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8Este serviço já era realizado
pelas coletoras no setor privado: “grandes empreendimentos, como
cadeias de hotéis e restaurantes, têm obrigação legal de separar
o óleo que utilizam”, afirma a responsável pela equipe de
reaproveitamento da Unidade de Triagem e Compostagem (UTC/DMLU),
a engenheira química Mariza Reis. “Agora, também a população
será beneficiada”, complementa a engenheira. O óleo utilizado em
casa, devidamente acondicionado em vidros ou garrafas PET, deve
ser entregue em horário comercial em um dos 36 postos de coleta
do município, de onde será encaminhado para reciclagem.
Nestes sete meses de existência, o projeto recolheu uma média de
dois mil litros de óleo ao mês, o número de postos
(originalmente 24) foi ampliado e o de coletoras deve passar de
três (Oleoplan AS, Celgon Agroindustrial Ltda e Faros –
Indústria de Farinha e Ossos Ltda) para quatro conveniadas. “O
que ocorre é uma troca de serviços: as empresas que realizam a
coleta não são remuneradas por isso, mas recebem o óleo como
doação, que é então de propriedade do DMLU”, esclarece Mariza. A
renda que estes litros geram para as coletoras é ainda pouco
significativa se comparada à que estas obtêm da indústria de
serviços. A perspectiva, no entanto, é otimista: segundo a
engenheira, “em 2008, novos postos serão abertos e se espera
fazer um trabalho de divulgação junto a condomínios e escolas,
que têm apresentado interesse e procura crescentes. Com maior
volume de coleta, a atividade se tornará mais atraente para as
coletoras, que por sua vez se verão motivadas a patrocinar
publicidade e programas de educação ambiental”. |
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O objetivo desta iniciativa é claramente ambiental. Ela surge
como integrante do programa Pró-Dilúvio, criado em março de 2005
pela Prefeitura e que reúne uma série de medidas de saneamento e
educação ambiental visando à recuperação do Arroio Dilúvio de
Porto Alegre. “A maior parte da população descarregava o óleo de
uso doméstico no encanamento sem saber que estava fazendo
errado”, alega Mariza, “e mesmo quando realizava a separação,
ele ficava sujeito à coleta clandestina nas calçadas, indo de
qualquer forma parar no esgoto ou, ainda, sendo reutilizado”. Ao
entrar em contato com a água, sendo menos denso, o óleo forma
uma película sobre a mesma que entupirá e acumulará sólidos nas
tubulações, dificultando a drenagem do esgoto e aumentando o
custo de tratamento em 45%. Indo parar em rios e arroios, inibe
a entrada de luz e a troca gasosa entre a água e a atmosfera,
causando a mortandade da fauna aquática. Cada litro de óleo
descartado no meio ambiente contamina potencialmente um milhão
de litros de água, o que corresponde a 14 anos de consumo
humano. Absorvido pelo solo, impermeabiliza-o originando
enchentes. E, entrando em decomposição, libera gás metano, que
além de causar mau cheiro, é o principal vilão do efeito estufa.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
8A reciclagem no Brasil é ainda um
hábito em formação. Nos Indicadores de Desenvolvimento
Sustentável 2004, do IBGE, o item Coleta seletiva de lixo mostra
números incipientes: apenas 2% do lixo produzido no país é
coletado seletivamente e apenas 6% das residências são atendidas
por serviços de coleta seletiva, que existem somente em 8,2% dos
municípios. A publicação, cuja primeira edição data de 2002,
contém um total de 59 indicadores sobre a sustentabilidade do
modelo de desenvolvimento brasileiro. Esta ação integra o
conjunto de esforços internacionais liderados pela ONU, e
intensificados desde a ECO 92, de consolidar indicadores
internacionais compatíveis - nas dimensões ambiental, social,
econômica e institucional - que permitem o acompanhamento do
tema em escala mundial. No indicador Reciclagem, o Brasil
aparece como recordista mundial de latas de alumínio (89 % em
2003) e registra 43% no reaproveitamento de papel, mas se tratam
de índices isolados.
A reciclagem do óleo de cozinha no país tem atraído atenção
crescente desde as discussões governamentais em torno do
biodiesel. Os óleos vegetais, fontes renováveis e menos
agressivas de energia, já são uma alternativa real ao
combustível fóssil. Nosso país conta com uma grande diversidade
de espécies vegetais oleaginosas das quais se podem extrair
óleos para fins energéticos. Dentre estas espécies, existem as
de ocorrência nativa (mamona), as de cultivo de ciclo curto
(soja) e as de ciclo longo ou perene (dendê). Ainda assim, tendo
o óleo de cozinha como matéria-prima, a ação é duplamente
benéfica.
Segundo a Profa Dra Marisa Tsao, coordenadora do Instituto de
Química La Salle, órgão de apoio da Uni La Salle que desenvolve
prestação de serviços em análises químicas e pesquisa aplicada
na área ambiental, o processo de obtenção do biodiesel a partir
do óleo de cozinha “é teoricamente simples: utiliza-se o óleo,
mais um álcool – metanol ou etanol - e um catalisador, que é uma
base – hidróxido de sódio ou de potássio”. “O biodiesel, além de
ser uma fonte renovável, é interessante por seu alto conteúdo
energético”, afirma Marisa. “Ele tem maior rendimento que o
álcool, podendo ser usado tanto em veículos leves, quanto de
carga”, destaca. No entanto, para que este possa ser
efetivamente usado em motores, “há uma série de parâmetros de
qualidade que precisam ser atendidos”. Tem-se, desta forma, “uma
produção simples, mas uma purificação bastante complexa, o que
faz com que o produto final seja muito caro”, explica a
professora. “Há diversas instituições no país, dentre elas a
USP, dedicadas à pesquisa e ao desenvolvimento do biodiesel, mas
não se trata ainda de um processo industrial e economicamente
viável”. Uma alternativa caseira, sugere Marisa, é transformar o
óleo usado em sabão, já mais facilmente degradável. “O
procedimento é o mesmo, apenas em quantidades diferentes – o
óleo, um ácido e uma base são aquecidos e, de acordo com as
proporções, se terá um sabão mais ou menos líquido”.
Em Porto Alegre, as empresas encarregadas pelo DMLU têm dado
diferentes fins ao óleo coletado: a Faros produz uma
farinha-base para rações, a Oleoplan vem desenvolvendo o projeto
biodiesel e a Celgon o utiliza para alimentar as caldeiras e
também o revende para fábricas de sabão e de biodiesel. Outra
opção é a produção de resina para tintas. A crescente
participação dos porto-alegrenses vislumbra agora a criação de
uma usina de biodiesel. O projeto, de autoria da Secretaria
Municipal de Indústria e Comércio, encontra-se tramitando na
prefeitura. <
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