intensificado
continuamente, sobretudo por causa das atividades humanas.
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/Ecoagência |
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Mais
especificamente, o aquecimento global refere-se ao aumento
da temperatura dos oceanos e do ar próximo à superfície da
Terra que se tem verificado desde algumas décadas. Há
divergências sobre as causas desse fato, se naturais ou
provocadas pelo homem. O Intergovernmental Panel on
Climate Change – IPCC (Painel Intergovernamental para as
Mudanças Climáticas, estabelecido pelas Nações Unidas e
pela Organização Meteorológica Mundial, em 1988), em seu
relatório, afirma que o aumento das temperaturas nos
últimos 50 anos se deve, muito provavelmente, ao aumento
da concentração de gases estufa na atmosfera, originados
pela ação humana. Além desse aumento de gases, as causas
incluem o maior uso de águas subterrâneas e do solo para a
agricultura industrial, um maior consumo energético e a
poluição.
Os gases
estufa são o ozônio, o gás carbônico (dióxido de carbono)
e o monóxido de carbono. Sua concentração mais elevada na
atmosfera tem dentre as principais causas a queima de
combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural), o
desmatamento e as queimadas de florestas. Dessa maneira, o
efeito estufa se intensifica e gera o aumento gradativo da
temperatura terrestre, ao qual damos o nome de aquecimento
global.
O efeito
estufa, portanto, não é um sinônimo para aquecimento
global. Até porque esse fenômeno é natural. O efeito
estufa foi fundamental para que a temperatura terrestre
fosse propícia ao desenvolvimento da vida, e continua
sendo para a manutenção dessas condições ideais de
temperatura. Funciona desta forma: os raios luminosos
solares atingem a superfície terrestre; parte desses raios
é transformada em calor e parte é refletida para o espaço.
Esses raios infravermelhos refletidos são em parte
reenviados à superfície terrestre, mantendo sua
temperatura constante. Só que o aumento da concentração de
gases estufa, notavelmente pela ação humana, altera esse
fenômeno, fazendo com que mais calor fique retido na
superfície da Terra e ocasionando o aquecimento global. O
que servia para manter o equilíbrio necessário à vida a
põe em risco devido ao descaso humano com a natureza.
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Uma das
conseqüências desse aquecimento é a alteração climática em
nível mundial, mais conhecida como mudanças climáticas. É
importante destacar que as mudanças climáticas não
correspondem simplesmente a alterações no que chamamos de
condições do tempo; o clima engloba longo período – por
exemplo, temos o clima tropical, na maior parte do Brasil,
com temperaturas elevadas em todas as estações do ano; o
clima temperado, na Europa, com variação regular de
temperatura ao longo do ano e com quatro estações bem
definidas. Além de alterar os climas, a água do mar
poderia se elevar até 30cm, prejudicando populações de
áreas baixas.
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8Segundo
a palestra do glaciólogo e professor da UFRGS Jefferson
Simões, durante o II Congresso Brasileiro de Jornalismo
Ambiental (II CBJA), o mar não se elevaria da maneira
mostrada nos filmes ou do modo como se divulga às vezes.
No II CBJA, a questão do aquecimento global foi mais bem
esclarecida e aprofundada por diversos pesquisadores.
Conversando com alguns deles, trazemos aqui o depoimento
desses palestrantes, vindos de lugares distantes ou de
Porto Alegre, que explicam um pouco mais sobre o
aquecimento global, seus efeitos na vida cotidiana e a
responsabilidade de cada um de nós por sua intensificação. |

Jefferson Simões,
Glaciólogo /
Clarissa de Baumont |
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Desperdício de energia
Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia (INPA), Philip Fearnside, o aumento da
temperatura planetária gera maior risco de desastres, como
secas, inundações e desmoronamentos. O uso exacerbado de
energia contemporaneamente é um ponto de extrema
importância. “Cada um deve tomar todas medidas possíveis
na vida pessoal para diminuir o uso de energia. Há um
enorme desperdício de energia no Brasil. Um exemplo
gritante é o uso do chuveiro elétrico, que pode ser
substituído por aquecimento a gás, ou, melhor, por
aquecimento solar”, diz Fearnside. O glaciólogo e
professor da UFRGS, Jefferson Simões, sustenta essa
contribuição como mudança importante de hábito individual:
“podemos fazer modificações no uso energético, tornando-o
mais eficiente, como por exemplo, mudando o chuveiro
elétrico para a gás!”.
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8Adrian Cowell, produtor e
diretor de documentários – dentre eles, “A Década da
Destruição” - para televisão britânica, pelos quais
recebeu diversos prêmios, falou sobre a quantidade
exagerada de salas de ginástica na Europa, Estados Unidos
e Japão, cheias de aparelhos como “máquinas de bicicletas,
de ski, de correr e de remar. Mas nunca vi, até agora,
geradores anexados que possam gerar eletricidade para o
ginásio ou para vender à rede de eletricidade. Os ginásios
são para pessoas com dinheiro, mas tão sedentárias que
necessitam exercício mecanizado”. Uma boa
alternativa para transformar o que seria um luxo moderno
em ação para a cidadania ambiental. |

O documentarista
inglês,
Adrian Cowell /
Clarissa de Baumont |
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Comodismo nocivo
A poluição produzida pelos automóveis é visivelmente
uma das maiores causas do aquecimento progressivo da
Terra. “Os veículos automotores já respondem por mais de
20% das emissões globais de gases estufa e esse percentual
vem crescendo rapidamente ano a ano”, conta o jornalista
André Trigueiro, autor do livro “Mundo Sustentável Abrindo
Espaço na Mídia para um Planeta em transformação” (Editora
Globo, 2005). O custo da poluição será, literalmente,
alto: “hoje, com a gasolina custando cerca de R$2/litro, o
orçamento de muitas pessoas já é apertado, imagina se o
custo fosse R$10 ou R$20”, adverte Philip Fearnside. |
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André Trigueiro, da Globo News/
Clarissa de Baumont
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8A reversão deste quadro pode
estar ao nosso alcance. “Priorizar transportes públicos,
andar de bicicleta ou mesmo a pé são contribuições
importantes que cada um de nós poderia dar. Em sendo
inevitável usar o carro, manter os motores regulados,
pneus calibrados e aceleração reduzida”, aconselha
Trigueiro.
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“Uma
mudança maior que se aplica a muitas pessoas seria a de
mudar de casa para morar perto ao local de trabalho. O
luxo de morar em bairros distantes ou até em outras
cidades não é uma coisa que deva continuar muito tempo,
sobretudo para aqueles que se deslocam de carro”, diz
Fearnside. |
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Consumo
insustentável
A mudança dos padrões de vida e consumo é uma questão de
sobrevivência. “O consumismo agrava tremendamente o
aquecimento global. A matriz energética do mundo é suja,
fortemente baseada nos combustíveis fósseis. Quem compra
mais do que necessita estoca em casa matéria-prima e
energia. O consumo consciente reduz a pressão sobre os
recursos naturais e a queima progressiva de petróleo,
carvão e gás”, explica André Trigueiro.
“As
pessoas vão ter que esquecer do sonho de ter uma vida de
consumo do tipo Americano. Isto implica tanto na redução
das expectativas dos que não tem um nível alto de consumo
hoje e um rebaixamento do consumo mesmo (não só das
expectativas) para a fatia da população que já consome
dessa forma, o que pode ser mais doloroso ainda”, avisa
Philip Fearnside, complementando: “a realização de que os
problemas de distribuição não vão ser solucionados com a
velha fórmula de ‘deixar o bolo crescer para depois
dividir’ tem profundas implicações que a maioria das
pessoas não quer encarar”.
Respeito à vida, essência da cidadania
A questão do aquecimento global ultrapassa os hábitos
individuais: “antes de tudo a questão envolve mudanças de
hábitos de consumo, principalmente energético. No Brasil,
a questão não é tão simples, pois nossa maior contribuição
de gases estufas vem da queima da floresta”, explica o
glaciólogo Jefferson Simões.
Entretanto, o papel e a responsabilidade de cada cidadão
precisam ser assumidos. “O que o governo do País faz é, no
final das contas, o que a população quer, e a população é
responsável pelas ações do governo. O impacto brasileiro
sobre o efeito estufa é de longe dominado pelo
desmatamento na Amazônia. Portanto, a população tem que
exigir que o governo tome as medidas necessárias para
parar com o desmatamento. Isto não se restringe às
campanhas de repressão do IBAMA, mas envolve decisões
sobre obras rodoviárias, política sobre posse da terra,
impostos, crédito agrícola, e muitas outras coisas. A
exportação de alumínio, já mencionado, representa outra
área relevante”, explica o pesquisador Fearnside.
Respeitar
a biodiversidade através das ações mais simples está ao
alcance de cada indivíduo. Assumir a parcela de
responsabilidade sobre a Terra, nosso espaço de vida,
significa mudar a forma de ver o mundo para mudar pequenas
atitudes. Contribuir para cidadania planetária, cobrando
atitudes do poder público, não agredindo a natureza
cotidianamente, é o diferencial para que, somados, cada
indivíduo, não intensifiquemos o aquecimento global.
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Comissão Organizadora do II Congresso Brasileiro de
Jornalismo Ambiental /
Clarissa de Baumont |
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UNIVERDIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - FABICO
Projeto desenvolvido pelos alunos da disciplina Jornalismo Ambiental,
da
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação
Mande sugestões ou críticas por e-mail: ilza.girardi@ufrgs.br
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