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ARTIGO
Triterpenos e
ferulatos de alquila de Maprounea guianensis
Triterpenes
and alkyl ferulates from Maprounea
Juceni P. DavidI,
*; Marilena MeiraII;
Jorge M. DavidII; Maria Lenise da S. GuedesIII
IFaculdade de Farmácia,
Universidade Federal da Bahia, 40170-290 Salvador - BA
IIInstituto de Química, Universidade Federal da Bahia, 40170-290
Salvador - BA
IIIInstituto de Biologia,
Universidade Federal da Bahia, 40170-290 Salvador - BA
ABSTRACT
This work describes the phytochemical study of hexane extracts from
the stem of Maprounea guianensis. Besides 3-oxo-21a-H-hop-22(29)-en
(moretenone), b-sitosterol, lupenone and lupeol, a mixture of dodecosyl, tetracosyl,
hexacosyl, octacosyl and triacontyl ferulates was also isolated, as well as
3-b-acetoxy-lup-20(29)-en-28-oic acid, 3b-O-trans-p-coumaroyl-lup-20(29)-en-28-oic
acid and 3b-O-trans-p-coumaroyl-urs-12-en-28-oic acid. The structures of
these compounds were established by spectroscopic analysis.
Keywords: Maprounea guianensis;
triterpenes; alkyl ferulates.
INTRODUÇÃO
Maprounea guianensis Aublet é uma árvore pertencente
à família Euphorbiaceae, que consiste de 290 gêneros e 7500 espécies
distribuídas nas regiões tropicais e temperadas do globo, concentrando-se
principalmente na África e América tropical1. A família
Euphorbiaceae consiste de plantas dicotiledôneas, ervas, arbustos e árvores,
algumas suculentas semelhantes a cactos, que são caracterizadas
freqüentemente pela ocorrência de seiva leitosa geralmente tóxica1.
Entre as espécies mais conhecidas desta família encontram-se quebra-pedra,
aveloz, mandioca, mamona e seringueira2.
O estudo do gênero Maprounea
tem despertado o interesse dos pesquisadores devido às atividades biológicas
de suas espécies. Por exemplo, tem sido atribuída potente atividade anti-HIV
e anti-tumoral à espécie M. africana3. Este gênero é pouco
representado no Brasil, não se podendo afirmar se este contribui com uma ou
duas espécies no país, haja vista que a identificação botânica da espécie M.
guianensis tem levantado controvérsias, sendo que alguns autores a
identificam como sendo M. brasiliensis4. Deste modo, o
estudo fitoquímico com as espécies do gênero tem grande importância
quimiossistemática. O estudo anteriormente realizado com o caule de M.
guianensis coletada em Demerara - Georgetown (Guiana) relata o isolamento
de 3-oxo-21b-H-hop-22(29)-eno
(moretenona) e ácido 3-acetilaleuritólico5. Este trabalho descreve
o isolamento e elucidação estrutural de metabólitos secundários presentes no
extrato hexânico do caule desta espécie, em comparação com os resultados
previamente reportados. Deste extrato, além de 3-oxo-21a-H-hop-22(29)-eno ou moretenona (1),
b-sitosterol, lupenona e lupeol
foi isolada a mistura dos E-ferulatos de dodecosila (2),
tetracosila (3), hexacosila (4), octacosila (5),
triacontila (6), bem como os ácidos 3-b-acetoxi-lup-20(29)-eno-28-óico (7), 3b-O-trans-p-cumaroil—lup-20(29)-eno-28-óico
(8) e 3b-O-trans-p-cumaroil-urs-12-eno-28
-óico (9). A identificação estrutural destas substâncias foi realizada
por meio da análise de dados espectrométricos de EMIE e RMN de 1H
e 13C (PND e DEPT).
PARTE EXPERIMENTAL
Os espectros de RMN
foram obtidos em espectrômetro Gemini 300 da Varian, sendo utilizado o sinal
do solvente como referencial interno. Os espectros de massas foram obtidos
por meio de injeção direta no detetor de massas da HP modelo 5973.
Os caules de Maprounea
guianensis foram coletados na restinga do Parque Metropolitano da Lagoa
do Abaeté (Salvador, BA). A identificação da espécie foi realizada e uma
exsicata desta foi depositada sob número 041211 no Herbário Alexandre Leal
Costa, do Instituto de Biologia da UFBA. Para avaliação da citotoxicidade,
tanto dos extratos brutos quanto das substâncias isoladas, foi utilizado o
teste de letalidade de Artemia salina6.
Isolamento dos
constituintes
Os caules foram secos e
moídos, sendo a seguir macerados com MeOH. O extrato metanólico do caule foi
então submetido a sucessivas partições entre hexano:MeOH/H2O
(9:1), CHCl3:MeOH/H2O (6:4) e AcOEt:H2O
(6:4).
O extrato hexânico
obtido (8,68 g) foi submetido a CC de sílica gel, usando como sistema de
solvente hexano:AcOEt em ordem crescente de polaridade e as frações obtidas
foram, então, purificadas como descrito a seguir. A fração eluída em
hexano:AcOEt (9:1) foi submetida a nova CC sob sílica gel (40-60 mm) utilizando como eluente CHCl3 que,
a seguir, foi purificada por recristalização em hexano. A parte insolúvel foi
identificada como 3-oxo-21a-H-hop-22(29)-eno
(1, 265,0 mg). A fração da CC inicial eluída em hexano:AcOEt (8:2) foi
submetida a CC sob sílica gel (40-60 mm)
utilizando como eluentes CHCl3:AcOEt (99:1). Deste modo, obteve-se
o ácido 3-b-acetoxi-lup-20(29)-eno-28-óico
(7, 11,8 mg). A fração (CC inicial) eluída em hexano:AcOEt (6:4) foi
submetida a CC sob sílica gel (40-60 mm)
utilizando como eluente hexano:AcOEt (7:3), seguida de purificação por CCDP
desenvolvida com CHCl3:AcOEt (95:5), fornecendo o ácido 3b-O-trans-p-cumaroil—lup-20(29)-eno-28-óico
(8, 21,7 mg) e o ácido 3b-O-trans-p-cumaroil-urs-12-eno-28-óico
(9, 27,6 mg). Enquanto que a mistura de ferulatos (2 - 6) foi
obtida a partir de quatro CC sucessivas em SiO2 usando como
eluente em cada coluna, hexano/AcOEt (6:4), CHCl3/AcOEt (99:1),
hexano/AcOEt (8:2) e hexano:AcOEt (9:1), respectivamente.
Dados físicos das
substâncias isoladas
3-Oxo-21a-H-hop-22(29)-eno (1), C30H48O.
EM m/z (int. rel.): 424 (24), 205 (29), 189 (100), 190 (22), 191 (13),
149 (12), 148 (14), 147 (18), 123 (14), 121 (22), 120 (8), 119 (17), 109
(20), 108 (9), 107 (27), 105 (17), 95 (30), 93 (28), 91 (16), 69 (20), 68
(15), 67 (25), 55 (28). RMN 1H [300 MHz, CDCl3, d (ppm), multiplicidade, J (Hz)]: d 2,41 (m, H-2), 1,05 (s, Me-23),
0,93 (s, Me-24), 1,00 (s, Me-25 e Me-26), 0,91 (s,
Me-27), 0,67 (s, Me-28), 4,65 (d, H-29a, J=1,1 Hz), 4,67 (d,
H-29 b, J= 1,1 Hz), 1,65 (s, Me-30). Dados de RMN 13C (Tabela 1).

Mistura dos E-ferulatos
de dodecosila (2), tetracosila (3), hexacosila (4),
octacosila (5), triacontila (6). EM m/z: 502 (C32H54O4),
530 (C34H58O4), 558 (C36H62O4),
586 (C38H66O4) e 614 (C40H70O4).
Dados de RMN 1H e 13C comparados com os encontrados na
literatura7,8. RMN 1H [300 MHz, CDCl3, d
(ppm), multiplicidade, J (Hz)]: d
0,89 (H3C, t, 7,0), 1,27 (n-1, m), 1,27
(H-4'a, n-2, m), 1,59 (H-2' e H-3', m), 3,94 (H3CO,
s), 4,20 (H-1', t, 6,8), 6,31 (H-8, d, 15,9), 6,93 (H-5,
d, 8,2), 7,05 (H-2, d, 1,8), 7,08 (H-6, dd, 1,8; 8,1),
7,62 (H-7, d, 15,9). RMN 13C [75 MHz, CDCl3, d (ppm)]: d
127,09 (C-1), 109,33 (C-2), 147,91 (C-3), 146,76 (C-4), 114,69 (C-5), 123,00
(C-6), 144,57 (C-7), 115,74 (C-8), 167,32 (C-9), 55,93 (H3CO),
64,59 (C-1'), 31,91 (C-2'), 25,98 (C-3'), 26,0 - 29,67 (n-3), 31,91 (n-2'),
22,66 (n-1'), 14,07 (H3C').
Ácido 3-b-acetoxi-lup-20(29)-eno-28-óico (7), C32H50O4.
EM m/z (int. rel.): 498 (3), 482 (2), 452 (3), 438 (24), 423 (12), 395
(15), 248 ( 23), 234 (16), 203 (26), 189 (100), 190 (44), 191 (26), 175 (27).
RMN 1H [300 MHz, CDCl3, d (ppm), multiplicidade, J (Hz)]: d
4,49 (dd, J=9,7 e 5,9 Hz, H-3), 2,06 (s, H3CCOO),
0,98 (s, Me-23), 0,94 (s, Me-24), 0,86 (s, Me-25), 0,85
(s, Me-26), 0,84 (s, Me-27), 4,75 (d, H-29a), 4,62 (d,
H-29b), 1,71 (s, Me-30). Dados de RMN 13C (Tabela 1).
Ácido 3b-O-trans-p-cumaroil-lup-20(29)-eno-28-óico
(8), C39H54O5. EM m/z (int.
rel.): 602 (2), 438 (14), 439 (6), 395 (12), 248 (33), 203 (20), 191 (22),
190 (30), 189 (38), 187 (18), 175 (13), 164 (20), 163 (13), 147 (100), 136
(13), 135 (12), 133 (17), 121 (27), 120 (10), 119 (23), 107 (18), 93 (16), 91
(14), 83 (11), 81 (17), 71 (10), 69 (22), 57 (14), 55 (21). RMN 1H
[300 MHz, CDCl3, d (ppm) ,
multiplicidade, J (Hz)]: d 7,43 (d,
J=9 Hz, H-2' e H-6'), 6,85 (d, J=9 Hz, H-3' e H-5'), 7,61 (d,
J=15,9 Hz, H-7'), 6,30 (d, J=15,9 Hz, H-8'), 4,15 (m, H-3),
4,75 (sl, H-29a), 4,62 (sl, H-29b), 1,72 (s, Me-30),
0,99 (s, Me-23), 0,95 (s, Me-24), 0,92 (s, Me-25), 0,89
(s, Me-26), 0,88 (s, Me-27). Dados de RMN 13C (Tabela 1).
Ácido 3b-O-trans-p-cumaroil-urs-12-eno-28-óico
(9). C39H54O5. EM m/z (int.
rel.): 602 (2), 438 (6), 395 (1), 248 (100), 249 (20), 219 (13), 203 (82),
204 (25), 205 (11), 192 (15), 191 (81), 190 (89), 189 (44), 187 (7), 188 (7),
175 (17), 165 (13), 163 (11), 147 (50), 133 (39), 121 (10), 119 (9), 105 (8).
RMN 1H [300 MHz, CDCl3, d (ppm), multiplicidade, J (Hz)]: d
7,39 (d, J=9 Hz, H-2' e H-6'), 6,81 (d, J=9 Hz, H-3' e H-5'),
7,58 (d, J=15,9 Hz, H-7'), 6,26 (d, J=15,9 Hz, H-8'), 4,55 (t,
H-3), 5,20 (t, H-12), 0,95 (s, Me-23), 0,75 (s, Me-24),
0,89 (s, Me-25), 0,82 (s, Me-26), 1,05 (s, Me-27). Dados
de RMN 13C (Tabela 1).
Teste de
citotoxicidade
Teste de letalidade de Artemia
salina. O teste foi realizado a partir do método adaptado por Serrano e
colaboradores6. A descrição do procedimento experimental detalhado
encontra-se na literatura9. O extrato hexânico do caule de Maprounea
guianensis não apresentou atividade citotóxica (DL > 1000). No
entanto, o extrato clorofórmico e acetato de etila apresentaram 90% e 100% de
atividade, respectivamente. As substâncias 1-9 foram testadas e
mostraram-se inativas (DL > 1000).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O b-sitosterol, a lupenona e o lupeol foram
identificados através da comparação dos dados de RMN com os descritos na
literatura8,10.
A substância 1
apresentou o pico do íon molecular em m/z 424 no espectro de massas
que, aliado aos dados obtidos dos espectros de RMN 13C (Tabela 1), permitiu sugerir a fórmula
molecular C30H48O. Além disso, o pico base registrado
em m/z 189 indicou que esta substância possuía um esqueleto
triterpênico pentacíclico da série lupeno ou hopeno11. Esta
observação foi suportada pela análise dos dados de RMN, uma vez que o
espectro RMN 1H mostrou a presença de sete metilas (singletos),
destacando-se dentre estes o sinal da metila ligada a carbono sp2
em d 1,65 que, juntamente com os
dubletos em d 4,67 e d 4,65 atribuídos aos dois hidrogênios olefínicos,
caracterizam o grupo isopropenil. Nesse espectro foi também observada a
presença de um multipleto em d 2,41
atribuído aos dois hidrogênios a-carbonílicos.
No espectro de RMN de 13C, a presença do sinal em d 217 e a ausência do sinal do carbono oximetínico
(d 79) sugeriu a presença de uma
carbonila em C-3. Comparação dos deslocamentos químicos encontrados nos
espectros RMN 13C especialmente do C-17, C-18, C-19, C-21 e do
grupo isopropenil da substância 1 com os mesmos carbonos no 21aH-hop-22(29)-eno, hopeno e
derivados de lupeno permitiu determinar que a substância 1 pertence à
série 21aH-hop-22(29)-eno12.
Triterpenos do grupo hopeno podem apresentar o grupo isopropil no C-21 em pseudo-axial
e pseudo-equatorial. Estes podem ser diferenciados pelos deslocamentos
químicos do C-17, C-18, C-19 e especialmente C-21. Nos triterpenos onde o
grupo isopropil possui a configuração pseudo-axial, o C-21 é
registrado em menor deslocamento químico (d
46,5) e naqueles em que este grupo está pseudo-equatorial (série 21aH), o C-21 encontra-se mais
desprotegido (d 48). Na literatura5,10
são encontrados dados de RMN 13C comparáveis com os encontrados
para a substância 1.

O espectro RMN de 1H
de 2 - 6 mostrou os sinais característicos do grupo trans-feruloíla.
Entre estes, pode-se observar sinais para três hidrogênios aromáticos
1,2,4-tri-substituído, além de dois hidrogênios olefínicos conjugados à
carbonila em relação trans (J = 15,9 Hz), bem como a presença do sinal
de metoxila ligado a anel aromático (d
3,94). A presença da cadeia alcoxílica foi caracterizada pelo tripleto em d 0,89 referente aos hidrogênios do grupo metila
terminal, pelo singleto largo em d
1,27 correspondente aos hidrogênios metilenos e pelo tripleto desprotegido em
d 4,20 referente aos hidrogênios
oximetilênicos. A análise dos espectros de RMN de 13C (Tabela 1) e de massas, bem como
comparação com dados da literatura8 sugeriu que estas substâncias
eram ferulatos de alquilas. Assim, foi determinado o comprimento das cadeias
alquílicas dos ferulatos presentes e a proporção entre eles, com base nos
valores dos picos do EM e suas abundâncias relativas. Os picos dos íons
moleculares registrados em m/z 614 (3), 586 m/z (357), m/z
558 (719), m/z 530 (76) e m/z 502 (24) no espectro EMIE
mostraram que esta mistura era constituída dos E-ferulatos de
triacontila, (C40H70O4, 2),
octacosila (C38H66O4, 3), hexacosila
(C36H62O4, 4), tetracosila (C34H58O4,
5) e dodecosila (C32H54O4, 6)
nas proporções 0,3 : 30,3 : 61,0 : 6,4 : 2,0 respectivamente.

Os espectros de RMN 1H
de 7 e 8 mostraram a presença de sinais característicos de
hidrogênios olefínicos entre d 4,7 - d 4,6 bem como os duplos dubletos (d 4,49 e 4,15), que foram atribuídos aos
hidrogênios oximetínicos, que encontravam-se mais desprotegidos que o
esperado na posição 3 dos triterpenos. Este sinal sugere a esterificação de
triterpenos nesta posição. Nos espectros de RMN 13C foram
verificados os sinais característicos dos carbonos olefínicos dos triterpenos
do grupo lupeno em aproximadamente d
150 (C-20) e d 109 (C-29), bem como o sinal do
carbono oximetínico (C-3) mais desprotegido que o esperado, devido à
esterificação em ca. d 80. O
triterpeno 7 apresentou 32 sinais no espectro de RMN 13C e,
juntamente com o pico do íon molecular registrado em m/z 498 no
espectro EMIE, permitiram sugerir a fórmula molecular C32H50O4.
Foram ainda observados nos espectros de RMN de 1H e de 13C,
o singleto característico de metila de grupo acetoxila (d 2,06), além dos sinais dos carbonos carbonílico
e metílico de grupo acetoxila em d
171,0 e 21,3, respectivamente, e o sinal referente ao grupo carboxílico de
ácido (C-28) em d 181,5. Comparação com os
valores de RMN 13C da literatura empregando dois modelos de
triterpenos como referência, o ácido betulínico13 e 3-b-acetiloxi-lup-20-(29)-eno10 permitiu
atribuir os valores dos deslocamentos químicos dos carbonos e determinar a
estrutura da substância 7 como sendo ácido 3-b-acetiloxi-lup-20(29)-eno-28-óico.

Os dados obtidos dos
espectros de RMN 13C (Tabela
1) e RMN 1H além do pico do íon molecular registrado em m/z
602 no espectro EMIE sugeriram a fórmula molecular C39H54O5
para a substância 8. O espectro de RMN 1H desta substância
apresentou também os sinais em d
7,61 e d 6,30, característicos para o
sistema carbonílico a,b-insaturado com configuração trans (d, J = 15,9 Hz).
Foi ainda observado o par de dubletos integrado para dois hidrogênios cada em
d 7,43 e d 6,85 (J = 9 Hz) indicativos de anel aromático para-dissubstituído.
Este conjunto de dados foi sugestivo da esterificação da unidade triterpênica
com o ácido p-cumárico. Os sinais do espectro de RMN 13C
quando comparados com os valores da literatura confirmaram a presença da
unidade p-cumaroíla14. Esta informação foi corroborada pelo
espectro de massas, cujo pico base foi o fragmento em m/z 147, típico
da unidade p-cumaroíla. No espectro de RMN 13C além dos
sinais da unidade p-cumaroíla, pode-se observar a presença da
carboxila de ácido na posição C-28, através do sinal em d 181,7. A comparação com os valores de RMN 13C
da literatura empregando dois modelos de triterpenos como referência,
respectivamente o ácido betulínico e 3-b-acetiloxi-lup-20-(29)-eno10
permitiu propor a estrutura da substância 8 como sendo o ácido 3-b-O-trans-p-cumaroil-lup-20(29)-eno-28-óico.
A substância 9,
semelhantemente à substância 8, apresentou no espectro de RMN 1H
sinais que caracterizavam a unidade p-cumaroíla esterificada com um
triterpeno. Foram também observados no espectro de RMN 1H sinais característicos
de substância contendo esqueleto triterpênico. Entretanto, o sinal em d 5,20 do hidrogênio olefínico H-12 foi indicativo
do esqueleto urseno. No espectro de RMN 13C verificou-se, além dos
deslocamentos químicos referentes à unidade p-cumaroíla, a presença
dos sinais característicos dos carbonos olefínicos dos triterpenos do grupo
urseno em d 125,4 (C-12) e d 138,1 (C-13). Da mesma forma que o observado
para a substância 8, a presença do íon molecular registrado em m/z
602 no espectro de massas sugeriu a fórmula molecular C39H54O5,
corroborando a informação que o triterpeno estava esterificado com o ácido p-cumárico.
Este espectro mostrou ainda o pico base em m/z 147, típico da unidade p-cumaroíla.
A comparação com os valores de RMN 13C da literatura empregando
como modelos o ácido 3-b-O-trans-p-cumaroil-2a-hidroxi-urs-12-en-28-óico e acetato de a-amirina permitiu propor a estrutura da
substância 9 como sendo o ácido 3b-O-trans-p-cumaroil-urs-12-eno-28-óico.

O primeiro estudo
realizado com o caule de um espécime de M. guianensis coletada em
Demerara - Georgetown (Guiana) relata o isolamento de 3-oxo-21b-H-hop-22(29)-eno (moretenona) e ácido
3-acetilaleuritólico5. Neste reestudo a partir do caule de um
espécime coletado na Bahia (Brasil) não foi isolado o ácido
3-acetilaleuritólico e apenas a presença do 3-oxo-21a-H-hop-22(29)-eno ou moretenona, foi
coincidente. Entretanto, além de 1, foram isolados b-sitosterol, lupenona e lupeol e a mistura dos E-ferulatos
de dodecosila (2), tetracosila (3), hexacosila (4),
octacosila (5), triacontila (6), bem como os ácidos 3-b-acetoxi-lup-20(29)-eno-28-óico (7), 3b-O-trans-p-cumaroil—lup-20(29)-eno-28-óico
(8) e 3b-O-trans-p-cumaroil-urs-12-eno-28-óico
(9). A ocorrência de triterpenos esterificando ácido benzóico e
derivados de ácido cinâmico parece ser comum em espécies do gênero Maprounea,
tendo sido também registrada em M. africana e M. membranacea15.
O extrato hexânico do
caule de Maprounea guianensis não apresentou atividade citotóxica (DL
> 1000), enquanto que os extratos clorofórmico e acetato de etila
apresentaram 90% e 100% de atividade, respectivamente. As substâncias 1-9
apresentaram DL50 > 1000, mostrando-se inativas. Substâncias
que apresentam LD50 > 1000 µg/mL são consideradas inativas e as
substâncias que apresentam LD50 £ 100 µg/mL são muito ativas, comparáveis à camptotecina e ao sulfato
de vincristina. As substâncias medianamente ativas são comparáveis ao ácido
hipúrico e apresentam DL50 ³
100 µg/mL, no intervalo entre 100 e 900 µg/mL9.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à
CAPES e ao CNPq pelas bolsas e auxílio financeiro.
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Recebido em 20/3/03;
aceito em 13/6/03
* e-mail: juceni@ufba.br
© 2006 SBQ
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