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A seguir apresentamos uma série de passos que podem ser úteis ao tradutor aprendiz antes de iniciar o trabalho e durante o processo tradutório.
1- Observar a macroestrutura do texto – de que partes ou subdivisões o artigo é composto?
2- Observar a microestrutura do texto. A microestrutura é o parágrafo. Veja se ele é longo ou curto, se as frases têm muitos conectores e como é o tipo de frase, se há mais voz passiva ou ativa, se são usados verbos flexionados com nós ou se os autores preferem um SE de impessoalização.O que há mais: sabemos ou sabe-se?
3- Fazer a contagem total de palavras do texto em português. Dica: Use a ferramenta gerador de lista de palavras (wordlist) disponível neste site.
Excluir dessa contagem as informações iniciais (nome dos autores, instituições, etc.), o texto do resumo, referências bibliográficas, tabelas e gráficos. Com a contagem das palavras que você terá que traduzir/verter, é possível ter uma idéia do tempo necessário para a tradução e, conseqüentemente organizar-se e reservar mais ou menos tempo para pesquisas, entrevistas e contatos com o cliente e revisões. O número de palavras também é um critério para a sua remuneração.
4- Ler o resumo em português e observar palavras-chave;
5- Leitura e (tentativa de) compreensão do título;
6- Fazer buscas de contextos com essas palavras-chave ou com uma palavra central do título do artigo. Nesse momento é importante já pesquisar também contextos na língua alvo e encontrar artigos similares já publicados na língua alvo. A partir daí, as observações devem voltar-se para os textos nas duas línguas, como sugerimos no próximo item.
7- Procurar pelos artigos citados na bibliografia do artigo, especialmente na língua para a qual será vertido o texto, como potencial fonte de consulta para uso de terminologia e modos de dizer recorrentes. Sugere-se localizar um artigo de área aproximada ou semelhante, publicado em revista ou obra semelhante (procurar uma revista equivalente), mas que tenha sido originalmente escrito na língua estrangeira. Assim você poderá reconhecer os modos de dizer na língua-alvo.
8- Reconhecer prováveis termos técnicos das áreas abordadas (ex.: rinite alérgica, ligação covalente, metil-tri-óxido-rênio, etc.) e também expressões típicas do tipo de pesquisa/relato que está sendo feito (estudo transversal, avaliação qualitativa, prospecção quantitativa, estatística, demonstrativa). Dica: Já comece a procurar por seus equivalentes na língua-alvo.
9- Observar “modos de dizer” – blocos de palavras que formam expressões recorrentes no texto – relacionados às seções/divisões do artigo e propósitos do texto (como descrito no item anterior). Tais expressões seriam, por exemplo, para apresentação de dados estatísticos, a prevalência foi diagnosticada, aumentou o número de indivíduos que, para descrição dos métodos para esse fim utilizou-se, foram consideradas n amostras, n indivíduos foram selecionados para este estudo) e dos resultados alterações foram observadas em, o estudo demonstrou que.
Esse item envolve a observação de n-gramas mais longos que se repetem ao longo do texto. N-gramas são grupos de palavras, duplas, trios ou quartetos que se repetem ao longo de um texto. Experimente usar a ferramenta disponível neste site.
Pesquisar por equivalentes dessas expressões nos textos de artigos na língua alvo é também recomendado.
10- Fazer uma wordlist do texto fonte com um software apropriado ou usar a ferramenta gerador de lista de palavras para observar as palavras mais freqüentes, as menos freqüentes e as palavras de única ocorrência (palavras que ocorrem só uma vez são chamadas de hapax).
11- Observar colocações (ou colocados) – use a nossa ferramenta gerador de contextos ou concordâncias. Se possível, consulte colocações em corpora na língua alvo, ou então na web e nos artigos selecionados no item 6.
12- Localizar glossários ou dicionários da área em português e língua estrangeira disponíveis on-line. Tome o cuidado de identificar materiais em que o português seja o de Portugal. Há muita diferença entre o português brasileiro e o lusitano, diferenças de grafia mas também diferenças de modo de conceber as terminologias técnicas. Veja um exemplo: no Brasil usamos quadril, mas em Portugal usa-se anca em textos especializados de Medicina!
13- Começar a traduzir do português para a língua estrangeira – deixe o título e o resumo para o final, traduza antes o conteúdo do corpo das seções e depois os subtítulos.
14- Faça um recorta-e-cola da bibliografia e dos gráficos ou tabelas, incluindo suas legendas, que serão a última coisa a traduzir;
15- Encontre suporte para suas escolhas de tradução do português para a língua estrangeira em materiais confiáveis, como dicionários e principalmente sites na web de instituições reconhecidas e que têm prestígio. Há muitos dicionários que não são sérios ou cientificamente elaborados. Não caia em armadilhas!
16- Ao terminar a tradução, utilize a ferramenta de verificação ortográfica de seu editor de texto. Releia o texto depois de algum tempo sem olhar para ele. Tome um café, saia um pouco da frente do computador.
17- Converse sobre dúvidas com seu cliente, se possível e se for necessário.
18- Revise a versão e tente se colocar no lugar do leitor para quem ela se dirige. Releia um texto originalmente escrito, publicado em uma revista semelhante que trate do mesmo tema ou de um assunto parecido. Compare terminologias e estruturas de frases entre o texto originalmente escrito na língua e o seu, vertido.
Na direção língua-estrangeira-língua portuguesa, isso, claro, tende a ser muito mais fácil de fazer. Basta consultar alguma revista brasileira semelhante à revista estrangeira da qual vem o artigo que você precisa traduzir para o português.
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Atualizada em 13/01/2009.
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